Esta carta foi redigida, provavelmente, pelos fins do reinado de Domiciano (81-96 DC), durante a segunda perseguição aos cristãos movida por este Imperador.
A comunidade de Corinto parece ter vivido em constante conflito. Já em 55 DC, quatro anos após sua fundação, encontrava-se agitada por divisões e escândalos a ponto de ser advertida por São Paulo, nestes termos: "Eu vos exorto, irmãos (...), guardai a concórdia uns com os outros, de sorte que não haja divisões entre vós (...) Com efeito, meus irmãos, pessoas da casa de Cloé me informaram de que existem rixas entre vós" (1Cor 1:10-12)
Mas, a julgar por aquilo que São Paulo escreve dois anos mais tarde, a comunidade de Corinto não parece dar mostras de muita melhora. Planejando uma viagem, pretende passar por Corinto, mas está apreensivo (cf. 2Cor 12:20-21).
Quarenta anos mais tarde, Clemente bispo de Roma, é informado sobre o tumulto que toma conta da comunidade. O Conflito consiste, substancialmente, numa revolta de alguns membros (leigos) contra os presbíteros, onde os primeiros querem depor os últimos de seus cargos. Clemente então escreve para esta comunidade para apaziguar e restabelecer a ordem.
Esta carta foi considerada canônica até o fim do séc. IV, quando a Igreja definiu o católogo Bíblico durante o Concílio Ecumêncio de Hipona (393 DC).
Importância da CartaÉ a melhor introdução à História da Igreja. É importante para a jurisdição eclesiástica, sucessão apostólica, hierarquização dos membros da comunidade, mostrando como os fiéis são inferiores aos presbíteros e para a liturgia. A Igreja aparece fundada sobre a autoridade imediata dos apóstolos. É una (não existindo outras), apostólica (gerada através da sucessão regular dos apóstolos), corpo de Cristo.
Conteúdo da CartaTrata-se de uma carta longa, com 65 capítulos.
A primeira parte trata-se de um breve prólogo onde Clemente explica a demora de sua intervenção nesta comunidade, além de lembrá-los das virtudes do passado e das conseqüências funestas da discórdia.
A segunda parte é genérica (caps. 4-36). Aborda considerações, admoestações morais com o objetivo de restabelecer a paz e a concórdia na comunidade de Corinto. Dá instruções de caráter geral, adverte os fiéis de Corinto sobre a inveja e como bani-la, e fazer penitência recomenda a obediência, a fé, a piedade, a hospitalidade e humildade a exemplo de Cristo. A ordem do universo é modelo de concórdia e paz. Além do exemplo de Cristo, Clemente invoca constantemente os exemplos das virtudes do Antigo Testamento.
A terceira parte (caps. 37-61), insiste sobre a hierarquia da Igreja e a necessidade de submissão às legítimas autoridades. Para isto, mostra como formamos um corpo em Cristo e como neste corpo deve reinar a unidade e não a desordem, pois Deus quis e quer a ordem nas alianças.
A quarta parte é Conclusão (caps. 62-65). Nela Clemente sumariza o que disse e faz votos de que se restabeleça a ordem e paz na comunidade de Corinto.
Este artigo foi publicado durante a primeira fase do Apostolado Veritatis Splendor. Conheça o site novo aqui