Respostas Católicas

Se jesus mandou orar no segredo, por que ele orou publicamente e a igreja assim o faz?

– Como vocês podem solucionar esta contradição da Bíblia? Jesus disse: “Quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora ao teu Pai que está no escondido” (Mateus 6,6); no entanto, Ele mesmo orou publicamente com os seus discípulos (Mateus 6,9) e os cristãos, em seus cultos públicos, também fazem orações. (Anônimo)

Jesus fez essa observação no contexto de uma certa espécie de piedade farisaica. Não se pode ignorar este contexto, centralizando-se apenas nestas suas palavras. Fazer isso seria praticar um literalismo tão crú que nenhum fundamentalista teria coragem de aceitar.

Em Mateus 6,1, Cristo declara um princípio, que Ele ilustra fazendo uso de três exemplos, um dos quais inclui este seu comentário sobre a oração. O princípio é: “Não sejam praticados atos justos somente para que as pessoas possam vê-los”. Em outras palavras, não se deve fazer boas ações apenas para receber de outros prestígio e elogios pessoais.

Os exemplos que Jesus emprega são retirados de três expressões características da piedade judaica: esmola, oração e jejum. Em cada caso, Jesus faz uso da hipérbole para alcançar o seu objetivo. Isto fica bem claro quando se refere à esmola, que obviamente não tem como ser interpretado literalmente: “Não deixe que sua mão esquerda saiba o que a sua mão direita está fazendo” (Mateus 6,3).

O verdadeiro e claro significado do ensinamento de Cristo encontra-se, porém, no versículo anterior: “Quando deres esmola, não mandes tocar a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem elogiados pelos outros” (Mateus 6,2).

De maneira similar, quando Cristo fala da oração em segredo, ele quer quer seus discípulos evitem se exibirem enquanto oram: “Quando orardes, não sejais como os hipócritas, que gostam de orar nas sinagogas e nas esquinas das praças, para serem vistos pelos outros” (Mateus 6,5). Note-se, então, o motivo pelo qual os hipócritas oram: “para serem vistos pelos outros”.

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