Nome do leitor: José Paulo
Cidade/UF: Leme/SP
Religião: Católica
Mensagem
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Prezados, Deus seja louvado em seus Anjos e seus Santos!
Gostaria de entender na pratica o que seria interpretar o Concilio Vaticano 2 à Luz da Tradição ... já li isso em alguns textos do proprio Papa, mas não vi objetivamente isso explicado na pratica, por exemplo: um ponto polemico da Missa em vernáculo amparado peles concilios anteriores...
Penso ser esse ponto exatamento a defesa q falta ao Concilio !!! Falta pessoas capazes, q estudaram o Concilio sem preconceitos, terem essa coragem ! Por isso recorro a vcs.
Dou um exemplo para começar que não sei responder qdo sou questionado: como conciliar a luz da tradição, a aceitação da liberdade de religião dada nos textos do Vaticano 2 e o q sempre foi ensinado antes sobre essa matéria ? Por que o concilio não condenou nada ? Se o metodo da Igreja até aquela data era a de condenar, pois a tradição da Igreja sempre foi condenar a tese oposta para proteger a sua (!?)... Mas isso foi deixado de lado na letra do Concilio e depois na pratica nas paroquias pelos padres, então pergunto só para concluir, como a Igreja poderia proteger sua sã doutrina sem condenar as outras? Afinal a Doutrina da Igreja é superior? Não vejo como proteger o Concilio de ataques sem responder a essas perguntas... Vamos ficar a merce dos ataques sem respostas objetivas ...
Um abraço, fiquem com Deus, e até breve !
Prezado José Paulo, a Santa Paz de Nosso Senhor!
Agradeço imensamente a sua confiança em nosso trabalho. Queira sempre Deus que apesar de nossa falhas e limitações possamos ajudar a Igreja a confirmar nossos irmãos na Fé.
Os “rad-trads” criaram um dogma que ainda não existe: de que todo Concílio tem que ser dogmático. Ora, este dogma não existe. Se existir, por favor, me informe, pois quero crer em tudo que a Igreja ensina.
Ora, o pensar e o agir de Deus é diferente do nosso. É muito comum queremos aplicar ou projetar em Deus nosso pensar e agir.
Os Concílios anteriores tinham como o objeto o entendimento interno. Foram concílios realizados para os cristãos, para a Igreja visando o fim das disputas internas (por isso o nome concílio). Foram motivados pelas heresias que ofereciam perigo à Fé. Com o Vaticano I, a Sé Romana já possuía condições de condenar os erros por si própria, sem a necessidade de um Concílio, através do carisma da Infabilidade Papal.
Depois do Iluminismo e das Revoluções industriais, o processo de conhecimento e reflexão do homem mudou. Então a Igreja sentiu a necessidade expor sua Doutrina de uma forma diferente, propondo o diálogo com este homem com o fim de atraí-lo à Verdade. Este é um tópico muito interessante que merece um artigo próprio, por isso não vou me delongar demais nele, pois não seria suficiente neste momento expô-lo de forma concisa.
Os modernistas (1) que são lobos em pele de ovelha, desde há muito maquinam para destruir a Fé Católica. Eles ensinam erros de forma sutil para que os fiéis não percebam a evidência do erro e silenciosamente vão destruindo a Fé.
Um exemplo é um certo estudo que paróquias de Fortaleza-CE promovem ensinando que o relato sobre a Adão e Eva é figurativo, que é uma figura de como Deus criou a humanidade (não o primeiro casal, mas um conjunto de seres humanos). Ora, se não houve o primeiro casal, não houve pecado original, logo não precisamos de salvação, logo não precisamos de Cristo, logo não precisamos da Igreja para nos dar os Sacramentos e nos ensinar a Verdade. Logo, a base da Fé é destruída.
Esta turma que é a verdadeira “sinagoga de Satanás” transviou os ensinamentos do Concílio Vaticano II. Eles aplicaram o Concílio em suas dioceses e paróquias de forma totalmente liberal. Um exemplo desta lástima é o liberalismo litúrgico: missas show, batuques, guitarras estridentes, padre rezando missa em cadeira de praia, palmas na Missa e etc.
Outro exemplo bem evidente é o abuso ecumênico. O ecumenismo de certos clérigos chegou ao nível da LBV. O Verdadeiro ecumenismo é atrair os que estão fora da Igreja pelo que há em comum entre nós e eles. O verdadeiro movimento ecumênico visa a conversão daqueles que não estão no grêmio da Igreja. Isso é bem diverso da relativização da fé que acabou se tornando natural para muitos católicos, a ponto de se escandalizarem quando chamamos os protestantes de hereges e suas igrejolas de seitas.
Ora, claro que o Concílio não ensinou e nem autorizou tamanha balbúrdia. Então o que deve ser feito? Aplicar o Concílio de forma correta, como deveria ter sido aplicado, dentro da Doutrina Tradicional da Igreja. É isso que o Papa chama de “interpretar o Concílio à Luz da Tradição”.
Os “rad-trads” dizem que tal empresa é impossível. Dizem isto, pois crêem firmemente que o Vaticano II foi uma espetacular manobra maçônica para destruir a Igreja e por isso, o Concílio sempre pretendeu introduzir o erro através do Magistério Eclesiástico. Ora, se a Igreja ensinou o erro através de seu Magistério, significa que Ela pecou e pecou gravemente. Mas como fica então o ensinamento Tradicional de que a Igreja não peca, mas é Santa? Então a oração do Senhor pelo Papa (cf. Lc 22,31-32) não foi atendida? Essas são questões ainda não respondidas pelos franco-atiradores do Vaticano II.
Claro que a Igreja é Santa (cf. Nm 16,3; Eclo 24,14), não pode pecar e nem ensinar o erro (cf. 1Tm 3,15). Logo os erros que se seguiram após o Vaticano II devem-se ao liberalismo do clero modernista, que deseja destruir a Igreja de dentro para fora. E infelizmente os “rad-trads” colaboram com estes inimigos, pois atacando o Concílio, atacam a Autoridade da Igreja; e acabam assim se tornando tão nocivos quanto os modernistas.
O Papa Bento XVI, como você mesmo já notou, está trabalhando para mostrar a ortodoxia do Vaticano II, seguindo o exemplo de seu predecessor o Santo Padre João Paulo II. A recente declaração da Congregação da Doutrina da Fé é mais um passo concreto neste sentido. Desta forma, devemos ajudar o Papa e confiar na providência de Deus para sanar o que ainda está em aberto.
Não temos a autoridade de interpretar o Concílio, mas desenvolvemos alguns trabalhos sobre a liberdade religiosa (2), com o intuito de contribuir com o debate em prol da ortodoxia do Vaticano II.
Em Cristo Jesus,
Prof. Alessandro Lima.
(1) S. PIO X, Papa. Apostolado Veritatis Splendor: Pascendi Dominici Gregis. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/4214. Desde 9/4/2007.
(3) BELLO, Joathas. Apostolado Veritatis Splendor: Leitor pergunta sobre liberdade religiosa. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/4280. Desde 23/5/2007.
BELLO, Joathas. Apostolado Veritatis Splendor: A ortodoxa eclesiologia do Concílio Vaticano II e outras questões. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/3992. Desde 16/10/2006.
LIMA, Alessandro. Apostolado Veritatis Splendor: Agente da Campanha "Brasil para Todos" defende "Terra de Ninguém". Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/4278. Desde 21/5/2007.
Este artigo foi publicado durante a primeira fase do Apostolado Veritatis Splendor. Conheça o site novo aqui