Esta carta foi escrita em Esmirna onde Policarpo era bispo, aproximadamente em 107 d.C.. Onésimo, então bispo de Éfeso, vai até Esmirna saudar Inácio. Inácio aproveita a oportunidade para enviar uma carta à comunidade de Éfeso.
A carta divide-se em uma breve saudação, recomendações e despedida. A carta dá testemunho que a Igreja já se encontrava organizada em três níveis hierárquicos distintos: bispo, presbíteros e diáconos.
O tema central é a unidade dos cristãos: unidade com os diáconos, presbíteros e com o bispo. Dá forte testemunho da importância do bispo, que representava o próprio Senhor. Inácio testemunha que aquele que não se submete ao bispo, é orgulhoso e indigno de participar da família de Deus.
Inácio, revela-se conhecedor das processões divinas em Deus, ao reconhecer no Cristo a processão intelectiva de Deus ("De fato, Jesus Cristo, nossa vida inseparável, é o pensamento do Pai" cf. Ef 3:2), o que seria mais tarde explicado à luz da filosofia por São Tomás de Aquino, em sua obra Suma Teológica.
O Santo Bispo de Antioquia, dá forte testemunho da Divindade de Jesus Cristo (cf. Ef.1:1 ; 7:2), o Salvador gerado e não gerado (ingênito). Com este testemunho, Inácio trouxe para a construção do Dogma, pedras sólidas que ajudaram o Concílio de Nicéia (325 d.C.) a fixar no Credo o "genitum non factum", isto é, gerado e não criado. Embora Inácio ainda não tivesse esta precisão, Atanásio que colaborou na elaboração do vocábulo, reconheceu a perfeita ortodoxia no texto desta carta.
Este artigo foi publicado durante a primeira fase do Apostolado Veritatis Splendor. Conheça o site novo aqui