Veritatis Splendor - DÚVIDA SOBRE O DÍZIMO

DÚVIDA SOBRE O DÍZIMO

Por Marcos Monteiro Grillo

Publicado em 01/08/2008

[Leitor autorizou a publicação de seu nome no site]

Nome do leitor: ANDREIA ANA

Cidade/UF: BRASILIA

Religião: Católica


Mensagem
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EM QUE PARTE DA BIBLIA FALA SOBRE O DIZIMO ?
 
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Prezada irmã Andreia Ana,
 
A paz de nosso Senhor Jesus Cristo!
 
Agradecemos pela confiança em nos escrever.
 
Com relação à sua pergunta, a palavra "dízimo" (bem como o seu plural) aparece na Bíblia Sagrada nas passagens abaixo listadas:
 
Antigo Testamento
 
Gn 14,20
Gn 28,22
Lv 27,30-21
Nm 18,21-32
Dt 12,6-17
Dt 14,22-28
Dt 26,12
1Sm 8,15-17
2Cr 31,5-12
Ne 10,38-39
Ne 12,44
Ne 13,5-12
Tb 1,6-7
1Mc 3,49
1Mc 10,31
1Mc 11,35
Eclo 35,11
Am 4,4
Ml 3,8-10
 
Novo Testamento
 
Mt 23,23
Lc 11,42
Lc 18,12
Hb 7,2-9
 
Não obstante, como católica a irmã deve saber que a nossa fé não está baseada exclusivamente na Bíblia, mas também na Tradição e no Magistério. Isso significa que nós, católicos, não devemos e nem podemos ler a Bíblia e interpretá-la sem levar em consideração a autoridade da Igreja. Se nosso Senhor Jesus Cristo quisesse que cada um lesse a Bìblia e a interpretasse como bem lhe parecesse, não teria escolhido doze Apóstolos e lhes dado autoridade sobre a Igreja (e o Magistério é constituído pelos legítimos sucessores dos Apóstolos). A pretensão de ler e interpretar a Escritura Sagrada desconsiderando-se o ensino da Igreja só produz subjetivismo, relativismo e confusão,  Tem-se então uma espécie de religião "self-service", onde cada um escolhe o que lhe agrada e põe de lado o que não lhe agrada. Infelizmente, temos visto muitos católicos no Brasil que agem dessa forma: "eu sou católico mas sou a favor da camisinha", "eu sou católico mas sou a favor da legalização do aborto", "eu sou católico mas acredito na reencarnação", e por aí vai. Muitos parecem ter se esquecido de que ser católico significa confiar na Igreja e obedecer aos seus ensinamentos, e para obedecer aos ensinamentos da Igreja nós precisamos conhecê-los. O católico não pode seguir o que ele "acha" que é certo, antes deve procurar conhecer aquilo que a Igreja ensina e então obedecer.
 
No que concerne ao assunto da mensagem a nós enviada, é necessário observar o que diz o Catecismo da Igreja Católica:
 
"Os fiéis cristãos têm ainda a obrigação de atender, cada um segundo suas capacidades, às necessidades materiais da Igreja." (n. 2043)
 
Também o Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, organizado pelo então Cardeal Joseph Ratzinger e promulgado por Sua Santidade o Papa Bento XVI, estabelece como 5º mandamento da Igreja o seguinte: "atender às necessidades materiais da Igreja, cada qual segundo as próprias possibilidades" (n. 432).
 
E finalmente, o Código de Direito Canônico determina:
 
"Cân. 222 — § 1. Os fiéis têm obrigação de socorrer às necessidades da Igreja, a fim de que ela possa dispor do que é necessário para o culto divino, para as obras do apostolado e de caridade e para o honesto sustento dos ministros.
 
§ 2. Têm também a obrigação de promover a justiça social e, lembrados do preceito do Senhor, socorrer os pobres com as próprias rendas."
 
"Cân. 1261 — § 1. Os fiéis são livres de doar bens temporais em favor da Igreja.
 
§ 2. O Bispo diocesano deve lembrar aos fiéis a obrigação mencionada no cân. 222, § 1, e exigir seu cumprimento de modo oportuno."
 
"Cân. 1262 — Os fiéis concorram para as necessidades da Igreja com as contribuições que lhes forem solicitadas e segundo as normas fixadas pela Conferência dos Bispos."
 
Com relação aos cânones acima, veja o comentário do Pe. Jesús Hortal, SJ: "O modo concreto de cumpri-lo varia, conforme os tempos e os lugares. No Brasil, generaliza-se, cada vez mais, o 'dízimo', que na realidade é uma contribuição mensal para a paróquia, determinada voluntariamente pelos próprios fiéis." (cf. Código de Direito Canônico. São Paulo: Loyola. 16ª ed., 2005, p. 556.).
 
Veja que o Catecismo, o Compêndio e o Código de Direito Canônico sequer mencionam a palavra "dízimo", nem fazem qualquer referência ao sentido literal da palavra ("a décima parte"). Podemos dizer que dar o dízimo era uma ordenança da Lei Antiga (compare o número de referências ao dízimo no Antigo Testamento com o número de referências no Novo Testamento), a ser observada pelos judeus. Com a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e o advento da Nova Lei, o dízimo deixou de ser um mandamento para o povo de Deus.
 
Para outras informações, sugiro a leitura do artigo "Uma Interessante Discussão sobre o Dízimo Protestante", disponível aqui em nosso site (http://www.veritatis.com.br/article/437).

Finalmente, irmã, não se deixe atemorizar por eventuais "ameaças" vindas de protestantes, ou de católicos "protestantizados" (há quem diga que "quem não dá o dízimo está roubando a Deus"!). Não é esse o ensinamento da Igreja. Sigamos o que a Igreja nos ensina!

 
 

No amor de nosso Senhor Jesus Cristo,

Marcos M. Grillo

 

 

Este artigo foi publicado durante a primeira fase do Apostolado Veritatis Splendor. Conheça o site novo aqui