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Ano - IX segunda-feira, 15 de março de 2010
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E o Verbo se fez Carne - Vol. 1


Manual da Santa Missa

  
Apologética>Conc. Ecum. Vaticano II

INTEGRISMO CONSERVADOR: UMA OPÇÃO VÁLIDA?


Por Pe. Carlos Miguel Buela, IVE

Tradução: Wagner Marchiori

Fonte: http://www.padrebuela.com.ar

O Instituto do Verbo Encarnado e sua postura frente ao lefebvrismo 
 

INTRODUÇÃO

Analisaremos este tema não com o afã de polemizar, nem de nos erigirmos em juízes de ninguém, nem muito menos de ferir ou magoar alguém, mas, simplesmente, com o afã de expressar nossas convicções.

Durante muitos anos não expressamos nossas razões e, sem nos defender, deixamos que falassem de nós o que quisessem falar. Agora chegou o momento de falar – não para nos defender nem para impedir que falem de nós o que queiram – mas para poder dar nossas razões por escrito aos que as pedem.

Tampouco pretendemos fazer um exame exaustivo das posições que não compartilhamos, menos ainda analisar todas as diferenciações que existem na ampla gama daquilo que se costuma chamar “integristas, “conservadores”,etc; gama, essa, que inclui os lefebvristas, os meta-lefebvistas, os deponentistas, os sede-vacantistas, etc. Por isso, não pretendem nossas afirmações apontar a todos eles da mesma forma e no mesmo sentido.

Daí que pensamos que será de utilidade para nosso propósito:

I. Mostrar as razões pelas quais consideramos pertinente nos ocupar do tema

II. considerar o que entendemos serem problemas apenas pontuais

III. analisar o que são os problemas subjacentes.

Com isso pretendemos prestar um serviço àqueles que, insistentemente, nos solicitam tais linhas.


I. ALGUNS JUÍZOS

Muitas vezes nos chamaram de “lefebvristas”. Certamente, não é nossa intenção refutar ponto por ponto todas as acusações infundadas. Citaremos, apenas, alguns casos:

- Na revista “Critério”, Mons. Carmelo J. Giaquinta, então Bispo-auxiliar de Viedma, dizia: “Conseqüentemente, o Concílio trouxe desmedidas atitudes saudosistas e “avancistas”. Para saudosismos basta o exemplo de Mons. Lefebvre, que tanto eco encontrou na Argentina, e atitudes afins,como demonstram recentes acontecimentos que afetaram o Seminário de Paraná e o êxodo de seminaristas para San Rafael...” [1].

- Em outro número de “Critério” diz a respeito dos lefebvristas na Argentina, que “...atuam completamente à margem da Igreja, que, por sua vez, os ignora. Nem sequer se sabe se têm contato com outros grupos tradicionalistas, tais como os sacerdotes do Verbo Encarnado (“congregação” formada pelos seminaristas – hoje ordenados – que foram expulsos do Seminário de Paraná e acolhidos no de San Rafael, e que continuam enviando candidatos de todo país em grande número)”[2].

- O jornal “The Southern Cross” dizia, a propósito de umas declarações do então Bispo de San Rafael, Mons. Leon Kruk, que essa diocese “...se destaca por seu conservadorismo e seu clima de resistência às reformas do Vaticano II...” e que tais declarações “são a negação do espírito de diálogo ao qual nos convida a Igreja e um desconhecimento de tudo o que o Vaticano II disse sobre a missão da Igreja no Mundo”[3]

-  Na revista “CIAS” de agosto de 1988, o diretor da mesma disse, com respeito à Igreja na Argentina, que “há muitos sinais que nos fazem temer que representem uma atitude mais próxima a Lefebvre do que de S.S. João Paulo II. Em primeiro lugar, há o fato de que a Fraternidade (São Pio X) – nascida desse espírito de contradição em relação ao Concílio – tenha seu seminário aqui e com fortes influências, primeiro no Seminário de Paraná e agora no de San Rafael...”[4]

- Mesmo em publicações estrangeiras fomos chamados de “lefebvristas”. Por exemplo, Marcello Zago escreve em “L’Osservatore Romano” (ed. Italiana), a propósito da situação em nosso país que “não só são ativos os “lefebvristas” formais, mas que há, também, seminários do mesmo tipo, como o de San Rafael”[5]

- Na revista espanhola “Ecclesia”, o jornalista Emeterio Gallego repetidas vezes se interessou por nós. Assim, por exemplo, diz que o Seminário de Paraná era “famoso por seu tradicionalismo e anti-vaticanismo... (lá) não queriam ouvir falar do Vaticano II... (Posteriormente) saíram da diocese. Encontraram um Bispo benévolo que os recepcionou na de San Rafael, província de Mendonza... Agora, com o cisma lefebvriano, San Rafael proclamou sua adesão a Roma e não ao lefebvrianismo, mas o Vaticano II continua plenamente desconhecido nele” [6]

- Em outra oportunidade afirmou que “na diocese de San Rafael... são mais lefebvrianos que o pessoal de Lefebvre”[7]

Mais recentemente, depois de repetir o que já citamos sobre a transferência dos seminaristas, supostamente lefebvristas, do Paraná para o San Rafael, afirma que, por isso, “o seminário de San Rafael se converteu em um foco de atração para todo ambiente nazista e tradicionalista argentino[8]... Para evitar a intervenção romana desapareceu o seminário diocesano e se fundou uma espécie de Instituto Secular de direito diocesano...”[9].

Se estas são apenas algumas amostras daquilo que se escreveu, o que terá sido também falado, do que, aliás, abundam testemunhos?

Porém, a nosso favor, temos de afirmar que não somos lefebvristas nem nunca fomos. Mais ainda, nem sequer tivemos tentações de lefebvrismo. E, além disso, desde faz muitos anos, inclusive antes da consagração dos bispos por parte de Mons. Lefebvre, vínhamos denunciando o perigo que tal postura implicava. Sempre foi para nós uma beco sem saída. Basta, para mostrar isso, algumas provas:

- Em 7 de junho de 1981, escrevíamos no prólogo de “La Quimera del Progresismo” que “...muitos – e não somente os mal intencionados – apenas pelo fato de que denunciamos com muita força os erros progressistas, imediatamente nos catalogam de integristas... Estamos firmemente convencidos que na Igreja Católica se pode e se deve ser anti-progressista, sem que por isso se seja, necessariamente, integrista...”Em seguida, citávamos um discurso de João Paulo II aos Bispos da França no qual o Papa fala destas duas tendências conhecidas como “progressismo” e “integrismo”. Depois de referir ao progressismo diz: “Outros – percebendo determinados abusos que nós somos os primeiros, evidentemente, a reprovar e corrigir – endurecem sua postura detendo-se em um período determinado da Igreja, em um determinado plano de formulação teológica ou de expressão litúrgica que consideram absolutos, sem penetrar suficientemente em seu profundo sentido, sem considerar a totalidade da história e seu desenvolvimento legítimo, assustando-se com as novas questões, sem admitir, em definitivo, que o Espírito de Deus continua atuando hoje na Igreja, com seus pastores unidos ao Sucessor de Pedro” [10]. Imediatamente fazíamos a salvaguarda de que o Papa não está tratando igualmente as duas posturas. De fato,  uns – os integristas – aferram-se excessivamente a “expressões litúrgicas” ou a “formulações teológicas” de uma época; enquanto que os progressistas, com sua postura, “afetam o conteúdo essencial da fé”, o que é muito mais grave”[11].

- Em 3 de setembro de 1983, ao escrever o prólogo do “El Progresismo Cristiano”, do Pe. Julio Meinvielle, dizíamos: “Ensaiam desfazer Cristo, diminuindo sua dignidade, os que não aceitam – de fato ou de direito – a verdadeira e única cabeça visível da Igreja, o Papa, porque diluem, patentemente, a unidade do Corpo Místico: não pode ser um só Corpo se não tivesse uma só Cabeça; nem uma só comunidade se não tivesse um só chefe, como ensinou seu Fundador: um só rebanho e um só pastor (Jo 10,16). Lembre-se, por exemplo, os desvios de Hans Kung e de tantos outros, e, seguindo um caminho aparentemente oposto, as experiências de Ecône, e na exacerbação, as de Palmar de Troya, etc”[12].

- Desde o início, em San Rafael, mantivemos sempre a mesma postura. Basta citar a dissertação do Prof. Carmelo Palumbo, convidado por nós, entitulada “O lefebvrismo:  a outra cara do progressismo”, dada no Seminário de San Rafael “Santa Maria Madre de Dios”, em 8 de setembro de 1984, cuja apresentação fizemos, e que consta nos jornais e em outros meios da época, referindo-nos ao tema, que depois se publicaria em forma de artigo, da hipóstase, pretendidamente, humano-divina de Jesus Cristo. [13]

- Em janeiro de 1985 foi publicado no “Boletim El Caballero de Nuestra Señora”, da paróquia ‘Nuestra Señora de la Visitación’, de Buenos Aires, um artigo de R. P. Miguel Angel Fuentes, sacerdote de nosso Instituto (em formação), atualmente Doutor em Teologia Moral pela Pontifícia Universidade Lateranense e, nessa época ajudante da cátedra de Moral do Seminário Diocesano de San Rafael, no qual refutava o trabalho “Ecumenismo contra a Fé Católica”, de Roberto Gorostiaga, publicado em Roma, ano XVIII, número 85, Bs. As, agosto de 1984, no qual o autor atacava o novo Código de Direito Canônico, o decreto “Unitatis Redintegratio” do Concílio Vaticano II sobre o ecumenismo e algumas instruções e documentos pós –conciliares sobre o temo.

- Na revista “Gladius”, número 18, de 15 de agosto de 1990, refutávamos a teoria da “hipóstase divino-humana de Jesus Cristo” usada por alguns sede-vacantistas no “Boletim Fidelidade à Santa Igreja”, número 9 [14]. Ali dizíamos, também, que “ a má compreensão do augusto mistério do Verbo Encarnado conduz, logicamente, a uma má compreensão do mistério da Igreja, já que Esta não é senão o Verbo Encarnado  estendido e comunicado[15]. Não é de se estranhar que o nestorianismo cristológico leve a um nestorianismo eclesiológico. Ao negar – como fazem estes sede-vacantistas – que haja uma só cabeça na Igreja, destroem a unidade do Corpo Místico – assim como destroem a unidade do Verbo Encarnado – já que não pode haver um só corpo se não houvesse uma só cabeça, nem uma só Igreja se não houvesse um só Chefe, segundo nos ensina o próprio Verbo Encarnado: ‘haverá um só rebanho e um só Pastor’ (Jo 10,16)[16]

Mas, e também a nosso favor, queremos dar algumas mostras do que os próprios lefebvristas pensam de nós:

- No boletim “La Tradicion”, e a propósito de um artigo nosso sobre o Pe. Julio Meinvielle publicado em “Verbo”, número 196, de setembro de 1979, no qual elogiávamos a obediência do Pe. Julio ao Magistério, pois sabia que “atentar contra a Hierarquia da Igreja... é como serrar o galho onde se está sentado”, o Pe. Hervé Lê Lay nos dizia: “E quanto ao Pe. Buela, ainda cheio de vida, que abandone sua infidelidade e volte à Missa indiscutivelmente válida, piedosa, respeitosa e que nos apóie em nosso bom combate pela fé”[17].

- Em um folheto lefebvrista que circulou em Buenos Aires durante 1985 se diz: “Após essa pequena confrontação somente podemos acrescentar que o citado Pe. Buela segue escrupulosamente as reformas (ou a REFORMA) do Concílio Pastoral Vaticano II e o ‘Novus Ordo Missae’, gabando-se, inclusive, da mais estrita obediência ao Papa”. Depois, faz-nos uma exortação: “Padre: seja mais delicado em suas advertências ao progressismo, já que poderás situar nelas o Sumo Pontífice e o Concílio que Vossa Senhoria se jacta de OBEDECER!” (p. 8).


II. PROBLEMAS PONTUAIS

Em nosso parecer quatro são os problemas fundamentais que esgrimem os setores conservadores contra a Igreja de Cristo fundada sobre Pedro, a saber:

1. A reforma do Missal Romano por mandato do Concílio Vaticano II e promulgada por S.S. Papa Paulo VI;
2. A colegialidade;
3. O ecumenismo;
4. A liberdade religiosa

1. A NOVA MISSA

Antes de tudo, o “novo”, ou o reformado, é o rito, não a substância da Missa que reitera o sacrifício da Ceia e perpetua [18] o sacrifício da Cruz, a menos que não se creia que o Sacerdote da Cruz e da Missa seja o próprio Cristo, que a Vítima da Cruz e da Missa seja o mesmo Cristo e que o Ato Oblativo da Cruz e da Missa é o próprio ato de Cristo. Portanto, substancialmente é o mesmo sacrifício da Cruz e o da Missa.

Cristo celebrou sua Missa em aramaico como continuam fazendo os maronitas, alguns Apóstolos em grego [19], como ainda o fazem os grecos-melkitas, outros em copto, em armênio, em siríaco, em latim, etc. Que problema substancial há em que o rito se faça em espanhol, francês, inglês, alemão, italiano ou outro idioma? É evidente que a língua não pode alterar a essência do sacrifício da Missa. Por isso dizia santo Tomás: “Sempre que nas palavras de qualquer idioma se expresse esse sentido (das palavras admitidas pela fé) se realiza o sacramento” [20].

Também é evidente que não  podem alterar a essência do sacrifício da Missa as orações anteriores e posteriores da consagração uma vez que estas não chegaram até nós pelos  Evangelhos ou pelos Apóstolos – assim, por exemplo, ENIM “não pertence à forma, assim como as que se dizem antes da forma”[21] -, do mesmo modo que não afetam a validade e a licitude das demais liturgias, a saber: I) alexandrina (etíope e copta), II) antioquena ou Sírio-ocidental (malankar, maronita, síria-libanesa), III) bizantina ou constantinopolitana (greco-melquita, ucraniana, etc), IV) caldéia ou sírio oriental (malabar, caldéia, etc), V) armênia, VI) mocárabe, VII) ambrosiana, etc.

A transubstanciação não é afetada pelo número de genuflexões, nem de mantéis, nem de cruzes, e nem de velas, nem a topografia dos missais, nem a ablução dos dedos sobre o Cálice ou sua  purificação , nem o pálio, nem o dourado dos vasos, etc.

Sabe-se que o sacramento sacrificial Eucarístico difere dos demais sacramentos, pois estes se dão com o uso de matéria consagrada; a Eucaristia, pelo contrário, faz-se consagrando a matéria, o pão e o vinho que se convertem no Corpo e no Sangue de Jesus, juntamente com sua Alma e sua Divindade. Além disso, nos outros sacramentos a consagração é uma benção; na Eucaristia “ a consagração da matéria é uma milagrosa conversão da substância que somente Deus pode realizar. Daí que o ministro, ao realizar este sacramento, não tenha outra ação além que proferir as palavras [22]. Ora, como as formas devem se ajustar à realidade – enquanto nos demais sacramentos as formas se referem ao uso da matéria e se proferem na pessoa do ministro (‘ex persona ministri’), na Eucaristia a forma significa a consagração da matéria, que consiste na transubstanciação e se profere na Pessoa de Cristo (‘ex persona ipsius Christi loquendi’), para dar a entender “que o ministro não faz a modo de confecção outra coisa que dizer as palavras de Cristo” [23]. Por isso, as palavras essenciais da forma da Consagração Eucarística são: “Isto é o meu Corpo”, “este é o cálice de meu Sangue” (ou “este é meu Sangue”) [24].

Na resposta à quarta dificuldade do citado artículo, Santo Tomás diz textualmente: “Afirmaram alguns que o sacramento não se pode consagrar com as palavras ditas, caladas as demais, principalmente as do cânon da Missa. Mas isto é evidentemente falso, já por palavras de Santo Ambrósio (De Sacramentis, L. 4, c. 4: ML 16, 459) aduzidas no ‘Sed Contra’: “A consagração se faz com as palavras e frases do Senhor Jesus. As demais palavras que se proferem louvam a Deus, rogam pelo povo, pelos reis e por todos. Quando o sacerdote consagra o venerável sacramento não usa suas palavras mas as de Cristo. A palavra de Cristo, conseqüentemente, faz o sacramento, já que o cânon da Missa não é o mesmo em todas as partes e nem o foi ao longo do tempo, mas que foram sendo incorporadas as distintas coisas por diferentes indivíduos. Por isso, se o sacerdote dissesse somente as palavras referidas com intenção de fazer  este sacramento, consagraria, porque a intenção faria que se  entendesse como ditas  na Pessoa de Cristo, ainda que não recitasse as que as precedem. No entanto, pecaria gravemente confeccionando assim esse sacramento, por não observar o rito da Igreja” [25]. Excetua-se, aqui, os casos de necessidade, como o de tantos defensores da fé quando estão presos.

As palavras que são pronunciadas após a essência da forma (‘da nova e eterna Aliança que...”) são da substância da forma , como os braços e os pés são da substância – ainda que não da essência – do corpo humano. Como afirmava Contenson, “Cristo não as acrescentou como essenciais à forma, mas para precisar, por elas,  aos discípulos e aos fiéis de que corpo e de que sangue falava” [26]. Se alguém afirma que também são palavras essenciais deveria afirmar, também, que os sacerdotes orientais não consagram, já que em suas liturgias faltam muitas palavras das usadas pelos latinos na consagração do vinho. E ainda que nessas palavras essenciais – “isto é o meu corpo” e “este é o meu sangue” – “não se expresse sensivelmente a razão do sacrifício ou da efusão do sangue de Cristo”, no entanto, se significa suficientemente, “ao consagrar o vinho separadamente do pão; rito que apresenta o sangue de Cristo como separada misticamente do corpo e, conseqüentemente,derramado.”[27]

Dizia o Angélico: “A Paixão se manifesta no sangue consagrado separadamente do corpo já que, nela, se separaram as duas coisas” [28].

Portanto, é totalmente disparatada a afirmação de alguns que negam que haja sacrifício na Missa pelo fato de traduzir “pro multis” (por muitos) como “por todos”, uma vez que:

1. Certamente “por muitos” ou “por todos” não pertence à essência da forma.

2. Muitas vezes na Sagrada Escritura coloca-se “muitos” por “todos. É o caso do “polloi” grego e do “rab” hebreu:

a) Assim, pergunta-se Santo Tomás de Aquino ao tratar do tema da ressurreição, se será para todos e em geral. Põe-se como dificuldade (a 2.) que em Dt 12,2 se diz: ‘Muitos dos que dormem no pó despertarão’ [29], o qual implica certa particularização que daria pé a pensar que nem todos ressuscitarão. Mas, a essa dificuldade responde, fazendo seu o ensinamento de Santo Agostinho, que expõe a palavra “muitos” no sentido de “todos” [30], que é “um modo de falar que freqüentemente se encontra  na Sagrada Escritura” [31]

b) “Polloi” [peri pollon (Mt 26,28)] “positivamente manifesta o grande número daqueles pelos quais Cristo se oferece piedosamente, sem negar o número íntegral, isto é, que por todos Cristo suportou a morte”[32].

c) À objeção: “Daí que se deva dizer será derramado por todos ou por muitos, sem acrescentar por vós”, Santo Tomás limita-se a responder acerca da importância que tem o ‘por vós’ (os judeus, o sacerdote e os que comungam) [33].

d) Referindo-se às palavras iniciais que não são parte essencial da forma deste sacramento, ensina Santo Tomás: “Se se acrescenta ‘todos’  é por se subentender nas palavras do Evangelho, ainda que não se expresse, que Ele mesmo havia dito: Se não comeis a carne do Filho do homem não tereis vida em vós” (Jo 6,54)” [34].

e) Em outra parte defende Santo Tomás que, se por defeito da língua, se pronunciam mal as palavras da forma e se a alteração é tal que destrói completamente o sentido da frase o sacramento não se realiza. Mas, “se a alteração não destrói o sentido da frase, o Sacramento se produz. [35]. As palavras ‘que será derramado por muitos para a remissão dos pecados’ se encontram em Mt 26,28 e muitos equivale à totalidade ou universalidade, por isso diz Tuyá: “Os que vão receber este proveito em Mt-Mc são muitos (pó-llon). Mas esta expressão não restringe a alguns, mas equivale em várias passagens bíblicas à totalidade ou universalidade (Mt 20,28; par). Assim, no poema do “Servo de Yahvé”, de Isaías, que provavelmente influi nesta redação, o Messias sofredor obtém o mérito para multidões (rabbim), que são toda a obra redentora (Is 53,12). E no hebreu pós-bíblico, ‘rabbim’ não significa muitos, mas a multidão em geral, o povo, isto é, todos os homens sem distinção”[36].

3. Também não há dificuldade em que se traduza ’por todos’ “porque, considerando sua eficacíssima virtude, devemos admitir que Cristo derramou seu sangue pela saúde de todos. Se atentarmos para o fruto que dela (da Paixão de Cristo) conseguem os homens haveremos de admitir que nem todos dela participam efetivamente, mas somente muitos” [37]. Nem dizer “por todos” inclui que o fruto sejam por todos alcançados; nem dizer “por muitos” implica que o sangue de Cristo tenha sido derramado somente por alguns ou, dito de outra maneira, “por todos” não exclui que a redenção subjetiva somente seja alcançável “por muitos” e “por muitos” não exclui que a redenção objetiva se fez para todos.

Pergunta-se, também, Santo Tomás, se é permitido acrescentar algo às palavras que constituem a forma sacramental, ao que  responde que “ nas formas sacramentais uns dizem coisas que outros omitem. Assim, enquanto os latinos batizam com a fórmula ‘Eu te batizo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo’, os gregos empregam esta outra fórmula ‘Seja batizado o servo de Cristo N. em nome do Pai, etc’. No entanto, tanto os latinos como os gregos administram um sacramento verdadeiro. Logo,  às fórmulas sacramentais pode-se acrescentar ou tirar algo” [38] Na resposta à segunda objeção diz: “As palavras são a forma do sacramento em virtude do que expressam. Por isso, qualquer adição ou subtração de vocábulos que não tirem ou acrescentem algo ao sentido requerido não destrói a essência do sacramento” [39].

Do mesmo modo, se o celebrante dissesse as palavras da consagração de forma meramente narrativa – o que faz alguns duvidarem da validade da Missa! – deixar-se-ia de fazer o sacramento sacrificial. Assim, “não é obstáculo que o sacerdote as diga narrando, como ditas por Cristo, porque o infinito poder de Cristo faz que, assim como pelo contato de sua carne concedeu-se uma virtude regeneradora às águas de todas as partes da terra por todos os séculos futuros e não somente às que lhe tocaram, assim, também,  pela pronunciação do mesmo Cristo estas palavras conseguiram uma virtude consacrativa ditas por qualquer sacerdote, como se Cristo presente as pronunciasse” [40].

Ainda que acontecesse o caso de que jovens sacerdotes desconhecessem que  a Santa Missa é sacrifício, tal como se afirma: “Todos essas mudanças do novo rito são verdadeiramente perigosas porque, pouco a pouco, sobretudo entre os sacerdotes jovens que já não têm idéia do Sacrifício, da presença real, da transubstanciação e para os quais tudo isso já não significa nada, repito,  os sacerdotes jovens perdem a intenção de fazer o que faz a Igreja e já não se dizem Missas válidas” [41]. Somente possuindo o dom da “cardiognose”  poder-se-ia conhecer a intenção de alguém de fazer ou não o que faz a Igreja. Um homem não pode conhecer a intenção de outro [42], salvo se esse manifeste exteriormente o contrário: “o ministro do sacramento age como representante da Igreja inteira, de quem é o ministro e as palavras que pronuncia expressam a intenção da Igreja, que basta para  a perfeição do sacramento, desde que o ministro ou sujeito não manifeste exteriormente uma intenção contrária” [43]. E ainda que os sacerdotes jovens – e os não tão jovens – ignorassem o que é sacrifício, presença real, transubstanciação, em uma palavra, se não tivessem fé na Eucaristia, ensina Santo Tomas que não se requer a fé do ministro para  a realização do sacramento: “ Dado que, segundo já dissemos,  o ministro quando realiza os sacramentos age a modo de instrumento, não atua por sua própria virtude mas pela de Cristo. E assim como a caridade pertence ao âmbito próprio de cada homem, assim também o é a fé. Portanto, assim como não se requer a caridade do ministro para a perfeição do sacramento,  dado que, como vimos, os pecadores podem também ministrar os sacramentos, tampouco se requer fé, podendo um incrédulo realizar um verdadeiro sacramento, sempre que não faltem os demais requisitos necessários” [44]. Além disso, “ se acontece que a falta  de fé versa precisamente acerca da verdade do  sacramento que se administra, ainda que se predique que  o rito exterior não surte nenhum efeito interior, no entanto, não ignora que a Igreja Católica  ‘intencione’  produzir o sacramento realizando  esta ação exterior, em tal hipótese, apesar de sua falta de fé, pode ter intenção de fazer o que faz a Igreja, ainda que se pense que aquilo não serve para nada. Tal intenção basta para o sacramento, já que, segundo dissemos antes, o ministro do sacramento atua como representante de toda a Igreja, cuja fé supre o que falta a ele” [45].

Por último, São Pio V teve, como Papa, tanta autoridade quanto Paulo VI e tanto valor teve a Constituição Apostólica ‘Quo Primum’, de 14/07/1570, como a Constituição Apostólica ‘Missale Romanum’, de 03/04/1969, que diz: “Queremos,  ademais, que o que tenhamos estabelecido e prescrito tenha força e eficácia agora e no futuro, não obstante, se for o caso,  as Constituições e Ordenações Apostólicas de nossos Predecessores e qualquer outra  prescrição, inclusive as dignas de especial menção e com poder de derrogar a lei” [46]. É reiterada a doutrina que ensina a obrigação de observar as Constituições e Decretos do Romano Pontífice e do Colégio Episcopal. Entre outros documentos pontifícios, fazem referência a esta obrigação: Pio IX: Carta ‘Tuas libenter’ (21/12/1863) e Carta Encíclica ‘Quanta Cura’ (08/12/1864); Leão XIII: Carta ‘Teste Benevolentiae’ (22/01;1899); São Pio X: Decreto ‘Lamentabili’ (03/07/1907), nn. 7-8; Pio XII: Carta Encíclica ‘Humani Generis’ (12/08/1950). O Código de Direito Canônico prescreve que “Todos os fiéis estão obrigados a observar as constituições e decretos promulgados pela legítima autoridade da Igreja... de maneira especial as que promulga o Romano Pontífice ou o Colégio dos Bispos” [47].

2. A COLEGIALIDADE

Estes grupos não aceitam a colegialidade porque,  de acordo com as diferentes variantes desse grupo, atentaria contra o Primado de Pedro, solenemente definido pelo Concílio Vaticano I [48].

A colegialidade, ou “communio”, não é, de forma alguma, uma doutrina nova, mas desde os primórdios era tida em grande honra. E, retamente entendida, não como fazem alguns “colegialistas”, expressa uma verdade de fé, exalta o Primado do Papa e manifesta adequadamente a relação dos Bispos entre si e com o Papa..

Os antigos – tanto no Oriente como no Ocidente – tiveram consciência da importância do Colégio Episcopal e esta colegialidade se manifestava, e esta é base da argumentação da Constituição Dogmática ‘Lumen Gentium’ neste ponto [49], em quato coisas:

a.  a comunhão dos bispos entre si e com o Romano Pontífice no vínculo da unidade, da caridade e da paz;

b. os sínodos particulares;

c. os Concílios Ecumênicos

d. o rito da consagração Episcopal.

Consideremos cada um brevemente:

a. A comunhão dos bispos entre si e com o Romano Pontífice no vínculo da caridade, da unidade e da paz:

Desde a época apostólica houve freqüentes comunicações entre as igrejas locais, o que está testemunhado por abundante correspondência que trocaram. Tertuliano explica esta ‘communicatio’ através da qual as igrejas asseguravam sua unidade e sua continuidade com a igreja apostólica: “Assim, pois, entre tantas e tão grandes igrejas há uma só, desde os Apóstolos, que é a primeira e da qual dependem as demais. Assim todas são primeiras e todas apostólicas enquanto provam a unidade com  a comunicação da paz, a chamada da fraternidade e a hospitalidade recíproca. A razão que rege estes direitos é uma única tradição do mesmo sacramento.” [50]. Também São Irineu menciona que esta apostolicidade das igrejas, garantia de sua unidade, aparece claramente ligada ao Bispo, sucessor dos Apóstolos, como chefe da comunidade local [51]. A unidade e a comunhão entre as igrejas se expressa e se estabelece pela mútua comunicação entre os Bispos e sua comunhão aparece como um prolongamento do Colégio Apostólico, fundamento da unicidade da Igreja. Ainda que a noção de Colégio não esteja ainda mencionada explicitamente, é já uma realidade vivida.

b. Os sínodos particulares

Frente aos novos problemas que se suscitam contra a fé urge a necessidade de poder discernir a verdade do erro. Para isso os Bispos buscam pôr-se de acordo reunindo-se em um mesmo lugar.Originam-se, assim, os Sínodos regionais.  Eusébio constata a existência destas reuniões desde a segunda metade do século II [52]. Também já nos finais desse século por causa das controvérsias acerca da data da Páscoa, pois algumas igrejas orientais tinham uma prática diferente [53]. Os Bispos emitem um decreto aceito unanimamente e isto obriga o Papa Vitor a excomungar as comunidades da Província da Ásia que não queriam abandonar sua prática e, esta ação papal, inscreve-se em um marco colegial, que manifesta que a decisão unânime dos bispos do mundo inteiro se reveste, aos olhos do Papa Vitor, de um caráter diferenciado. “No Concílio de Arles (ano 314), no qual participam trinta e três bispos do Ocidente, esta consciência universal já é totalmente explícita; em suas cartas sinodais, os Bispos informam ao papa Silvestre da decisão tomada, para que ele a comunique às igrejas” [54]. Certamente a unidade da Igreja está fundada sobre Pedro, mas este não é seu único fundamento: “Se pensas que só sobre Pedro  está edificada a Igreja, dir-te-ei: o que fazes de João, filho do trovão, e de cada um dos Apóstolos?” [55].

c. Os Concílios Ecumênicos

É explícita a noção de Colégio. Basta para mostrar isso a carta do Papa Celestino dirigida ao Concílio de Éfeso: “É, pois, santo e merece a devida veneração, o colégio em que certamente agora se deve ver referência daquela  - que  lemos - freqüentíssima congregação dos Apóstolos... Haja uma só alma com um só coração para todos. Quando é ferida a fé que é una, doa-se, melhor ainda, chore isto conosco todo o colégio” [56]

d. O rito da Congregação episcopal

Já São Cipriano alude a este costume que  remonta à época dos Apóstolos: “... devem se reunir todos os bispos próximos da província” [57] Isto mesmo foi solenemente estabelecido pelo Concílio de Nicéia, em seu quarto cânon, e comentado pelo IV Concílio Constantinopolitano: “Este santo e universal Sínodo define e estabelece, em consonância com os Concílios anteriores, que as promoções e consagrações dos bispos se faça por eleição e decreto do colégio dos bispos” [58]

Pelos textos do Concílio Vaticano II - e os contextos – não só não há contradição com os documentos do Concílio Vaticano I, mas que há um complemento que, longe de diminuir,  exalta ainda mais a singular e única figura do Papa. Para mostrar isso basta considerar o seguinte: a “Nota explicativa prévia” ao capítulo III da Constituição Dogmática sobre a Igreja ‘Lumen Gentium’ que certamente é um documento conciliar (ainda que não materialmente considerado), votado e aprovado na congregação geral 123, no dia 16 de novembro de 1964, e na congregação pública final ante o Papa. Esta célebre “Nota” será tão insólita e grave quanto se queira, mas os Padres Conciliares votaram o texto do capítulo III segundo a interpretação da “Nota”, que é “fonte autêntica de interpretação do grande documento conciliar” [59].

Desde o ponto de vista doutrinal, deve-se notar as seguintes idéias:

1. “Colégio” não deve ser entendido em sentido estritamente jurídico, como uma sociedade de iguais que delegam poderes ao presidente. “Colégio” significa assembléia (‘coetus’: reunião, congregação) estável cuja natureza e autoridade se conhece por revelação (por isso se diz em LG 19 “a modo de colégio ou congregação estável” e, em outros lugares, se fala de “ordo” e “corpus” referindo-se ao colégio dos bispos).

2. O paralelo entre Pedro e os Apóstolos e entre o Papa e os bispos:

a. não implica que os Apóstolos transmitam aos bispos seus poderes extraordinários;

b. nem que haja igualdade entre a Cabeça e os membros do Colégio;

c. somente há proporcionalidade entre Pedro-Apóstolos e Papa-Bispos (por isso em LG 22 não se diz “do mesmo modo”, mas “de modo semelhante” (‘pari ratione’) .

d. não se deve passar univocamente do “coetus” apostólico ao “coetus” episcopal.

3. A agregação ( a pertença) ao Colégio se dá por duas causas necessária:

a. a consagração episcopal

b. pela comunhão hierárquica com a Cabeça do Colégio e com os demais bispos

4. a. Na consagração episcopal se dá uma participação das funções (‘munera’) sagradas (diz-se “funções” e não “potestades” para evitar que se entenda uma potestade imediata já para o ato).

b. Para  ter uma potestade imediata ao ato  é necessária ser acrescida a determinação jurídica ou canônica pela autoridade hierárquica.

c. A determinação jurídica pode consistir na concessão de um ofício particular (por    exemplo, os bispos que trabalham na Cúria Romana ou os que são Núncios, etc) ou na designação de súditos (por exemplo, os bispos residenciais,etc). Isso é exigido ‘ex natura     rei’ porque se trata de funções (‘munera’) que devem ser exercidas por muitos que cooperam hierarquicamente. Isto é uma ‘communio’.

5. a. A ‘communio’ (com a Cabeça da Igreja e os membros) não é um certo afeto vago, mas uma realidade orgânica, que exige uma forma jurídica e que, ao mesmo tempo, esteja animada pela caridade.

b. A comunicação da potestade pelo Papa aos bispos não se refere necessariamente     à própria potestade, mas à “necessária determinação de potestades”.

c. Do Colégio dos Bispos, que não existe sem sua Cabeça, afirma-se que “ é, também, sujeito da suprema e plena potestade sobre a Igreja universal” [60]. O Colégio supõe sempre e necessariamente sua Cabeça. A distinção não é entre o Papa e os bispos coletivamente tomados, mas entre o Papa, por um lado, e o Papa junto com os bispos por outro (somente ao Papa compete certos atos e não aos bispos: ordenar, convocar, dirigir, aprovar o exercício colegial, etc “segundo próprio juízo”).

6. O Papa pode exercer sua potestade todo o tempo e “ad placitum”. O Colégio, ao contrário, não age permanentemente por uma ação estritamente colegial. Nem sempre está em ‘actu pleno’ e que, com ato estritamente colegial, não age senão em intervalos e somente com o consentimento de sua Cabeça [61], o Papa, que não é um estranho ao Colégio, com quem os membros devem estar  em comunhão e que deve necessariamente pôr-se o ato que compete propriamente à Cabeça (ou seja, o Papa age livre do Colégio; este sempre e necessariamente depende do Papa).

3. O ECUMENISMO

Costuma-se chamar ecumenismo a tarefa de restaurar a unidade entre todos os cristãos. A Igreja Católica está empenhada nesta tarefa por vocação e não por tática. Vocação que recebe de seu Senhor. Permeia isso uma promessa-profecia e uma oração. A profecia-promessa é que haverá um só rebanho e um só pastor (Jo 10,16). Há que se notar que como o rebanho é visível, visível também deve ser o pastor: o Papa. Mais de cem testemunhos do magistério eclesial o testemunham [62]. E a oração, por proceder do próprio Cristo, é infalível: ‘Que todos sejam um’ (Jo 17,21).

Certamente há um falso ecumenismo, ou ecumenismo maçônico, ou ecumenismo político [63], ou ecumenismo sem conversão, etc, cuja proposta fundamental é que todas as religiões são iguais (sincretismo, irenismo, etc), portanto que os homens se salvam indistintamente em qualquer religião. E este “ecumenismo” é abominável.

Mas o verdadeiro ecumenismo pertence à própria natureza da única e verdadeira Igreja fundada por Cristo. A doutrina da Igreja Católica está belamente resumida no Catecismo Universal recentemente publicado. Sem necessidade de recorrer a outras fontes, refutam-se com ele as sentenças dos anti-ecumenistas.  Ali se afirma claramente:

a. Somente a Igreja fundada por Cristo é uma e única [64]. A unidade da Igreja se fundamenta em sua origem (“a  unidade de um só Deus Pai, Filho e Espírito Santo na Trindade de Pessoas” [65]; em seu Fundador, Filho de Deus encarnado; em sua alma, o Espírito Santo, que “é princípio da unidade da Igreja” [66]. O vínculo de unidade é, antes de tudo, a caridade, que é vínculo de perfeição (Col 3,14). Mas há, também, vínculos visíveis: a profissão de uma mesma fé recebida dos Apóstolos; a celebração comum do culto divino, sobretudo dos sacramentos; a sucessão apostólica pelo sacramento da ordem que conserva a concórdia  fraterna da família de Deus. Além disso, a Igreja de Cristo é única, “governada pelo sucessor de Pedro e pelos bispos em comunhão com ele” [67].

b. “Nesta uma e única Igreja de Deus surgiram divisões desde o começo” [68]. Mas é preciso trabalhar para que aqueles que se separaram da Igreja voltem a ela, já que a unidade “que Cristo concedeu desde o princípio à Igreja... cremos que subsiste indefectivelmente na Igreja Católica e esperamos que cresça até a consumação dos tempos” [69]. Por isso, a preocupação pelo restabelecimento da união “diz respeito à Igreja inteira” [70]. Mas, deve-se saber que “este santo propósito de reconciliar a todos os cristãos na unidade da única Igreja de Jesus Cristo excede as forças e a capacidade humana” [71]. Por isso, precisamos por toda a esperança na oração de Cristo pela Igreja, no amor do Pai para conosco, e no poder do Espírito Santo” [72].

c.”Fora da Igreja não há salvação” [73]: o Concílio Vaticano II reafirma toda a tradição anterior a esse respeito, isto é, que toda a salvação vem de Cristo-Cabeça pela Igreja, que é seu Corpo. Por isso afirma-se que “esta Igreja peregrina é necessária  para a salvação. Cristo, de fato, é o único Mediador e caminho de salvação que se faz presente para nós em seu Corpo, a Igreja. Ele, ao inculcar com palavras tão explícitas a necessidade da fé e do batismo,  confirmou, ao mesmo tempo, a necessidade da Igreja., na qual os homens entram, pelo batismo, como que por uma porta. Por isso não poderiam se salvar os que, sabendo que Deus fundou, por meio de Jesus Cristo, a Igreja Católica como necessária para a salvação, no entanto, não quiseram entrar ou perseverar nela” [74]. Evidentemente esta afirmação não se refere aos que , sem culpa própria,  não conhecem a Cristo e a sua Igreja. Então, ainda que Deus por caminhos apenas por Ele conhecidos pudesse levar a fé verdadeira aos homens, corresponde  à Igreja a urgente tarefa de evangelizar. É o mesmo que afirma Santo Tomás ao dizer que, mesmo que uma pessoa vivesse isolada de tudo, ao observar a lei natural, “Deus lhe revelaria, por alguma inspiração interior, tudo o necessário crer ou lhe enviaria algum pregador da fé, como fez com Cornélio, enviando-lhe Pedro” [75].

4. A LIBERDADE RELIGIOSA

Segundo as estatísticas publicadas na ‘Enciclopédia Cristã Mundial’, publicada em Oxford, em 1984, depois de 14 anos de investigação em 212 países com mais de 600 sociólogos e demógrofos, há, no mundo, 1.433 milhões de cristãos, dos quais 605 milhões, ou seja, 42%, recebiam restrições à liberdade religiosa. Pode-se ignorar esta terrível realidade?

Os que condenam os ensinamentos do Concílio Vaticano II sobre a liberdade religiosa costumam afirmar duas coisas a esse respeito:

a. isso contradiz os ensinamentos do Magistério anterior, por exemplo, a Encíclica ‘Quanta Cura’, de Pio IX;

b. dá margem para que se promova o laicismo em qualquer ordem contra o dito na Encíclica ‘Quas Primas’, de Pio XI.

Vejamos:

a. À primeira assertiva há que se contrapor que não se percebe as diferentes acepções do termo “liberdade religiosa”. Quando Pio IX e outros Papas do século passado condenam a liberdade religiosa condenam a teoria liberal que considera que os homens não têm obrigação de buscar a verdade religiosa, enquanto que quando o Concílio Vaticano II e o Magistério posterior promovem a liberdade religiosa intentam dizer que os homens não sejam coagidos pelos poderes públicos para praticar a religião conforme sua consciência. No primeiro caso, temos liberdade de se eximir dos deveres religiosos (‘libertas a religione’), no segundo, liberdade para cumprir os deveres religiosos (‘libertas ad religionem’). Trata-se de duas realidades distintas e, portanto, o termo ‘supre’ (ou significa) de diferente modo em cada caso. É o que os lógicos chamam “valor de suplência” (suppositio).

Entre outros, trataram cientificamente desse tema os Padres Julio Meinvielle e Victorino Rodriguez, OP., sendo que a nenhum deles se possa caracterizar como progressistas. O primeiro tratou do tema em seu trabalho “La declaración conciliar sobre la libertad religiosa y la doctrina tradicional” [76]. Mas não nos deteremos em sua interpretação, pois é mais conhecida entre nós. Analisemos a interpretação do segundo autor, publicada na revista “Mikael [77].

Expõe, ali, claramente que o direito à liberdade religiosa não se funda nas disposições subjetivas da pessoa, como a consciência invencivelmente errônea, já que é um direito natural, e, portanto, comum, universal, inalterável e inviolável, não pode fundar-se em uma apreciação puramente subjetiva, pessoal e mutável. Por isso, o texto da Declaração “Dignitatis Humanae” diz: “O direito à liberdade religiosa não se fundamenta na disposição subjetiva da pessoa, mas em sua própria natureza” [78]. Isto é, o que se admite é um direito natural à liberdade religiosa, mas entendendo essa liberdade no âmbito social e civil, e entendendo o direito em sentido negativo: direito de imunidade, a que ninguém seja coagido nem impedido civilmente em sua vida religiosa pessoal ou social. O fundamento desse direito é a dignidade da pessoa frente ao poder civil: “seu exercício não pode ser impedido desde que se resguarde a justa ordem pública” [79]. Mas, ao lado desse direito negativo de âmbito exterior, a Declaração ‘Dignitatis Humanae’ proclama insistentemente o dever e  o conseqüente direito do indivíduo e da sociedade de buscar e abraçar a religião verdadeira, que é a Católica, e de se formar uma consciência religiosa perfeita a esse respeito, reta e verdadeira: “Todos os homens, conforme sua dignidade,  por serem pessoas... têm a obrigação moral de buscar a verdade, sobretudo no que se refere à religião. Estão obrigados, do mesmo modo,  a aderir à verdade conhecida e a ordenar toda sua vida segundo as exigências da verdade” [80]; “Cada qual têm a obrigação, e por consequência também o direito, de buscar a verdade em matéria religiosa a fim de que, utilizando os meios adequados, chegue a formar retos e verdadeiros juízos de consciência” [81]; “Todos os homens estão obrigados a buscar a verdade, sobretudo no que se refere a Deus e a sua Igreja e, uma vez conhecida, abraçá-la e praticá-la” [82]. E como esse direito “se refere à imunidade de coerção na sociedade civil, deixa íntegra a doutrina católica tradicional  acerca do dever moral dos homens e das sociedades para com a verdadeira religião  e única Igreja” [83]. Isto está em perfeita consonância com os princípios formulados por Pio XII no discurso ‘Ci riesce’, de 06/12/1953: “Primeiro: o que não responde à verdade e à norma moral não tem objetivamente direito algum, nem à existência, nem à propaganda, nem a ação. Segundo: o não impedi-lo por meio de leis estatais e de disposições coercitivas pode, no entanto, ser justificado pelo interesse de um bem superior e mais universal” [84]. Por isso, coloca muito bem R. P. Rodriguez, trata-se do bem da devida tolerância, que não pode ser confundido com o mal indevidamente tolerado.

b. A segunda dificuldade, sobre a suposta promoção do laicismo, fica refutada com o argumento anterior. Para ilustrar isso basta recordar o pensamento incisivo e admirável, a expressão atual mais formosa e forte da realidade da necessidade do Reinado Social de Cristo Rei, escutada nesse dia por milhões de pessoas pela televisão; “Não temais! Abri, ainda mais, abri de par em par as portas a Cristo! Abri a seu poder salvador os confins dos Estados, os sistemas econômicos e políticos, os extensos campos da cultura, da civilização e do desenvolvimento! Cristo conhece o que há dentro do homem. Só Ele o conhece!” [85].

Porque não se entende que “a doutrina social ou ensinamento social da Igreja” [86] não é outra coisa que o que Pio XI, em ‘Quas Primas”, chamava ‘Reinado Social de Cristo’?

Com diferentes nomes conhece o católico seu compromisso para ordenar o temporal segundo Cristo, que abarca, às vezes, aspectos parciais, e que alguns interpretam mal, como dizemos faz tempo [87]. Esses nomes são:

- consagração do mundo
- desenvolvimento integral
- promoção humana
- inculturação do Evangelho
- promoção da justiça
- reta concepção cristã da libertação
- defesa dos direitos humanos
- defesa da dignidade da pessoa humana, etc

Todas estas coisas, retamente entendidas, não são outra coisa que trabalhar pela:

- cidade de Deus
- cidade católica
- civilização cristã
- cristandade
- civilização do amor.

Acaso não podemos dizer com Santo Tomás que esta “diversidade está mais nas palavras que na realidade” [88]? De fato, faz poucos dias João Paulo II disse: “Estamos aqui para fazer realidade, inicial mas objetiva, este grande projeto da civilização do amor. Esta civilização de Jesus; esta é a civilização da Igreja; esta é a verdadeira civilização cristã...”[89].

Porque não querem enxergar a imagem da Igreja Católica hoje no mundo, em especial, o prestígio do Papado, a liderança mundial de João Paulo II, o fato de que dos poucos embaixadores ante o Vaticano no início do século XX atinge, hoje, cerca de 140 deles? Não é esta uma maneira concreta de que Cristo seja escutado nos foros nacionais e internacionais?


III. PROBLEMAS DE BASE

Parece-nos que existem outros problemas que levam a incorrer nas dificuldades que vimos.

1. Um desses problemas é o perder de vista a indefectibilidade da Igreja Católica pela qual não somente perdurará até o fim do mundo, como que, além disso, não sofrerá nenhuma mudança substancial nem em sua doutrina nem em sua constituição e nem em seu culto. Assim anunciou  o anjo Gabriel referindo-se a Cristo e a seu Reino que é a Igreja: Reinará na casa de Jacob para sempre e seu reino não terá fim (Lc 1,32). Cristo prometeu que as portas do inferno não prevalecerão sobre ela (Mt 16,18), e Eu estarei convosco todos os dias até o fim do mundo (Mt 28,20). E São Paulo testemunha que a Eucaristia se celebrará até que Ele venha (1 Cor 11,26), ou seja, até o fim do mundo.

2. Alguns caem em um erro parecido com o dos protestantes. Estes falavam da “sola Scriptura” como norma remota  da Revelação e do “livre exame” como norma próxima, destruindo a Tradição e o Magistério sob o mesmo princípio. Outros parecem que têm como norma a “sola Traditio” e, como norma próxima, o livre exame, isto é, o que eles mesmos dizem  que pertence ou não à Tradição, aplicando o mesmo princípio protestante do “livre exame” à Bíblia e ao Magistério. Por isso, estão em conflito com o que  desde sempre foi o próprio coração da Tradição, que é o Primado do Papa, desde o “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” (Mt 16,18), passando por Santo Inácio de Antioquia aos cristãos de Roma: “ estejam purificados de todo matiz estranho” [90] e “preside na caridade” [91]; São Irineu: “Nela  (a Igreja de Roma) se conservou sempre a tradição apostólica” [92]. São Cipriano a designa como “ponto de partida da unidade episcopal”, nela “não tem acesso o erro na fé” [93]; São Jerônimo escreve ao Papa: “Somente em Vós se conserva íntegra a herança dos Padres” [94]; Santo Agostinho “Roma locuta causa finita” [95]; Santo Ambrósio “Onde está Pedro ali está a Igreja” [96]; São Leão Magno: “Assim como perdura para sempre o que em Cristo Pedro acreditou, da mesma maneira perdurará para sempre o que em Pedro Cristo instituiu” [97]; os Padres do Concílio de Calcedônia (ano 451) recebem a espístola dogmática do Papa São Leão I (o Tomus ad Flavianum) aclamando: “Pedro falou pela boca de Leão”; o Papa Hormisdas (ano 519) “Na Sé Apostólica se conservou sempre imaculada a religião católica” [98]; até o Concílio Vaticano II: “Esta doutrina sobre a instituição, perpetuidade, poder e razão de ser do sacro primado do Romano Pontífice e seu magistério infalível, o Santo Concílio a propõe novamente como objeto de fé inamovível a todos os fiéis” [99]; “As Igrejas particulares do Oriente e do Ocidente... estão encomendadas igualmente ao governo pastoral do Romano Pontífice que, por instituição divina, sucede a Pedro no primado da Igreja Universal” [100].

E assim como, paradoxalmente, os protestantes com a “sola Scriptura” ficaram sem a Escritura [101], os integristas conservadores , analogamente, com a “sola Traditio” ficaram sem a Tradição.

A fé de sempre só se defende com a fé de sempre. Que em uma ocasião São Paulo tenha repreendido São Pedro [102] não significa que todos se julguem São Paulo, nem  que se viva em um estado de permanente repreensão  e crítica a quem está no lugar de Pedro. O Papa São Nicolau I (858-867) ensina que “a primeira Sede não será julgada por ninguém” [103] e São Leão IX (1049-1054) que acerca da  Sede Suprema “não é lícito a nenhum homem nem pronunciar juízo” [104] e que “como o gonzo , permanecendo imóvel traz e leva a porta, assim Pedro e seus sucessores têm livre juízo sobre toda a Igreja, sem que ninguém deva fazer-lhes mudar de lugar, pois a Sede Suprema por ninguém é julgada” [105].

Curiosamente, porque não admitem ou se apercebem de que a queda do comunismo na Europa Central e do Leste deve-se, em grande parte, a João Paulo II? [106]; Porque não dizem uma única palavra sobre a graça que lhe fez a Virgem de Fátima salvando-lhe a vida em 13 de maio de 1981? A Tradição não honrou sempre os confessores da fé?

O caráter iluminista da sistemática crítica e atitude contestatória ao Papa se pauta pelo recurso ao chamado”incidente de Antioquia”, mas nunca se recorda que na mesma carta São Paulo diz que subiu a Jerusalém “videre Petrum” (Gal 1,18) e, depois, o fez pela segunda vez para saber se não havia ‘corrido’ em vão (Gal 2,2).

Outro exemplo de conflito com a Tradição viva da Igreja Católica, além de ser exemplo paradigmático do divisionismo que produz o não reconhecimento, de fato, da Cabeça visível da Igreja e, também, outro ponto de contato com o progressismo, é a pregação contra o cumprimento do preceito dominical da assistência à Missa:

a) Domingo foi o dia da Ressurreição do Senhor, o dia que apareceu aos Apóstolos no Cenáculo e que partiu o pão em Emaús. Domingo é o dia em que os Apóstolos partiam o pão: “No primeiro dia da semana, estando nós reunidos para partir o pão (At 20,7). Assim foi também o uso em toda a Tradição. Santo Inácio de Antioquia diz que “os que viviam segundo a ordem antiga passaram à nova esperança, não já observando o sábado, mas o dia do Senhor, no qual nossa vida é abençoada por Ele e por sua morte” [107]. E São Justino: “Celebramos esta reunião geral no dia do sol, por ser o primeiro dia em que Deus, transformando as trevas e a matéria fez o mundo , e o dia também  em que Jesus Cristo, nosso Salvador, ressuscitou dentre os mortos” [108]. E são Jerônimo: “O dia do Senhor, o dia da Ressurreição, o dia dos cristãos, é nosso dia. Por isso é chamado dia do Senhor: porque é  neste dia que o Senhor subiu vitorioso junto ao Pai” [109].

b) A Missa que celebra o Papa com 99,9% dos bispos do mundo é diferentemente qualificada pelo integristas, o que claramente manifesta o divisionismo reinante em suas fileiras, a saber:

- ilícita
- ou, ambígua
- ou, de duvidosa validade
- ou, inválida
- ou, herética (protestante ou semi-protestante)
- ou, cismática
- ou, sacrílega

c) Digo ponto de contato com o progressismo, porque estes também – com outros argumentos – induzem os fiéis católicos à não assistência da Missa dominical: “se não a sentem...”, “não tem que se sentir obrigados...”, “ é preferível cumprir os deveres do lar...”, “é o dia em que a família está em casa...”, “se assistem outro dia da semana...”, etc.

3. Parece-nos, também, que se erra sobre o que é o Magistério ordinário e sua interpretação, porque se o Papa se equivocou na Constituição Apostólica ‘Missale Romanum’, na Constituição pastoral ‘Gaudium et Spes’, na Declaração ‘Dignitatis Humanae’, na ‘Nostrae Aetatis’, etc porque não pode se equivocar Pio V na Constituição Apostólica ‘Quos Primum’; Pio IX na encíclica ‘Quanta Cura’ e no ‘Syllabus’; Pio X na ‘Pascendi’; Pio XI na ‘Mortalium Animos’ e na ‘Quas Primas’?

4. Parece, também, que se teme a sã e homogênea evolução do dogma, como se a fé e a Igreja não fossem um organismo vivo -  e de vida sobrenatural – que, de si, tende ao desenvolvimento. Perguntava-se São Vicente de Lerins (morto antes de 450);”Mas talvez diga alguém: depois não haverá na Igreja de Cristo nenhum progresso na religião? Certamente esse progresso existe e é muito grande... Mas tem  que ser verdadeiro progresso na fé, não alteração da mesma. Pois, é próprio do progresso que algo cresça em si mesmo, enquanto o próprio da alteração é transformar uma coisa em outra” [110]. Ora, quem tem autoridade, dada por Cristo, para dizer que algo é ou não é de fé? Os que se arrogam tal direito ou os sucessores de Pedro? Os que estudaram este tema [111] provam que é o Magistério da Igreja o que torna explícito o que estava implícito. Além disso, deve-se dizer que esta evolução acidental não pode ser parada, já que é obra do Espírito Santo. Parece-nos que não é nenhuma proposta sábia considerar que tudo se arrumaria voltando o rito codificado por São Pio V, que a Bíblia só fosse lida em latim, que o último catecismo católico fosse o “Catecismo Romano”.

5. Há, ainda, alguns problemas de ordem filosófica, como o considerar ‘post hoc, ergo propter hoc’ (depois disto, logo é causado por isto).  E, assim, a culpa de todos os males que se podem ver na Igreja e no mundo se atribuem ao Concílio Vaticano II, da mesma maneira como os “velhos católicos” atribuíam ao Concílio Vaticano I.

Do mesmo modo, tomam ‘pars pro toto’ (a parte pelo todo) e assim acumulam exemplos individuais – que, se são reais, certamente são deploráveis – e concluem, depois, leis universais.  A indução , pela qual a partir de dados particulares suficientemente enumerados, o espírito infere uma verdade universal tem suas leis [112]. O princípio supremo da indução é que “ o que é verdadeiro em várias partes suficientemente  enumeradas de um determinado sujeito universal é verdadeiro desse sujeito universal”. O segundo princípio diz que quando um termo particular  “supre” particularmente , não se tem direito, mesmo sendo a enumeração suficiente, de transformar esse termo em universal pela inferência indutiva. E assim, por exemplo, não é lícito dizer: “este pecado foi cometido por este sacerdote, aquele por esse outro... logo algum pecado foi cometido por todos os sacerdotes”.

6. Chama fortemente a atenção que, da mesma maneira que os progressistas, caiam em flagrantes incoerências. Dessa forma considerava Mateo Liberatore a essência  do erro liberal como “inconseqüência” e “solene contradição” [113]. O mesmo dizia o cardeal Billot: “perfeita e absoluta incoerência” [114]. Por exemplo:

- no folheto ‘Porque Missa tradicional em latim e porque não a Nova?’ afirmam que há uma profecia de Santo Afonso Maria de Ligório que diz que,  dado que a Santa Missa é a melhor coisa da Igreja sobre a Terra, o demônio sempre tratou de nos privar dela [115]. Este folheto é todo escrito para, precisamente, dar as “razões” pelas quais “em consciência” não devemos assistir a Nova Missa” [116]. Há grupos que assistem à Missa até a consagração do pão, já que, segundo eles, não há consagração do vinho pois consideram essenciais as palavras que seguem a “este é o Cálice de meu Sangue” e, como ‘pro multis’ se traduziu como ‘por todos’, dizem que não há consagração do vinho e não há sacrifício; nesse momento saem da Missa e voltam a entrar no momento da comunhão do ‘Corpus’. Já provamos a inconsistência dessa postura. Afirmar que são de duvidosa validade as Missas do Papa, dos quase 4.000 bispos e dos mais de 400.000 sacerdotes não é um completo disparate facilmente reconhecível? “Nada mais necessário para a sobrevivência da Igreja Católica do que o Santo Sacrifício da Missa; lançar sombras sobre ele equivale a sacudir os próprios alicerces da Igreja” [117], mas, ele próprio (folheto) , inconscientemente lança sombras sobre a Missa e alguns dos que se declaram seus discípulos fazem propaganda para afastar as pessoas da Missa. Não é isto uma incoerência? Estes tais não amam a Santa Missa, porque se a amassem, não seriam 62 “razões” triviais ou mesmo1.000 dúvidas que os levariam a trabalhar para afastar os homens da Missa.

- Um autor, criticando a “nova” Missa, diz: “Mencionemos, também, a adoção de fórmulas tomadas de Lutero: o acréscimo que representou o “foi entregue por nós”; a fórmula “fazei isto em memória de mim”” [118]. Suponhamos que Lutero tenha usado essas fórmulas, mas, antes dele, as usaram Santo Tomás: “o sujeito que padeceu... é mencionado nestas palavras:’que será entregue por nós’ [119]”; e, antes de Santo Tomás, também as usaram São Lucas e São Paulo. São Paulo escreve ‘que será entregue por nós’ (1Cor 11,24) e ‘fazei isto em memória de mim’ (1Cor 11,25), e São Lucas: ‘este é o meu corpo, que é entregue por vós; fazei isto em memória de mim’ (Lc 22,19); e, antes que São Paulo e São Lucas, as usaram Nosso Senhor Jesus Cristo, como consta pelos mesmos São Lucas e São Paulo: ‘... o Senhor Jesus... tomou o pão... e disse: Este é o meu corpo que é entregue por vós, fazei isto em memória de mim’ (1 Cor 11,23). Ou seja, segundo De Brienne, o próprio  Jesus Cristo usou “fórmulas tomadas de Lutero”. Não é isto uma incoerência? Em outro lugar critica uma suposta “ambigüidade”: ‘Anunciamos, Senhor, tua morte... Vinde, Senhor Jesus’ no preciso momento em que Cristo já veio ao altar e está substancialmente presente [120]. Se tal é assim, o próprio São Paulo caiu em “ambigüidade”, já que é ele quem, depois do relato da instituição da eucaristia, lembra aos cristãos de Corinto que “cada vez que comeis este pão e bebeis deste cálice, anunciais a morte do Senhor até a sua vinda”(1 Cor 11,26).

- Não é incoerência afirmar que se deve sempre ter como ponto de referência Santo Tomás, dizendo que “Santo Tomás não será jamais superado por nenhuma ciência... (nossos seminaristas) consolidam sua fé à luz do tomismo” [121], e duvidar da validade da Missa com o novo rito por falta de fé dos ministros, afrontando a claríssima sentença de Santo Tomás?

- Para defender o primado do Papa colocam-se contra a colegialidade, mas, ao mesmo tempo, rebaixam a autoridade do Papa reduzindo seu Magistério, não somente considerando-o no nível de meras opiniões,  mas até mesmo não o tendo em conta. Assim, diz o Pe. Franz Schmidberger, Superior Geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, em carta de 6 de janeiro de 1992: “V.S. sabe, melhor do que ninguém, que todos os membros da Fraternidade Sacerdotal São Pio X confessam não somente  a fé católica em toda a sua integridade, mas que mantém, também, uma adesão sem falhas à Sé Apostólica”, porém, parágrafos abaixo continua: “Que as autoridades romanas e episcopais confessem novamente os princípios contidos nos atos do Magistério mencionados acima, e reprovem  os erros que esses documentos condenam, então a aparente ruptura cessará por si mesma” [123]. A “adesão sem falhas” é se “as autoridades romanas” fizerem o que eles querem. Não é incoerência afirmar: “Pensamos que quando o Apóstolo Paulo dirigiu óbices a São Pedro, o fez guardando e ainda manifestando para o chefe da Igreja o afeto e respeito devidos... isso não nos autoriza a desprezar o sucessor de Pedro” [124] e depois conceber e alentar sob sua inspiração desenhos desrespeitosos e caricaturescos do Papa? [125] Não é incoerência culpar o Cardeal Ratzinger por considerar a ‘Gaudium et Spes’ como o ‘anti-Syllabus’ [126], ou seja, contrapor um documento do Magistério recente a um antigo, mas, ao mesmo tempo, aceitar contrapor documentos do Magistério antigo a documentos do Magistério recente? Não é a mesma coisa?

- São contra o ecumenismo porque reconheceria todas as religiões como verdadeiras mas, ao fim e ao cabo, acabam – em distintos níveis e graus – fazendo sua própria religião. Alguns, com a não obediência ao Papa “conciliarista” ou “ecumenista”; outros afirmando que se perdeu o pontificado e, portanto, a Sé de Pedro está vacante (alguns sustentam que desde a morte de Pio XII); outros afirmam que, apesar de herege, segue sendo Papa; outros que deve ser declarado deposto (‘Papa est deponendus’); outros, ainda, que já está deposto pois é manifesta sua heresia (‘Papa est depositus’), etc.

- Do mesmo modo contrapõem-se à liberdade religiosa, mas usam-na largamente em matéria religiosa.

7. Por último, creio que vale ressaltar que não é a atitude meramente conservadora a que se opõe frontalmente ao progressismo. A atitude meramente reacionária tem, sempre, vôo curto e, por cair em falsa dialética, desenvolve, ao fim, aquilo que diz combater caindo, muitas vezes, nos mesmos termos que quer negar.

A atitude conservadora se opõe ao progressismo como aquele contrário que “pertence ao mesmo gênero”. O que realmente se opõe ao progressismo como contraposição é a atitude missionária. A atitude missionária contradiz o progressismo “em razão de remoção, porque tira ao outro (isto é, tira do progressismo)” sua característica própria que é a perda da identidade católica. Assim ensina Santo Tomás: “De quatro modos algumas coisas se opõem a outras: a  modo de contradição, como o que está sentado em relação ao não sentado; a modo de privação, como o cego àquele que vê; a modo de contrariedade, como o negro ao branco; e de um quarto modo, como a algo (alteridade), como o filho ao pai. O primeiro desses quatro gêneros de oposição é o de ‘contradição’. O motivo é que a contradição está incluída – como anterior e mais simples – em todos os outros gêneros. Pois é impossível que existam simultaneamente coisas opostas, qualquer que sejam o gênero de oposição. E isto ocorre pelo fato de que um dos opostos tem em sua razão a negação do outro” [127] E, em outro lugar, diz que : “algo se contrapõe ou se opõe a outro ou em razão da dependência e tais são os opostos relativos ou em razão da remoção, isto é, porque um tira do outro. E isto sucede de três modos: ou remove totalmente sem deixar nada e tal é a negação; ou deixa apenas o sujeito e tal é a privação; ou deixa o sujeito e o gênero  e assim temos o contrário, pois os contrários estão não somente  no mesmo sujeito, mas também no mesmo gênero.” [128]


CONCLUSÃO

Em primeiro lugar, creio que é necessário de parte de cada um de nós um exame de consciência sobre o tema, como disse o Cardeal Hyacinthe Thiandoum, arcebispo de Dacar: “Se... a Igreja é comunhão e... seus membros são solidários entre si, então este drama é nosso drama” [129].

O mais lúcido que conheço para ajudar a fazer o exame de consciência é a conferência do Cardeal Ratzinger pronunciada em Santiago de Chile e em Bogotá. Diz que a Santa Sé, devido à sua atitude de encontrar uma solução para o problema com Mons. Lefebvre, recebeu muitas críticas e que “é uma contradição que sejam precisamente aqueles que não deixaram passar nenhuma ocasião para vociferar em todo o mundo sua desobediência ao Papa e às declarações magisteriais  dos últimos vinte anos que julgam esta postura demasiado tíbia e pedem que se exija uma obediência total para o Vaticano II...  O mesmo fenômeno em seu conjunto não seria imaginável se não estivessem também em jogo elementos positivos, que geralmente não encontram suficiente espaço vital na Igreja de hoje. Devemos perguntar-nos seriamente sobre as deficiências em nossa pastoral, que são denunciadas por todos esses acontecimentos... A liturgia não é festival, não é uma reunião prazerosa... Os homens... se sentem enganados quando o mistério se converte em diversão, quando o ator principal na liturgia não é já Deus vivo, mas o sacerdote ou o animador litúrgico”. A arbitrariedade na fé “leva a muitas pessoas a se perguntar se a Igreja de hoje é realmente ainda a mesma de ontem... A única maneira de fazer crível o Vaticano II é apresentá-lo claramente como  ele é: uma parte da inteira e única Tradição da Igreja e de sua fé”.

“É verdade que, no movimento espiritual pós-conciliar, deu-se, muitas vezes, um esquecimento, inclusive uma supressão da questão da verdade... A verdade apareceu de repente  como uma pretensão demasiado alta, um triunfalismo...” Isto “se verifica de modo claro na crise na qual caíram o ideal e praxis missionária”. Daí que “se conseguimos mostrar e viver de novo a totalidade do que é católico nestes pontos, então podemos esperar que o cisma de Lefebvre não será de longa duração. [130]”.

Em segundo lugar, deve-se reconhecer que os graves abusos do progressismo empurraram, muitas vezes, a posições cada vez mais petrificadas. A exarcebação do progressismo na França nos faz compreender a reação contrária.

Há, também, que se assinalar a falta de justiça e de caridade que demonstram os arautos da renovação e do progresso, chegando à crueldade com aqueles que não compartilham de suas teorias. Historicamente, os chamados “integristas conservadores” aparecem como uma reação às gravíssimas atitudes – na doutrina e nos atos – do progressismo.

Em terceiro lugar, nós estamos comprometidos com a  renovação na fidelidade , ou o que é o mesmo, com  a fidelidade na renovação. Cremos que pode haver uma sã e legítima evolução “no mesmo sentido e com o mesmo conteúdo” [131.

Cremos que o Concílio Vaticano II pode e deve ser interpretado à luz do Magistério anterior, como ensina Paulo VI: “Pelo contrário, deve-se dizer que as coisas ensinadas pelo Concílio Vaticano II, guardando um estreito nexo com o Magistério eclesiástico anterior, são sua continuação, explicação e incremento” [132]. Em outro lugar, diz: “O Concílio ... continua a vida da Igreja; não a interrompe, não a deforma, não a inventa, mas que a confirma, a desenvolve, a aperfeiçoa e a põe atual” [133] “O que principalmente se atém o Concílio Ecumênico é o seguinte: que o sagrado depósito da doutrina cristã seja guardado e ensinado de forma eficaz... A finalidade principal deste Concílio não é, pois,  a discussão deste ou daquele tema da doutrina fundamental da Igreja... “ [134]. E no mesmo sentido recorda o Sínodo dos Bispos que “deve-se entender o Concílio em continuidade com a grande tradição da Igreja...” [135].

Evidentemente que nos referimos aos textos finais, não ao chamado “concílio Vaticano paralelo” ou “Vaticano II bis” ou “paraconcílio” ou as interpretações que fizeram os peritos, ou as declarações de clérigos, ou as possíveis omissões, ou a ausência de algumas definições. Além disso, de maneira especial, “as orientações do Concílio devem ser estudadas, meditadas, relidas e praticadas: não somente os Documentos conciliares específicos, já, em si mesmos, tão ricos de indicações e sugestões pastorais, mas também com a ajuda do que podemos chamar a chave sinodal de leitura do próprio Concílio, isto é, mediante as indicações aportadas pelos trabalhos dos Sínodos dos Bispos, até agora celebrados e propostas em documentos de amplo alcance...” [136], de tal forma que somente na fidelidade atual e de fato ao Romano Pontífice, se conecta e se aproveita a Tradição viva e verdadeira e não fossilizada.

Conceda-nos o Senhor a perseverança neste empenho difícil e entusiasmador. A Virgem nos proteja.



Notas

[1] Revista Criterio, n° 1957-58, dezembro de 1985, p. 696.

[2] N° 2010, 12 de julho de 1988, p. 353 (as afirmações pejorativas de Criterio são maldosamente falsas).

[3] N° 5635, Quinta-feira 10 de julho de 1986, p. 4.

[4] CIAS, agosto de 1988, p. 322. O parêntesis é nosso.

[5] "Non solo lefebvriani formali sono attivi, ma ci sono seminari de lo stesso tipo, come quello di San Rafael" (L´Osservatore Romano, ed. italiana, n° 80, Sexta-feira 6 de abril de 1990, p. 4.).

[6] Revista Ecclesia, n° 2.390, Setembro de 1988, p. 17 (1377). Os parêntesis são nossos. (Vale a pena recordar que o Arcebispo de Paraná era Mons. Adolfo Tortolo, que foi por três vezes presidente da Conferencia Episcopal Argentina eleito por sus pares).

[7] Revista Ecclesia, n° 2530, 1 de junho de 1991, p. 19 (835).

[8] Aquí é necessário recordarr os comentarios infundados do Sr. Raúl Alfonsín (cf. diarios del 3/11/89: La Nación, p. 6; Los Andes, p. 2; y La Nación del 13/11/89, p. 8).

[9] Revista Ecclesia, n° 2561-62, 4-11 de janeiro de 1992, p. 23 (23).

[10] Joao Paulo II, Alocução à Conferência Episcopal da França no Seminario de Issy-lesMoulineaux, L´ Osservatore Romano, ed. espanhola, (8/6/80), p. 13.

[11] La quimera del progresismo, Cruz y Fierro Editores, Bs. As. 1981, Proemio Galeato, p. V-VI.

[12] Julio Meinvielle, El progresismo cristiano, Cruz y Fierro Editores, Bs. As. 1983, Prólogo, p. IV.

[13] Cf. Diario Los Andes de 8/9/84, p. 7; y Diario Mendoza de 11/9/84, p. 11.

[14] Dirigido por  Sr. Álvaro Daniel Ramírez Arandigoyen (abril-junho de 1980, pp. 8 e 18).

[15] Bossuet, Lettres IV, em "Oeuvres", T. XII, p. 9.

[16] Revista Gladius, n° 18, Bs. As. 15/8/90, pp. 81-84

[17] Boletim La Tradición, n° 138, Córdoba, 1986, p. 14.

[18] Alguns não gostam da palabra “perpétua”; Daniel Raffard de Brienne critica o artigo 7 da Ordenação Geral do Missal Romano, que diz: "O sacrifício da Cruz se perpetua” afirmando que "isso não quer dizer que não se renove; os protestantes admitem que o sacrifício memorial seja perpetuado" (Lex orandi. La nueva Misa y la fe, Ed. Fundación San Pío X, Buenos Aires, 1993, p.18, nota 89). No entanto, é usada entre outros por S.S. Leão XIII: "...quis que o sacrifício consumado uma só vez sobre a Cruz fosse perpétuo. A razão desta perpetuidade se encuentra na Santísima Eucaristía..." (Encíclica Caritatis Studium, de 25 de julho de 1898, n° 13). Será que Leão XIII estava influenciado pelos protestantes? E será que também estava o Concílio de Trento ao dizer: “e sua memória permanecerá até o fim dos séculos” (eiusque memoria in finem usque saeculi permaneret) (Dz. 938)? O Diccionario de la Real Academia Española traz o significado da palavra perpetua: "Que dura e permanece para siempre".

[19] Cf. São Paulo, 1 Cor. 11,23 ss.

[20] "Et ideo, cuiuscumque linguae verbis proferatur talis sensus, perficitur sacramentum" Suma Teológica, III,60,7 ad 1 (o parêntesis é nosso). Doravante a Suma Teológica será citada S. Th.

[21] S.Th., III,78,2 ad 5.

[22] "Sed in hoc sacramento consecratio materiae consistit in quadam miraculosa convertione sustantiae, quae a solo Deo perfici potest. Unde minister in hoc sacramento perficiendo non habet alium actum nisi prolationem verborum" (S. Th., III, 78,1).

[23] "Ut detur intelligi quod minister in perfectione huius sacramenti nihil agit nisi quod profert verba Christi". (id.)

[24] Id.

[25] Id.

[26] Contenson, De divinissimo Euchar. sacramento, p. II, diss. 2,2, citado por G. Alastruey, Tratado de la Santisima Eucaristía, Ed. BAC, Madrid, 1951, p. 59.

[27] G. Alastruey, Tratado de la Santísima Eucaristía, Ed. BAC, Madrid, 1951, p. 59.

[28] S. Th., III,78,3 ad 1.

[29] Cf. também Jo 5,28-29.

[30] Cf. Santo Agostinho, De Civitate Dei, XX, cap. 24, Ed. BAC, Madrid 1978, tomo 2°, p. 719: ´Ponit aliquando Scriptura pro omnibus multos".

[31] S. Th., Supp., 75,2 ad 2: "Quod Agustinus exponit ‘multi, idest omnes´. Et hic modus loquendi frecuenter invenitur in Sacra Scriptura".

[32] Francisco Zorell, S.I., Lexicon graecum Novi Testamenti, Ed. Pontificio Instituto Bíblico, Roma, 1990, coluna 1101.

[33] S. Th., III,78,3, obj. 8: "effundetur pro omnibus aut pro multis".

[34] S. Th., III, 83, 4 ad. 2: "Quod autem additur omnes, intelligitur in verbis Evangelii, licet non exprimatur: quia ipse dixerat, Io. 6,54: Nisi manducaveritis carnem Filii hominis, non habebitis vitam in vobis".

[35] S. Th., III, 60, 8 ad. 3: "non tollitur veritas sacramenti".

[36] Manuel de Tuyá, O.P., Biblia Comentada por los Profesores de Salamanca, Ed. BAC, Madrid, 1964, tomo V, p. 556. Cf. também D. G. Maeso, Ilustraciones Eucarísticas, 1957, p. 206, nota 3; y Schürmann, Zeit. Kath. Theol., 1951, 77-77 (citados por Tuyá em op. cit.).

[37] Catecismo Romano, Ed. BAC, Madrid, 1956, p. 459.

[38] S. Th., III, 60, 8 Sed contra.

[39] S. Th., III, 60, 8 ad. 2.

[40] S. Th., III, 78, 5.

[41] Mons. Marcel Lefebvre, Un Obispo habla, Ed. Nuevo Orden, Bs. As., 1977, p. 228.

[42] Cf. S. Th., III, 64, 8, obj. 2.

[43] S. Th., III, 64, 8 ad. 2.

[44] S. Th., III, 64, 9.

[45] Id., ad. 1.

[46] Paulo VI, Constitución Apostólica Missale romanum, Roma, 3/4/1969: “Nostra haec autem statuta et praecripta nunc et in posterum firma et efficacia esse et fore volumus, non obstantibus, quatenus opus sit, Constitutionibus et Ordinationibus Apostolicis a Decessoribus Nostris editis, ceterisque praescriptionibus etiam peculiari mentione et derogatione dignis".

[47] C.I.C., canon 754.

[48] Cf. Denzinger 1821 ss.

[49] Cf. n° 22.

[50] De Prescriptione, 20, 6-9.

[51] Cf. Adversus Haereses, 3, 3, 1.

[52] Cf. Historia Eclesiástica, V, 16, 10.

[53] Cf. id., V, 23.

[54] Dizem ao Papa: "Unidos pelo vínculo da caridade e da unidade da mãe Igreja Católica... te saudamos, gloriosíssimo Papa... Para que se comunique a todos por meio de ti, já que tens a mais digna diocese... Que é o que determinamos, segundo comum parecer, e o manifestamos pela caridade para que todos saibam o que devem fazer daqui em diante" (Epis. Synodi Arelat ad Sylvestrem Papam, MANSI: II, 469, 471).

[55] Orígenes, Comment. in Matth., XII, 10-11 (PG: XIII, 997-1000).

[56] Epist. 18, 1; PL 50, 505-507.

[57] Epist. 67, 5.

[58] MANSI, XVI, 174

[59] L´Osservatore Romano (ed. italiana) de 3 de março de 1965, p. 1. No centro e em um quadro, com o título "La ‘Nota explicativa praevia´ fonte autentica d´interpretazione della Costituzione dogmatica ‘De Ecclesia’".

[60] LG, 22.

[61] Cf. LG, 22,b.

[62] Cf. Juan M. Igartúa, La esperanza ecuménica de la Iglesia, ed. BAC, Madrid, 1970.

[63] Denunciado por  Card. Ratzinger, Rev. 30 Giorni, feb. 1993, p. 67.

[64] Cf. Catecismo da Igreja Católica, nn. 811-816.

[65] Concílio Vaticano II, Unitatis Redintegratio, 2.

[66] Id.

[67] LG, 8.

[68] "In hac una et única Dei Ecclesia iam a primordiis scissurae quaedam exortae sunt" (Unitatis redintegratio, 3).

[69] Id., 4.

[70] Id., 5.

[71] Id., 24.

[72] Id., Também Catecismo da Igreja Católica, nn. 817-822.

[73] Cf. Catecismo da Igreja Católica, nn. 846 ss.

[74] LG, 14.

[75] De Veritate, q. 14, a. 11 ad 1. Cf. também S. Th., III, q. 8 sobre a graça capital de Cristo.

[76] Publicado como apêndice de seu livro De Lammenais a Maritain, Ed. Theoria, Bs. As, 1967.

[77] Cf. Rev. Mikael, 24 (1980) p. 111-124. Tem um trábalo mais completo, Estudio histórico-doctrinal de la declaración sobre libertad religiosa del Concilio Vaticano II en "La Ciencia Tomista", 93 (1966).

[78] DH, 2 in fine.

[79] Id.

[80] Id., 2.

[81] Id, 3.

[82] Id., 1.

[83] Id., 1.

[84] AAS, 45 (1953), 798.

[85] João Paulo II, Homilía na inauguração oficial de seu Pontificado, 22/10/1978 (L´Osservatore Romano, 29/10/78, p. 4; repetido inumeráveis vezes).

[86] Cf. Paulo VI, Evangelii nuntiandi, 38.

[87] Cf. Actualidad de la Ciudad Católica, em Revista Verbo n° 191, abril de 1979, pp. 14-22.

[88] S. Th., I, 68, 4.

[89] Discurso aos jovens no estádio Esseneto, Agrigento (Sicilia), 9/5/93; L´Osservatore Romano, 21/5/93, p. 11.

[90] Romanos, inscr.

[91] Magnesios 6,1.

[92] Adv. Haer. III, 3, 2.

[93] Ep. 59, 14.

[94] Ep. 15, 1.

[95] Sermo 131, 10, 10.

[96] Enarr. in Ps., 40, 30.

[97] Sermo 3, 2.

[98] Dz. 171; cf. Dz. 343, 357, 570 s.

[99] Constituição Dogmática sobre a Igreja Lumen Gentium, 18 b.

[100] Decreto sobre as Igrejas Orientais Orientalium Ecclesiarum, 3. Cf. LG 13. 22; AG 6. 22. 38; etc.

[101] Cf. Tuyá-Salguero, Introducción a la Biblia, T. I, Madrid, 1967, p.40.

[102] Cf. Gál. 2, 11 ss.

[103] Carta 8 Proposueramus quidem, al Emperador Miguel, del año 865 (Dz. 330).

[104] Carta In terra pax hominibus a Miguel Cerulario y León de Acrida, 2/9/1053, cap. 11 (Dz. 352).

[105] Id., cap. 32 (Dz. 353).

[106] Cf. Bernard Lecomte, Cómo el Papa venció al comunismo, Ed. Rialp, Madrid, 1992.

[107] Ad. Magn. 9, 1.

[108] Apologiae, 1, 67, 7.

[109] In die Dominica Paschae homilia: CCL, 550, 52.

[110] Conmonitorium 23.

[111] Cf. F. Marín Solá. O.P., Evolución homogénea del dogma católico, Ed. BAC, Madrid.

[112] Cf. Juan A. Casaubón, Nociones generales de lógica y filosofía, Ed. Estrada, Bs. As., 1983, p. 87 ss.; etc.

[113] La Iglesia y el Estado, Ed. Rovira, Bs. As., 1946, p. 30 ss.

[114] El error del liberalismo, Ed. Cruz y Fierro, 1978, p. 93.

[115] Cf. ¿Por qué la Misa tradicional en latín? ¿Por qué no la nueva?, distribuido pela Fraternidad Sacerdotal San Pío X, distrito América do Sul, Martínez, Pcia. de Bs. As, n° 44.

[116] Id., introd.

[117] Mons. Marcel Lefebvre, Un obispo habla, o.c., pág. 224.

[118] Daniel Raffard de Brienne, Lex orandi, la nueva Misa y la fe, Ed. Fundación San Pío X, Bs. As., 1993, p. 20.

[119] S. Th., 111,78,2 ad 9.

[120] Rafael de Brienne, o.c., p.19.

[121] Mons. Marcel Lefebvre, Sí y No, Ed. Iction, 1978, p. 204.

[122] cf. S.Th. 111,64,9.

[123] Carta al Gardenal Oddi, 6/1/1992, publicada en Roma Aeterna 122, p. 42-43 (talvez a carta esteja mal traduzida).

[124] Mons. Marcel Lefebvre, Un Obispo habla, Ed. Nuevo Orden, Bs. As., 1977, pp. 217-218.

[125] Cf. Credidimus caritati, año III, n. 11/12, Julho/Outubro de 1986, p. 5.

[126] Cf. Teoría de los principios teológicos, Ed. Herder, Barcelona, 1985, pp. 457.458.-462.

[127] In Metaph. X, 6; nn. 2040-2041.

[128] In Metaph. V, 12; n. 922.

[129] Revista Esquiú, 22/11/87, p. 24.

[130] Alocução aos bispos reunidos em Santiago e Bogotá (L´Osservatore Romano, 7/8/1988, p. 23).

[131] San Vicente de Lerins, Commonitorium 28 (PL 50, 668, c. 23): Dz. 1800.

[132] “At vero, quaecumque a Concilio Vaticano II docentur, arto nexu cohaerente cum Magisterio ecclesiastico superioris aetatis, cuius continuatio, explicatio atque incrementum sunt dicenda" (Carta ao Congresso Internacional de Teologia, Roma, setembro de 1966 (L’Osservatore Romano 26/9/66)

[133] Insegnamenti di Paolo VI, 4 (1966); citado por João Paulo II (L´Osservatore Romano, 3/11/85).

[134] Id.

[135] Relação final do Sínodo dos Bispos, (L´Osservatore Romano, 22/12/85, p. 11).

[136] Joao Paulo II, Alocução aos bispos italianos em Assis, n° 7 (L´Osservatore Romano 21/3/82, p. 8).



















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Para citar este artigo:

IVE, Pe Carlos Miguel Buela. Apostolado Veritatis Splendor: INTEGRISMO CONSERVADOR: UMA OPÇÃO VÁLIDA? . Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/4258. Desde 04/06/2007.



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