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O Vaticano II é um Concílio ecumênico. como assim, “ecumênico”?

Olá Equipe do Veritatis !!!
Primeiro gostaria de parabenizá-los pelo seu belo trabalho de dar as pessoas um reto e claro ensinamento sobre nossa santa Igreja, fora da qual Não Há Salvação.

Minha dúvida é esta:
Pelo que eu li em algum lugar existe um dogma antigo chamado:”EXTRA ECCLESIAM NULLA SALLUS”( FORA DA IGREJA NÃO HÁ SALVAÇÃO).E  recentemente o nosso querido Papa Bento XVI reafirmou que a Igreja Católica Católica Apostólica Romana ” Ë a ÚNICA DE CRISTO”.Eu não discordo de jeito nenhum, já que foi a Igreja Católica Romana A igreja fundada por Cristo sobre Pedro: ”Eis que tú és Pedro e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do Inferno (Igrejas Protestantes), não prevalecerão sobre ela”.

Mas me veio em mente a Seguinte Dúvida :
Sendo a Igreja Católica Romana a Igreja de Cristo, disso não me resta a menor dúvida, e sendo o concílio Vaticano Segundo ECUMÊNICO, gostaria de saber o seguinte:

Por que a nossa amada Igreja permitiu o ”intrometimento” de outras ideologias de outras “”religiões””, através do ecumenismo nele presente, se já está claro e reafirmado que essas seitas estão todas condenadas.

Por que um concílio Ecumênico, se as  seitas estão condenadas ???

Por que aceitar os HEREGES ???

Isso me deixa em graves dúvidas em relação ao concilio Vaticano Segundo , não que eu esteja contestando ele , pois todo que contesta a Santa Igreja é herege e apóstata(assim como Lutero e seus heréticos Protestantes), só quero compreender melhor essa posição Ecumênica da Igreja.

In Corde Mariae.
Arnaldo F. V. Neto.


Caríssimo sr. Arnaldo,

Agradeço muito sua mensagem e peço seu perdão pela demora em responder.

Ante de tudo, o senhor faz uma pequena confusão. Concílio ecumênico não significa concílio com participação de protestantes, mas simplesmente um sínodo universal. “Ecumênico” quer dizer “geral”, “universal”. Assim, o Vaticano II foi o vigésimo-primeiro concílio ecumênico, tendo se iniciado a série dos mesmos em Nicéia, no ano 325. Constantinopla, Éfeso, Calcedônia, Lião, Latrão, Florença, Vaticano I e até Trento foram concílios ecumênicos.

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Não é a participação de protestantes ou cismáticos orientais que dá ao concílio ecumenicidade. O concílio ecumênico é da Igreja Católica, não desta com os hereges.

Assim, o Vaticano II é ecumênico porque foi um concílio universal, com a participação de todos os Bispos do mundo, e aprovado pelo Papa como tal. Esse é o sentido de ecumênico, entendeu?

De outra sorte, além disso, o Vaticano II contou com observadores hereges e cismáticos. Mas isso não é “privilégio” do Concílio. Pelo contrário! Quase todos os concílios ecumênicos pediram que os hereges a eles se dirigissem, para que a Igreja fizesse os esclarecimentos necessários de doutrina e moral, e, assim, pelo diálogo, os reconduzisse à unidade. Trento mesmo, que os alguns tradicionalistas radicais parecem elevar à categoria de “super-concílio”, não só convidou os protestantes, como lhes deu salvo-conduto! Ao Vaticano I, no século XIX, o Papa Beato Pio IX convidou os protestantes e os cismáticos orientais!

Nunca, entretanto, eles foram convidados como delegados, e sim como observadores. No Vaticano II da mesma forma: não votaram, não trabalharam no desenvolvimento da doutrina, apenas lá estiveram para ver, de perto, a Igreja Católica, e aprender a doutrina, com vistas à sua conversão.

O tema do Vaticano II é riquíssimo, e, pelas polêmicas de nosso tempo, algo complexo. Por favor, visite o nosso site e leia todos os artigos postados sobre o assunto, em nosso dossiê: http://www.veritatis.com.br/article/4362

Além disso, é preciso entender que o ecumenismo verdadeiro, no sentido de diálogo com os hereges e cismáticos, não visa a instalar um regime de irenismo, como se todos fossem bons e iguais. Pelo contrário, o legítimo ecumenismo é um debate franco com os hereges e cismáticos, com vistas a desfazer possíveis mal-entendidos e trazê-los de volta à Igreja. Isso o Vaticano II reafirmou: se dialogamos e respeitamos, é para a conversão dos irmãos separados!

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Em Cristo,