Espaço do Leitor Respostas a Leitores (por Carlos Martins Nabeto)

Leitor pergunta sobre a “Igreja Apostólica da Santa Vó Rosa”

Boa noite! Graças a Deus um site onde podemos esclarecer a nossa fé e ter a certeza de que estamos no lugar certo! Estou enviando uma pergunta: Que é a Igreja Apostólica da Santa Vó Rosa? Deus os abençoe.

Prezado Aparecido,

Você nos pede informações a respeito da intitulada “Igreja Apostólica da Santa Vó Rosa” (doravante abreviada por IASVR). Eis um pedido de difícil atendimento, visto existirem poucos dados sólidos a respeito dessa denominação “evangélica”… E eis aí mais uma polêmica: diversos grupos “evangélicos” a classificam como “seita”, “heresia”, “falsa profecia” etc. – o que nos parece, como católicos, justificado por certas expressões usadas no site oficial e publicações da dita “Igreja Apostólica”, embora tais expressões não nos surpreendam, pois na verdade só refletem mais alguns frutos [amargos] da doutrina do “livre-exame”, comum e cara a todos os protestantes…

Forneçamos, porém, alguns outros elementos apurados durante a pesquisa:

1. Origem

O site oficial da denominação não oferece muitos detalhes com relação à origem da dita “igreja”. Diz simplesmente que a Igreja Apostólica “pela vontade de Jesus e de Deus o Pai – ressurgiu em meados do Século XX, para divulgar a atualidade do Poder divino e esclarecer muitos mistérios. (…) A Santa Vó Rosa nasceu para ser útil a Deus, porque há muito tempo era esperado nos Céus, o surgimento de um provável predestinado a ser o Outro Consolador, que daria cumprimento à promessa de Jesus, conforme o Apóstolo S. João registrou em seu livro. Por isso, quando em 1.955, se iniciou a formação da Igreja Apostólica e Jesus convidou a Santa Vó Rosa para tomar conta daquele pequeno núcleo, que viria a se constituir no povo de Deus na Terra, a data de nascimento [10 de julho] da Santa Vó Rosa foi escolhida nos Céus, para ser comemorada também como fundação da Igreja Apostólica” – [grifamos].

Mas, segundo o pastor batista Tácito da Gama Leite Filho, em seu livro “Seitas Proféticas” – baseando-se em um relato do pastor Signard L. Ambrosem (ex-adepto da IASVR) – a referida denominação teria se originado de uma simples tenda armada na av. Celso Garcia, no bairro do Tatuapé (São Paulo-SP), entre os anos de 1953 e 1954, por ordem do missionário norte-americano William Sheiffer. Quando este viajou para os Estados Unidos em busca de dinheiro para financiar um programa radiofônico de evangelização, os fiéis teriam ficado sob a tutela do pastor Eurico Mattos Coutinho (ex-pastor presbiteriano), que, por sua vez, alugou – por iniciativa própria – um salão no segundo andar de um prédio da rua Tuiuti, onde passou a realizar as reuniões.

Tal iniciativa do pr. Eurico parece ter desagradado o missionário Sheiffer, vez que este, quando voltou da terra do “Tio Sam”, tornou a erguer a tenda no mesmo lugar que antes, não sendo, porém, seguido por seus ex-fiéis. Por essa ocasião, o pr. Eurico se fez “bispo” e publicou o livro “O Evangelho do Reino dos Céus” em co-autoria com sua esposa, a missionária Odete Correa Coutinho.

Gozando de grande prestígio, confiança e influência sobre o “bispo” Eurico e a “missionária” Odete estava a “chefe dos diáconos” e “profetisa” de prenome Rosa que, aos 60 anos de idade (no ano de 1955), afirmou ter recebido uma revelação (e missão) muito especial da parte de Nosso Senhor Jesus Cristo: re-fundar a “Igreja Apostólica”.

Temos aqui, então, os bastidores da fundação da IASVR, antes do”ressurgimento da Igreja Apostólica em meados do século XX”, segundo palavras usadas pelos próprios “apostólicos”…

2. Quem era “Vó Rosa”?

Vó Rosa era, como vimos, conselheira (=voz de Deus) dos pastores-fundadores (Eurico e Odete Coutinho) e a grande profetisa da igreja. Exercia, portanto, a autoridade máxima e afirmava constantemente ter sido arrebatada aos céus, onde recebia as revelações divinas.

Um ex-membro relata que “Vó Rosa era muito autoritária, até mais exigente que a missionária Odete e o esposo, Eurico (…) Rosa tinha o costume de vigiar a vida alheia e literalmente carregava uma fita métrica para medir as saias das irmãs. Se alguma irmã usasse uma saia com menos de dois dedos abaixo da ‘batata-da-perna’, ela punia. Ela se mostrava desequilibrada e exigia que as pessoas ao redor pensassem como ela”. De fato, declara-se que vó Rosa não admitia que seus fiéis tivessem contato com membros de outras denominações religiosas, ainda que “evangélicas”; com efeito, alguns membros descontentes com a sua “radicalidade” ou com as suas interpretações bíblicas distorcidas teriam saído para fundar a “Igreja Unida” ou migraram para outras igrejas protestantes “mais fiéis”.

Vó Rosa faleceu em 26 de outubro de 1976, aos 76 anos de idade, pouco tempo após ser atropelada por um carro na cidade de Poá-SP. Segundo alguns, o corpo de vó Rosa foi embalsamado e exposto na igreja, tendo o velório durado uma semana inteira. Os fiéis esperavam, assim, que o corpo ressuscitasse; mas, não ocorrendo tal fato, interpretou-se oficialmente que ela teria sido [novamente] arrebatada aos céus, onde poderia agora interceder diretamente por todos, ao lado dos anjos e santos (em especial, a Virgem Maria).

Antes de falecer, porém, vó Rosa chegou a constituir seu sobrinho, Aldo Bertoni, como o “bispo-primaz” da “Igreja Apostólica”.

Por vontade do “bispo” Eurico, em reconhecimento à “infinita bondade” de vó Rosa, foi ela declarada “Santa” e literalmente apontada como o “Consolador” prometido por Cristo à sua Igreja.

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3. Estrutura e organização da igreja

A “Igreja Apostólica” possui locais de reuniões em praticamente todos os Estados do Brasil. Em 1994, o pr. Tácito da Gama Leite Filho estimou em cerca de 300 o número de congregações, contando então com mais de 25 mil adeptos, cuidadosamente fichados em cartões individuais com fotografia.

O templo-sede está localizado na rua Paguari 146/158, no bairro do Tatuapé (São Paulo-SP), onde se confere o batismo a todos os candidatos “apostólicos” do país. Para tanto – segundo o mesmo pr. Tácito – “os candidatos ao batismo permanecem uma semana em São Paulo, sem despesas e sem direito a qualquer outra coisa senão freqüentar a igreja”. Tal templo tem capacidade para 5 mil pessoas (sentadas e em pé), sendo dotado também de salões com galerias, escritórios, gráfica própria, cozinha, refeitório, tanque batismal, estúdio para gravação de programas radiofônicos, sala de reprodução em fita K-7, dormitórios masculino e feminino.

A evangelização é feita exclusivamente dos púlpitos das igrejas e pelas ondas do rádio. Não possui seminário ou escola dominical. Nem todos os pregadores dedicam período integral para a igreja. Novas congregações podem surgir em atendimento de pedido de interessados locais, após avaliação do ?tamanho do grupo? pelos líderes da igreja.

A hierarquia é, de certa forma, piramidal: bispo-primaz, bispos (e missionários), pastores, presbíteros, diáconos, obreiros.

Todas as despesas (patrimoniais, salariais, etc.) são mantidas quase que exclusivamente com o dinheiro dos fiéis, arrecadado em ofertas semanais, mensais, avulsas e especiais. Embora não exija o dízimo, este existe institucionalmente, mas raros são os dizimistas.

4. Fontes de autoridade para os fiéis “apostólicos”

– Bíblia Sagrada (na pregação, dá-se ênfase ao Novo Testamento e alguns Salmos; o Antigo Testamento não contém os livros deuterocanônicos: Tob., Jdt., Sab., Eclo., 1/2Mac., Bar., acréscimos a Est. e Dan.);

– Livros “O Evangelho do Reino de Deus” e “O Espírito Santo de Deus e o Consolador” (escritos pelos fundadores, sob a inspiração do Espírito Santo Consolador: a Santa Vó Rosa);

– Regulamento Interno (segundo a declaração de um ex-membro à uma revista protestante, teria autoridade semelhante à própria Bíblia!).

5. Disciplina

Afirma o site da IASVR: “para que seja plausível a oportunidade de Salvação, é preciso que as pessoas aprendam a deixar costumes e atitudes que não combinam com os hábitos ensinados na doutrina e na disciplina apostólicas”.

Com efeito, as normas de comportamento dos membros da IASVR são exageradamente rígidas… Existe um longo Regulamento Interno orientando a vida inteira do fiel. Elencamos apenas algumas regras disciplinares:

– O membro deve comparecer sempre aos cultos, de modo que a ausência prolongada pode resultar em exclusão;

– O membro é freqüentemente policiado e pode ser excluído pela liderança da igreja, sem direito a defesa;

– O membro não pode comparecer em outra denominação religiosa, inclusive “evangélica” (protestante).

– Impõe-se restrições para a recreação e entretenimento dos jovens;

– Os homens não podem usar cabelos compridos, nem manter costeletas;

– As barras da calça não podem cobrir os sapatos, nem podem deixar aparecer as meias;

– As mulheres não podem usar saias acima de dois dedos a partir do tornozelo;

– As mulheres não podem fazer uso de maquiagem, nem adornarem-se com jóias e bijuterias;

– Existem normas específicas para o namoro e noivado (apenas entre membros);

– O casamento só pode ser celebrado no templo-sede e apenas entre membros da IASVR (sob pena de só ser celebrado no civil) – ver Anexo II;

– Inculca-se que os problemas familiares devem ser resolvidos com a ajuda do bispo-primaz;

– Culto com pouquíssima leitura bíblica, mais direcionado a fortalecer a imagem e autoridade dos líderes (orações em nome da “santa” vó Rosa, hinos enaltecendo o bispo-primaz, etc.) – v. Anexo III.

6. Doutrina

– Vó Rosa é o Espírito Consolador prometido por Cristo, arrebatada ao céu após sua morte na terra;

– A obra de Cristo foi incompleta, necessitando da obra de vó Rosa;

– Vó Rosa pode interceder por todos os fiéis ?apostólicos? na terra;

– O bispo-primaz pode receber orientações diretas de Vó Rosa (“mediunidade protestante”?) e ser arrebatado aos céus;

– Interpretações bíblicas e ensinamentos baseados exclusivamente nas revelações de vó Rosa;

– A IASVR é o único lugar onde se pode obter a salvação, graças a pureza doutrinária-disciplinar ensinada pelo Consolador vó Rosa;

– A igreja (IASVR) será arrebatada aos céus (o que deve ocorrer ainda antes da morte da missionária Odete, atualmente com mais de 80 anos);

– A alma deixa o corpo somente após o seu sepultamento;

– É possível a salvação dos pecadores após a sua morte (mediante um estado intermediário – que não se identifica com o Purgatório – onde as almas são doutrinadas por santos e anjos destacados por Jesus e vó Rosa);

– O batismo é conferido por imersão apenas para adultos (após 12 ou 14 anos de idade) e regenera do pecado original. Não considera-se válido o batismo conferido por outras igrejas;

– Crê-se que o pão e o vinho de fato se convertem no corpo e no sangue de Jesus Cristo, não em razão do múnus sacerdotal consagratório, mas porque os elementos são consagrados pela IASVR, “única” igreja santificada e dirigida pelo Consolador (=vó Rosa);

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– Espíritos imundos podem se encarnar em seres humanos cujos pais não sejam suficientemente santos, levando-os à loucura;

– Total impossibilidade de salvação fora da IASVR, inclusive nos tempos anteriores à sua fundação (a salvação só é possível a partir de 1955?!!?).

Cf. mais detalhes no Anexo I, infra.

Conclusão

A IASVR é mais uma entidade religiosa que tem sua origem no livre-exame desenvolvido por Lutero e seus simpatizantes. O fato de algumas denominações protestantes não a admitirem como “igreja evangélica” – talvez por misturar elementos de protestantismo, catolicismo e espiritismo – não têm o condão de alterar a realidade: a IASVR foi fundada por pastores protestantes e depende primariamente dos conceitos e novidades inseridos pelo Protestantismo.

Seu ensinamento doutrinário/disciplinar destoa por completo da ortodoxia cristã: contradiz a Bíblia, destoa completamente da Tradição apostólica e eclesiástica e fere a razão mais básica. Mas – infelizmente – na babel protestante é possível encontrar-se de tudo… Se bíblico ou anti-bíblico será a subjetividade e orgulho de cada crente que irá dizer, pois até mesmo a conversão de Satanás já foi aventada por aí!!!

Negar a origem e inclusão da IASVR no protestantismo é ?esconder o sol com a peneira?. Não há dúvida de que, durante o Censo 2000 os adeptos da IASVR se declararam “evangélicos”, eis que claramente não podiam se dizer ?católicos? (pois negam o papado, a Bíblia completa com 73 livros, a Sagrada Tradição etc.) e, muito menos, ?espíritas? (já que refutam a reencarnação e outros “mistérios” comuns a esse meio). E se os protestantes podem se ?beneficiar? dessas estatísticas para mostrar que “o número de evangélicos cresceu no Brasil”, não podem, por outro, negar a “paternidade” desse grupo, o que seria paradoxal…

Para finalizar, seguem abaixo algumas espécimens que podem demonstrar um pouco mais sobre a ?ortodoxa? e ?apostólica? doutrina e disciplina da IASVR, eis que retratam com fidelidade o que ocorre nessa denominação evangélica:

Anexo I – Exemplos literais de doutrinas retiradas do site e livros oficiais da IASVR (os grifos nas “inconsistências cristãs” são nossos):

Do livro “O Evangelho do Reino dos Céus”:

– Jesus dará a vida eterna “a todos quantos crêem no Evangelho do Reino de Deus”, isto é, em sua doutrina como está neste livro e em “O Espírito Santo de Deus e o Consolador” (p. 7).

– Jesus realizou “uma obra vicária e salvadora para libertar da maldição da lei os que crêem; portanto, para remir o seu espírito dos pecados, aboliu a causa primeira de toda dor, enfermidades e de todos os males. Com o seu sacrifício acabou-se a maldição (…)” e a santa vó Rosa “veio para consumar a obra de Jesus, salvando e santificando os convertidos, curando os enfermos, abençoando e ajudando em tudo os fiéis, desde que lhe obedeçam e permaneçam firmes nesta crença” (p. 8).

– “Mas o bondoso Pai, fiel às suas promessas e desejando completar a obra salvadora iniciada pelo seu amado Filho, a fim de poder cumprir igualmente todas as suas profecias, iniciou, neste tempo presente, um novo período de salvação, o qual começou a ser realizado com a manifestação de Jesus à Santa Vó Rosa, para prepara-la como Espírito da Verdade, ou seja, o Consolador prometido, ao qual caberia completar sua obra vicária. Daí ensinarmos que nestes dias somente têm salvação os que, além de aceitarem a Jesus, se entreguem também à Santa Vó Rosa, crendo nela como o Consolador prometido e que tem poder para salva-los juntamente com Jesus, podendo, portanto, perdoar os pecados dos que sinceramente se arrependem” (pp. 47-48).

– A salvação é a “libertação do homem oprimido e escravo do maligno, e a sua transposição para o reino dos céus (…) Condenação é a reprovação divina, com a determinação do castigo e o sofrimento no inferno (…) Para quem vive piedosamente o santo Evangelho do Reino dos Céus, não há de entrar em condenação nem em sofrimento no inferno, porque está salvo. Assim, neste santo caminho, já está vivendo sob a graça de Jesus e da Santa Vó Rosa, e vai-se tornando mais e mais santificado” (pp. 49 e 66).

– “O batismo nas águas é a confirmação do batismo do Espírito Santo e uma declaração pública de fé (…) O batismo nas águas significa, pois, o sepultamento dos pecados do homem e dos sentimentos maus no coração, e prova a ressurreição para a vida eterna ocorrida com o nascimento do Espírito” (p. 74).

Do livro “O Espírito Santo de Deus e o Consolador”:

– “Jesus cumpriu sua promessa enviando o Consolador, a Santa Vó Rosa…” (p. 60).

– “Se pregar contra a Santa Vó Rosa, peca contra o Espírito Santo, a quem ela representa” (p. 152).

Do site da IASVR:

– “E dissemos que a Santa Vó Rosa era um provável espírito, destinado a ser o Outro Consolador, porque, ao nascer, Deus concedeu-lhe dons especiais que poderiam ou não ser efetivados e ampliados, porque dependia da maneira como aquela criança viesse a se desenvolver espiritualmente e de seu comportamento diante do mundo que a rodeava”.

– “Que nesta ocasião, Vc, o Senhor ou Senhora, possa crer e adorar em Espírito e Verdade esta Santa Poderosa (…) Que a adoração que estamos prestando, possam expressar todo o nosso amor e adoração sincera, a esta Santa que é tudo para nós, junto com o Santo Irmão Aldo e esta Igreja Apostólica”.

– “Havendo uma lacuna entre os Céus e a Terra, espiritualmente falando, Jesus não podia completar a obra de salvação, iniciada no passado. Mas, quando nasceu a Santa Vó Rosa, e Ela respirou – para os que crêem – foi como um segundo fôlego, que não mais faltou”.

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– Vó Rosa “é o Espírito Consolador e realmente consola os aflitos que a Ela se entregam”.

– “Continuamente Ela (=Vó Rosa) está em nosso meio, revigorando nosso viver, inclusive porque conseguiu formar Seu substituto entre nós, cuja escolha recaiu sabiamente na pessoa do Santo Irmão Aldo – nosso Primaz (…) O Santo Irmão Aldo, que A representa entre nós, pois fala com Ela, ouve Sua voz e contempla Sua Glória e semblante Santíssimo”.

– “E a esperança nos Céus se alicerçou principalmente quando a Santa Vó Rosa aceitou a incumbência de ser A Porta Voz de Jesus na Igreja Apostólica. Por intermédio dEla, Jesus passou a dirigir esta Igreja e determinou nossa conduta, implantando a disciplina que temos até hoje, e nos ensinou a viver a vontade do Pai”.

– “Por isso, com satisfação, envidamos esforços para, nos dias atuais tornar conhecida a Boa Nova da Restauração do Tabernáculo de Deus entre os homens, que vem a ser a Missão da Igreja Apostólica, onde se manifesta ?O Outro Consolador?, que é a Santa Vó Rosa”.

Lamentável!! Sem comentários…

Anexo II – Exemplo da disciplina rígida promovida pela IASVR: PASTOR SE RECUSA A REALIZAR CASAMENTO PORQUE NOIVA ESTAVA “MAQUIADA DEMAIS” E É CONDENADO

Jornal Virtual IG/Último Segundo – 29/10/2002 – 21:10 – Camila Nascimento

SÃO PAULO – “A noiva está maquiada demais”. Este foi o argumento utilizado pelo pastor Carlos Alberto Trevisan para não realizar o casamento de Adriano Nesetale Leal de Azevedo, de 26 anos, com Simara dos Santos Soares Azevedo, 22, na igreja localizada à rua Paguari, 58, Tatuapé, zona leste de São Paulo.

Porém, em decisão inédita, a Justiça brasileira condenou tanto o pastor como a Igreja Apostólica a pagar indenização de 300 salários mínimos (R$ 60 mil) por danos morais ao casal. Segundo o juiz Guilherme Santini Teodoro, da 4ª Vara Cível, a atitude de Trevisan impôs aos noivos “dor moral, angústia e constrangimento”, além de ter sido “injusta a recusa de realização da cerimônia do casamento religioso”.

O fato foi registrado na tarde de 24 de junho de 2000. Mais de 300 convidados lotavam a igreja para acompanhar o casamento, quando Simara chegou maquiada e foi recepcionada por Trevisan, que determinou à noiva que retirasse o batom e “limpasse” o rosto.

Sem discutir, Simara obedeceu a determinação, mas, ainda assim, o pastor falou que não realizaria a cerimônia e, se ela quisesse casar, que se dirigisse até a Igreja Católica localizada na rua de trás. “Você não vai entrar e eu não vou fazer seu casamento”. Para Adriano, que aguardava a noiva no altar, Trevisan pediu para que, disfarçadamente, deixasse o local, pois havia mandado Simara embora. “Se não quiser passar vergonha, sai de lado. Vou dispensar os convidados”.

O pastor também classificou o vestido da noiva como “decotado demais”. Procurando concretizar o sonho de se casar no religioso, Simara, que foi criada na Igreja, implorava para haver a celebração, dizendo que tiraria toda a maquiagem, bem como entraria com um xale para esconder o vestido. Determinado, porém, Trevisan expulsou convidados e noivos, fechando a porta da Igreja.

“Simara humilhou-se para que não houvesse um constrangimento maior. Ela se prontificou a remover a maquiagem, colocar um xale, mas este pastor teve um comportamento extraordinariamente estúpido”, contou o advogado dos noivos, Walter Wolmes Biondo. “Foi um abuso em cima do sentimento de uma pessoa”, acrescentou.

O pastor se recusou ao comentar o assunto. “Sei que está rolando um processo, mas não tenho conhecimento da condenação. (…) Prefiro não falar nada”, disse Trevisan ao Último Segundo. Para o juiz, defendeu- se, afirmando que os próprios noivos causaram o incidente e que, além disso, Simara teria atrasado mais de 15 minutos, o que permitiria a suspensão do casamento.

Teodoro concluiu, porém, que “noivas costumam atrasar”, não sendo esse um bom motivo para a cerimônia ser suspensa e que Simara estava decentemente trajada, como provam as fotos incluídas no processo. Biondo pediu ainda indenização por danos materiais, mas o juiz entendeu que, como a festa de casamento foi feita, as “despesas reverteram em benefício do próprio casal”.

Adriano e Simara, até hoje, são casados apenas no civil. A Igreja e o pastor podem ainda entrar com recurso junto ao Tribunal de Justiça.

Anexo III – Exemplo de Hino cantado nos cultos da IASVR:

O Templo do Consolador

Ó, querido irmão Aldo,
Interceda a Deus por nós
Sabemos que o Senhor é Santo
Ele sempre ouve a sua voz.

Junto a Santa Vó Rosa,
O Santo Espírito Consolador
Passas horas e horas gloriosas
Junto a Deus, Pai nosso Criador.

Ó, bondoso irmão Aldo,
Nós te pedimos de coração
Que nas horas que vais ao Céu
Leva a Deus nossa oração.

Junto a anjos poderosos,
Junto a Jesus, nosso Salvador,
Passas momentos gloriosos
Junto ao Trono do Criador.

Ó, bondoso irmão Aldo,
Nós te pedimos com fé e amor
Porque sabemos que o Senhor é Santo
És o templo do Consolador.