Introdução
1. Excelente Autólico, há dias tivemos uma conversa, na qual tu me perguntaste qual era o meu Deus. Expus brevemente minha religião e tu prestaste atenção ao meu discurso. Despedindo-nos, fomos para casa na melhor amizade, embora no começo me tenhas tratado com dureza. Sabes e lembras que consideravas loucura o nosso discurso. Depois disso tu me convidas... Mesmo sendo novato na arte de falar, quero também agora, através deste escrito, demonstrar-te de modo mais completo a inutilidade do teu afã e a inanidade da religião que te retém; esclarecerei a verdade através de algumas histórias do teu próprio grupo, as quais lês, mas que talvez ainda não tenhas entendido.
Os ilogismos do paganismo
A- Idolatria
2. Com efeito, parece-me ridículo que cortadores de pedra, oleiros, pintores e fundidores modelem, pintem, esculpam, fundam e fabriquem deuses, os quais, enquanto estão nas mãos dos artífices, não são de maneira alguma apreciados; contudo, quando alguém os compra e os expõe no que chamam de templo ou em alguma casa, então são adorados não somente por aqueles que os compraram, mas aqueles mesmos que os fabricaram e venderam acorrem com grande fervor, com aparato de sacrificios e libações para adorá-los, considerando-os deuses, sem levar em conta que continuam sendo as mesmas coisas por eles fabricadas: pedra, bronze, madeira, cor ou qualquer outro material. Algo parecido acontece convosco ao ler as histórias e genealogias dos chamados deuses. Enquanto ledes seus nascimentos, os considerais como homens; mas depois lhes dais nomes de deuses e lhes prestais culto, sem perceber nem compreender que tais como lestes que nasceram, tais de fato existiam.
B- Antropomorfismo
3. Ao menos os deuses antigos, se é certo que nasceram, podia-se ver que tinham uma longa descendência. Agora, porém, como se pode mostrar a descendência dos deuses? Com efeito, se antes geravam e nasciam, é evidente que agora também teriam que nascer deuses gerados. Do contrário, ter-se-á que considerá-los bem fracos, seja porque se tornaram velhos e por isso não geram, seja porque morreram e não permanece nenhum rastro deles. De fato, se os deuses antes geravam, teriam que gerar também agora, como vemos que os homens geram. Além disso, os deuses teriam que ser mais numerosos do que os homens, como diz a Sibila: "Se os deuses geram e continuam imortais, os deuses nascidos seriam em maior número que os homens, e já não haveria lugar para os mortais ficarem".
Com efeito, se os filhos gerados pelos homens, que são mortais e de vida curta, existem até o presente e não cessam de nascer outros homens, e por isso as cidades e aldeias se multiplicam e até os campos são habitados, quanto mais os deuses que, segundo os poetas, não morrem, não deveriam gerar e nascer, de acordo com o que dizeis a respeito do nascimento ou geração dos deuses?
Ainda mais: Como é que o monte chamado Olimpo era antes habitado por deuses e agora se encontra deserto? Por que antes Zeus morava no monte Ida, e se sabia que ele morava ali através de Homero e outros poetas, e agora não se sabe onde anda? Como é que não estava em toda parte, mas se encontrava em um ponto determinado da terra? Ou ele não se interessava pelo resto, ou não era capaz de estar em toda parte e prover tudo. Se ele estava, por exemplo, no Oriente, não estava no Ocidente. No entanto, é próprio do Deus altíssimo e onipotente e verdadeiro Deus não só estar em toda parte, mas também ver e ouvir tudo e não ser contido por nenhum lugar. Do contrário, o lugar que o contivesse seria maior do que ele, pois o continente é sempre maior do que o contido. De fato, Deus não é contido, mas é o lugar de todas as coisas. Por que Zeus abandonou o Ida? Morreu ou não gostava mais desse monte? Então para onde foi? Para os céus? Dejeito nenhum. Dir-me-ás que foi para Creta? Sim, ali se mostra até hoje o seu sepulcro. Também podes dizer que partiu para Pisa, onde até hoje é enaltecido pelas mãos de Fídias. Passemos, porém, aos escritos dos filósofos e poetas.
As contradições dos escritores profanos
4. Alguns do Pórtico, ou estóicos, chegam a negar totalmente que Deus existe ou, se existe, afirmam que Deus não se preocupa com ninguém, mas consigo mesmo. E nisso se manifesta totalmente a insensatez de Epicuro e Crisipo. Outros dizem que todo o universo se rege pelo acaso, que o mundo é incriado e a natureza é eterna, e até se atreveram a dizer que não existe absolutamente providência de Deus, mas que o único Deus é a consciência de cada dia. Outros estabelecem como dogma que Deus é o espírito que penetra tudo. Quanto a Platão e sua escola, certamente confessam que Deus é incriado e Pai e Criador do universo; em seguida, porém, supõem que a matéria é incriada como Deus e que ela tem a mesma idade de Deus. Mas se, conforme os platônicos, Deus é incriado e a matéria também o é, o Criador de todas as coisas já não é Deus, nem, seguindo-os, se percebe a monarquia ou unicidade de Deus. Além disso, como Deus é imutável por ser incriado, se também a matéria fosse incriada seria pelo mesmo motivo imutável e parelha de Deus. Com efeito, o criado é variável e mutável; o incriado é invariável e imutável. E o que de maravilhoso haveria se Deus tivesse feito o mundo de matéria preexistente? Também um artífice humano, tomando uma matéria qualquer, faz dela o que quer. Mas o poder de Deus se manifesta em fazer o que quer do que não existe, de modo que ninguém, a não ser Deus, pode dar alma e movimento. Um homem fabrica uma estátua, mas não pode infundir razão, alento ou sentido ao que foi feito por ele. Deus, porém, tem sobre o homem a vantagem de fazer um ser racional, com alento e sentido. Sendo Deus mais poderoso que o homem nessas coisas, assim também o é em fazer do nada e ser criador de tudo o que existe, quando ele quiser e como quiser.(1)
5. Assim, a opinião dos filósofos e escritores é contraditória. Tendo esses feito tais afirmações, o poeta Homero vai por outro caminho para cantar-nos a origem não só do mundo, mas também dos deuses. Ele diz em algum lugar: "Ao Oceano, origem dos deuses, e à mãe Tétis, donde se originam os rios e todo ornar." Na verdade, assim falando, ele não nos apresenta nenhum Deus, pois quem não sabe que o oceano é água? Ora, se é água, conclui-se que não é Deus. E se Deus é o criador do universo, como de fato o é, também é criador da água e dos mares.
Quanto a Hesíodo, ele não só explicou a origem dos deuses, mas também do próprio mundo. Ele disse que o mundo foi criado, mas não teve coragem de dizer por quem. Além disso, disse que são deuses, Cronos e seu filho Zeus, Posêidon e Plutão, e vemos que estes foram posteriores ao mundo. Conta-nos também como Cronos foi combatido pelo seu próprio filho Zeus, pois diz o seguinte: "Vencendo seu pai Cronos por sua própria força; de- pois, devidamente imortal, ordenou tudo e delimitou as honras".
Depois continua falando das filhas de Zeus, às quais chama de Musas e diante das quais se apresenta como suplicante, querendo saber delas de que modo tiveram princípio todas as coisas. Ele diz: "Salve, filhas de Zeus, dai-me o amável canto. Celebrai a linhagem dos afortuna-dos imortais, os que existem para sempre, que nasceram da terra, do céu estrelado, da noite tenebrosa e os que foram criados pelo mar salgado. Dizei-me como primeiro nasceram os deuses, a terra, os rios e o mar infinito, que ferve de ondas, os astros brilhantes, o céu estendido lá em cima, como repartiram a opulência e distribuiram honras, e também como chegaram a possuir o Olimpo de mil recantos. Dizei-me isso, Musas, que tendes as moradas olímpicas desde o princípio, e dizei o que existiu primeiro."
Todavia, como as Musas poderiam saber isso se são posteriores ao mundo? Como poderiam contar isso a Hesíodo, se o pai delas ainda não havia nascido?
6. De certo modo, ele supõe a matéria e a criação do mundo, quando diz: "Primeiro existiu o Caos e depois a terra de largo seio, assento firme para sempre de todos os imortais, que ocupam os cumes do Olimpo nevado e o tenebroso Tártaro, seio da terra de largos caminhos; e foi Eros, o mais belo dos deuses imortais, que afrouxa os membros e vindo ao coração de todo ser, homem ou deus, domina a razão e o discreto conselho. O Erebo e a Noite negra nasceram do Caos: a Terra gerou primeiro aquilo que é semelhante a si, o Céu estrelado, para que ele lhe servisse como cobertura, e fosse para sempre assento firme para os afortunados deuses. Gerou as altas montanhas, graciosas moradas de deusas e das ninfas que habitam pelos montes escarpados. Pariu também o Mar infecundo, que ferve de ondas, o alto Mar, sem paixão amorosa; mas depois, em relação com o Céu, pariu o Oceano de profundos turbilhões".
Dizendo tudo isso, nem mesmo assim declarou por quem foram feitas as coisas. Com efeito, se antes existia o caos e preexistia certa matéria incriada, quem foi que estabeleceu esta e depois a ordenou e transformou? Teria sido, por acaso, a matéria, que se transformou e ordenou a si mesma? De fato, Zeus aparece muito depois, não só da matéria, mas do mundo e da multidão de homens, e o próprio Crono, seu pai. Ou não foi antes algo principal que a criou, isto é, Deus que a pôs em ordem?
Além disso, vê que Hesíodo diz apenas bobagens e contradiz a si próprio de mil maneiras. Com efeito, tendo falado da terra, do céu e do mar, quer que deles nasçam os deuses e destes nos anuncia alguns homens extraordinários, parentes dos deuses, a raça dos titãs, dos ciclopes, a multidão dos gigantes e dos demônios egípcios, ou homens vãos, mencionados por Apolônides, de sobrenome Horápio, no livro intitulado Semenuthi e noutras histórias suas sobre a religião e seus reis.
7. Que necessidade tenho de falar dos mitos gregos e de sua futilidade? Plutão, rei das trevas; Posêidon que se coloca sob o mar e se abraça com Melanipa, gerando um filho que devora os homens! E o que dizer das tragédias que os vossos escritores compuseram sobre os filhos de Zeus? Como nasceram homens e não deuses, eles nos podem traçar sua genealogia. Ai está o cômico Aristófanes que na sua peça Os pássaros, pondo-se a contar a criação do mundo, disse que no princípio nasceu um ovo como composição única do mundo: "Antes de tudo, a de negras asas pariu um ovo". E Sátira, historiador das famílias alexandrinas, começando por Filopátor, chamado tam- bém Ptolomeu, afirma que este se originou de Dioniso, e daí Ptolomeu deu o primeiro lugar à tribo dionisíaca. Sátira, portanto, diz o seguinte: De Dioniso e Altéia, filha de Téstio, nasceu Dejanira; desta e Héracles, filho de Zeus, nasceu Hilo; deste nasceu Cleodemo; deste nasceu Aristômaco; deste nasceu Têmeno; deste nasceu Criso; deste nasceu Marão; deste ansceu Téstio; deste nasceu Acoos; deste nasceu Cena; deste nasceu Tirimas; deste nasceu Perdicas; deste nasceu Filipe; deste nasceu Aéropo; deste nasceu Alceta; deste nasceu Amintas; deste nasceu Bocro; deste nasceu Meleagro; deste nasceu Arsinoe; desta e de Lagos nasceu Ptolomeu Soter; deste e de Berenice nasceu Ptolomeu Filadelfo; deste e de Arsinoe nasceu Ptolomeu Evergetes; deste e de Berenice, filha de Magas, rei de Cirine, nasceu Ptolomeu Filopátor. Esse é, portanto, o parentesco entre Dioniso e os reis de Alexandria. Daí também a tribo dionisíaca toma a sua divisão em famílias: a Altaida, de Altéia, que foi mulher de Dioniso e filha de Téstio; a Dejanírida, da filha de Dioniso e Altéia, mulher de Héracles, de onde recebem também seus nomes as famílias que deles descendem; a Ariádnida, da filha de Minos, mulher de Dioniso, filha enamorada de seu pai, que se uniu com Dioniso, este sob a forma de marinheiro; a Téstida, de Téstio, o pai de Altéia; a Toântida, de Toante, filho de Dioniso; a Estafília, de Estáfilo, filho de Dioniso; a Evênida, de Eunoo, filho de Dioniso; a Marônida, de Marão, filho de Ariadne e Dioniso. Todos esses foram filhos de Dioniso. Existem ainda muitas outras denominações que se conservam até o presente: os Heráclidas, de Héracles; os Apolônidas, de ApoIo; os Poseidônidas, de Posêidon; os Diones e Diógenes, de Zeus.
8. Para que prosseguir enumerando a multidão dessas denominações e genealogias? Concluindo, todos os cha- mados historiadores, poetas e filósofos se enganam de todos os modos, e o mesmo acontece com aqueles que lhes dão atenção. Com efeito, escreveram apenas contos, ou melhor, tolices sobre seus deuses. Não demonstraram que são deuses, mas homens, alguns bêbados, outros dissolu- tos e assassinos.
Da mesma forma, o que disseram sobre a origem do mundo é contraditório e sem valor. Em primeiro lugar, alguns afirmaram que o mundo é incriado, corno antes notamos, e os que disseram que o mundo é incriado e que a natureza é eterna estão em contradição com aqueles que têm por dogma a criação. Com efeito, falaram tudo isso por conjecturas e imaginação humana, e não conforme a verdade. Uns disseram que existe providência e outros lançaram por terra as doutrinas destes. Arato, por exem- plo, diz: "Comecemos por Zeus, a quem nós, homens, jamais devemos deixar sem nomear, pois todas as ruas estão cheias de Zeus e também todas as praças dos homens, e cheios estão o mar e os portos; em todo lugar nos valemos todos de Zeus. E somos da sua mesma raça. Ele é benigno para com os homens, com augúrios favoráveis, e desperta as pessoas para o trabalho, recordando-lhes a vida. Ele nos diz quando a terra é melhor para os bois e para as enxadas; diz-nos qual é a melhor estação, seja para recolher feixes, seja para lançar toda semente."
Em quem vamos crer? Em Arato ou em Sóflocles, que diz: "Não existe em nada providência clara; o melhor é viver ao acaso, cada um corno puder." Homero, porém, não concorda com este, pois diz: "Zeus aumenta ou diminui o valor dos homens". E Simônides: "Ninguém recebeu valor sem os deuses, nenhuma cidade, nenhum mortal; Deus é a inteligência universal, enquanto nada está sem defeito nos mortais". O mesmo diz Eurípides: "Sem Deus não existe nada para os homens". E Menandro: "Além de Deus, ninguém cuida de nós". E de novo Eurípides: "Quando agrada a Deus salvar-nos, ele nos dá muitas ocasiões de salvação." E Téstio: "Se Deus quer, tu te salvarás, mesmo que navegues sobre uma esteira".
Com sentenças infinitas não como essas, eles não concordam em suas declarações. Sófocles, que em outra passagem fala contra a providência, agora diz: "O mortal não pode se esquivar dos golpes divinos". De outro lado, algumas vezes apresentam uma multidão de deuses, outras falam do poder de um só; os que afirmam que existe providência são contraditos por aqueles que afirmam a improvidência. E daí Eurípides confessa: "Nós nos afanamos em muitas coisas por causa de nossas esperan- ças trabahando em vão, sem nada saber ao certo".
Mesmo sem querer, eles confessam que não conhe- cem a verdade. São os demônios que os inspiram, que os fazem dizer o que lhes inspiram. Os poetas, como Homero e Hesíodo, não são, como dizem, inspirados pelas musas, para fazer palavreados, conforme as divagações da imagi- nação? Aí não há um espírito puro, mas enganador. Prova clara disso temos em que às vezes os endemoninhados, e há casos até hoje, conjurados em nome do Deus verdadeiro, confessaram que os espíritos do erro são demônios, os mesmos que agiram em outros tempos sobre os poetas. Algumas vezes, porém, certos poetas tiveram a alma livre desses demônios e falaram coisas no mesmo sentido que os profetas, a fim de que servissem de testemunho para eles e para todos os homens a respeito do poder de um só Deus, do seu julgamento e do resto que disseram.
Os autores sacros
9. Em troca, os homens de Deus, que foram portadores de um espírito santo e profetas, recebendo de Deus inspiração e sabedoria, tomaram-se discípulos de Deus, e santos e justos. Por isso foram considerados dígnos de receber a recompensa de se converterem em instrumento de Deus e terem parte em sua sabedoria.(2) É sob a influência dessa sabedoria que falaram sobre a criação do mundo e sobre tudo o mais. Também profetizaram sobre pestes, fomes e guerras. E os profetas não foram um ou dois, mas muitos que, conforme as circunstâncias, se encontraram entre os hebreus, como também entre os gregos a Sibila, e todos disseram coisas que concordam entre si, tanto sobre os acontecimentos anteriores a eles, como sobre aqueles que sucederam depois e ainda os acontecimentos do seu tempo e os que se realizam entre nós no presente. Também estamos persuadidos de que assim acontecerá com as coisas que estão por vir do mesmo modo que se realizaram antes.
Ensinamento dos autores sacros sobre cosmologia
10. Em primeiro lugar, eles estão de acordo em nos ensinar que do nada Deus tirou todas as coisas. Com efeito, nada foi coetâneo com Deus: ele próprio é o seu lugar, não conhece a necessidade e é anterior a todas as coisas. Mas ele quis criar o homem, que o conheceu. Finalmente, foi para o homem que ele preparou o mundo, pois aquele que é criado tem necessidades; mas o incriado de nada necessita.
Tendo Deus o seu Verbo imanente em suas próprias entranhas, gerou-o com a sua própria sabedoria, emitindo-o antes de todas as coisas.(3) Teve este Verbo como ministro da sua criação e por meio dele fez todas as coisas. Este se chama Princípio, pois é Príncipe e Senhor de todas as coisas por ele feitas. Este, portanto, que é espírito de Deus e Princípio e Sabedoria e Força do Altíssimo, desceu sobre os profetas, e por meio deles falou sobre a criação do mundo e tudo o mais. De fato, não existiam profetas quando o mundo era feito; existia, porém, a sabedoria que nele estava, e o seu Verbo santo, que sempre estava presente a ele. Daí ele dizer por meio do profeta Salomão: "Quando ele preparava o céu, eu estava com ele, e quando ele afirmava os alicerces da terra, eu estava junto dele, harmonizando tudo".
Moisés, que viveu muitos anos antes de Salomão, ou melhor, o Verbo de Deus, que se serve dele como instrumento, diz: "No princípio fez Deus o céu e a terra". Suas primeiras palavras são para o princípio e a criação, e depois acrescenta o nome de Deus, porque não se deve tomar o nome de Deus em vão ou sem motivo. A sabedoria divina sabia antecipadamente que alguns iriam dizer tolices e dar o nome de Deus a muitas coisas que não têm ser. Portanto, para que o verdadeiro Deus fosse conhecido por suas obras e para que se saiba que em seu Verbo Deus fez o céu e a terra e tudo o que eles contêm, disse: "No princípio fez Deus o céu e a terra". Depois, a respeito da sua criação, ele nos explica: "A terra era invisível e informe, as trevas estavam sobre o abismo, e um espírito de Deus pairava acima da água".
É assim que se inicia o ensinamento da Escritura divina: como foi criada e nascida de Deus uma matéria, com a qual Deus fez e formou o mundo.
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(1) Afirmação expressa da fé na criação "ex nihilo" (do nada).
(2) "Sabedoria" aqui significa o Verbo e não o Espírito Santo. Cf. 2,15
(3) As expressões "Verbo imanente" e "emitido" são de origem estoica.
Este artigo foi publicado durante a primeira fase do Apostolado Veritatis Splendor. Conheça o site novo aqui