c. Obediência e Fé
9. 1Obedeçamos, portanto, à sua grandiosa e gloriosa vontade. Tornemo-nos suplicantes da sua misericórdia e da sua bondade. Prostremo-nos e convertamo-nos à sua piedade, abandonando a vaidade, a discórdia e a inveja, que levam para a morte. 2Fixemos nosso olhar nos que foram os ministros perfeitos de sua grandeza e de sua glória.
Henoc, Noé e Abraão
3Tomemos Henoc, que foi encontrado justo, por causa de sua obediência. Ele foi arrebatado, sem que se encontrasse traço algum de sua morte. 4Noé foi encontrado fiel, e teve como ministério anunciar novo nascimento para o mundo e, por meio dele, o Senhor salvou os seres vivos que, em concórdia, tinham entrado na arca.
10. 1Abraão, que foi chamado amigo, foi encontrado fiel em sua obediência às palavras de Deus. 2Por obediência, ele saiu de sua terra, de sua família e da casa de seu pai. Por ter abandonado pequena terra, parentela insignificante e casa humilde, ele herdou as promessas de Deus. Com efeito, Deus lhe disse: 3"Sai da tua terra, da tua família e da casa de teu pai, a fim de ir para a terra que eu te mostrarei. Farei de ti uma grande nação. Eu te abençoarei, engrandecerei o teu nome, e tu serás abençoado. Abençoarei os que te abençoarem, amaldiçoarei os que te amaldiçoarem, e em ti todas as tribos da terra serão abençoadas[8]." 4De novo, quando Abraão se separou de Ló, Deus lhe disse: "Levanta os olhos e vê, desde o lugar onde agora te encontras, para o norte e para o sul, para o Oriente e para o mar. Darei a ti e à tua posteridade para sempre toda a terra que estás vendo. 5Tornarei a tua descendência como a areia da terra. Se alguém conseguir enumerar os grãos da areia da terra, conseguirá também enumerar a tua descendência[9]." 6E, de novo, se diz: "Deus conduziu Abraão para fora e lhe disse: 'Levanta teus olhos para o céu, e conta as estrelas, se o conseguires. Assim será a tua descendência.' E Abraão acreditou em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça[10]." 7Por causa da fé e hospitalidade lhe foi dado um filho na sua velhice e, por obediência, ele o ofereceu a Deus em sacrifício sobre uma das montanhas que Deus lhe indicou.
Ló
11. 1Por causa da hospitalidade e da piedade, Ló foi salvo de Sodoma, enquanto toda a região circunvizinha era julgada pelo fogo e pelo enxofre. O Senhor mostrava claramente que ele não abandona os que nele esperam e manda punições e tormentos para aqueles que se rebelam. 2Com efeito, a mulher de Ló, que tinha saído junto com ele, foi colocada como sinal: ela se tornou coluna de sal até hoje, a fim de que todos saibam que os dúplices de coração e que duvidam do poder de Deus tornam-se julgamento e sinal para todas as gerações.
Raab
12. 1Por causa da fé e da hospitalidade, a prostituta Raab foi salva. 2Quando Jesus, filho de Nave, mandou os exploradores a Jericó, o rei da região soube que eles tinham vindo para espionar a sua terra e mandou homens para prendê-los, e, uma vez presos, matá-los. 3A hospitaleira Raab, que os tinha acolhido, escondeu-os no andar superior, sob os feixes de linho. 4Quando os emissários do rei chegaram, disseram a ela: "Aqueles que vieram para espionar a nossa terra, entraram em tua casa. Faze-os sair. É ordem do rei[11]." Ela respondeu: "De fato, os homens que procurais entraram em minha casa; porém saíram logo e estão seguindo seu caminho". E ela indicou-lhes o caminho oposto. 5Depois disse aos homens: "Eu sei muito bem que o Senhor Deus vos entrega esta terra. Com efeito, aqueles que a habitam estão tomados de espanto e terror por vossa causa. Portanto, quando tiverdes tomado posse desta terra, salvai-me junto com a casa de me pai." 6Eles responderam:"Acontecerá como nos disseste. Quando perceberes que estamos chegando, reúne todos o seus debaixo do teu teto, e serão salvos, pois todos os que forem encontrados fora da casa serão mortos." 7Além disso, deram-lhe um sinal: pendurar na casa algo escarlate. Dessa forma, tornavam claro que o sangue do Senhor resgataria todos aqueles que acreditam e esperam em Deus. 8Vede, caríssimos, que nessa mulher havia não só a fé, mas também a profecia.
d. Humildade e Mansidão
13. 1Portanto, irmãos, sejamos humildes, depondo todos os sentimentos de jactância, de vaidade, de insensatez e de cólera, e pratiquemos o que está escrito. De fato, o Espírito Santo diz: "Que o sábio não se glorie de sua sabedoria, nem se farte de sua força, nem o rico de sua riqueza; aquele que se gloria, glorie-se no Senhor, por procurá-lo e praticar o direito e a justiça[12]." Lembremo-nos, sobre tudo, das palavras do Senhor Jesus, quando ele ensinava sobre a benevolência e a paciência. 2Assim dizia: "Sede misericordiosos, a fim de que sejais tratados com misericórdia; perdoai, para que vos seja perdoado; da mesma forma com que agirdes, também agirão convosco[13]; da mesma forma como dais, assim também vos darão; do modo como julgais, assim também vos julgarão; do modo como tratais com bondade, assim também vos tratarão; a medida que usais é a mesma que usarão para convosco." 3Fortalecamos-nos a nós mesmos com esse mandamento e esses preceitos, a fim de caminhar com espírito de humildade, submissos às suas santas palavras. Com efeito, eis o que diz a palavra santa: "Para quem voltarei meu olhar senão para o homem manso e pacífico, que treme diante de minhas palavras[14]?
Contra os orgulhosos
14. 1Portanto, irmãos, é justo e santo obedecer a Deus, mais do que seguir aqueles que, por orgulho e revolta, se tornaram chefes de odiosa inveja. 2Nós nos expomos, não a um prejuízo comum, mas a um perigo grave, se nos deixarmos levar temerariamente pelos projetos desses homens, que se atiram à competição e à revolta, para nos afastarem do bem. 3Sejamos bons uns para com os outros, conforme a compaixão e a doçura daquele que nos fez. 4Está escrito: "Os bons habitarão a terra e os inocentes serão deixados sobre ela, mas os pecadores serão exterminados dela.[15]" E diz ainda: "Vi o ímpio exaltado, elevado como os cedros do Líbano; passei, e não existia mais; procurei o lugar em que estava, e não o encontrei. Guarda a inocência e observa a retidão, porque existe uma posteridade para o homem pacífico[16].
15. 1Unamo-nos, portanto, àqueles que vivem piedosamente a paz, e não àqueles que fingem querer a paz. 2Com efeito, em algum lugar se diz: "Este povo me honra com os seus lábios, mas seu coração está longe de mim." 3E mais: "Com sua boca bendiziam, mas com seu coração maldiziam." 4E diz ainda: "Eles o amaram com a boca, mas com a língua lhe mentiram. O coração não foi reto com ele, e não permaneceram fiéis à aliança dele." 5Por isto, "emudeçam os lábios enganosos que falam iniqüamente contra o justo." E ainda: "Que o Senhor faça perecer todos os lábios enganosos, a língua arrogante daqueles que dizem: 'Tornaremos nossa língua poderosa, e nossos lábios nos pertencem. Quem estaria, Senhor, acima de nós?' 6Por causa da miséria dos pobres e do gemido dos indigentes, eu me levantarei, Senhor. Eu os porei a salvo, 7e falarei abertamente com eles[17]
[9] Gn 13,14-16
[10] Gn 15,5-6
[11] Para este cap., cf. Js 2
[12] Jr 9,22-23; 1Rs 2,10
[13] Cf. Mt 5,7; 6,12.14
[14] Is 66,2
[15] Pr 2,21-22
[16] Sl 61,5
[17] Is 29,13; Mt 15,8; Sl 61,5; 77,36-37; 30,19; 11,4-6
Este artigo foi publicado durante a primeira fase do Apostolado Veritatis Splendor. Conheça o site novo aqui