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Ano - IX quinta-feira, 18 de março de 2010
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"TRADICIONALISMO", MODERNISMO E O CONCÍLIO


Por Pedro Ravazzano

Fonte: http://carollamagnus.blogspot.com/

Inicialmente, eu fiquei impressionado como o discurso dos “tradicionalistas” e dos mordenistas se pareciam, mas depois fui percebendo que ambos se encontravam na roda da desobediência.

Existe uma relativização tamanha, o primado petrino é reduzido àquilo que agrada, exemplificando; quando o Vaticano II diz que a Igreja de Cristo subsiste na Igreja Católica, os modernistas dizem, isso eu ouvi, que o Concílio foi pastoral. Quando o Vaticano II muda o rito ordinário da Igreja, os “tradicionalistas” dizem que Concílio foi pastoral. Quando João Paulo II condena a TL, os modernistas desdenham e tentam encontrar uma justificativa para validar e defender os hereges. Quando João Paulo II excomunga Lefevbre e companhia, os “tradicionalistas” desdenham e tentam encontrar uma justificativa para validar e defender os cismáticos. Quando Bento XVI libera o rito tridentino, é um Papa digno e fiel à Tradição para os “tradicionalistas”, quando Bento XVI defende a justiça social, é um Papa digno e fiel à Tradição, para os modernistas.

Parte dos Concílios da Igreja foram pastorais, trataram de questões da doutrina, fé ou moral, e/ou disciplina, pastoral, por isso são todos aceitos com fé católica. D. Boaventura Kopplenburg, OFM, nos comentários ao Compêndio do Concílio, lembra as várias facetas da convocação conciliar; pastoral, doutrinário, ecumênico e que quis ensinar autenticamente (com autoridade divina), o mesmo Bispo continua: "No proêmio faz-se uma declaração sobre a finalidade de todo o documento: ...'Ecclesia.... naturam missionemque suam universalem, praecedentium Conciliorum argumento instans, pressius fidelibus suis et mundo universo declarare intendit'. 'Ecclesia pressius declarare intendit': eis a intenção fundamental, claramente doutrinária, enunciada logo de início. Quer ensinar a doutrina sobre a natureza e a missão da Igreja: portanto, uma doutrina relacionada com a fé e com os ensinamentos dos Concílios anteriores e, como declarou Paulo VI no já citado discurso de abertura: o Concílio deseja 'interpretar o pensamento de Jesus Cristo', isto é, quer autenticamente ensinar qual a doutrina revelada acerca da Igreja. Essa doutrinação se dirige a todos os fiéis e ao mundo inteiro, absolutamente universal, até mais que nos Concílios anteriores que habitualmente se dirigiam aos fiéis. Mas o Concílio tem a intenção de 'pressius declarare': declarar 'com mais rigor', 'com mais precisão ou exatidão', o mesmo que 'definir'..."

Lembrando as palavras de S.S Paulo VI no encerramento do Concílio: “o magistério da Igreja, embora não tenha querido pronunciar-se com sentenças dogmáticas extraordinárias sobre nenhum capítulo doutrinal, propôs, todavia, o seu ensinamento autorizado acerca de muitas questões que hoje comprometem a consciência e a atividade do homem.”.

E de S.S João XXIII na abertura: “Uma coisa é a substância do depositum fidei, isto é, as verdades contidas na nossa doutrina, e outra é a formulação com que são enunciadas, conservando-lhes, contudo, o mesmo sentido e o mesmo alcance. Será preciso atribuir muita importância a esta forma e, se necessário, insistir com paciência, na sua elaboração; e dever-se-á usar a maneira de apresentar as coisas que mais corresponda ao magistério, cujo caráter é prevalentemente pastoral.”, João XXIII não disse que o Concílio foi pastoral, mas que o Magistério tem um caráter pastoral, e mesmo que fosse, não o torna apto a não ser seguido. Tanto no discurso de abertura quanto no de encerramento, ambos os Papas afirmam que mesmo o Vaticano II não sendo extraordinário, dogmático, usa sim a autoridade do Magistério para ensinar aos católicos, ainda mais porque o Concílio não se propõe a definir dogmas, porque se fundamenta e se baseia na Doutrina da Igreja, e baseando-se nela, sustenta o seu conteúdo.

O que está ocorrendo em ambos os casos, “tradicionalistas” e modernistas, é aquilo que D.Eugênio Sales tanto criticava; "A Igreja fundada por Jesus Cristo não é uma democracia cujos rumos ficam na dependência do número de votantes. Os ensinos de Jesus não estão à mercê de interpretação privada, mas são guiados pelo Espírito Santo através do Magistério", o primado petrino fica entregue as opiniões, vontades e caprichos, tanto dos “tradicionalistas” quanto dos modernistas, ambos só enxergam e entendem aquilo que querem.

Os ensinamentos papais começam a passar pelo crivo pessoal, se tem consonância com a crença individual, é aceitável e digno, do contrário, não devem ser seguidos. Querem ensinar Pai-Nosso ao Vigário (de Cristo). Esquecem, entretanto, que um católico não tem apenas a obrigação de seguir o Magistério Extraordinário, mas sim todos os ensinamentos provenientes da tutela da Igreja. Se faz intrínseco ao dogma da infalibilidade o assentimento de fé a tudo aquilo que provém de Roma. Em ambos os casos, principalmente com os “tradicionalistas”, existe uma maquiagem de fidelidade a Santa Sé, mas na verdade tratam o Papa como um inexperiente na Tradição. Em oposição, religiosos como Fellay, Casaldáliga, seriam os que revelariam os reais sentidos dos ensinamentos papais. É claro que eles enxergam no Papa o Sumo Pontífice, Vigário de Cristo, mas no que tange aos ensinamentos ordinários e autênticos, “tradicionalistas” e modernistas são idênticos, preferem seguir os seus Bispos. Um erro absurdo, alto grau de desobediência ao Magistério da Igreja (Extraordinário, Ordinário e Autêntico), atestado da falta de unidade ao redor do Papa.



Todos os artigos disponíveis neste sítio são de livre cópia e difusão deste que sempre sejam citados a fonte e o(s) autor(es).

Para citar este artigo:

RAVAZZANO, Pedro. Apostolado Veritatis Splendor: "TRADICIONALISMO", MODERNISMO E O CONCÍLIO. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/4349. Desde 16/11/2007.



Livro "O Cânon Bíblico"