III. DISCIPLINA COMUNITÁRIA
a. Subordinação Mútua
37. 1Irmãos, militemos com toda nossa prontidão sob as ordens irrepreensíveis dele. 2Consideremos os soldados que servem sob as ordens de nossos governantes: com que disciplina, docilidade e submissão eles executam as funções que lhes são designadas! 3Nem todos são comandantes, nem chefes de mil, nem chefes de cem, nem chefes de cinqüenta, e assim por diante. Cada um, porém, no seu próprio posto, executa aquilo que lhe é prescrito pelo rei e pelos governantes.
O corpo e os membros
4Os grandes não podem existir sem os pequenos, nem os pequenos sem os grandes; em tudo há certa mistura, e nisso há uma necessidade. 5Tomemos o nosso corpo: a cabeça não é nada sem os pés, nem os pés sem a cabeça; os menores membros do nosso corpo são necessários e úteis ao corpo inteiro, mas todos convivem e têm subordinação mútua para a saúde do corpo inteiro.
38. 1Conservemos, portanto, todo o nosso corpo em Cristo Jesus, e cada um seja submisso a seu próximo, conforme o dom que lhe foi conferido.
Os dons para servir
2O forte cuide do fraco, e o fraco respeite o forte; o rico socorra o pobre, e o pobre agradeça a Deus porque lhe deu alguém para suprir a sua indigência. Que o sábio mostre sua sabedoria, não em palavras, mas em boas obras. Que o humilde não dê testemunho de si mesmo, mas deixe que outro testemunhe em seu favor. Que o puro em seu corpo não se vanglorie disso, pois sabe que é outro quem lhe concede a continência. 3 Reflitamos, portanto, irmãos, sobre a matéria de que fomos feitos; como e quem éramos, quando entramos no mundo; de que túmulo e de que trevas, aquele que nos modelou e criou nos introduziu no mundo que lhe pertence. Ele preparou seus benefícios antes que tivéssemos nascido. 4Dele recebemos tudo, e tudo lhe devemos agradecer. A ele, a glória pelos séculos dos séculos. Amém.
39. 1Os ignorantes, os insensatos, os loucos e os grosseiros caçoam e zombam de nós, querendo se exaltar com seus próprios pensamentos. 2De fato, o que pode fazer o mortal? Qual é a força de quem nasce da terra? 3Com efeito, está escrito: "Não havia nenhuma forma diante dos meus olhos, mas eu ouvia um sopro e uma voz. 4O que seria? Um mortal poderá ser puro diante do Senhor? O homem poderá ser irrepreensível nas suas obras, quando Deus não confia sequer em seus servos e descobre erros até em seus anjos? 5Nem mesmo o céu é puro diante dele. O que será, então, dos que moram em casas de argila, entre os quais estamos nós, formados da mesma argila? Ele os esmagou como se esmaga um verme; entre o amanhecer e a tarde, eles não existem mais: pereceram, não podendo encontrar auxílio em si próprios. 6Ele soprou sobre eles, e morreram, porque não tinham sabedoria. 7Agora, invoca, para ver se alguém te escuta. Verás talvez um dos santos anjos. A ira arruína o insensato e a inveja mata o transviado. 8Vi insensatos lançarem raízes, mas logo a sua vida foi devorada. 9Que seus filhos fiquem longe da salvação; sejam desprezados junto às portas dos mais pobres, e não haja ninguém para libertá-los. Os justos comerão o que estava preparado para esses tais, que não serão libertados de seus males[1]."
b. Hierarquia Levítica e Ordem Eclesiástica
40. 1Essas coisas são evidentes para nós, pois descemos às profundidades do conhecimento divino. Devemos fazer com ordem tudo o que o Senhor nos mandou realizar nos tempos determinados. 2Ele ordenou que as ofertas e as funções litúrgicas fossem realizadas, não ao acaso ou desordenadamente, mas em circunstâncias e horas determinadas. 3Ele próprio, por soberana vontade, determinou onde e por quem deseja que as coisas sejam realizadas, a fim de que cada coisa, feita santamente com a sua santa aprovação, seja agradável à sua vontade. 4Aqueles, portanto, que apresentam suas ofertas nos tempos determinados, são agradáveis e felizes, pois seguindo os preceitos do Senhor, eles não erram. 5Ao sumo sacerdote foram confiados ofícios litúrgicos particulares; aos sacerdotes foi designado seu lugar particular; e aos levitas foram impostos serviços particulares. O leigo está ligado aos preceitos leigos.
41. 1Irmãos, cada um de nós, no seu próprio lugar, agradeça a Deus, agindo com boa consciência, com dignidade, sem violar as regras que foram determinadas para sua função. 2Irmãos, não é em qualquer lugar que se oferecem sacrifícios, sacrifício perpétuo ou sacrifícios votivos, sacrifícios pelo pecado e sacrifícios expiatórios, mas somente em Jerusalém. E mesmo nesta cidade, não se oferece em qualquer lugar, mas diante o santuário, no altar, depois de minucioso exame da vítima, feito pelo sumo sacerdote e pelos ministros mencionados acima. 3Aqueles que não agem conforme a vontade dele, merecem a pena de morte. 4Como vedes, irmãos, quanto maior é o conhecimento de que fomos julgados dignos, maior é o perigo ao qual ficamos expostos.
A sucessão apostólica
42. 1Os apóstolos receberam do Senhor Jesus Cristo o Evangelho que nos pregaram. Jesus Cristo foi enviado por Deus. 2Cristo, portanto, vem de Deus, e os apóstolos vêm de Cristo. As duas coisas, em ordem, provêm, da vontade de Deus. 3Eles receberam instruções e, repletos de certeza, por causa da ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo, fortificados pela palavra de Deus e com plena certeza dada pelo Espírito Santo, saíram anunciando que o Reino de Deus estava para chegar. 4Pregavam pelos campos e cidades, e aí produziam sua primícias, provando-as pelo Espírito, a fim de instituir com elas bispos e diáconos dos futuros fiéis. 5Isso não era algo novo: desde há muito tempo, a Escritura falava dos bispos e dos diáconos. Com efeito, em algum lugar está escrito: "Estabelecerei seus bispos na justiça e seus diáconos na fé[2]."
O caso típico de Aarão
43. 1Por que se espantar, se aqueles que tinham fé em Cristo, estabeleceram, como obra de Deus elas, os ministros, de quem acima falamos? O bem-aventurado Moisés, fiel servidor em toda a casa, também consignou nos livros sagrados tudo o que lhe foi ordenado. Os outros profetas o acompanharam, dando testemunho das normas estabelecidas por ele. 2Quando apareceu um conflito a respeito do sacerdócio, e as tribos disputavam sobre qual delas seria ornada com o nome glorioso, Moisés ordenou que cada um dos doze chefes das tribos lhe trouxessem uma vara com o nome de sua tribo nela inscrito. Depois, as tomou e amarrou, selou-as com os anéis dos chefes de tribo, e as colocou na tenda do testemunho, sobre a mesa de Deus. 3E após fechar a tenda, selou as chaves, da mesma forma que fizera com as varas. 4Disse então a eles: "Irmãos, a tribo cuja vara brotar, é a que Deus escolheu para exercer o sacerdócio e oficiar diante dele[3]." 5De manhã, convocou todo o Israel, cerca de seiscentos mil homens, mostrou os selos aos chefes das tribos, abriu a tenda do testemunho, e tirou daí as varas. Verificou-se, então, que a vara de Aarão não só tinha brotado, mas também der fruto. 6Que achais disso, caríssimos? Será que Moisés não previa que isso iria acontecer? Claro que sim. Ele assim procedeu para que não houvesse em Israel desordem e para que fosse glorificado o nome do Deus único e verdadeiro. A ele, a glória pelos séculos dos séculos. Amém.
Bispos e presbíteros
44. 1Nossos apóstolos conheciam, da parte do Senhor Jesus Cristo, que haveria disputas por causa da função episcopal. 2Por este motivo, prevendo exatamente o futuro, instituíram aqueles de quem falávamos antes, e ordenaram que, por ocasião de morte desses, outros homens provados lhes sucedessem no ministério. 3Os que foram estabelecidos por eles ou por outros homens eminentes, com a aprovação de toda a Igreja, e que serviram irrepreensivelmente ao rebanho de Cristo, com humildade, calma e dignidade, e que durante muito tempo receberam o testemunho de todos, achamos que não é justo demiti-los de sua funções. 4Para nós, não seria culpa leve se exonerássemos do episcopado aqueles que apresentaram os dons de maneira irrepreensível e santa. 5Felizes os presbíteros que percorreram seu caminho e cuja vida terminou de modo fecundo e perfeito. Eles não precisam temer que alguém os afaste do lugar que lhes foi designado. 6E nós vemos que, apesar da ótima conduta deles, removestes alguns da funções que exerciam de modo irrepreensível e honrado.
[1] Jó 4,16-5.5
[2] Is 60,17
[3] Nm 17,12.16-26
Este artigo foi publicado durante a primeira fase do Apostolado Veritatis Splendor. Conheça o site novo aqui