Patrologia

Abade anastácio

O abade Anastácio possuía um livro escrito em pergaminho muito refinado, que valia 18 denários, e que continha o Antigo e o Novo Testamentos integrais. Uma vez, um irmão foi visitá-lo e, ao ver o livro, roubou-o. Um dia, o abade Anastácio foi buscar seu livro para ler e não o encontrou; descobriu, então, que o irmão havia levado. Porém, não mandou que o procurassem com medo de que o irmão somasse o perjúrio ao roubo. Nesse ínterim, o irmão foi até uma cidade próxima vender o livro, e pediu 16 denários. O comprador disse: “Dê-me o livro para que eu possa verificar se vale este preço”. O comprador levou o livro a Santo Anastácio e disse: “Padre, por favor, examine este livro e me diga se devo comprá-lo por 16 denários”. O abade Anastácio respondeu: “Sim, é um livro muito bom, vale o que foi pedido.” Então, o comprador encontrou-se novamente com o irmão e disse: “Aqui está seu dinheiro. Mostrei o livro ao abade Anastácio e ele me disse que é um livro muito bom e que vale 16 denários.” Então, o irmão perguntou: “Isso foi tudo o que o abade Anastácio disse? Não fez nenhum outro comentário?” O comprador respondeu que não, que o abade não havia dito nada além daquilo. “Bom”, disse o irmão, “mudei de idéia, não quero mais vender o livro depois disso.” Em seguida, foi rapidamente se encontrar com o abade Anastácio e implorar, em prantos, para que aceitasse o livro de volta, mas o abade recusou-se e disse: “Vá em paz, irmão, é um presente que lhe dou.” Porém, o irmão disse: “Se o senhor não o aceitar de volta, eu nunca terei paz.” Então, o irmão vivei com o abade Anastácio pelo resto de sua vida.

Sua vida: Santo Anastácio era de origem persa e mágico por profissão. Seu nome persa era Magundat. Atraído ao cristianismo, abandonou a magia e foi morar na cidade de Hierápolis, na casa de um ourives cristão, cuja profissão aprendeu. Passado algum tempo, foi encaminhado à Jerusalém e finalmente batizado, recebendo o nome de Anastácio. Sente-se, então, atraído à vida monástica e ingressa no mosteiro de Santo Anastácio, perto de Jerusalém. Ali aprendeu o grego e por sete anos levou uma vida humilde como cozinheiro e jardineiro. Um dia, quando visitava os lugares santos na Palestina, foi preso e conduzido a Betsaloé, na Pérsia. Por ser cristão e não abjurar a fé, Anastácio foi condenado a trabalhos forçados, torturado cruelmente e por fim esquartejado. Seu biógrafo narra que ao ser levado diante do governador persa, não se prosternou perante ele. De cabeça erguida confessou: Sou cristão, persa, da província de Rasec, da aldeia de Rasnuni; fui cavaleiro e mago, mas abandonei as trevas pela luz: chamei-me antes Magundat, e chamo-me, agora, como cristão, Anastácio. Foi martirizado no ano 628.

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