Veritatis Splendor - A PROMESSA DO PRIMADO

A PROMESSA DO PRIMADO

Por Severiano del Páramo (sj)

Publicado em 22/10/2002

APÊNDICE: A AUTENTICIDADE DE MT 16,13-20

A interpretação que acabamos de expor desta importante seção é a única aceitável sob qualquer aspecto que se considere.

As antigas interpretações protestantes hoje estão condenadas ao esquecimento - e com razão - pois violentam as palavras do texto e se fundam em preconceitos dogmáticos sobre a Igreja Católica. Porém, já que a interpretação católica se impõe a todo espírito que com serenidade analise o texto, os racionalistas e protestantes de nossos dias tentam encontrar outra maneira de combater a doutrina ensinada nestes versículos: dizem que se trata de uma interpolação feita mais tarde no texto evangélico.

Alguns afirmam que os versículos 17-19 foram interpolados no evangelho pela Igreja romano ao final do séc. II, ou já entre os anos 110-120, ou também no tempo de Adriano (117-138). Harnack crê que foram interpoladas apenas as palavras "e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja", de forma que o texto original diria: "e as portas do inferno não te vencerão"; assim, por tais palavras, era prometida a imortalidade a Pedro. Estas afirmações estão contra todos os códices e versões antiquíssimas dos autores mais antigos da cristandade, que unânimemente lêem o texto como sempre o leu a Igreja. Finalmente, o fortíssimo colorido semítico que possuem estes versículos descaracterizam uma origem romana, como afirmam estes críticos.

Outros autores não têm dificuldades em admitir que efetivamente estas palavras foram escritas por São Mateus, porém, afirmam que não foram ditas por Cristo. Na verdade, elas refletiriam o conceito de que a Igreja primitiva de Jerusalém se formou a partir de São Pedro, bem como sua relação com ela. Com efeito, Pedro - que foi o primeiro a ver Cristo ressuscitado (1Cor 15,5) e o primeiro a pregar a ressurreição (At 2,14ss) - teria, desde o princípio, um lugar privilegiado na mente dos primeiros cristãos, sendo considerado chefe de toda a comunidade. Esta concepção teria sido formada por São Mateus, colocando na boca de Cristo as palavras dirigidas a São Pedro nestes versículos.

Ora, esta teoria, como se vê, torna duvidosa a probidade e a fidelidade histórica de São Mateus, e se baseia em princípios apriorísticos e em hipóteses arbitrárias como é, principalmente, supor sem qualquer motivo uma evolução dos atos e palavras de Cristo ao final de alguns anos, quando ainda viviam testemunhas oculares dos acontecimentos. Supõe ainda, falsamente, que a origem e o progresso da religião e doutrina cristã estava ao arbítrio da fantasia popular e, finalmente, desconsiderando o verdadeiro conceito e valor da tradição apostólica.

Estudo baseado em Mt 16,13-20; v.tb. Mc 8,27-30; Lc 9,18-22


Este artigo foi publicado durante a primeira fase do Apostolado Veritatis Splendor. Conheça o site novo aqui