Extratos

Sentenças dos Padres da Igreja sobre a procedência do Espírito Santo

Vejamos algumas sentenças sobre a procedência e relação do Espírito Santo com o Pai e Filho, refletidos no Dogma da S. S. Trindade. Vindas de XII grandes figuras da Igreja, desde o II século até o séc. VII. Dentre estes alguns notáveis teólogos e Padres da Igreja do oriente e ocidente.

Atenágoras de Atenas

“Nós, porém, homens que consideramos a vida presente de curta duração e de mínima estima, que nos dirigimos pelo único desejo de conhecer o Deus verdadeiro e o Verbo que dele procede – qual é a comunicação do Pai com o Filho, que coisa é o Espírito, qual é a união de tão grandes realidades, qual a distinção dos assim unidos, do Espírito, do Filho e do Pai-;” (Petição em Favor dos Cristãos; Capítulo XII Atenágoras de Atenas).

S. Basílio de Cesareia

“Espírito de verdade (aletheia), Espírito de adoção, no qual clamamos Abba, Pai; que distribui e opera os dons de Deus em cada um conforme convém, conforme lhe apraz; que ensina e sugere tudo o que ouviu do Filho; que é bom, guiando cada um em toda a verdade (aletheia) e fortificando os fiéis na fé segura, na confissão exata, no culto santo e na adoração em espírito (pneuma) e verdade (aletheia), de Deus Pai, de seu Filho único, nosso Deus e Senhor Jesus Cristo, e dele mesmo.” (S. Basílio de Cesaréia, Profissão de fé;).

Dídimo de Alexandria.

“Ele não falará sem mim e sem a decisão do Pai, porque Ele não tem origem em si, mas é do Pai e de mim. Pois o que Ele é como subsistência e como palavra, Ele o é pelo Pai e por mim” (Dídimo de Alexandria, professava, comentando palavras de Jesus: De Spiritu Sancto 34).

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S. Epifânio de Salamina.    

“É preciso crer, a respeito de Cristo, que Ele vem do Pai, é Deus proveniente de Deus, e, a respeito do Espírito, que Ele provém do Cristo, ou, melhor; de ambos, pois Cristo disse: ‘…Ele procede do Pai’ e ‘receberá do meu'” (S. Epifânio de Salamina: Ancoratus 67).

“Já que o Pai chama Filho o que procede do Pai e Espírito Santo o que provém de ambos,… fica sabendo que o Espírito Santo é a luz que vem do Pai e do Filho” (S. Epifânio de Salamina: Ancoratus 71).

São Gregório de Tours

“Eu acredito que o Espírito Santo procedeu do Pai e do Filho, que não lhes é inferior, que não é verdade que não tenha existido antes, mas que é igual a ambos, e que, sempre coeterno com o Pai e o Filho, é Deus […]” (História dos Francos – Livro I; Prefácio; São Gregório de Tours).

São Gelásio I de Roma

“Quanto ao Espírito Santo, não proveio apenas do Pai ou apenas do Filho, mas do Pai e do Filho; por isso está escrito: “Ele deleitou-se no mundo, o Espírito do Pai não está nele”; e novamente: “Entretanto, todo aquele que não possui o Espírito de Cristo, não lhe pertence”. Assim, compreende-se que o Espírito Santo seja referido como provindo do Pai e do Filho, sendo que o próprio Filho, no Evangelho, diz que o Espírito Santo “procede do Pai” e “por Mim Ele é aceito e anunciado a vós”.” (Decreto Gelasiano; Cap. I; 3; São Gelásio I de Roma:).

Santo Atanasio de Alexandria.

“A respeito do Espírito, que procede do Pai e que, sendo próprio do Filho, vem dado por este a seus discípulos e a todos os que crêem nele.” (Carta de Santo Atanásio a Serapião; Sobre a Divindade do Espírito Santo.)

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São Cirilo de Alexandria.

“Espírito é o Espírito de Deus Pai e, ao mesmo tempo, Espírito do Filho, saindo substancialmente de ambos simultaneamente, isto é, derramado pelo Pai a partir do Filho” (S. Cirilo de Alexandria , De adoratione, livro I, PG 68,148).

Santo Agostinho de Hipona

“O Espírito Santo procede do Pai a título de princípio (principaliter), e, pelo dom intemporal do Pai ao Filho, procede do Pai e do Filho em comunhão (communiter)” (Santo Agostinho, De Trinitate XV 25,47).

Boécio de Roma

“Pois é uma regra básica a de que as distinções em realidades incorpóreas são estabelecidas por diferenças e não por separação espacial. Não se pode dizer que Deus se tornou Pai pelo acréscimo de algo; pois Ele nunca começou a ser Pai, já que a produção do Filho pertence à sua própria substância; embora o predicado Pai, enquanto tal seja relativo. E se nos lembramos de todas as proposições feitas sobre Deus na discussão prévia, devemos admitir que Deus Filho procede de Deus Pai e Deus Espírito Santo de ambos e que eles não podem ser espacialmente diferentes por serem incorpóreos. Mas já que o Pai é Deus, o Filho é Deus e o Espírito Santo é Deus, e já que em Deus não há pontos de diferença que o distingam de Deus, Ele não difere dEles. Mas onde não há diferença, não há pluralidade; e onde não há pluralidade, há unidade. E, novamente, nada senão Deus pode ser gerado por Deus e, na realidade numerada, a repetição da unidade não produz pluralidade. E assim a unidade dos três está convenientemente estabelecida.” (Da Trindade; Cap. V; Boécio;).

São Leão Magno

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“É verdade que, conforme as propriedades das Pessoas, um é o Pai, outro o Filho, outro o Espírito Santo, mas não há divindade diferente, natureza distinta. Assim como o Filho precede do Pai, igualmente o Espírito Santo é Espírito do Pai e do Filho.” (Sermão Sobre Pentecostes: São Leão Magno;).

São João Damasceno.

“O Espírito Santo provém das duas Pessoas simultaneamente” (S. João Damasceno, De recta fide 21, PG 76,1408).