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Ano - IX sexta-feira, 19 de março de 2010
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A FÉ CRISTÃ PRIMITIVA (Volume Único)


Frei Boaventura Kloppemburg

  
Apologética>Protestantismo

VINTE RAZÕES PELAS QUAIS NÃO SOU PROTESTANTE: A REFUTAÇÃO DA REFUTAÇÃO - PARTE I


Por Alexandre Semedo

Fonte: Revisão - Alessandro Lima

1- Não sou protestante porque o protestantismo não existe desde o princípio do Cristianismo. Surgiu 1500 anos depois da era Apostólica. Suas igrejas são locais, regionais ou nacionais, não existindo uma Igreja Universal.

R - Mas o Cristianismo existe e é dele que fazemos parte. O Cristianismo é Universal. O católico Martinho Lutero, um dos expoentes da Fé Reformada, teve a coragem de protestar contra a venda de indulgências, um comércio que estava denegrindo o Cristianismo. A partir daí, o Cristianismo, sob a graça de Deus, seguiu seu caminho livre das heresias.
A ruptura foi necessária num momento em que o catolicismo pretendia se estender por todo o mundo, sempre com a ameaça de colocar na fogueira seus opositores. Então o Cristianismo seguiu seu caminho com a verdade bíblica, tendo unicamente Jesus como Senhor, Mediador, Advogado e Intercessor, conforme as Escrituras.

Repare que, nesta refutação, os pastores não encaram o problema principal (aliás, esta é uma constante nestas refutações que eles resolveram fazer). Eles não enfrentam o fato de que, nos primeiros 1500 anos do cristianismo, simplesmente não haviam protestantes. Não havia "sola scriptura" (e nem poderia, visto que as cópias manuais da Bíblia eram extremamente raras). Chega a ser engraçada a afirmação implícita de que Deus fez surgir o protestantismo (com Lutero à frente) porque a Igreja ameaçava dominar o mundo. A Igreja sempre foi universal e já se havia espalhado por todo o mundo conhecido.

Gostaria de chamar a atenção para a frase "a partir daí, o Cristianismo seguiu seu caminho livre das heresias". Ou seja, para esta tríade protestante, antes disto, o que existia era uma heresia. A promessa do Senhor de que as portas do Inferno não prevaleceriam contra a Igreja (cf. Mt 16,18-19) não passou, para eles, de uma fábula.


2 - Não sou protestante porque apesar da afirmação de que somente a Bíblia deve ser considerada como norma de fé e prática, eles não concordam entre si no tocante a pontos importantes, entrando assim, em contradições. São mais de 20.000 mil denominações diferentes. Cada uma pregando uma suposta verdade.

R - Ser a Bíblia a norma de fé e prática do cristão não é uma afirmação dos crentes; é uma declaração da própria Palavra de Deus (Rm 10.17; 2 Tm 2.15; 3.16-17 ;4.2). Há muitas denominações registradas em cartório, mas existe unidade na fé em Cristo Jesus. Desprezamos dogmas criados por homens. Não comemos pelas mãos dos outros. Cada crente examina as Escrituras, e debate, e troca opiniões, assim como faziam os primeiros cristãos.

Isto é absolutamente falso. A Bíblia jamais afirma ser a única norma de fé. E nem poderia ser, visto que a primeira geração de cristãos passou sem que qualquer livro do Novo Testamento tivesse sido escrito. Quase todos os apóstolos já haviam morrido antes que se escrevessem Hebreus, as Epístolas Joaninas, o Apocalipse e, segundo alguns exegetas, a Segunda Epístola de Pedro. Até o final quarto século, não havia definido o cânon bíblico. Os protestantes não se dão conta de que, se a "sola scriptura" fosse verdadeira, os primeiros cristãos (justamente aqueles que mais heroicamente deram a vida em testemunha de Cristo) não seriam cristãos legítimos, visto que não possuíam uma bíblia para examinar, debater e trocar opiniões (como os eles supõem que faziam...)

Veja-se que a "sola scriptura" não pode ser um ponto de fé genuinamente cristão pelo simples fato de que até o Concílio de Hipona (393 d. C.) ainda não havia uma "scriptura" para que os cristãos baseassem sua fé "sola" na mesma. Aliás, até a invenção da imprensa, os cristãos achariam ridícula a afirmação de que a Bíblia é a única norma de fé por dois motivos:

a) Havia pouquíssimas Bíblias, visto que a cópia era manual e muito demorada;

b) A quase totalidade dos cristãos era analfabeta, pelo que aos mesmos (que não podiam ler a Bíblia e dela retirar sua fé) só restava confiar naquilo que a única igreja de então ensinava.

Ou seja, o "sola scriptura" pode ser até tentador no dia de hoje, quando é fácil obter uma Bíblia e quando a maioria dos cristãos a podem ler (embora poucos tenham capacidade de a entender). Mas até algumas décadas antes de Lutero, isto teria sido considerado absurdo por todo o povo de Deus.

Para finalizar, se o que conta é a "uniformidade na fé em Cristo Jesus", não há porque se separar da Igreja Católica, visto que "fé em Cristo Jesus" nós também temos...

Vejam: "Estes foram mais nobres do que os de Tessalônica, pois de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim" (Atos 17.11). A Bíblia chama de "nobre" aquele que examina a Palavra e dela tira suas próprias conclusões. Somos uma só fé, uma só religião, uma só doutrina.

Esta afirmação seria engraçada se eles não estivessem falando sério. Uma só fé? Uma só religião? Uma só doutrina? Até parece que estão falando dos católicos...

É óbvio que, ou isto é uma mentira descarada, ou uma cegueira sem limites. São mais de trinta mil igrejas protestantes. Umas aceitam o sábado, outras o domingo, outras não aceitam dia algum de descanso. Umas somente batizam adultos; outras, crianças; umas entendem ser o batismo essencial para a salvação; outras, ser o mesmo um mero rito sem muito sentido; umas dizem que, para o batismo, basta a aspersão de águas; outras, dizem ser essencial a imersão; outras, afirmam que só é válido o batismo em águas correntes; outras, enfim, que as águas correntes devem ser fluvias... Umas dizem que ou se descansa aos sábados ou se tem a marca da Besta. Umas dizem que Cristo é Deus; outras, que Ele é uma mera criatura. Umas aceitam a existência de almas; outras, não. Poderíamos continuar ad nauseam com estes belos exemplos de unidade de fé, religião e doutrina...

Com relação ao trecho citado, os nobres protestantes (como qualquer adepto da "sola scriptura") derraparam em interpretação enviezada. Os cristãos mencionados receberam oralmente a fé, creram pela autoridade apostólica de São Paulo e, depois de receberem a verdadeira e sã doutrina, foram às Escrituras (hebraicas, obviamente, visto que todo o Novo Testamento não havia, ainda sido escrito) apenas para verificarem a exatidão do ensinamento apostólico. Estes "nobres cristãos" não saíram, por aí, tirando suas próprias conclusões bíblicas. Apenas confirmaram, nas Escrituras, a fé que haviam recebido e aceitado.

Só adoramos o Santo dos santos, Aquele que morreu em nosso lugar. Não louvamos, nem adoramos, nem suplicamos a outros deuses (Mateus 4.10). Se alguma denominação ensina outro Evangelho, não faz parte do Corpo de Cristo, não é considerada cristã, não é Igreja de Jesus.

Aqui é óbvio que a tríade quis dizer que a Igreja Católica não é Cristã, pois, ao "adorar os santos" prega um evangelho diferente do aceito pelos três.

O fato é que, se a tríade estivesse certa, e, se todo cristão que venera os santos não participa do corpo de Cristo, então os reformadores, que veneravam Maria, não eram cristãos, e as Igrejas fundadas pelos mesmos também não eram. Ocorre que estes protestantes disseram que, com Lutero, a Igreja Cristã seguiu seu caminho livre de heresias. Incoerências protestantes... Se eles estivessem certos, Lutero e seus comparsas eram hereges, não somavam com Cristo e, portanto, dividiam. A Reforma seria obra do Demônio, e obra do Demônio seriam todas as Igrejas nascidas, direta ou indiretamente da mesma, já que os primeiros reformadores também veneravam os santos.

Não é fantástico? Por linhas tortas, chegaram à conclusão correta!

3- Não sou protestante porque atribuem a si próprios o direito de interpretar a Bíblia. Acreditam ter uma iluminação pessoal vinda do Espírito Santo sem intermediários, ou seja, sem a Igreja. O mais interessante é a diferença que o Espírito Santo manifesta em cada uma das centenas (talvez milhares) de ramificações do protestantismo.

R - Fazemos o que Deus quer que façamos, ou seja, que nos dediquemos à leitura de sua Palavra, e nela meditemos dia e noite (Salmos 1), pois sabemos que "toda Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente preparado para toda boa obra" (2 Tm 3.16-17).

Sobre este famoso versículo da Segunda Carta a Timóteo, vou colar um texto que escrevi para uma protestante que, num debate, citou este trecho bíblico.

Vou terminar apenas comentando a famosa passagem "toda Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente preparado para toda boa obra". Com ela, os protestantes acham que provam a "Sola Scriptura" e a desnecessidade da Igreja. Não provam, pois Paulo não disse "apenas as escrituras divinamente inspiradas...", como você interpreta. Eu concordo com Paulo e, no entanto, confortavelmente, aceito toda a Tradição da Igreja. Quando Paulo escreveu este trecho, boa parte do Novo Testamento não havia, ainda, sido escrito. Ainda que a tua interpretação deste trecho (na qual você coloca um "somente" onde não existe) fosse correta, ela só faria sentido se a Bíblia tivesse caído pronta do céu. Mas você sabe que não foi assim. Então, eu te pergunto: a que "escrituras" Paulo se refere? Vejamos as possibilidades.

1ª Possibilidade: Paulo está se referindo apenas aos escritos judaicos (ou seja, ao Antigo Testamento). Particularmente, é isto o que eu entendo. Se você concordar comigo, existem muitos problemas para a tua fé. Primeiramente, uma boa parte dos livros que você tem por inspirados não o seriam, e muitos versículos que você usa para atacar a Igreja seriam "tradições humanas", como dizem os protestantes. Em segundo lugar (embora você negue isto atá a morte) Paulo era um judeu da diáspora, e, como todo judeu da diáspora, ao referir-se às escrituras judaicas pensava em todos os livros que, hoje, compõem o Antigo Testamento Católico. Em outras palavras, aceita esta primeira possibilidade, não apenas você lê livros não inspirados, mas, também há livros inspirados que você não lê. Creio que você não gostou muito, não é mesmo? Passemos à segunda possibilidade.

2ª Possibilidade: Paulo se referia aos escritos judaicos e a todos os escritos da era apostólica. Possivelmente, esta possibilidade é melhor que a primeira. Cuidado em aceitá-la, pois também traz dificuldades. Primeiramente, há escritos apostólicos que se perderam, pelo que nem toda "palavra inspirada e útil" estaria na Bíblia. Em segundo lugar, por que existem escritos da era apostólica que não compõem o cânon do Novo Testamento (e que provam que os cristãos primitivos já acreditavam em tudo aquilo que os protestantes insistem em dizer terem sido inventados por "Roma" séculos mais tarde), o que novamente nos conduz à negação da "Sola Scriptura". Novamente, acho que você já deve ter rejeitado esta hipótese. Não tem problema, existem mais duas.

3ª Possibilidade: Paulo se referia aos escritos judaicos e mais alguns (inclusive várias de suas próprias cartas) que, por revelação divina (sonho, aparição, etc.), soube que, trezentos anos mais tarde, viriam a ser estabelecidos num concílio cristão. Novamente, acho que você terá problemas com esta possibilidade, pois este mesmo concílio estabeleceu, como sendo inspirados, todos os livros do Antigo Testamento que não fazem parte de sua Bíblia. Esta possibilidade te levaria a aceitar como bíblicos pontos de fé católicos que você rejeita (purgatório, intercessão, orações pelos mortos, etc.). Vejamos a última possibilidade.

4ª Possibilidade: É muito parecida com a terceira. Só que na revelação de Paulo, ele soube que, mil e duzentos anos após o citado concílio, um monge iria arrancar, do cânon deste concílio vários livros do Antigo Testamento. É a este conjunto de livros que Paulo se referia. Exatamente o mesmo conjunto de livros que você tem por inspirados. Ocorre que isto não apenas coloca 1500 anos do cristianismo no ostracismo histórico, como também torna inútil a recomendação que Paulo deu a Timóteo. Afinal, as escrituras inspiradas e úteis para ensinar somente estariam à disposição dos cristãos séculos mais tarde.

O acesso à Bíblia não é proibido na Igreja de Cristo. Qualquer um pode ler; tendo dúvida, pede ajuda aos mais entendidos. Para isso, há escolas dominicais e cursos teológicos. Todo crente deve saber manejar bem a palavra da verdade para apresentar-se a Deus aprovado (2 Tm 2.15). Deus não quer ignorantes de Sua Palavra.

Podemos recorrer também ao Espírito Santo que não está preso numa redoma de ouro e guardado num cofre; Ele está em nós (Sl 51.11; Lc 11.13; At 2.4; Ef 1.13; Rm 8.9; 1 Co 3.16,19) e nos ajuda em nossas fraquezas, pois Ele é uma Pessoa (Rm 8.16,26; Lc 12.12; 14.26; 1 Co 2.13). Temos iluminação pessoal? E Jesus não disse que somos a luz do mundo e sal da terra (Mt 5.13,14)?

A contradição é assombrosa! Ora, se temos o Espírito Santo; se Ele nos ajuda e nos inspira; se é tão simples ler a Bíblia, então, por que escolas dominicais, cursos bíblicos, livretos, pregações, etc.? O "sola scriptura" vivido coerentemente resumiria o cristianismo a leituras e meditações particulares da Bíblia, cada um em seu cantinho.

A lógica nos diz que, se não há um magistério infalível dado por Deus, então cada crente, ao ler e meditar a mesma Bíblia, iluminado pelo mesmo Espírito, deveria chegar às mesmas conclusões às quais chegaram os demais. Ou, então, este Espírito Santo, contradizendo-se, não é Deus. Como a uniformidade não ocorre( e, sabendo que o Espírito Santo é Deus), é lógico que o pressuposto adotado (a "sola scriptura") está errado, o que nos conduz à necessidade da Igreja. E tal necessidade, por sua vez, é a ruína do protestantismo. Se a Igreja for necessária, não só os protestantes não cumprem a vontade de Deus como, também, lutam contra ela.

4- Não sou protestante porque a doutrina não tem unidade, as igrejas não são infalíveis em questões de moral e fé. Suas hierarquias não são rígidas, os preceitos são secundários. A salvação está em somente crer em Cristo, mas sabemos que não basta somente crer, pois, é preciso viver a fé, e vivê-la em santidade. Daí os Mandamentos. Daí a moral que a Igreja ensina. Dizer que a salvação vem somente do crer em Cristo, é continuar vivendo vida injusta ou dissoluta, é mentir à própria consciência.

R - E os papas são infalíveis? E as histórias repugnantes sobre diversos papas? E a diabólica Inquisição? E o perdão pedido aos chineses, aos aborígenes, a Galileu? Não é o reconhecimento de erros cometidos pelo catolicismo? A rigidez moral do catolicismo funciona?

Os protestantes confundem, sempre e sempre, infalibilidade com impecabilidade. Os papas pecaram, mas jamais erraram ao se pronunciarem, ex-cathedra, sobre doutrina e moral. Ou seja: dizer que os papas não são infalíveis porque pecaram é ou desconhecer o dogma da infalibilidade ou agir de má-fé. A tríade, em questão, parece conhecer o dogma da infalibilidade. Então...

Apenas para pôr os "pingos nos is", o catolicismo jamais cometeu erro. Isto é teologicamente errado. Os filhos da Igreja erraram (e, às vezes, gravemente), mas a Igreja segue santa e imaculada, pois tais erros ocorreram apesar da Igreja.

Repare-se que, também aqui, eles não refutaram o fato apresentado por D. Estevão. Eles se limitaram à tentativa de provar que nós, católicos, somos tão ruins quanto eles... Aceitaram, ainda que sem perceber, o fato de que o protestantismo não possui qualquer autoridade infalível e que não há segurança doutrinária entre as mais diversas igrejas cristãs. Tal forma de agir (atacar para não ter que se defender de algo indefensável) confunde os leitores menos atentos. Mas o fato é que, implicitamente, reconheceram a veracidade daquilo que disse D. Estevao.

E o caso de assédio e violência sexual de sacerdotes católicos contra religiosas, em 23 países, para ficar só neste exemplo? Ensinamos o que ensina a Palavra. A fé no Senhor Jesus envolve arrependimento dos pecados; sem isso não há perdão nem salvação. A santidade faz parte da vida cristã. Quem nos convence do pecado é o Espírito Santo (João 16.8). As boas obras são decorrentes dessa fé salvífica.

Os protestantes adoram desviar o assunto. Como não têm resposta à evidência apresentada por D. Estevão (qual seja, no protestantismo não há autoridade infalível) tentam atacar o catolicismo. São muito tristes os escândalos sexuais envolvendo padres, mas, repita-se, são erros dos filhos da Igreja. Poderia, também, citar exemplos chocantes envolvendo protestantes, mas isto não vem ao caso.

QUEM NELE CRÊ NÃO SERÁ JULGADO; QUEM NÃO CRÊ JÁ ESTÁ CONDENADO, porque não crê no nome do unigênito Filho de Deus (palavras de Jesus (Jo 3.18). Vejam também Romanos 10.9. Acontece que o catolicismo ensina a salvação pelas obras; mas não somos salvos pelas obras, mas para as boas obras (Ef 2.8). Ademais, "o justo viverá pela fé" (Romanos 1.17)

Gostaria de saber de onde a tríade tirou esta informação de que, segundo o catolicismo, somos salvos pelas obras. Para a Igreja, é Cristo que nos salva pela Sua Cruz e Ressurreição, sendo que, pelas boas obras, cooperamos para que esta salvação ocorra. Aliás, o que esta afirmação gratuita e inverídica tem a ver como o tema proposto por D. Estevão? Absolutamente nada.

5- Não sou protestante porque apesar deles lerem a Bíblia (embora sem alguns livros e com interpretações diversas) não possuem nenhuma autoridade superior Infalível, para declarar que uma palavra tem tal sentido, e exprime tal verdade.

R - Qual seria a autoridade infalível na Terra? Só surgiu um homem assim: Jesus Cristo, porque não tinha a mancha do pecado. A Palavra diz: "Seja Deus verdadeiro, e todo homem mentiroso", e que "não há um justo, nem um sequer" (Rm 3.4,10). Não temos um PAPA falível, mas temos um Papai do Céu infalível capaz de suprir todas as nossas necessidades (Fp 4.19). "O Senhor é o meu Pastor e nada me faltará" (Salmo 23).

Novamente, a mesma confusão entre infalibilidade e impecabilidade. O Papa não é, digamos, "impecável", mas infalível. Quem o diz é o próprio Cristo: "eu te darei as chaves do Reino dos Céus; o que ligares na Terra será ligado nos céus; o que desligares na Terra, será desligado nos céus" (Mt 16,19). E em outra passagem: "eis que eu estou convosco todos os dias, até o final do mundo" (Mt 28,20). Todos os papas pecaram; nenhum deles, contudo, jamais contradisse um seu antecessor ao usar do seu Magistério Infalível.

O questionamento de D. Estevão é muito contundente: os protestantes não possuem uma autoridade infalível, então, como saber qual das diversas interpretações que eles propõem é verdadeira? A tríade, novamente, não enfrentou o problema e desviou o assunto.


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Para citar este artigo:

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Livro "O Cânon Bíblico"