Espaço do Leitor Respostas a Leitores (por Leandro Martins de Jesus)

Leitor baseado em “razão simplesmente histórica” diz que Pedro nunca foi Papa!

– Pedro Nunca foi Papa por uma razão simplesmente histórica, senão vejamos: Quem foi o primeiro Papa? Resposta: Constantino. Flavius Valerius Constantinus, “Augusto” em 25/07/306 E.C., diz ele ter se tornado Cristão e institulou-se Sumo Pontífice, o chefe supremo em assuntos religiosos, todos os Cristãos que o seguisse, não seriam mais perseguidos. Começou então a Igreja Católica Apostólica Romana. O Concilio de Nicéia no ano 325 EC foi sob o seu pontificado e convocado por ele. A ligação Império x Papado finalmente se formou. Vocês não podem negar esta verdade histórica, por isso Pedro, o Apostolo de (Jesus Cristo a verdadeira Pedra Angular), jamais foi Papa. Querem saber mais, pesquisem na enorme biblioteca a disposição em Roma, e saberão a verdadeira história do Cristianismo. Caso publiquem na integra. Me envie a publicação. (Mauro)

Caro Mauro,

Que a graça e a paz de Nosso Senhor Jesus Cristo esteja conosco!

“Et ego dico tibi: Tu es Petrus, et super hanc petram aedificabo Ecclesiam meam; et portae inferi non praevalebunt adversum eam” (Mt 16,18)

Por simples razões verdadeiramente históricas, sua mensagem está totalmente errada.

Seu primeiro argumento – falacioso — para dizer que São Pedro não foi Papa, é afirmar absurdamente que o Imperador Constantino instituiu-se Papa… Ora Mauro, para você que quer “provar historicamente” sua tese contra o Primado de São Pedro, seria bom estudar com afinco a História Geral e da Igreja. Note que no tempo de Constantino, a Igreja já contava com quatro séculos de existência! (Século IV) São Pedro, o primeiro Papa, já havia sido martirizado em Roma, desde o ano 67 aproximadamente (século I). Assim sendo, supondo que sua tese absurda de que Constantino foi “Papa”, fosse verídica, não afetaria em nada o Primado de São Pedro!

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Contudo, é bom que fique claro que jamais o Imperador Constantino foi Papa, nem sequer padre! No ano 306, Constantino torna-se Imperador Romano responsável pelo Ocidente da Europa, e seu cunhado Licínio, Imperador Romano responsável pelo Oriente. Neste tempo, a Igreja ainda vivia a perseguição pelo Império Romano. Em 312, Constantino enfrenta um rival, Maxêncio e o vence, atribui a sua vitória a uma visão que teria tido, de uma cruz luminosa (formada pelo monograma “XP” que corresponde às letras gregas do nome Christós) acompanhada com os dizeres “Toutoi nika” (Com este sinal vencerás!). Em 312, Constantino – que ainda não era sequer cristão – promulga o Edito de Milão, que reconhecia a religião cristã como lícita e dotada de liberdade, doravante os cristão não mais seria perseguidos pelas romanos.

O Concílio de Nicéia, reunido de 26/05/325 a 25/07/325, foi convocado por Constantino, que quis contribuir para o fim das controvérsias cristológicas que vigiam na época (arianismo), porém, o Papa da época S. Silvestre, possuía idade avançada, e por isso mandou seus representantes ao Concílio, dando-lhe a legítima autoridade e posteriormente confirmou suas decisões.

“Constantino acreditava ter recebido uma missão especial de Deus para harmonizar o Estado e a Igreja. Dizia ser o epískopos (vigilante) de fora; assim, por exemplo, falou a Bispos reunidos num Concílio Regional: “Vós sois epískopoi = (bispos) daqueles que estão dentro da Igreja; eu, porém, fui constituído por Deus epískopos = (Vigilante) daqueles que estão fora da Igreja (1)”. Com tais palavras Constantino queria afirmar que se considerava encarregado das populações ainda não Cristãs, às quais deveria levar o Evangelho”. (BETTENCOURT, Estêvão. Curso de História da Igreja. Rio de Janeiro: Mater Ecclesiae, p.19).

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Sobre a relação de Constantino com a Igreja, é importante ressaltar que este só tornou-se Cristão, por volta do ano 337, no leito de morte, quando, doente fora batizado:

“Já de cama, desenganado pediu o batismo. Teria querido que o levassem até as margens do Jordão, para receber a mesma água que Jesus recebera, mas já era demasiado tarde. Administraram-lhe o batismo no leito de morte, o batismo in extremis, que era chamado o batismo dos clínicos (…) Ordenou que lhe tirassem as vestes imperiais de púrpura e lhe vestissem a alba dos neófitos. Teve ainda forças para pronunciar algumas palavras: “chegou o dia de que eu tinha sede há tanto tempo; chegou a hora da salvação que eu esperava de Deus…” E quando o Bispo Eusébio de Nicomédia lhe administrou o sacramento, murmurou: neste dia sou verdadeiramente feliz; vejo a luz divina”. Morreu no dia de Pentecostes, 22 de maio ao meio dia.” (ROPS, Daniel. A Igreja dos Apóstolos e dos Mártires, Vol I,Quadrante: São Paulo, 1988,p.435).

Sobre as provas verdadeiramente históricas de que São Pedro foi o primeiro Papa da Igreja Católica Apostólica Romana, recomendo a leitura [no site do Apostolado Veritatis Splendor] dos seguintes artigos, que abordam amplamente a questão:

– A AUTORIDADE DE SÃO PEDRO E A SUCESSÃO APOSTÓLICA

– QUEM É A PEDRA: JESUS OU PEDRO?

– A IGREJA CATÓLICA FOI FUNDADA POR CONSTANTINO?

– LEITOR NOS PERGUNTA ACERCA DA PRESENÇA DE PEDRO EM ROMA NO ANO 42

– A SUCESSÃO DE PEDRO E O PAPADO

– O PRIMADO DE PEDRO

In caritate Christi,
Leandro.

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NOTA:

(1) A palavra grega epískopos significa originalmente “vigilante” ou superintendente”. Foi assumida pelos cristãos para designar o vigilante credenciado pela sagrada ordem do episcopado. A frase de Constantino joga com o duplo sentido da palavra. (BETTENCOURT, Estêvão. Curso de História da Igreja. Rio de Janeiro: Mater Ecclesiae, p.19).

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