Conheça Mais

Apologética após o Concílio Vaticano II?

Um dos motivos pelos quais alguns setores não aceitam a Apologética é porque acham que queremos praticá-la ou ressuscitá-la tal como se praticava antes do Concílio Vaticano II, onde, em certos casos, era muito racional, combativa, triunfalista e monólogo, onde se pretendia vencer um adversário na fé. Ademais, é vista como contrária ao ecumenismo. A verdade é que atualmente, em muitos países, está se praticando uma nova Apologética, segundo uma perspectiva incorporada na visão teológica do Vaticano II.

Vejamos abaixo algumas das suas principais características, observando como estamos certos em promover a importância de uma nova Apologética em todas as áreas pastorais:

– Surge da vivência do sacramento da confirmação, pelo qual somos enriquecidos com o Espírito Santo para sermos testemunhas de Cristo e difundir e defender a fé com obras e palavras (Catecismo da Igreja, § 1285).

– É um elemento integrante da evangelização (Catechesi Tradendae nº 18).

– Não é monólogo, mas justamente o contrário, pois estabelece as bases para um diálogo sadio (cfr. “A Igreja e as seitas: pesadelo ou desafio?”, pe. Flaviano Amatulli, pág. 269).

– Fortalece a identidade do católico e, ao mesmo tempo, deixa-o aberto aos valores e elementos de santidade existentes fora do âmbito eclesial visível (Unitatis Redintegratio nº 3).

– Não é contrária às seitas e nem lhes é favorável. Busca instruir, com serenidade, sobre as características e diferenças das diversas seitas e oferece respostas às injustas acusações que fazem contra a Igreja (cfr. Documento de Santo Domingo, CELAM, nº 146).

– Surge como disciplina, mas dentro do conjunto teológico (Pastores Dabo Vobis nº 51).

– Apologética renovada, que não busca contender ou condenar, mas fortalecer a fé do católico, capacitando-o a dar as razões da sua esperança (cfr. “O compromisso pastoral da Igreja frente às seitas”, Comissão Doutrinária da Conferência Episcopal Mexicana, nº 55; 1Pedro 3,15).

Veja também  Beata gianna beretta molla

– Não é contrária ao ecumenismo, mas é complementada com o mesmo (cfr. “Apologética e Ecumenismo: duas caras da mesma moeda”, pe. Flaviano Amatulli).

– Não vê apenas o erro no outro, mas ao mesmo tempo se autocritica e descobre no outro os sinais dos tempos (Ut Unum Sint nº 34).

– Une o valor do testemunho com a necessidade do anúncio explícito do Evangelho (Evangelii Nuntiandi nº 22).

– Defende e promove, por sua vez, a riqueza espiritual que o Senhor nos deixou, já que apenas na Igreja católica se encontra a plenitude dos meios de salvação estabelecidos por Jesus Cristo (cfr. Sínodo de América nº. 282).

– Não é triunfalista, mas anúncio profético de uma verdade proposta e penetra na alma pela própria força da verdade, com suavidade e firmeza (Ut Unum sint nº 3).

– Desenvolve, principalmente, toda uma obra de pastoral preventiva (cfr. “O compromisso pastoral da Igreja frente às seitas”, Comissão Doutrinária da Conferência Episcopal Mexicana, nnº 61 e 70).

– É complementada com o ecumenismo, já que entre ambas as linhas pastorais não há oposição mas complementariedade. O Ecumenismo visa restabelecer a unidade com os que se afastaram (=Unitatis Redintegratio) e a Apologética visa preservar a unidade dos que estão na Igreja (=Unitatis Praeservatio).

É esta a nova Apologética que propomos e promovemos, em consonância com o Magistério da Igreja.