Espaço do Leitor

Mais uma carta cheia de ódio à maria

Recentemente, recebemos mais uma carta de um protestante (chamado Waldecy) com o único objetivo de desrespeitar a Santa Mãe de Jesus. O texto do leitor segue em preto; nossa resposta, em azul.

 

O maior dos erros do catolicismo ( e da ortodoxia)é exatamente o descomunal misticismo atribuído a Maria. Os padres se esquecem de que Jesus, na sua demonstrada humildade, jamais faria questão de nascer de uma mulher de modo diferente dos outros seres humanos. Não há uma única inserção bíblica que nem de muito longe indique que Maria tenha gerado Jesus sem dor e que tenha permanecido virgem. Ao contrário, indica, de modo claro e cristalino, que ela e seu marido José viveram juntos pelo menos por doze anos, e se eram casados e viveram na mesma casa, mantiveram as santas relações sexuais do santo casamento, conforme Gênesis, 2.24. O resto é puro misticismo fabricado fora dos preceitos bíblicos e, portanto,trata-se de um tremendo e enganoso misticismo.

Meu caro Waldecy. Você começou este teu ataque virulento à Mãe de Jesus cometendo um lapso dos mais aterradores que eu já vi. Você afirmou que Jesus, na Sua humildade, “jamais faria questão de nascer de uma mulher de modo diferente dos outros seres humanos”. Ocorre que não é isto o que a Bíblia diz. Afinal, se eu não estou enganado, mesmo nas multiladas Bíblias dos protestantes, está escrito (e muito bem escrito) que Jesus Cristo nasceu de uma virgem, por virtude e graça do Espírito Santo.

Então, meu caro Waldecy, ou você conhece outro ser humano que tenha nascido de uma virgem por obra exclusiva do Espírito Santo ou, então, será forçado a reconhecer que Jesus, mesmo na Sua imensa humildade, nasceu de um modo diferente de todos os demais seres humanos. E, se foi diferente nisto, pode ter sido, com uma razoabilidade mediana, diferente em outras coisas.

Você afirma que Maria e José mantiveram relações sexuais do santo casamento, o que, sempre segundo você, está indicado de modo claro e cristalino na Bíblia. Você se incomodaria de mostrar-me em que parte? Dê-me, por favor, o livro, o capítulo e o versículo que digam, clara e cristalinamente, que “José e Maria mantiveram relações sexuais no santo casamento”. Não precisa ser com estas palavras, é claro. Mas a idéia deve ser esta. Tão clara e cristalina quanto a água.

Já posso prever que você não conseguirá encontrar este versículo. Ele não existe. E, no entanto, você quer que eu acredite nesta tua balela, quando a mesma é flagrantemente contrária, à lógica, ao bom senso e à patrística. Você quer que eu acredite em algo que não está na Bíblia! Justo você, um adepto do sola scriptura.

Chega a ser estupenda a incoerência da maioria dos protestantes que entram em contato conosco…


Jesus quis vir ao mundo como um homem normal e viveu como tal. Nasceu numa família normal para valorizá-la. Como, então, na sua mais que clara humildade faria questão de nascer diferente dos outros homens? Como imaginar um Jesus que valorizou o casamento, faria questão de que José, o marido de sua mãe, vivesse sob o mesmo teto sem a consumação do ato máximo do santo casamento? Que esquisitice seria essa se tal coisa pudesse ter acontecido?

Novamente, você usa e abusa da incoerência. Você já havia dito que Jesus quis nascer como um homem normal (muito embora os homens normais não nasçam de virgens por obra e graça do Espírito Santo), e, agora, ainda afirma que Ele viveu como um homem normal. Ocorre, caro Waldecy, que homens normais não fazem as obras que fez Jesus; não realizam os Seus milagres; não acalmam tempestades; não multiplicam pães, nem podem sequer conceber doutrina tão sublime quanto à ensinada por Cristo. E, por fim, homens normais não carregam, sobre si, os pecados da humanidade, sendo incapazes de redimi-la, e de ressuscitar, para nunca mais morrer.

No fundo, Waldecy, este teu discurso de “homem normal” é, mal disfarsadamente, uma fábula para justificar tuas heresias. Na verdade, nada, rigorosamente nada do que cerca Jesus Cristo é normal. Seu nascimento, Sua vida, Suas palavras, Suas ações, Sua morte, Sua Ressurreição.

Ou seja, tudo o mais que cerca o Messias escapa ao ordinário das coisas, mas você quer que eu acredite que apenas a família dEle é que era normal. Aliás, para você, era “normalzinha até demais”.

Nã, caro Waldecy. Se tudo o que cerca a vida de Jesus é extraordinário, por óbvio, a família em que Ele viveu e cresceu também o foi.



O próprio Evangelho coloca a mulher (inclusive Maria, a mãe de Jesus) como simples ouvinte e não pode falar na Igreja, nem ensinar, então, como tentar explicar a utilidade de uma mulher, mesmo a mãe de Jesus como útil na “evangelização” de um vulgo pastor de Deus, um não católico?

“A mulher aprenda em silêncio, com toda a sujeição. Não permito à mulher que ensine, nem que tenha domínio sobre o homem, mas que esteja em silêncio…” I Timóteo 2.11.

“A mulher esteja calada nas igrejas, porque não lhes é permitido falar…”. I Coríntios, 14.34.

“Mulher, que tenho eu contigo?”

Caro, Waldecy, até onde chega um ser humano apenas para justificar suas vãs doutrinas… Segundo você (ainda bem que a imensa maioria dos protestantes nem de longe endossariam este teu último devaneio), as mulheres não são de utilidades na evangelização! Para responder a este despautério, cito os primeiros versículos do capítulo 28 Evangelho segundo São Mateus:

Depois do sábado, quando amanhecia o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o túmulo. E eis que houve um violento tremor de terra: um anjo do Senhor desceu do céu, rolou a pedra e sentou-se sobre ela. Resplandecia como relâmpago e suas vestes eram brancas como a neve. Vendo isto, os guardas pensaram que morreriam de pavor. Mas o anjo disse às mulheres: Não temais! Sei que procurais Jesus, que foi crucificado. Não está aqui: ressuscitou como disse. Vinde e vede o lugar em que ele repousou. Ide depressa e dizei aos discípulos que ele ressuscitou dos mortos. Ele vos precede na Galiléia. Lá o haveis de rever, eu vo-lo disse. Elas se afastaram prontamente do túmulo com certo receio, mas ao mesmo tempo com alegria, e correram a dar a boa nova aos discípulos.

Como você vê, uma ordem divina dada às santas mulheres para que elas corresse aos discípulos e lhes anunciassem a boa nova (ou, no grego, evangelho). As mulheres foram as primeiras evangelizadoras, mas, segundo o Waldecy, elas não tem utilidade na evangelização…

É uma pena o que o livre exame pode fazer com a pessoa. Pode-se afirmar qualquer barbaridade que sempre se encontrará um versículo bíblico a, isoladamente e fora de seu contexto, embasá-la. São Paulo, caro Waldecy, jamais falou que as mulheres são inúteis na evangelização, apenas afirmou que, na Igreja, na Santa Missa, o papel que as mesmas desempenham é de humilde silêncio. Cabe a homens ordenados, aos sacerdotes celebrar a Missa e realizar a homilia. Aliás, se você me permite uma pequena observação, são as igrejas protestantes que têm desvirtuado este papel da mulher. A Igreja católica, como sempre, é a única que se mantém fiel àquilo que recebeu de Jesus.

As mulheres, portanto, têm pael ativo na evangelização. Maria, por certo, teve um papel de destaque neste mister.


E não dá nem para justificar os erros que os cristãos afins que ainda cometem, afirmando que também isso (tal como os sábados santificados de Deus) são coisas de judeus, pois estão claramente registrados no Evangelho. Se houver desculpas de que Paulo era judeu e mantinha os hábitos de Judeus, cai por terra as insinuações clericais de que Paulo guardava os domingos, pois como judeu jamais aceitaria tal disparate. Não podemos nos esquecer de que Jesus nasceu, viveu e morreu como judeu, e como tal guardava os sábados santos.

Bom, acho que esta questão já foi esclarecida acima. Relativamente ao sábado, comento mais embaixo.


“No sábado seguinte, reuniu-se quase toda a cidade PARA OUVIR A PALAVRA DE DEUS…” “No sábado seguinte, concorreu quase toda a cidade para ouvir a palavra de Deus, mas os judeus, vendo aquela concorrência, se encheram de inveja…” Atos, 13. 41 a 44, que prova, sem contestação, que as reuniões de adoração aconteciam aos sábados e não aos domingos.

Você me permitiria contestar a tua “prova sem contestação”? Ainda que não o permita, vou contestá-la. Acho que você deveria ler todo o capítulo 13 dos atos dos apóstolos. Desta forma, você veria o quão frágil é isto que você chama de incontestável prova de ser o sábado o dia de guarda dos primeiros cristãos.

Diz o texto em seu versículo 14 que Paulo e seus companheiros “foram para Antioquia da Pisídia. Ali entraram em dia de sábado na sinagoga, e sentaram-se.” Fizeram então um discurso anunciando o Evangelho (versículos 16-41), discurso este que encheu de admiração os judeus. Estes judeus, então, “rogavam que lhes repetissem essas palavras no sábado seguinte.” (versículo 42). É por isto que São Paulo e seus companheiros voltam, no sábado seguinte, àquela sinagoga para pregar, então, a uma grande multidão.

Entendeu, caro Waldecy? O teu texto não prova, nem de longe, a satânica doutrina do sabatismo. Ele apenas descreve a maneira tradicional pela qual a Igreja se expandiu no primeiro século: através das sinagogas. Geralmente era assim: os apóstolos se dirigiam, primeiramente, às ovelhas desgarradas de Israel e lhes anunciavam o evangelho dentro das sinagogas (o que somente era possível nos dias de sábado). Deste anúncio, surgia uma pequena comunidade cristã, composta, inicialmente, por judeus e posteriormente, por gentios. E esta comunidade cristã se reunia, então, aos domingos para a Eucaristia.

Duvida? Pois veja o que diz a Didaqué, escrito cristão do século primeiro, que já circulava entre as igrejas enquanto ainda viviam os apóstolos (e que, não por acaso, era cognominado de “Doutrina dos Apóstolos):

“Reuni-vos no dia do Senhor para a fração do pão e celebrai a eucaristia, depois de haverdes confessado vossos pecados, para que vosso sacrifício seja puro.”

Entendeu, Waldecy? Os cristãos reuniam-se, desde o primeiro século, no dia do Senhor, vulgarmente chamado de domingo. Acho que isto já basta para demonstrar o equívoco da tua tese.


Além de tudo isso, acredito mais numa farsa do ladino pastor da Universal para tentar se livrar do processo criminal que a Igreja moveu contra ele, pois não há como alguém que abomina a iconolatria aderir a ela.

Embora você não tenha sido claro, possivelmente o parágrafo acima se refere a um boato sobre uma possível conversão de Von Helde, o ex-Pastor da Universal que chutou uma imagem de Maria. Não sei se esta conversão é verídica e sincera. Sei, contudo, que você está muito enganado ao falar de iconolatria dentro do catolicismo. Isto simplesmente não existe, não passando de devaneios dos protestatntes.

Mas acho que absolutamente nada poderá te convencer desta verdade tão singela…



Ainda no catolicismo, mas quando já passava a entender que havia algo de errado com tanto misticismo em torno de uma figura bíblica quase ignorada pelos apóstolos e por Jesus, fui devagar questionando toda a glória que cercava a mulher do carpinteiro e provavelmente, também, mãe de diversos filhos.

Confesso que custei a me desvencilhar de tanto misticismo.

Comecei por mudar a frase inicial para SALVE Maria,como está na Bíblia e não AVE Maria, pois essa frase era coisa de romanos. Depois passei a cortar das Ave-marias que rezava, a frase “Santa Maria, mãe de Deus, rogai por nós…” A partir daí, quanto mais meditava sobre tudo o que a Bíblia nos revela sobre Maria, tanto mais me afastava de sua imagem gloriosa, pois percebi que rezava para uma mulher, que depois de gerar Jesus se tornou apenas uma dona de casa comum e que não há prova bíblica alguma de que tenha recebido as línguas de fogo do Paráclito. Se mesmo assim houvera recebido, tornou-se uma completa omissa, pois depois disso nada representou em termos de evangelização.

Por favor, poupe-me do teu discurso de “só faço ou rezo o que está na Bíblia”. Isto é mais falso do que nota de trinta reais. Afinal, você cortou o “mãe de Deus”, quando a Bíblia, expressamente afirma que Maria o é: “Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor?” (Lc 1, 43)

Portanto, o texto sagrado afirma, com toda a clareza, que Maria é a mãe de Deus. E afirma, ainda, ser uma honra para qualquer um recebê-la. Mas, segundo a tua doutrina anti-bíblica, Maria era uma mulher comum. Como se a visita de uma mulher comum pudesse ser uma honra para quem quer que seja…

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Siga lendo a tua Bíblia, meu caro protestante cheio de ódio à Virgem Santíssima, e veja o que Isabel ainda falou da Mulher inimiga da serpente (e, ao que tudo indica, tua inimiga também): “Ora, apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança estremeceu no seu seio; e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. E exclamou em alta voz: Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre.”(Lc 1, 41-42)

Pois é… Isabel, cheia do Espírito Santo, afirma que Maria é bendita entre as mulheres. Mas, você, Waldecy, afirma que ela é uma “mulher comum”. Em quem você quer que eu acredite? No testemunho bíblico de Isabel, falando repleta do Espírito Santo, ou na visão enviezada do protestantismo que você advoga?

Com quem devo ficar? Com você ou com o Espírito Santo? Sim, pois eu não posso aceitar a tua doutrina do “mulher comum” e, ao mesmo tempo, aceitar a do Espírito Santo segundo a qual Maria é bendita entre as mulheres.

Mas, repito, siga lendo a tua Bíblia, meu caro protestante. Veja este trecho: “E Maria disse: Minha alma glorifica ao Senhor, meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador, porque olhou para sua pobre serva. Por isto, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações, porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo.”(Lc 1, 47-49)

Que coisa, hein Waldecy? Novamente, a Bíblia afirma que todas as gerações proclamarão que Maria é bem-aventurada e que nela Deus fez maravilhas. Mas você proclama que ela foi uma “mulher comum”. E, não obstante, nos acusa de não seguirmos a Bíblia.

Não me venha, portanto, com a tua balela de que deixou de rezar o terço pelo fato de querer seguir a Bíblia. Ao desprezar o terço e se voltar contra a Santa Mãe de Deus, aí sim é que você pôs-se em confronto com as Escrituras.

Além disto, convenhamos, se Maria, depois de receber o Espírito Santo em uma plenitude tal que gerou o próprio Verbo de Deua em seu ventre, depois de carregá-lo dentro de si por nove meses (lembre-se que bastou a hemorroíssa tocar Suas vestes para se curar), depois de amamentá-lo, depois de conviver com Jesus por cerca de trinta anos (os discípulos conviveram com Ele por apenas três), se depois de tudo isto Maria era uma “dona de casa comum”, então Jesus não era lá grandes coisas…

Você, caro protestante, na tentiva de diminuir o mistério de Maria, sem o perceber, acabou por diminuir o próprio mistério de Jesus. Será que você não percebe, Waldecy, que não faz qualquer sentido que o Deus do Universo, o Senhor dos Exércitos nascesse de uma mariazinha qualquer?

Chega a ser ultrajante ao próprio Cristo tamanha blasfêmia!

E, além disto, para o Waldecy, não há provas de que Maria recebeu línguas de fogo do paráclito? Êta, livre exame capenga e manietado! Leia, e entenda:

“Todos eles perseveravam unanimemente na oração, juntamente com as mulheres, entre elas Maria, mãe de Jesus, e os irmãos dele.

Chegando o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um ruído, como se soprasse um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados. Apareceu-lhes então uma espécie de línguas de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem.” (At 1, 14. 2, 1-4)

Por fim, terminando o rosário de ódio acima, o Waldecy afirmou que, se Maria tiver recebido o Espírito Santo, tornou-se uma “completa omissa” que não fez nada em termos de “evangelização”. Ora, segundo os versículos que você mesmo apontou acima, coube aos apóstolos a missão de pregar a Palavra de Deus nos cultos divinos. Eis a razão pela qual Maria, respeitando a vontade divina (vontade esta, friso mais uma vez, desrespeitada solenemente pelos mais diversos grupos protestantes) manteve-se no silêncio.

Além disto, meu caro, evangelizar não é, apenas, fazer belos discursos acerca de Jesus Cristo. Evangelizamos, na maior parte do tempo, através de nossas ações, no silêncio e no recolhimento (como não pensar numa Santa Teresinha de Lisieaux?). Mas acho que isto já está muito além da tua verve protestante.

Maria só foi citada nos Atos dos Apóstolos e a partir daí foi esquecida pelos discípulos de Jesus.

Novamente, basta um único versículo bíblico para desmontar a tua tese acima:

“Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo que amava, disse à sua mãe: Mulher, eis aí teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E dessa hora em diante o discípulo a levou para a sua casa.” (Jo 19, 26-27)

Pergunto outra vez: entendeu, Waldecy? São João (que,até onde eu saiba, é um discípulo) conviveu com Maria por toda a vida desta. Jamais esqueceu da mesma. E, aliás, uma prova de que a figura de Maria jamais foi esquecida pela priemira geração dos cristãos é este trecho do Evangelho de São João. Você, em seu ódio, esqueceu-se de que este Evangelho foi um dos últimos escritos da Era Apostólica, sendo escrito depois de todas as Epístolas do Novo Testamento. Portanto, até o final da vida do último discípulo, a figura de Maria continuava presente na vida dos cristãos.

Quanto ao Apocalipse 12, trata-se de um grande engodo do catolicismo ao tentar valorizar a figura de Maria como a mulher que pisava na cabeça do dragão. Não são apenas os que sabem meditar que concluíram isso. Até teólogos ilustres atestam isso.

Numa sexta-feira à noite, pela Rede Vida, no programa Páginas Difíceis da Bíblia, o padre Fernando Cardoso, um sábio teólogo com muitas décadas de catolicismo, o único padre que gosto de ouvir falar, pois é coerente, que também faz o programa Pão Nosso de Cada Dia, atestou firmemente que Maria nada tem a ver com o Apocalipse.

Se tiver dúvidas disso, basta passar-lhe um email: [email protected]

Bem, comecemos do princípio. Você disse que “ilustres teólogos” afirmam que a Mulher do Apocalipse não se refere a Maria. Quem são estes “ilustres teólogos”? Faço esta pergunta porque, afinal, não basta ser teólogo, nem basta ser ilustre para que o sujeito tenha atestado de ortodoxia. O Leonardo Boff, por exemplo, é um teólogo, e é bastante ilustre. No entanto, ele diria coisas que faria o teu cabelo arrepiar.

Você citou apenas o Pe. Cardoso, da Rede Vida. Pessoalmente, simpatizo com ele, pois percebo que ele ama a Igreja e que luta por ela. No entanto, nem de longe eu subscreveria tudo o que ele diz. Por exemplo, ele afirma que várias partes do Novo e do Antigo Testamentos nunca aconteceram, com o que eu não concordo (você concorda com isto?).

E, de qualquer forma, o Pe. Cardoso não fala pela Igreja. Vejamos o texto do Apocalipse:

“Apareceu em seguida um grande sinal no céu: uma Mulher revestida do sol, a lua debaixo dos seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas. Estava grávida e gritava de dores, sentindo as angústias de dar à luz. Depois apareceu outro sinal no céu: um grande Dragão vermelho, com sete cabeças e dez chifres, e nas cabeças sete coroas. Varria com sua cauda uma terça parte das estrelas do céu, e as atirou à terra. Esse Dragão deteve-se diante da Mulher que estava para dar à luz, a fim de que, quando ela desse à luz, lhe devorasse o filho. Ela deu à luz um Filho, um menino, aquele que deve reger todas as nações pagãs com cetro de ferro. Mas seu Filho foi arrebatado para junto de Deus e do seu trono. A Mulher fugiu então para o deserto, onde Deus lhe tinha preparado um retiro para aí ser sustentada por mil duzentos e sessenta dias.”

Reproduzo, aqui, um texto de minha autoria já publicado no VS:

“O texto de Ap 12 (…) nos dá conta de que a mãe do Messias é repleta de glória e Majestade. Usa, para tanto de linguagem muito comum na Bíblia: “uma mulher vestida com o Sol, tendo a Lua sob os pés e uma coroa de doze estrelas.”

Estar vestida com o Sol representa todo o poder e Majestade desta mulher; ter a Lua sob os pés, significa a soberania; a coroa de doze estrela, que a mesma é rainha de toda a Igreja.

Talvez você me pergunte (…), se esta “mulher” não seria a Igreja. Respondo que sim. Induvidavelmente, São João, ao falar desta mulher, pensava, indiretamente, na Igreja, uma vez que é a Igreja que, em seu caminhar, traz o Messias ao mundo.

Mas este é, apenas, o significado indireto desta figura. Até porque, em regra, a Igreja é chamada de esposa de Cristo, e não de mãe (uma vez que, propriamente falando, é Cristo que gera a Igreja, e não o contrário).

Diretamente, São João falava de Maria. Afinal, convenhamos, não há como negar que ela é quem, efetiva e concretamente, concebeu, engravidou e pariu o Messias. Ela é que sofreu, desde as primeiras horas de seu filho, a ameaçadora tentativa do demônio de “devorar-lhe o filho tão logo nascesse” (Mt 2, 13ss). Ela é que viu o seu Filho ser arrebatado para junto de Deus e do Seu trono.

Todos estes acontecimentos se deram quando a Igreja ainda não existia. Por isto, embora ambos representem as perseguições sofridas pela Igreja em todos os tempos, os mesmos descrevem o que verdadeira e concretamente sucedeu-se com Maria.

Portanto, esta “Mulher vestida com o Sol” é, num primeiro plano, a Virgem Santíssima; simbolicamente, ela representa toda a Igreja.



Maria foi a digna, a bem-aventurada mãe de Jesus, mas tornou-se a companheira de seu jovem marido José. Tornaram-se uma só carne e um só corpo, conforme Gênesis, 2.24. Freqüentemente os bispos e padres com os quais troquei emails alegaram que Maria permaneceu virgem mesmo depois do parto de Jesus, e nem as dores do parto sentiu (ave!) Alegaram que para Deus nada é impossível. Mas se tal milagre tivesse ocorrido, pode estar certo de que estaria devidamente registrado no Evangelho. Pergunto-lhe, então, meu caro Meu caro amigo, sem misticismos e sem enganações: Você poderia julgar que naquela época pastoril onde o casamento tinha muito mais valor que hoje, o jovem carpinteiro José, apaixonado pela jovem Maria (conforme Mateus, 1.19), nos seus jovens anos de virilidade e de explosão sexual, agüentaria ficar com sua jovem esposa, no mínimo por doze anos, morando sob o mesmo teto, na proximidade corporal que excita, sem tocar sua amada? Alem disso, ainda fugiram juntos para o Egito e só devem ter voltado depois de anos. Como explicar tal “fenômeno” católico que vai contra toda a natureza?

Respondo à tua pergunta com uma outra: se você soubesse que a tua esposa foi fecundada pelo próprio Deus, que concebeu em seu ventre à Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, que lhe deu à luz, e que O amamentou meses a fio ainda assim iria cobiçá-la sexualmente?

Pense e reflita: iria? Principalmente sabendo que, só de se tocar na Arca da Aliança muitos perderam a vida?

E de onde você tirou a idéia que José casou-se com Maria nos “seus anos de virilidade e de explosão sexual”? Isto está escrito em algum lugar da Bíblia, ou você está se apegando a “tradições humanas”? Pois saiba, caro Waldecy, que há testemunhos patrísticos de que José casou-se com Maria já com idade avançada.

E, por fim, uma última pergunta: você acharia tão absurdo assim um jovem, “nos seus anos de virilidade e de explosão sexual” abdicar de seus impulsos e viver uma vida casta por respeito a Deus? A mim, isto não parece nada absurdo.

Onde estão os indícios bíblicos de que Maria não teve dores durante o parto e que “permaneceu virgem” até depois do parto? Se não está na Bíblia, tratam-se apenas de baratos misticismos humanos, fáceis de serem desmentidos.

O teu parágrafo acima é uma confissão de fé no dogma protestante do sola scriptura. Aliás, apesar de protestatnte, esta tua confissão de fé é, digamos, bastante xiita. Afinal, você afirma que ou um ponto de fé está na Bíblia ou, então, é um misticismo humano fácil de ser desmentido.

Pois bem, faço-te algumas indagações. Primeiramente, indique-me, na Bíblia, qual o livro, capítulo e versículo que afirmem que “se (algo) não está na Bíblia, trata-se apenas de baratos misticismos humanos, fáceis de serem desmentidos.” Afinal, se você acredita nisto, pela lógica, isto de ve estar na Bíblia.

Veja também  A alma de jesus de nazaré foi criada?

Feito isto, indique-me os trechos escriturísticos em que se estabelece o cânon bíblico, a Santíssima Trindade e a natureza dúplice de Jesus Cristo. Só para começarmos.

Se você conseguir, ponto para o protestantismo. Se não o conseguir, então meu caro, você será obrigado a reconhecer que ou os pontos de fé acima não estão na Bíblia (o que desmonta o sola scriptura xiita a que você adere), ou que, então, são todos um monte de misticismos humanos. Inclusive, o Cânon bíblico, o que, por óbvio, igualmente, desmonta o sola scriptura.

Não há saída para este dilema.

Entrando no mérito de tua questão, que Maria não teve dores durante o parto é indicado (embora não seja provado) por Lc 1, 7, onde se narra cuidados que uma recém-parturiente normal não conseguiria ter com o recém-nascido. Ademais, tendo sido Maria preservada do pecado original, não poderia sofrer as dores de parto, uma vez que tais dores são conseqüências diretas deste pecado (Gn 3, 16). O fato de ela ter permanecido Virgem é evidenciado não apenas pela ausência absoluta de prole posterior, mas, principalmente, porque tendo sido coberta pela sombra do Altíssimo, tornou-se dEle esposa, não sendo lícito a nenhum outro homem possui-la.

Afora estas indicações bíblicas, há farta e abundante fonte patrística indicando que os primeiros cristãos nem em pesadelos comungavam da tua doutrina do “mulher comum cheia de filhos”. Sempre acreditaram que Maria permaneceu virgem no parto e por toda a sua vida.


Entende-se, perfeitamente, que se o jovem carpinteiro não pudesse tocar aquela bela e amada jovem, sua esposa legítima perante Deus, a abandonaria. O resto são misticismos baratos para sustentar o cavalo de tróia que Satanás introduziu no catolicismo no intuito de corromper pela idolatria, tão abominada por Deus em Seu Primeiro Mandamento. Se a própria Bíblia, a Palavra direta do Espírito Santo, profetiza tal situação, como você poderia achar que o poderoso Satanás, extremamente ladino e astuciosos, que o Evangelho chama de anjo de luz, permaneceu bem quietinho por esses tantos séculos?

A afirmação de que José abandonaria Maria se não pudesse manter relações sexuais com ela não passa de um achismo da tua parte. Você acha isto. Aliás, parece-te inconcebível que um homem venha a sublimar seus instintos sexuais por amor a Deus, o que é bastante triste. Parece que, para você, um homem somente se casa e se mantém casado por apetite carnal, nunca por deseja de fazer a vontade de Deus.

Quer um exemplo concreto de que você está enganado? Dê uma lidinha no livro A História de Uma Alma, e você saberá que os pais de Santa Teresinha de Lisieaux mantiveram-se castos meses a fio depois de casados, por erroneamente pensarem ser esta a vontade de Deus. O padre que os confessava teve de convencê-los do contrário. E passaram a menter as relações não por apetite carnal, mas para fazer a vontade de Deus.

Por fim, eu não acho que satanás se manteve inerte por séculos. Ao contrário, sempre esteve muito ativo atacando a Igreja e a sã doutrina. O protestantismo nada mais é do que mais um capítulo nesta batalha entre a verdade e a heresia.


Satanás não venceu os santos enquanto esses estiveram glorificando a Deus na clandestinidade, mas depois que foram elevados aos palácios dos reis, Satanás deu seguimento ao seu macro plano demoníaco e venceu os santos. Mas o estandarte do cristianismo real foi levantado por um novo povo, católicos que se rebelara m contra a alta corrupção clerical depois que passaram a conhecer as Escrituras e raciocinar tendo a Palavra como único norte. A coragem deles em se rebelar contra uma instituição mais política que religiosa, onde todos eram dominados pelo medo é algo de pasmar.

Então, pelo que eu pude perceber, você imagina que a crença na virgindade perpétua de Maria somente surgiu depois que os cristãos “foram elevados aos palácios dos reis”? Deste forma, ainda que implicitamente, você aceita a balela de que a Igreja corrompeu-se após a Paz de Cosntantino. Então veja o seguinte testemunho de um famoso cristão do segundo século, que ainda vivia “glorificando a Deus na clandestinidade”

“E permaneceram ocultos ao príncipe desse mundo a virgindade de Maria e seu parto, bem como a morte do Senhor: três mistérios de clamor, realizados no silêncio de Deus” (Santo Inácio de Antioquia, Carta aos Efésios, PG. V, 644 ss.).

Santo Inácio escreveu esas linhas ainda no século segundo, quando os cristãos viviam sob violenta perseguição, muito antes de serem conduzidos aos “palácios dos reis”. E, como você pode ver, ele já acreditava na virgindade perpétua de Maria, inclusive em seu parto sobrenatural, deixando muito claro que o demônio não gosta destas verdades.

E agora, caro Waldecy? Como você me explica isto? Você se pôs numa sinuca de bico, meu caro. Os cristãos, ainda perseguidos, já cultuavam Maria, e criam seja no seu parto sobrenatural, seja na sua virgindade perpétua. E rechaçavam como heréticas as idéias dos que, como você, imaginavam que ela havia sido uma “mera dona de casa”, cheia de filhos.

Agora: quem é o “novo povo”, que, segundo você, levantou o “estandarte do cristianismo real”? Você não identificou quem seria este “novo povo” e eu gostaria que o fizesse. Afinal, o que não falta é maluco afirmando estar levantando o “estandarte do cristianismo real” contra a “corrompida Igreja Romana”. Isto quando o maluco não afirma ser o próprio Jesus Cristo…

Possivelmente, você coloca entre os que levantaram o estandarte do cristianismo real, pessoas como Lutero, Calvino e Zwinglio. Pois bem, talvez você se surpreenda com o que estes “cristãos verdadeiros” pensavam sobre Maria.

O Escritor David F. Wright, em 1989, publicou um livro chamado Chosen by God: Mary in Evangelical Perspective (London: Marshall Pickering) em que esclarece a questão:

Infelizmente, os ensinamentos e as orações dos reformadores foram encobertos pelos seus seguidores com prejuízo teológico e conseqüências práticas” e segue dizendo, “O mais notável para os modernos protestantes é o fato da aceitação quase universal dos reformadores sobre a virgindade de Maria.

Veja, agora, confirmando o que acima foi escrito, alguns discursos dos reformadores sobre a Virgem Santíssima:

a) Lutero:

Ser Mãe de Deus é uma prerrogativa tão alta, coisa tão imensa, que supera todo e qualquer intelecto” (Comentário ao Magnificat, cf. escritora evangélica M. Basilea Schlink, revista “Jesus vive e é o Senhor”)

Com efeito, a Virgem Maria (…) é reconhecida e honrada como a verdadeira Mãe de Deus” (CIC 963).

“Destas palavras não se pode concluir que, após o parto, Maria tenha tido consórcio conjugal. Não se deve crer nem dizer isto” (Obras de Lutero, edição Weimar, tomo 11, pg. 323).

“A mesma amantíssima Mãe de Deus queira obter a graça para mim, a fim de que possa expor o seu cântico com proveito e profundidade” (Weimar, tomo 7, pg. 545 ).

b) Calvino:

Não podemos reconhecer as bençãos que nos trouxe Jesus, sem reconhecer ao mesmo tempo quão imensamente Deus honrou e enriqueceu Maria, ao escolhê-la para Mãe de Deus“. (Calvino, Comm. Sur l?Harm. Evang.,20).

“(Maria) proclamava uma tão grande dádiva de Deus que não era lícito silenciá-la… Reconhecemos que este dom foi altamente honroso para Maria. De boa vontade seguimo-la como mestra e obedecemos aos ensinamentos e preceitos da Virgem” ( CO 45,38).

c) Zwinglio:

“Creio firmemente que, segundo o Evangelho, Maria, como Virgem pura, gerou o Filho de Deus e no parto e após o parto permaneceu para sempre Virgem pura e íntegra. Também acredito firmemente que ela foi por Deus exaltada acima de todas as criaturas Bem-aventuradas (homens e anjos) na eterna bem-aventurança” (Zwinglii Opera 1,424).

“Estimo grandemente a Mãe de Deus, a Virgem Maria perpetuamente casta e imaculada” ( ZO 2,189).

“Quanto mais crescem a honra e o amor de Cristo entre os homens, tanto mais crescem também a estima e a honra de Maria, que gerou para nós um tão grande e propício Senhor e Redentor” (ZO 1,427s).

Como é que ficamos, Waldecy? Lutero, Calvino e Zwinglio levantaram o estandarte do verdadeiro cristianismo ou (sempre usando palavras tuas) se encontram no grupo daqueles que foram vencidos pelo demônio? Caso você opte pela primeira alternativa, então, terá de reconhecer que é você que está em heresia ao negar as prerrogativas da Santa Mãe de Deus. Caso você opte pela segunda, então terá de reconhecer que a Reforma é fruto do Demônio e, portanto, que a verdadeira fé é a católica.

E isto, novamente, te coloca em heresia. Durma-se com um barulho destes, não?

Aliás, se você me permite uma última observação, os primeiros cristãos (aqueles que, segundo você não foram vencidos pelo demônio) teriam muitas dificuldades em “levantar o estandarte do cristianismo real” baseando-se apenas na Bíblia, uma vez que a Bíblia somente foi compilada no ano de 394 d.C. Ou seja, a Bíblia somente passou a existir depois que, segundo você, a Igreja se corrompeu e quedou-se vencida por satanás, pelo que os primeiros cristãos não tinham como levantar qualquer estandarte baseando-se numa Bíblia ainda inexistente. Aliás, ela passou a existir, justamente, por obra e graça desta igreja “demoníaca” pelo que, se houvesse qualquer fundo de razão em teus devaneios, a própria Bíblia seria obra do demônio.



“O dragão irou-se com a mulher (a Igreja de Jesus) e foi fazer guerra aos outros seus filhos que GUARDAM OS MANDAMENTOS DE DEUS e retêm o testemunho de Cristo”. Apocalipse, 12, versículo 17

Meu caro Waldecy, este trecho aplica-se aos protestantes. Afinal, como eu disse acima, a Mulher do Apocalipse é, num primeiro plano, Maria. E é contra Maria que o demônio vomita todo o seu ódio, fato, aliás, já predito em Gn 3, 15 :”Porei ódio entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça, e tu ferirás o calcanhar.”



Revelações bíblicas que nos mostram que os santos seriam vencidos por Satanás: “Foi-lhe permitido fazer guerra aos santos e vencê-los”. Apocalipse, 13.7.

Revelação bíblica que nos mostra que os santos não seriam vencidos por satanás: “E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela.”(Mt 16, 18)


No mais, Maria é absolutamente dispensável como presumível intermediária entre a Terra e os Céus: “Eu sou o único caminho, a verdade a vida. Ninguém irá ao Pai senão por mim”. João, 14.6. “Temos um advogado perante o Pai: Jesus Cristo”. I João, 21.1. Se os céus indicam apenas a Jesus com útil intermediário, pra que, então, Maria? Para auxiliar? Acaso Jesus necessitaria que alguém o auxilie quando roga ao Pai por alguém? Medite, meu caro Meu caro amigo, e chegará à mesma conclusão que as Escrituras nos repassam. Ou será que ainda não parou para meditar?

Jesus não necessita que ninguém o auxilie para coisa alguma. Não precisa, inclusive, que nós o ajudemos a remir o mundo, e, no entanto, São Paulo assevera que, completamos em nossos corpos o que resta aos sofrimento de Cristo.

Como entender isto? Simples: o cristão é inserido no Corpo de Cristo, tal como o ramo numa videira. O cristão torna-se um com Cristo e, assim, participa de Seu mistério. Assim, o cristão participa dos sofrimentos de Cristo, do sacerdócio de Cristo, da realeza de Cristo, da filiação divina de Cristo. E, por óbvio, participa da intercessão de Cristo.

Desta forma, embora Cristo não necessite de auxiliadores para interceder pos nós, é da natureza do cristão participar da única intercessão existente entre o céu e a Terra. E Maria, sendo a cristã por excelência, estando mais unida a seu Filho do que qualquer um de nós, tem uma participação diferenciada neste mistério, sendo, em Cristo, nossa intercessora por natureza.

 

Ou será que julga a Palavra de Deus eterna como julgavam os formadores de concílios, descritos abaixo?

“Proibimos os leigos de possuírem o Velho e o Novo Testamento (…) Proibimos ainda mais severamente que estes livros sejam possuídos no vernáculo popular. As casas, os mais humildes lugares de esconderijo, e mesmo os retiros subterrâneos de homens condenados por possuírem as Escrituras devem ser inteiramente destruídos. Tais homens devem ser perseguidos e caçados nas florestas e cavernas, e qualquer que os abrigar será severamente punido”.(Concílio de Tolouse, França. Assinado pelo Papa Gregório IX,1229, Canons 14:2).


Quanto a isso, lhe apresento mais um dos exemplos afins pelo qual nos mostra que o Papa Júlio III, século 16, preocupado com a dissidência católica e com o conseqüente aumento do protestantismo – apesar da atroz Inquisição criada para barrar isso -, convocou três bispos escolhidos a dedo e lhes confiou a particular missão de estudarem o problema e apresentarem soluções viáveis. Depois de algum tempo, os bispos levaram a Julio III um documento intitulado “Direções concernentes aos métodos adequados a fortificar a Igreja de Roma”. Essas conclusões dos bispos estão ainda arquivados na Biblioteca Imperial de Paris, Fólio B, número 1088, vol. 2, págs 641 a 650. A parte final dessas conclusões reza o seguinte:



“Finalmente (de todos os conselhos que bem nos pareceu dar a Vossa Santidade, deixamos para o fim o mais necessário), nisto Vossa Santidade deve pôr toda a atenção e cuidado de permitir o menos que se que possível a leitura do Evangelho, especialmente na língua vulgar, em todos os países sob vossa jurisdição. O pouco dele que se costuma ler na Missa, deve ser o suficiente; mais do que i> sso não deve ser permitido a ninguém. Enquanto os homens estiverem satisfeitos com esse pouco, os interesses de Vossa Santidade prosperarão, mas quando eles desejarem mais, tais interesses declinarão. Em suma, aquele livro (a Bíblia), mais do que qualquer outro, tem levantado contra nós esses torvelinhos e tempestades, dos quais meramente escapamos de ser totalmente destruídos. De fato, se alguém o examinar cuidadosamente, logo descobrirá o desacordo, e verá que a nossa doutrina é muitas vezes diferente da doutrina dele, e em outras é até contrária a ele; o que se o povo souber, não deixará de clamar contra nós, e seremos objetos de escárnio e ódio geral. Portanto, é necessário tirar esse livro das vistas do povo, mas com grande cuidado, para não provocar tumultos”. Assinam Bolonie, 20 Octobis 1553 – Vicentius De Durtantibus, Egidus Falceta, Gerardus Busdragus.

E mais:

No século 13, pelo Concílio de Tolouse, o mesmo que instituiu a atroz Inquisição, ficou decidido:
“Proibimos os leigos de possuírem o Velho e o Novo Testamento (…) Proibimos ainda mais severamente que estes livros sejam possuídos no vernáculo popular. As casas, os mais humildes lugares de esconderijo, e mesmo os retiros subterrâneos de homens condenados por possuírem as Escrituras devem ser inteiramente destruídos. Tais homens devem ser perseguidos e caçados nas florestas e cavernas, e qualquer que os abrigar será severamente punido”.(Concílio de Tolouse, França. Assinado pelo Papa Gregório IX,1229, Canons 14:2).

Veja também  Leitora pergunta sobre 1 tessalonicenses

 

Este teu trecho ficou tão confuso que você acabou por citar, duas vezes, o mesmo texto referente ao Concílio de Toulouse…

Antes de entrar no mérito da tua questão, gostaria de fazer uma pergunta. É curta e grossa: você se preocupa com a verossimilhança de tuas alegações, caro Waldecy? Ou você é daqueles que, no intuito de se agarrar aos seus conceitos errôneos, é capaz de mandar às favas a verossimilhança de seus argumentos?

Sim, pois, para você, a Igreja possui doutrinas anti-bíblicas e fez o que pôde para, durante séculos, esconder a Bíblia dos incautos católicos. Se é assim, você poderia me explicar o porquê da Igreja, durante toda a Idade Média:

a) ter trabalhado, e muito, para preservar a Bíblia, e

b) ter pregado a doutrina da inerrância bíblica?

Afinal, não é verossimilhante a alegação de que a Igreja, sendo adversária da Bíblia, e ensinando doutrinas sabidamente antibíblicas, tenha se esforçado tanto em preservar o livro que a delataria (inclusive, com inúmeras edições em línguas vernáculas) e que, ainda por cima, tenha incutido, no povo católico, a idéia de que esta Bíblia é inerrante.

Você concorada que a tua alegação peca pela inverossimilhança? E que, portanto, há algo de errado com ela?

Aliás, você poderia tentar me explicar o porquê desta Igreja, que já havia inventado, segundo o teu pensamento, diversas doutrinas antibíblicas simplesmente não inventou mais uma, aquela que resolveria todos os seus problemas, qual seja a doutrina de que a Bíblia pode cometer erros?

Como você vê, caro Waldecy, há muitas perguntas interessantes e eu gostaria que você tentasse respondê-las.

Passemos, então, ao mérito de tuas alegações.

A Igreja nunca proibiu a leitura da Bíblia, muito menos teve medo das Sagradas Escrituras. Não sou eu apenas que o digo, mas diversos autores protestantes de língua inglesa, que eu passo a citar numa tradução de minha autoria, advertindo que o sublinhado é sempre meu (fonte: www.biblicalcatholic.com):

“O Catolicismo Romano tem um alto respeito pelas Escrituras vendo nelas uma fonte de conhecimento… De fato, o ensinamento oficial da Igreja Católica acerca da inerrância e inspiração das Escrituras satisfariam o mais rigoroso dos fundamentalistas protestantes.”{Robert McAfee Brown, The Spirit of Protestantism, Oxford: Oxford Univ. Press, 1961, pp. 172-173}

“Nunca houve um tempo na História da Igreja ocidental durante a Idade “Média”, ou das “Trevas”, em que as Escrituras foram oficialmente degradadas. Ao contrário, elas eram consideradas infalíveis e inerrantes, e mantidas na mais alta honra.”{Peter Toon, Protestants and Catholics, Ann Arbor, MI: Servant Books, 1983, p. 39}

“A visão expressa por Agostinho foi a visão crida e propagada pela Igreja Católica no decorrer dos séculos… Pode-se dizer que a Igreja Romana, por mais de mil anos, aceitou a doutrina da infalibilidade de toda a Escritura… A Igreja (através dos Padres, teólogos e papas) ensinou a inerrância bíblica… A Igreja Romana manteve uma visão das Escrituras que em nada difere daquela tida pelos Reformadores”. {Harold Lindsell}

Veja, agora, um trecho católico anterior à Reforma protestante, que, no meu entender, seria suficiente para encerrar a questão:

Todos os cristãos devem ler a Bíblia com piedade e reverância, rezando para que o Espírito Santo, que inpirou as Escrituras, capicite-os a entendê-las… Os que puderem devem fazer uso da versão latina de São Jerônimo; mas os que não puderem e as pessoas simples, leigos ou do clero…devem ler a versão alemã de que agora se dimpõe, e, assim, armarem-se contra o inimigo de nossa salvação” (The publisher of the Cologne Bible [1480] )

 

Como você vê, o argumento de que a Igreja foi contrária à Bíblia é não somente inverossimilhante, mas não possui nenhum embasamento histórico. Mas, o que dizer, então, do Concílio de Toulouse por você acima citado. Segundo a Catholic Encyclopedia, os cânons do Concílio de Toulouse referiam-se, apenas e tão somente, à região da Catária, na qual os Cátaros estavam fazendo enormes agitações. Tratou-se de uma determinação de cunho local, de natureza disciplinar e temporária, aliás, na minha opinião, muitíssimo acertada tendo em vista a salvação eterna das almas daqueles que se expunham às heresias dos Cátaros.

E nem poderia ser diferente, uma vez que o Concílio de Toulouse não foi um concílio universal, mas regional. Desta forma, não poderia, por definição, impôr qualquer coisa aos fiéis de toda a Igreja. Portanto, afirmar que, por meio deste concílio, a Igreja proibiu os fiéis de lerem a Bíblia ou é má-fé, ou é desconhecimento puro e simples do catolicismo.

Relativamente àa mensagem enviada ao Papa Júlio III, esta parece ser a assertiva da moda entre os protestantes. Num curto espaço de tempo, você já é o terceiro a me sair com esta. Tanto que, curiosamente, por uma destas coincidências da vida, eu mesmo já publiquei, uma resposta a este argumento aqui no Espaço do Leitor. Para não repetí-la, leia o nosso “A Igreja Proibiu a Leitura da Bíblia”?

 



Então, meu caro Meu caro amigo, não há como tentar desmentir que o catolicismo sempre procurou esconder a Bíblia, pois se isso ocorresse, como aconteceu, o povo devagar passaria a tomar conhecimento – como eu – de que não passam de misticismos o tal Purgatório, o desrespeito aos sábados de Deus, a insensata e até insana proliferação de ícones terrestres e celestes para veneração e culto, o Limbo, a utilidade da reza pelos mortos, a intermediação de homens e de mulheres santificados pelos próprios homens, nos quais se inclui o maior dos mitos católicos, Maria tão misticada, pois a proibição de se ler a Palavra de Deus está registrada no Concílio de Toulouse. O clero só intensificou um pouco a leitura da Bíblia nas últimas décadas, porque estava e ainda está havendo um êxodo cada vez maior para as ordens evangélicas, às quais os clérigos ainda teimam em chamar de seitas protestantes. Mas agora eles têm um trabalhão danado para tentar justificar seus erros. Já li até inserções que tentam invalidar a palavra bíblica COABITAR.

Com relação a temas como purgatório, sábado, culto aos santos, etc., convido-o a ler os inúmeros textos já publicados no próprio VS. Leia-os e, então, articule argumentos para que os possamos rebater.

Com relação à afirmação de que o clero somente começou a ler a Bíblia nas últimas décadas, só posso dizer que ou a mesma é uma simples piada da tua parte ou, então, estarei de frente à mais gratuita e das afirmações que já li. Foram os padres que, durante estes dois mil anos de história, mantiveram a Bíblia, preservaram-na, copiaram-na e ensinaram-na. Os maiores teólogos do mundo (admirados inclusive por protestantes) saíram de dentro do clero católico (sempre baseando as suas teologias na Bíblia). Muitos dos maiores santos de que se têm notícias também foram padres, sendo que a espiritualidade dos mesmos é profundamente marcada pela Bíblia.

Esta tua afirmação, caro Waldecy, não é passível de maiores comentários. É passível apenas de lamentos…



Pela palavra coabitar, lendo o texto por inteiro, Mateus 1.18 a 21, qualquer um que medita entenderá perfeitamente que José tentou abandonar sua amada, pois notou que sua barriga crescia MESMO ANTES DE COABITAREM. A Palavra de Deus aí é clara quanto ao futuro relacionamento conjugal dos dois, pois registra claramente a palavra ESPOSA.

Uai! Esta foi boa! O fato que Maria e José coabitaram não é negado por ninguém. Isto, no entanto, não implica em relações sexuais. Não há qualquer relação de causa e efeito entre as duas coisas.


Meu caro amigo Meu caro amigo, MARIA FOI A DILETA ESPOSA DO CARPINTEIRO JOSÉ, COABITARAM, TIVERAM AS RELAÇÕES SEXUAIS NORMAIS DO SANTO CASAMENTO, POSSIVELMENTE TIVERAM FILHOS E ISSO TUDO INVALIDA A GRANDE MENTIRA QUE SE FORMOU EM TORNO DESSA SANTA POBRE MULHER, pois se ela pudesse se comunicar aos homens, hoje lhes diria: “Satanás, sempre ladino e astucioso, conseguiu vencer os santos e por eles, já corrompidos, conseguiu fazer de mim um mito de grandes proporções, que se tornou um cancro entre os cristãos, pois foi o maior veículo de forte desrespeito ao Primeiro Mandamento da Lei de Deus. Jesus Cristo já vos deixou escrito que João Batista é o maior ser nascido na Terra que está nos céus, e só isso já invalida todos esses misticismos criados em torno dessa humilde serva de Deus. Parem com tudo isso; quebrem minhas estátuas e destruam os terços e rosários das repetições inúteis, pois o próprio Jesus já vos declarou que Ele é o único a quem devem pedir intermediação perante o Pai”.

De onde, pois, Waldecy, você sabe o que Maria diria aos homens de hoje? Desculpe, mas é muita pretensão de tua parte. A peça acima representa, apenas e tão somente, o que VOCÊ diria aos homens de hoje, e nada mais. Ocorre que você acha (mais um achismo de tua parte) que a TUA opinião representa a verdade cristã. A TUA doutrina não pode estar errada, pois você se acha inspirado pelo Espírito Santo.

E, no entanto, você não pode me apresentar qualquer garantia de que o Paráclito te inspira. E, nesta esteira, não pode me apresentar qualquer garantia de que Maria diria, aos homens, aquilo que você acha que ela diria.

Quer um exemplo de como a tua crença numa inspiração pessoal do Espírito Santo é muito pouco confiável? No texto acima, você usa o argumento (no teu entender, demolidor) segundo o qual o maior ser nascido na Terra é João Batista. Posso comentar esta tua última tentativa?

O Evangelho de Lucas é muito claro ao dizer que, bastou João Batista ouvir a saudação de Maria para pular de alegria, exultando no seio de sua mãe (Lc 1, 40-44). Maria é tão superior a João Batista que este se alegra e exulta com a simples saudação daquela.

Sabe por que, Waldecy? Porque o mistério de Maria é muitíssimo mais excelso do que o de João Batista. João não era digno de desastar os nós das sandálias de Jesus, mas Maria foi digna de gerá-lO, carregá-lO em seu ventre, dar-lhe à luz e amamentá-lO. João era, ainda, um filho de Adão, gravado pelo pecado original. Maria inaugura a Nova Humanidade, livre de todo o pecado.

Maria, portanto, é maior do que João, o maior dos filhos de Adão.

O Espírito Santo não te mostrou isto.

É uma pena…

Que esta mesma Maria interceda por ti, e obtenha, para ti, o perdão do gravíssimo pecado de desrespeitar a Mãe do Salvador.

Alexandre.