Foi o título de "Pai" ("Padre") que forjou o termo "patrologia", depois, o de  "patrística"dois termos vizinhos, mas que tendem a distinguir-se. O criador do termo  "patrologia" foi o luterano J. Gerhard (1637) em seu estudo póstumo "Patrologia sive de primitivae ecclesiae christianae doctorum vita ac lucubrationibus opusculum" aparecido em Jena em 1653; o livro vai de Hermas a Belarmino.


I. Significado dos termos. 1) O termo "patrologia" quer expressar sobretudo o estudo histórico e literário (vida e obras) dos escritores antigos. Certo número de historiadores, a fim de incluir todos os autores da Igreja, sejam ortodoxos sejam heterodoxos, preferem falar de "História da literatura cristã" (Harnnack) ou "eclesiástica" (Berdenhewer), título adotado por numerosas obras contemporâneas, de origem e tendências diversas (Batiffol, Puech, Labriolle, Bardy, Moricca, Pellegrino). Na origem, "patrística" era um adjetivo, subentendendo teologia. Apareceu no século XVII entre os teólogos luteranos e católicos, que distinguiam a teologia em "bíblica, patrística, escolástica, simbólica, especulativa". Aqueles que hoje lhe dão preferência estudam as idéias e as doutrinas mais do que o aspecto filológico e literário. Basta folhear as novas edições dos textos patrísticos, como as Sources chrétienes, para perceber esta mudança. 2) Os antigos não traçaram uma fronteira rígida entre a antiguidade cristã e a Idade Média; com facilidade deram eles o nome de "Padres" aos escritores posteriores, como no caso das antigas Bibliothecae Patrum, que vão até o séc. XV e XVI. Até mesmo Mabillon ainda considera S. Bernado como "o último Padre". Migne seguiu este exemplo em sua Patrologia (para grande desespero de J.B. Pitra). Os modernos fixam limites mais precisos. Para eles em geral os Padres terminaram com Gregório Magno ou Isidoro de Sevilha para os latinos, com João Damasceno para os gregos. Alguns desejam incluir também Beda o Venerável e o Bizantinismo.


(trecho retirado da obra DICIONÁRIO PATRÍSTICO E DE ANTIGUIDADES CRISTÃS/Tradução de Cristina Andrade; organizado por Angelo Di Berardino. – Petrópolis, RJ: Vozes, 2002. Verb. PATROLOGIA – PATRÍTICA. Pg 1103).

 

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