Espaço do Leitor Respostas a Leitores (por Maria Thereza Tosta Camillo)

A Igreja tem participação societária em empresas?

– Oi, pessoal do Veritatis! Há mais ou menos dois anos, enquanto me preparava pro vestibular, estava eu numa aula de literatura e o professor falou que a Igreja tinha ações de algumas multinacionais como Nestle, Fiat, Wolksvagen dentre outras. O que eu tenho a perguntar é se isso realmente é verdade (o que eu acho pouco provável) ou que poderia ter levado o meu professor pra falar isso. Há algum “tipo de conspiração” que divulgou isso? O professor disse até que era católico na época que tocou no assunto, mas não pagava o dízimo porque já dava a sua contribuição à Igreja ao consumir produtos dessas empresas. Muito obrigado e fiquem com Deus! (Bruno)

Bruno,

A Paz !

Você questiona se a Igreja investe em ações.

A Igreja dispõe de um território, que é o Vaticano, e possui bens. Para administrar um e outros, necessita de recursos. A organização e a administração da Igreja não poderiam atingir sua finalidade se não dispusessem de edifícios, de pessoal administrativo e de recursos econômicos.

Como escreveu D. Estêvão Bettencourt:

“(…)na medida em que existe e trabalha neste mundo, a Igreja utiliza os recursos materiais indispensáveis para o exercício da sua missão. Ela não o pode fazer simploriamente, pois isto equivaleria a atirar-se conscientemente na bancarrota; mas tem que se valer das normas de economistas e peritos fidedignos. Quem compreende isto, não se surpreende por saber que a Santa Sé tem seu organograma administrativo. Este é relativamente modesto, se comparado com o de outras instituições.” AS RIQUEZAS DA IGREJA, D. Estêvão Bettencourt. Escola Mater Ecclesiae.

A Santa Sé é um Estado, e, como tal, tem uma política econômica. Pela sua natureza peculiar, no entanto, essa política está limitada pelos princípios éticos e morais do catolicismo.

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Recorremos mais uma vez a D. Estêvão:

“(…) a Santa Sé, nos últimos anos, houve por bem estabelecer algumas normas aptas a administrar sabiamente o patrimônio que lhe tocou em virtude do Tratado do Latrão de 1929.

Ei-las:

Excluir investimentos que possam acarretar problemas do ponto de vista moral. Assim, os que se referem a

— firmas farmacêuticas, as quais produzem ou podem produzir anticoncepcionais;

— firmas fabricantes de armas, as quais podem contribuir para derrogar ao programa de desarmamento e paz mundiais apregoado pela Igreja;

— empresas cinematográficas, cujas produções são freqüentemente imorais…

— firmas construtoras, visto que estas estão sujeitas a critérios de especulação imobiliária, contra a qual se têm levantado fortes campanhas n Itália e no mundo inteiro.

Em conseqüência, os investimentos da Santa Sé dão preferência às chamadas “utilidades”, ou seja, sociedades de serviços públicos (telefone, eletricidade, gás, etc.), empresas bancárias, companhias de seguros, indústrias químicas, alimentícias, petrolíferas.”(Op. Cit)

Toda essa aparente riqueza, no entanto, é insuficiente em relação às despesas do exercício de suas finalidades, ou seja, o serviço pastoral.

“Todavia para fazer frente às exigências de trabalho pastoral sempre mais complexo, o muito ainda é pouco. As dioceses lutam constantemente com insuficiência de recursos para realizar suas grandes tarefas.” (Op. Cit).

Portanto, para que as obras sociais e missionárias não sejam paralisadas, a Igreja, além de procurar administrar de forma eficaz os seus recursos, depende da colaboração dos fiéis, através dos dízimos e das ofertas.

Quanto ao dízimo, a Igreja estipulou o seguinte mandamento: “Atender às necessidades materiais da Igreja, cada qual segundo as próprias possibilidades”. Não custa lembrar que o dízimo não é necessariamente a décima parte da renda de alguém, e nem tem como finalidade atrair graças de Deus, sejam materiais ou espirituais, mas antes colaborar com a missão apostólica da Igreja e com o sustento da paróquia da qual participamos.

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Dessa forma, o consumir determinados produtos não substitui a fidelidade no dízimo, até porque este último se destina majoritariamente ao atendimento de necessidades da comunidade local.

Espero ter esclarecido,

Um abraço e fique com Deus,

Maite Tosta
Ad Majorem Dei Gloriam
†Pro Veritas et Pro Ecclesia