"A doutrina sobre a natureza de Deus se chama 'Unicidade'. Esta palavra significa 'Qualidade do Único'. Esta se encontra claramente nas Escrituras e afirma que existe apenas um só Deus, sem distinção de Pessoas e que em Jesus Cristo habita corporalmente toda a plenitude da divindade" (Doutrina da Igreja Pentecostal Unida da Espanha)[1].
"Somente Deus é o Todo-Poderoso, o Criador, separado e distinto de qualquer outra pessoa. Jesus - e isto se aplica ainda à existência que teve antes de vir a ser homem - é também separado e distinto, um ser criado subordinado a Deus" (Folheto "O que Diz a Bíblia sobre Deus e Jesus?").
"O Concílio de Nicéia assegurou que Cristo era da mesma substância de Deus, abrindo base para uma posterior teologia trinitária. Porém, não estabeleceu a Trindade, pois naquele Concílio não se disse que o espírito santo era a terceira pessoa de uma Divindade trina e una (...) Por muitos anos houve muita oposição, com base bíblica, ao desenvolvimento da idéia de que Jesus era Deus. Em um esforço para resolver a disputa, o imperador romano Constantino convocou todos os bispos para Nicéia (...) Que papel desempenhou no Concílio de Nicéia aquele imperador não-batizado? A Enciclopédia Britânica relata: 'O próprio Constantino presidiu e dirigiu ativamente as discussões e pessoalmente propôs (...) a fórmula decisiva que expressava a relação de Cristo com Deus no credo que o Concílio publicou, o qual diz que é 'consubstancial com o Pai'. (...) Pressionados pelo imperador, os bispos - com apenas duas exceções - assinaram o credo, ainda que muitos deles não estivessem inclinados a fazê-lo'" (Folheto "Como se Desenvolveu a Doutrina da Trindade?").
"Quanto ao batismo, procedam assim: depois de ditas todas essas coisas, batizem em água corrente, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo" (Didaqué 7,1).[2]
"A Ele [Jesus Cristo] seja dada a glória com o Pai e o Espírito Santo pelos séculos dos séculos. Amém".[3]
"O Espírito Santo, que é preexistente, que criou todas as coisas, Deus o fez habitar no corpo de carne que Ele quis. Pois bem. Esta carne em que o Espírito Santo habitou serviu bem ao Espírito, caminhando em santidade e pureza, sem macular absolutamente nada o mesmo Espírito. Como [essa carne] tinha, pois, levado uma conduta excelente e pura, e tomado parte em todo trabalho do Espírito e cooperado com Ele em todo negócio, portando-se sempre forte e valorosamente, Deus a tornou partícipe juntamente com o Espírito Santo. Com efeito, a conduta desta carne agradou a Deus, por não ter se maculado sobre a terra enquanto teve consigo o Espírito Santo. Assim, pois, tomou por conselheiro a seu Filho e os anjos gloriosos para que esta carne, que tinha servido sem reprovação ao Espírito, alcançasse também algum lugar de repouso e não parecesse ter perdido a recompensa pelo seu serviço, porque toda a carne em que habitou o Espírito Santo, se encontrada pura e sem mancha, receberá sua recompensa" (5ª Parábola, 6,5-7).[4]
"Segundo esta passagem, parece que para Hermas a Trindade consiste em Deus Pai, em uma segunda Pessoa divina - o Espírito Santo - que ele identifica com o Filho de Deus e, finalmente, no Salvador, elevado para fazer parte de sua sociedade como prêmio por seus merecimentos. Em outras palavras, Hermas considera o Salvador como Filho adotivo de Deus, razão pela qual se refere à sua natureza humana".SANTO INÁCIO DE ANTIOQUIA (110 D.C.)
"Inácio, por sobrenome Téoforo [=portador de Deus], à abençoada em grandeza de Deus com plenitude; à predestinada desde antes dos séculos para servir para sempre, para glória duradoura e imutável, glória unida e eleita pela graça da verdadeira Paixão e por vontade de Deus Pai e de Jesus Cristo, nosso Deus; à Igreja digna de toda bem-aventurança, que está em Éfeso, na Ásia, minha cordialíssima saudação em Jesus Cristo e na alegria imaculada" (Epístola aos Efésios 1).[5]
"Existe um médico, no entanto, que é carnal além de espiritual, gerado e não gerado, Deus feito carne, filho de Maria e Filho de Deus, primeiro passível e depois impassível: Jesus Cristo, nosso Senhor" (Epístola aos Efésios 7,2).[6]
"A verdade é que nosso Deus Jesus, o Ungido, foi levado por Maria em seu seio conforme a dispensação de Deus, certamente da descendência de Davi, mas por obra do Espírito Santo. Ele nasceu e foi batizado a fim de purificar a água com a sua Paixão" (Epístola aos Efésios 18,2).[7]
"Inácio, por sobrenome Téoforo [=portador de Deus], à Igreja que alcançou misericórdia na magnificência do Pai Altíssimo e de Jesus Cristo, seu único Filho; à que é amada e é iluminada por vontade Daquele que quis que todas as coisas existissem, segundo a fé e a caridade de Jesus Cristo, nosso Deus" (Epístola aos Romanos 1).[8]
"Permitam que eu seja imitador da Paixão do meu Deus" (Epístola aos Romanos 4,3).
"Eu glorifico a Jesus Cristo, Deus, que é quem os tem feito sábios até tal ponto, pois percebi muito bem de quão mergulhados estais da fé imutável, como se estivésseis pregados, em carne e espírito, na cruz de Jesus Cristo" (Epístola aos Esmirniotas 1,1).[9]
"Aguardai Aquele que está acima do tempo, o Intemporal; o Invisível, que por nós se tornou visível; o Impalpável, o Impassível, que por nós se fez passível; aquele que, por todos os modos, sofreu por nós" (Carta a Policarpo 3,2).[10]
"Este teve doze discípulos, os quais, após sua ascensão aos céus, percorreram as províncias do Império e ensinaram a grandeza de Cristo, de modo que um deles percorreu aqui mesmo, pregando a doutrina da verdade, pois conhecem o Deus criador e artífice do universo em seu Filho Unigênito e no Espírito Santo, não adorando nenhum outro Deus além deste" (Apologia 15,2).[11]
"E se pela eminência da vossa inteligência vos ocorre perguntar o que quer dizer 'Filho', vos direi brevemente: o Filho é o primeiro broto do Pai, não como ato, já que Deus, que é inteligência eterna, desde o princípio tinha em si mesmo o Verbo, sendo eternamente racional, mas procedendo de Deus quando todas as coisas materiais eram natureza sem forma e terra inerte, estando misturadas as mais grosseiras com as mais leves, para ser sobre elas idéia e operação" (Súplica em Favor dos Cristãos 10).[12]Eis aqui a sua forma de explicar a Trindade:
"Assim, pois, suficientemente resta demonstrado que não somos ateus, pois admitimos um só Deus incriado e eterno, e invisível, impassível, incompreensível e imenso, apenas pela inteligência compreensível à razão... Quem, portanto, não se surpreenderá de ouvir chamar de 'ateus' aqueles que admitem um Deus Pai, um Deus Filho e um Espírito Santo, que demonstram seu poder na unidade e sua distinção na ordem?" (Súplica em Favor dos Cristãos 10).[13]
"Porque não estamos loucos - ó helenos - nem pregamos loucuras quando anunciamos que Deus apareceu na forma humana. Vós que nos insultais, comparai os vossos mitos com as nossas narrações" (Discurso contra os Gregos 21).[14]
"Porque nascido como Filho, conduzido como cordeiro, sacrificado como ovelha, sepultado como homem, ressuscitou dos mortos como Deus, sendo por natureza Deus e homem. Ele é tudo: quando julga, é Lei; quando ensina, é Verbo; quando salva, é Graça; quando gera, é Pai; quando é gerado, é Filho; quando sofre, é ovelha sacrificial; quando é sepultado, é homem; quando ressucita, é Deus. Este é Jesus Cristo, a quem seja dada a glória pelos séculos dos séculos" (Homilia sobre a Paixão 8-10).[15]
"Este é o primogênito de Deus, que foi gerado antes da estrela da manhã, que fez levantar a luz, que fez brilhar o dia, que separou as trevas, que assentou a primeira base, que suspendeu a terra em seu lugar, que secou os abismos, que estendeu o firmamento, que pôs ordem no mundo" (Homilia sobre a Paixão 82).[16]
"Não é absolutamente necessário, ao tratar com pessoas inteligentes, aduzir que as ações de Cristo, após seu batismo, são provas de que sua alma e corpo e sua natureza humana era iguais às nossas, verdadeiras e não fantasmagóricas. As atividades de Cristo após seu batismo, especialmente os seus milagres, forneceram provas ao mundo da divindade oculta em sua carne. Sendo Deus e também homem perfeito, ele deu indicações positivas de suas duas naturezas: de sua divindade, pelos milagres durante os três anos que seguiram após seu batismo; e de sua humanidade, nos trinta anos anteriores ao seu batismo, durante o qual, em razão da sua condição segundo a carne, ele ocultara as características de sua divindade, ainda que fosse verdadeiro Deus existente antes das idades" (Fragmentos de Melitão em Anastácio Sinaíta; Guia 13).[17]
"A Igreja, estendida pelo orbe do universo até os confins da terra, recebeu dos Apóstolos e de seus discípulos a fé em um só Deus Pai soberano universal 'que fez os céus e a terra e o mar e tudo quanto neles existe'; e em um só Jesus Cristo Filho de Deus, que se encarnou para a nossa salvação; e no Espírito Santo, que pelos profetas proclamou as economias e o advento, a geração por meio da Virgem, a Paixão, a ressurreição dentre os mortos e a ascensão aos céus do amado Jesus Cristo nosso Senhor; e seu [novo] advento dos céus, na glória do Pai, para recapitular todas as coisas e para ressuscitar toda carne do gênero humano, de forma que diante de Jesus Cristo, nosso Senhor, Deus, Salvador e Rei, segundo o beneplácito do Pai invisível, 'todo joelho se dobre no céu, na terra e nos infernos, e toda língua o confesse'. Ele julgará todos justamente: os 'espíritos do mal', os anjos que caíram, os homens apóstatas, ímpios, injustos e blasfemos, para enviá-los para o fogo eterno; e para dar como prêmio, aos justos e santos que observam os seus mandamentos e perseveram no seu amor, alguns desde o princípio, outros a partir de sua conversão, a vida incorruptível, rodeando-os da luz eterna.
Como dissemos antes, a Igreja recebeu esta pregação e esta fé, e estendida por toda terra, com cuidado a guarda, como se habitasse em uma só família. Conserva uma só fé, como se tivesse uma só alma e um só coração, e a prega, ensina e transmite com a mesma voz, como se não tivesse senão apenas uma só boca. Certamente, são diversas as línguas, segundo as diversas regiões; porém, a força da Tradição é uma e a mesma. As igrejas da Germânia não crêem de maneira diversa, nem transmitem outra doutrina diferenta da que pregam as da Ibéria ou a dos celtas, ou as do Oriente, como as do Egito ou Líbia, assim como, tampouco, das igrejas constituídas no centro do mundo. Assim como o sol, que é uma criatura de Deus, é um e o mesmo em todo o mundo, assim também a luz, que é a pregação da verdade, brilha em todas as partes e ilumina todos os seres humanos que querem conhecer a verdade. E nem aquele que se sobressai por sua eloquência entre os chefes da Igreja prega coisas diferentes destas, pois nenhum discípulo está acima de seu Mestre, nem o mais débil na palavra recorta a Tradição; sendo uma e a mesma fé, nem o muito que pode explicar sobre ela aumenta, nem o menos a diminui" (Contra as Heresias 1,10,1-2).[18]
"Assim pois, se alguém nos pergunta: 'Como o Pai emitiu o Filho?', respondemos que esta produção, ou geração, ou pronúncia, ou parto, ou qualquer outro nome que se queira dar a esta origem, é inefável. Não a conhecem nem Valentim, nem Marcião, nem Saturnino, nem Basílides, nem os anjos, nem os poderes, nem as potestades, mas apenas o Pai que O gerou e o Filho que Dele nasceu. Sendo, pois, inefável esta geração, quem quer que se atreva a narrar as gerações e emanações não está em seu são juízo quando promete descrever o indescritível" (Contra as Heresias 2,28,6).
"Que ninguém entre todos os filhos de Adão seja chamado Deus por si mesmo ou proclamado Senhor o demonstramos pelas Escrituras. E que apenas Ele [Jesus], entre todos os homens de seu tempo, seja proclamado Deus, Senhor, sempre Rei, Unigênito e Verbo encarnado, por todos os Profetas e Apóstolos e ainda pelo próprio Espírito, é algo que podem constatar todos aqueles que aceitam um mínimo de verdade" (Contra as Heresias 3,19,2).Ensina que Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem:
"As Escrituras não dariam todos estes testemunhos a respeito Dele se fosse apenas um homem semelhante a todos [nós]. Porém, como teve uma geração sobretudo iluminada do Pai Altíssimo e também por ter sido concebido da Virgem, as divinas Escrituras testemunham ambas as coisas sobre Ele: que é homem sem beleza e passível, que se sentou sobre o dorso de uma asna, que ingeriu fel e vinagre, que foi desprezado pelo povo e que desceu até a morte; porém, que é também Senhor Santo e Conselheiro admirável, formoso à vista, Deus forte, que vem sobre as nuvens como Juiz de todos. Isto é o que as Escrituras profetizam acerca Dele.
Enquanto homem, o era para ser tentado; enquanto Verbo, para ser glorificado. O Verbo repousou para que pudesse ser tentado, desonrado, crucificado e morto, habitando naquele Homem que vence e suporta [o sofrimento], que se comporta como homem de bem, ressuscita e é elevado ao céu. Este é o Filho de Deus, Senhor nosso, Verbo existente do Pai e filho do homem porque nasceu da Virgem Maria, que teve sua origem nos homens, pois ela mesma era um ser humano; teve gestação enquanto homem e assim chegou a ser filho do homem" (Contra as Heresias 3,19,2-3).
"Que o Verbo, ou seja, o Filho, sempre esteve com o Pai, de múltiplas maneiras já o demonstramos; e também que sua Sabedoria, ou seja, o Espírito, estava com Ele antes da Criação" (Contra as Heresias 4,20,3).No entanto, há autores que opinam que Ireneu não estava totalmente livre do Subordinacionismo, e que poderia ser considerado heterodoxo à luz da teologia posterior:
"Se, por exemplo, alguém procura o motivo pelo qual apenas o Pai conhece o dia e a hora, ainda que comunique tudo ao Filho, o próprio Senhor o disse (e ninguém pode inventar outro [motivo] sem risco [de se equivocar] porque apenas o Senhor é o Mestre da verdade). Ele nos disse que o Pai está sobre todas as coisas, pois declarou: 'O Pai é maior do que Eu' (João 14,28). O Senhor, portanto, apresentou o Pai como superior a todos em relação ao seu conhecimento, a fim de que nós, enquanto caminhamos por este mundo (1Coríntios 7,31), deixemos a Deus o saber mais profundo sobre tais questões; porque se pretendemos investigar a profundidade do Pai (Romanos 11,33), corremos o perigo de perguntar, inclusive, se existe outro Deus acima de Deus" (Contra as Heresias 2,28,8).CLEMENTE DE ALEXANDRIA (MEADOS DO SÉC. II - ANTERIOR A 215)
"O Pai sustenta ao mesmo tempo toda a sua criação e o seu Verbo; e o Verbo, que o Pai sustenta, concede a todos o Espírito segundo a vontade do Pai: a uns, na própria Criação, lhes dá [o espírito] da criação, que é criado; a outros, o da adoção, isto é, o que provém do Pai, que é obra de sua geração. Assim se revela como único o Deus e Pai que está acima de tudo, através de todas [as coisas] e em todas as coisas. O Pai está sobre todos os seres e é a cabeça de Cristo (1Coríntios 11,3); através de todas as coisas, age o Verbo, que é Cabeça da Igreja; e em todas as coisas porque o Espírito está em nós, o qual é água viva (João 7,38-39) que Deus outorga àqueles que crêem retamente Nele e O amam, sabendo que 'um só é o Pai que está sobre todas, por todas e em todas as coisas'" (Contra as Heresias 5,18,2).
"A Palavra, então, o Cristo, é a causa de nosso antigo princípio - porque Ele estava com Deus - de nosso bem-estar. E agora esta mesma Palavra apareceu como homem. Apenas Ele é Deus e Homem, e fonte de todas as coisas boas. É por Ele que nos ensina a viver bem e, então, somos mandados para a vida eterna (...) Ele é o cântico novo, a manifestação que agora nos foi feita, da Palavra que existiu no princípio e antes do princípio. O Salvador, que existiu antes, apareceu apenas posteriormente. Ele, que apareceu, está Nele que é, pela Palavra que estava com Deus, a Palavra pela qual todas as coisas foram feitas; apareceu como nosso Mestre e Ele, que nos concedeu a vida no princípio quando, como nosso Criador, Ele nos formou; agora que Ele apareceu como nosso Mestre, nos ensinou a viver bem de modo que, logo, como Deus, poderá nos dar abundância na vida eterna" (Exortação aos Gregos 1,7,1).[19]Mais adiante, na mesma obra, continua aprofundando sua teologia do Logos, afirmando que a Palavra divina é "evidentemente verdadeiro Deus", acrescentando ainda que estava "no mesmo nível" do Pai, o que provaria que não tinha inclinações subordinacionistas:
"Desdenhado na sua aparência, porém, na verdade adorado, o Expiador, o Salvador (...), a Palavra divina, Ele que é absolutamente e evidentemente Deus verdadeiro, Ele que está no mesmo nível do Senhor do universo porque era seu Filho e a Palavra estava com Deus" (Exortação aos Gregos 10,110,1).[20]
"Meus filhos: nosso Instrutor é como seu Deus, o Pai, pois é Filho Dele: livre de pecado, livre de culpa e com a alma livre de Paixão. Deus em forma de homem, inoxidável; o ministro de seu Pai, a Palavra que é Deus; que está no Pai, que é a mão direita do Pai; e, com a forma de Deus, é Deus. Ele é para nós uma imagem irrepreensível..." (O Pedagogo 1,2).[21]Em seu comentário sobre 1João, escreve:
"O Filho de Deus, sendo, por igualdade de substância, um com o Pai, é eterno e não-criado".
"Os três dias que precedem a criação dos luzeiros são símbolo da Trindade, de Deus, de seu Verbo e de sua Sabedoria" (A Autólico 2,15).[22]TERTULIANO (160-220 D.C.)
"Tendo, pois, Deus o seu Verbo imanente em suas próprias entranhas, o gerou com sua própria sabedoria, emitindo-o antes de todas as coisas. Ele teve este Verbo por ministro de sua criação e através Dele fez todas as coisas (...) Isto se chama 'princípio', pois é Príncipe e Senhor de todas as coisas por Ele criadas" (A Autólico 2,10).[23]
"Sim, Deus, o Pai do universo, é imenso e não se encontra limitado a um lugar, pois não há lugar para seu descanso. Mas seu Verbo, pelo qual fez todas as coisas, como potência e sabedoria sua que é, tomando a figura do Pai e Senhor do universo, este é que se apresentou no jardim sob a figura de Deus e que conversava com Adão. Com efeito, a própria divina Escritura nos ensina que Adão disse ter ouvido a sua voz; e essa voz que outra coisa seria senão o Verbo de Deus, que é também seu Filho? Filho não do modo como falam os poetas e mitógrafos - que os filhos dos deuses nascem pela união carnal - mas como a verdade explica que o Verbo de Deus está sempre imanente no coração de Deus. Porque antes de criar do nada, a Este tinha por conselheiro, como mente e pensamento Seu que era. E quando Deus quis fazer o que tinha deliberado, gerou a este Verbo proferido (προφορικ?ν) como primogênito de toda criação, não esvaziando-se de seu Verbo, mas gerando o Verbo e conversando sempre com Ele. Por isso, nos ensinam as Sagradas Escrituras e todos os inspirados pelo Espírito, dentre os quais João: 'No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus', dando a entender que no princípio estava apenas Deus e Nele seu Verbo; e logo diz: 'E o Verbo era Deus'" (A Autólico 2,22).[24]
"Para a mesma Igreja é, propriamente e principalmente, o próprio Espírito, no qual está a Trindade de uma Divindade: Pai, Filho e Espírito Santo" (Da Modéstia 21).[25]Em "Adversas Praxean" ("Contra Praxéas"), oferece uma explicação ainda mais completa sobre a doutrina trinitária:
"No entanto, como sempre fizemos (e mais especialmente a partir do momento que fomos melhor instruídos pelo Paráclito, que conduz os homens à verdade), cremos que existe um só Deus, porém, sob a seguinte dispensação, ou ο?κονομ?α, como é denominada: que este único Deus tem também um Filho, sua Palavra, que procede Dele mesmo, por quem todas as coisas foram feitas e sem O qual nada foi feito. Cremos que Ele foi enviado pelo Pai à Virgem e dela nasceu, sendo Deus e homem, filho do homem e Filho de Deus, sendo chamado Jesus Cristo; cremos que Ele sofreu, morreu ferido, conforme as Escrituras, e, posteriormente, foi ressucitado pelo Pai e levado ao céu para sentar-se à direita do Pai; Ele virá para julgar os vivos e os mortos e enviou, também, a partir do céu do Pai, conforme a sua promessa, o Espírito Santo, o Paráclito, o santificador da fé daqueles que crêem no Pai e no Filho e no Espírito Santo. Esta é a regra de fé que chegou até nós desde o início do Evangelho, inclusive antes todas as antigas heresias" (Contra Praxéas 2). [26]No mesmo capítulo, um pouco mais adiante, escreve:
"A heresia, a qual supõe por si mesma possuir a pura verdade, pensando que não se pode crer que um só Deus de nenhum outro modo a não ser dizendo que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são a mesma Pessoa, como se neste modo um também não fosse todos, em que todos são um, por unidade de substância, enquanto o mistério da dispensação é, todavia, guardado, o qual distribui a Unidade na Trindade, colocando em sua ordem as três Pessoas - o Pai, o Filho e o Espírito Santo; três, mas não em condição e sim em grau, não em substância e sim em forma, não em poder e sim em aspecto" (Contra Praxéas 2)
"Se a pluralidade na Trindade te escandaliza, como se não estivesse ligada na simplicidade da união, te pergunto: como é possível que um ser, que é pura e absolutamente um e singular, fale no plural: 'Façamos o homem à nossa imagem e semelhança'? Não deveria, antes, ter dito: 'Eu faço o homem à minha imagem e semelhança', já que é um Ser único e singular? No entanto, na passagem que segue, lemos: 'Eis que o homem foi feito como um de nós'. Ou Deus nos engana ou goza de nós ao falar no plural, já que Ele é único e singular. Ou será que se dirigia aos anjos, como interpretam os judeus, já que não reconhecem o Filho? Ou será que Ele, sendo Pai, Filho e Espírito, falava no plural, considerando-se múltiplo? Certamente, a razão é porque tinha ao seu lado uma segunda Pessoa, seu Filho e Verbo, e uma terceira Pessoa, o Espírito no Verbo. Por isso, empregou deliberadamente o plural: 'Façamos - nossa imagem - um de nós'. Com efeito, com quem criava o homem? À semelhança de quem o criava? Falava, por um lado, com o Filho, que deveria um dia se revestir da carne humana; por outro lado, [falava] com o Espírito, que devia um dia santificar o homem, como se falasse com outros tantos ministros e testemunhas" (Contra Praxéas 12).Continua, posteriormente, no mesmo capítulo:
"Agora se Ele também é Deus, conforme João, [que diz] 'E a Palavra era Deus', então você tem dois seres: um que ordena que as coisas sejam feitas e outro que executa a ordem e cria. Nesse sentido, no entanto, você deve entender que Ele é outro, como já expliquei, quanto à personalidade, não quanto a substância; nesse modo de distinção, não de divisão. Assim devo manter que há uma só substância em três [Pessoas] coerentes e inseparáveis" (Contra Praxéas 12).
"Foi então que o Verbo recebeu sua manifestação e complemento, isto é, o som e a voz, quando Deus disse: 'Faça-se a luz'. Eis aí o nascimento perfeito do Verbo, quando procedeu de Deus. Primeiro foi produzido por Ele no pensamento, sob o nome de Sabedoria: 'Deus me criou no início de seus caminhos' (Provérbios 8,22). Logo, foi gerado com vistas à ação: 'Quando fiz os céus, estava próximo a Ele' (Provérbios 8,27). Por conseqüência, fazendo Pai aquele de quem o Filho procedeu, veio a se tornar primogênito (porque foi gerado antes de todas as coisas) e Filho único (porque só Ele foi gerado por Deus)" (Contra Praxéas 7).ORÍGENES (185-254 D.C.)
"Heráclides não gostava da fórmula de Orígenes 'dois Deuses' (δ?ο θεο?) como a única maneira para se expressar claramente a distinção entre o Pai e o Filho. Implicava em perigo demasiadamente grave de politeísmo. No debate, Orígenes faz esta observação: 'Já que nossos irmãos se escandalizam ao ouvir que existem dois deuses, este assunto merece ser tratado com delicadeza'. Recorre a seguir à Bíblia para demonstrar em qual sentido os dois podem ser um. Adão e Eva eram dois, no entanto, formavam uma só carne (Gênese 2,24). Cita depois São Paulo, o qual, falando da união do homem justo com Deus, diz: 'Aquele que se achega ao Senhor se torna um espírito com Ele' (1Coríntios 6,17). Finalmente, invoca como testemunho o próprio Cristo, porque disse: 'Eu e meu Pai somos um'. No primeiro exemplo, havia unidade de 'carne'; no segundo, 'de espírito'; no terceiro, de 'divindade'. Observa Orígenes: 'Nosso Senhor e Salvador, em sua relação com o Pai e Deus do universo, não é uma só carne, nem apenas um só espírito, mas algo muito mais elevado que a carne e o espírito: um só Deus".Assim, Orígenes defende que o Pai e o Filho são divinos, contra [as heresias do] Monarquianismo e Modalismo. Termina o interrogatório de Orígenes a Heráclides com o seguinte acordo:
"Orígenes disse: O Pai é Deus?
Respondeu Heráclides: Sim.
Orígenes disse: O Filho é distinto do Pai?
Respondeu Heráclides: Como poderia ser simultaneamente Filho e Pai?
Orígenes disse: O Filho, que é distinto do Pai, é também Deus?
Respondeu Heráclides: Também Ele é Deus.
Orígenes disse: Deste modo, os dois Deuses formam um só?
Respondeu Heráclides: Sim.
Orígenes disse: Por conseguinte, afirmamos que existem dois Deuses?
Respondeu Heráclides: Sim, porém o poder é único (δ?ναμη μ?α εστ?ν)".
"Não se pode conceber luz sem resplendor. E se isto é verdade, nunca houve um tempo em que o Filho não fosse Filho. No entanto, não será - como dissemos sobre a luz eterna - sem nascimento (pareceria que introduzimos dois princípios de luz), mas que é, por assim dizer, resplendor da luz ingênita, tendo esta mesma luz como princípio e fonte, verdadeiramente nascida dela. Não obstante, não houve um tempo em que não foi. A Sabedoria, por proceder de Deus, é gerada também da mesma substância divina. Sob a figura de uma emanação corporal, é chamada assim: 'Emanação pura da glória de Deus onipotente' (Sabedoria 7,25). Estas duas comparações manifestam claramente a comunidade de substâncias entre o Pai e o Filho. Com efeito, toda emanação parece ser 'ομοο?σιος', οu seja, de uma mesma substância com o corpo do qual emana ou procede" (In Hebr. frag. 24,359).[27]Observe-se que ele emprega a palavra "ομοο?σιος" ("homoousios"), que significa "mesma substância", a qual posteriormente seria amplamente empregada pelo Concílio de Nicéia para definir solenemente como o Pai e o Filho possuem uma mesma natureza. Refere-se a Cristo também a expressão "θε?νθρωπος" (Deus-Homem).
"Nós, que cremos no Salvador quando diz: 'O Pai que me enviou é maior do que eu', e por essa mesma razão não permite que lhe seja aplicado o apelativo de 'bom' em seu sentido pleno, verdadeiro e perfeito, atribuindo-o ao Pai, dando graças e condenando quem glorificasse o Filho em demasia, nós dizemos que o Salvador e o Espírito Santo estão muito acima de todas as coisas criadas, por uma superioridade absoluta, sem comparação possível; porém, dizemos também que o Pai está acima Deles tanto ou até mais do que Eles estão acima das criaturas mais perfeitas (In Ioh. 13,25).[28]SÃO JUSTINO (165 D.C.)
"Disse: 'Irei vos apresentar - caros amigos - outro testemunho das Escrituras sobre o que Deus gerou no princípio, antes de todas as criaturas: [gerou] certa potência racional de Si mesmo, a qual é chamada também pelo Espírito Santo, a glória do Senhor, algumas vezes 'Filho', outras vezes 'Sabedoria'; ora 'Anjo', ora 'Deus'; seja 'Senhor', seja 'Palavra'; e ela própria chama a si mesma de 'capitão geral', quando aparece na forma de homem a Josué, filho de Nave. E é assim que todas essas denominações lhe provêm por estar a serviço da vontade do Pai e por ter sido gerada pelo querer do Pai (...) Mas será a Palavra da Sabedoria que me prestará seu testemunho, por ser ela esse próprio Deus gerado do Pai do universo, que subsiste como Palavra e Sabedoria, como poder e glória Daquele que a gerou (...)Mais adiante, refere-se a Cristo como Senhor e Deus:
Isso mesmo - amigos - expressou a Palavra de Deus pela boca de Moisés, ao nos indicar que o Deus que nos manifestou falou nesse mesmo sentido na criação do homem, ao dizer estas palavras: 'Façamos o homem à nossa imagem e semelhança' (...) E para não distorcerdes as palavras citadas, dizendo o que dizem os vossos mestres - que Deus se dirigiu a Si mesmo ao dizer 'Façamos', da mesma forma que nós quando vamos fazer algo e dizemos 'Façamos' - vos citarei agora outras palavras do mesmo Moisés, pelas quais, sem discussão alguma, teremos que reconhecer que conversava Deus com alguém que era numericamente distinto e juntamente racional. Ei-las aqui: 'E Deus disse: Eis que Adão se tornou como um de nós para conhecer o bem e o mal'. Portanto, ao dizer: 'como um de nós', indica o número dos que entre si conversavam, sendo assim pelo menos dois. Ora, não posso ter por verdadeiro a heresia que se dogmatiza entre vós, nem os mestres delas são capazes de demonstrar que Deus está falando com os anjos ou que o corpo humano foi criado pelos anjos. A menos que tenha brotado, sido emitido realmente a partir do Pai, Ele estava com o Pai antes de todas as criaturas e conversava com o Pai, como nos manifestou a Palavra pela boca de Salomão, ao dizer que antes de todas as criaturas Ele foi gerado por Deus ,como princípio e progênie, sendo chamado 'Sabedoria' por Salomão" (Diálogo com Trifão 61-62).[29]
"Longamente demonstrei que Cristo, que é Senhor e Deus, Filho de Deus, apareceu antes, prodigiosamente, como homem e como anjo, e também na glória do fogo, como na visão da sarça e no juízo contra Sodoma" (Diálogo com Trifão 128).[30]
"E logo demonstraremos que com razão honramos também a Jesus Cristo, que foi nosso mestre nestas coisas e que para isso nasceu e foi crucificado sob Pôncio Pilatos, o procurador da Judéia no tempo de Tibério César. Aprendemos que Ele é Filho do mesmo Deus verdadeiro e o temos em segundo lugar, assim como o Espírito profético está em terceiro" (1ª Apologia 13,3).[31]Distingue ainda, mais claramente, a pessoa do Pai da do Filho, no capítulo 63, reconhecendo que os profetas falaram de Cristo, proclamando-o como "o Deus de Abraão, Isaac e Jacó":
"Aqueles que dizem que o Filho é o Pai dão prova de que não sabem quem é o Pai, nem perceberam que o Pai do universo tem um Filho e que, sendo Verbo e Primogênito de Deus, é Deus também. Este foi quem primeiramente apareceu a Moisés e aos outros profetas na forma de fogo ou por imagem incorpórea, e que agora, nos tempos do vosso império (...) nasceu homem de uma virgem (...) Agora, aquilo que falou a Moisés a partir da sarça: 'Eu sou aquele que é, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó', significa que, mesmo depois de mortos, esses homens continuavam pertencendo ao próprio Cristo" (1ª Apologia 63,15).SÃO GREGÓRIO TAUMATURGO (SÉC. III)
"Há um só Deus, Pai do Verbo vivente, da Sabedoria subsistente, do Poder e da Imagem eterna; gerador perfeito do gerado perfeito, Pai do Filho Unigênito. Há um só Senhor, Único do Único, Deus de Deus, Figura e Imagem da Divindade, Verbo Eficiente, Sabedoria que abraça todo o universo e Poder que cria o mundo inteiro, Filho verdadeiro do Pai verdadeiro, Invisível do Invisível, Incorruptível do Incorruptível, Imortal do Imortal, Eterno do Eterno. E há um só Espírito Santo, que tem sua subsistência de Deus e foi manifestado aos homens pelo Filho: Imagem do Filho, Imagem Perfeita do Perfeito, Vida, Causa dos viventes, Manancial Sagrado, Santidade que comunica a santificação, em quem se manifestam Deus Pai - que está acima de todos e em todos - e Deus Filho - que é através de todos. Há uma Trindade perfeita, em glória, em eternidade e em majestade, que não está dividida nem separada. Não há, conseqüentemente, nada criado nem escravo da Trindade, nem tampouco nada sobre-acrescentado, como se não tivesse existido em algum tempo anterior e fosse introduzido depois. E, assim, nem nunca o Filho falou ao Pai, nem o Espírito Santo ao Filho; ao contrário, sem variação ou mudança, a mesma Trindade sempre existiu" (Exposição da Fé).[32]NOVACIANO (SÉC. III)
"O Filho, por ser gerado pelo Pai, está sempre no Pai. Quando digo 'sempre', não quero dizer que é ingênito. Afirmo, ao contrário, que nasceu. Porém, nasceu antes de todo o tempo; deve-se dizer que existiu sempre no Pai, visto não ser possível fixar data ao que é anterior a todo o tempo. Ele está eternamente no Pai, pois de outra maneira o Pai não seria sempre Pai. Por outro lado, o Pai é anterior a Ele, pois o Pai deve ser necessariamente anterior ao Filho, já que é Pai; visto que Ele não conhece origem, deve existir anteriormente ao que teve uma origem. O Filho, portanto, é necessariamente posterior ao Pai, pois Ele mesmo reconhece que existe no Pai; teve uma origem, visto que nasceu, e a partir do Pai, de uma maneira misteriosa; contudo, apesar de ter nascido e ter, assim, origem, é em tudo semelhante ao Pai, precisamente em razão de seu nascimento, já que nasceu do Pai, o qual é o único que carece de origem. Ele, portanto, quando o Pai quis, procedeu do Pai; Ele estava no Pai, porque procedia do Pai, não sendo outra coisa senão a Substância divina. Seu nome é Verbo, pelo qual todas as coisas foram feitas e sem o qual nada foi feito. Porque todas as coisas são posteriores a Ele, pois procedem Dele e, conseqüentemente, Ele é anterior a todas as coisas (embora após o Pai), pois todas as coisas foram feitas por Ele. Procedeu do Pai, por cuja vontade todas as coisas foram feitas. Deus, certamente, procedente de Deus, constituindo a segunda Pessoa depois do Pai, por ser Filho, sem que por isso retire do Pai a unidade da divindade" (Sobre a Trindade 31).[33].Porém, Novaciano professou um Subordinacionismo pois, apesar de possuir a mesma substância, o Espírito Santo era inferior a Cristo e Cristo, por sua vez, inferior ao Pai; por isso, diz que aparece "como o único Deus verdadeiro e eterno; Ele é a única fonte deste poder da divindade, Ainda que seja transmitida ao Filho e concentrada Nele, retorna novamente ao Pai através de sua comunidade de substância":
"O Paráclito recebeu sua mensagem de Cristo. Mas se recebeu de Cristo, Cristo é superior ao Paráclito, pois o Paráclito não teria recebido de Cristo se não fosse inferior a Cristo. Esta inferioridade do Paráclito prova que Cristo, de quem recebeu sua mensagem, é Deus. Aqui tempos, portanto, um poderoso testemunho da divindade de Cristo. Vemos, com efeito, que o Paráclito é inferior a Ele e recebe Dele a mensagem que entrega ao mundo".[34].
"Cristo Jesus, nosso Senhor e Deus, é propriamente o sumo-sacerdote de Deus Pai" (Epístola 63,14).[35]
"Se alguém pudesse ser batizado pelos hereges, poderia certamente receber também o perdão de seus pecados. Se recebesse o perdão dos pecados, poderia ser santificado. Se fosse santificado, poderia se tornar um templo de Deus. Se fosse um templo de Deus, então eu te pergunto: De qual Deus? Do Criador? Porém, isso não é possível, porque ele não crê Nele. De Cristo? Quem nega que Cristo seja Deus não pode se transformar em Seu templo. Do Espírito Santo? A partir do momento em que os Três são Um, como seria possível ao Espírito Santo ser reconciliado com aquele que é um inimigo do Filho ou do Pai?" (Epístola 73,12).[36]
"Após a ressurreição, quando o Senhor enviou os Apóstolos às nações, Ele lhes ordenou a batizar aos gentios em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (...) O próprio Cristo ordenou que as nações sejam batizadas na Trindade plena e unida" (Carta 73,18).[37]
"Ouví dizer que alguns dos teus catequistas e mestres da palavra divina encabeçam este princípio [herético que divide as naturezas das Pessoas divinas]. Eles ensinam de maneira diametralmente oposta à opinião [herética] de Sabélio. Para ele, em sua blasfêmia, diz que o Filho é o Pai e vice-versa; para os teus, que existe de alguma forma três Deuses, pois dividem a Sagrada Unidade em três substâncias diferentes entre si e completamente separadas" (Carta de Dionísio de Roma a Dionísio de Alexandria 1).[38]
"É blasfêmia, portanto, e até pior, dizer que o Senhor foi de alguma forma criado. Porém, se veio a ser Filho, então Ele não foi [criado], como Ele diz de si mesmo; Ele está no Pai e se você conhece a Divina Escritura, ela diz que Cristo é a Palavra, a Sabedoria e o Poder; e esses atributos são poderes de Deus. Então Ele sempre existiu. Ora, se Ele veio a ser [criado], houve uma época em que esses atributos não existiam e, conseqüentemente, nesse tempo Deus estava sem eles; isso é um completo absurdo" (Carta de Dionísio de Roma a Dionísio de Alexandria 1).
"É necessário, no entanto, que a Palavra divina [Jesus Cristo] esteja unida ao Deus do universo; e o Espírito Santo deve respeitar e habitar em Deus. Portanto, a Trindade Divina deve ser reunida em Uma, como se fosse um ápice, quero dizer, o Deus onipotente do universo" (Carta de Dionísio de Roma a Dionísio de Alexandria 2).
"Não podemos então dividir em três cabeças divinas a maravilhosa e divina monarquia, nem chamar 'obra', desacreditando a dignidade e excelente majestade de nosso Senhor. Devemos, porém, crer em Deus, o Pai todopoderoso; e em Jesus, seu Filho; e no Espírito Santo. Sustentemos, enfim, que a Palavra está unida ao Deus do universo" (Carta de Dionísio de Roma a Dionísio de Alexandria 3).
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