Respostas Católicas

A “quo primum” de s. pio v condenou a missa nova de paulo vi?

– Vocês são piores que os fundamentalistas. Deveriam saber muito bem disso. Vocês abandonaram a fé católica ao defender a Missa Nova de Paulo VI. O Papa São Pio V advertiu contra aqueles que iriam tentar alterar a Verdadeira Missa, como disse o Arcebispo Lefébvre (Anônimo).

A declaração do Papa São Pio V, a que você aparentemente se refere, encontra-se na Constituição Quo Primum (1570). Porém, essa afirmação é feita, na maioria das vezes, pelos lefebvristas, que asseguram que a Quo Primum proíbe futuras alterações na Missa, mesmo que tais alterações sejam feitas pelo Papa.

A Quo Primum declara:

“Nós também declaramos e ordenamos que ninguém será forçado ou coagido a alterar este Missal, mas que o presente documento não pode ser revogado ou modificado, permanecendo sempre válido e retendo sua plena força, não obstante Constituições anteriores ou editos de concílios provinciais ou sinodais, e não obstante a prática e o costume das referidas igrejas, estabelecidos por longa ou imemorial prescrição, exceto contudo, se ultrapassar a duzentos anos de duração permanente”.

Há algumas coisas a se observar aqui. Primeiro: a Quo Primum foi um documento disciplinar, não uma definição doutrinária infalível acerca da Missa. Como tal, não há razão para se pensar que é irreversível.

Segundo: o propósito de Pio V na Quo Primum foi o de estabecer padrões para a celebração da Missa através do Rito Romano; não o de determinar como a Missa deveria ser celebrada até o fim dos tempos. Ainda que permitisse algumas exceções, o Missal de Pio V seria a norma.

Pio V queria assegurar que os padres “conservadores” de seus dias não continuariam a celebrar suas liturgias locais próprias, em prejuízo do então novo Missal Romano revisado. Em outras palavras: ele suprimiu muitas liturgias locais para estabelecer uma uniformidade de rito conforme as necessidades dos seus dias.

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Terceiro: a declaração na Quo Primum que diz: “ninguém será forçado ou coagido a alterar este Missal”, não estava destinada aos futuros sacerdotes que iriam se desagradar com as alterações litúrgicas feitas por um Papa futuro e que, assim, acabariam por querer manter a liturgia de Pio V. Era uma garantia para os sacerdotes daqueles dias, que seguiam o Missal revisado ao invés da liturgia admitida por um bispo local hesitante.

Quarto: quando a Quo Primum menciona aqueles que estavam proibidos de alterar o Missal revisado, não diz nada acerca dos futuros Papas. Ademais, como poderia Pio V proibir seus sucessores de revisarem o seu Missal? Se Pio V tinha o poder de alterar as liturgias dos seus predecessores, por que os Papas futuros não teriam o poder de revisar a sua liturgia? Ora, sua autoridade não poderia ser superior à autoridade dos demais.

Quinto: não há evidência de que Pio V tinha qualquer intenção de limitar a autoridade pastoral dos Papas posteriores sobre a Igreja. Desde o século XVI se verificam numerosas alterações no Missal de Pio V aprovadas por vários Papas. Embora nenhuma tenha sido tão extensa quanto a de Paulo VI, houve sim alterações – um fato que refuta a leitura lefebvrista da Quo Primum.