Veritatis Splendor - LEITOR PERGUNTA SE PASSAGEM EM LIVRO DOS MACABEUS PODE SER CONSIDERADA INSPIRADA POR DEUS

LEITOR PERGUNTA SE PASSAGEM EM LIVRO DOS MACABEUS PODE SER CONSIDERADA INSPIRADA POR DEUS

Por Alessandro Lima

Publicado em 30/05/2007

Nome do leitor: José Carlos

Mensagem
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Boa Tarde,

Com respeito e admiração pelos estudos dispostos no VERITATIS, do qual  fica um questionamento:

Podemos crer que esta narrativa exposta no Livro de II Macabeus 15, fora inspirada pelo Espírito Santo?

37. Assim se desenrolaram os acontecimentos relativos a Nicanor, e já que a partir dessa época Jerusalém permaneceu em poder dos hebreus, finalizarei aqui minha narração.
38. Se ela está felizmente concebida e ordenada, era este o meu desejo; se ela está imperfeita e medíocre, é que não pude fazer melhor.

Prezado José Carlos, a Santa Paz!

Agradeço muito seus elogios ao nosso sítio. Tenho certeza que o que lhe causou admiração foi o Esplendor da Verdade que neles há e não nossa capacidade de expor a matéria (que muitas vezes seguem com vários erros de português...).

S. Paulo escreveu ao seu discípulo Timóteo: "Toda a Escritura é inspirada por Deus, e útil para ensinar, para repreender, para corrigir e para formar na justiça" (2 Tm 3,16).

Inspiração divina não é um ditado mecânico pelo Espírito Santo, mas a iluminação da mente do escritor sagrado para que, sob a luz do Espírito Santo possa transmitir por escrito, com as noções religiosas e humanas que possui, informações autênticas da mensagem embora revestida de linguagem humana. A finalidade da inspiração bíblica é religiosa, e não da ordem das ciências naturais.

É muito comum se pensar que inspiração divina seja uma revelação direta de Deus, seja por ditado ou visão; ou que esta mesma inspiração possua infabilidade de ordem científica.  Isto não exclui  o fato de que  em alguns casos os escritores sagrados tenham recebido  uma  revelação direta de Deus, ou que a mensagem evangélica possua precisão científica.

Dito isto, você me pergunta se devemos considerar 2 Mac 15,37-38. Claro que sim! Quem definiu o cânon bíblico para os cristãos, não foram os fariseus do final séc. I e nem Cristo e Seus santos Apóstolos. Foi a Igreja Católica. E a Igreja reconheceu o livro dos Macabeus (I e II) como inspirados pelo Espírito Santo.

O fato do autor sagrado reconhecer suas misérias na capacidade de transmitir as verdades queridas por Deus não o torna não inspirado, se levarmos em conta a real definição de inspiração e que outros livros cuja inspiração não é discutida apresentem lá também suas particularidades.

Veja por exemplo, estas palavras no Livro do Eclesiastes: "Mas, quando me pus a considerar todas as obras de minhas mãos e o trabalho ao qual me tinha dado para fazê-las, eis: tudo é vaidade e vento que passa; não há nada de proveitoso debaixo do sol" (Ecl 2,11).

No trecho acima há uma constatação meramente humana, não divina. Será que o texto acima não é inspirado?

No Evangelho de Mateus lemos: "Assim se cumpriu a profecia do profeta Jeremias: Eles receberam trinta moedas de prata, preço daquele cujo valor foi estimado pelos filhos de Israel" (Mt 27,9). O Evangelista se enganou. A profecia não é de Jeremias, mas de Zacarias (cf. Zc 11,12-13). Será que esta passagem também não é inspirada por Deus?

Há ainda várias informações contraditórias no AT e no NT, que se deve ao fato de que a Escritura é mensagem de Deus transmitida pelo homem, que é falho.

Espero tê-lo ajudado.

Leitura complementar

Dom Estêvão Bettencourt, OSB. Apostolado Veritatis Splendor: A Interpretação da Bíblia. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/286. Desde 6/11/2001.

Carlos Martins Nabeto. Apostolado Veritatis Splendor: A BÍBLIA É INFALÍVEL?. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/1390. Desde 5/9/1999.

 


Este artigo foi publicado durante a primeira fase do Apostolado Veritatis Splendor. Conheça o site novo aqui