Espaço do Leitor

Vasectomia em respeito a humanidade?

Paz e Bem.

Vasectomia em respeito a humanidade.

Sou católico apostolólico romano deste que nasci. Por um tempo abandonei minha religião, naquelas loucuras de adolescente mau resolvido na vida, que vai de um canto a outro em busca de respostas para os dilemas da vida.

Mas passou, e graças a minha amada esposa voltei ao seio de nossa santa amada igreja. Hoje me considero um bom católico: vou a missa aos domingos, participo dos movimentos (ECC e outros) por ela realizados, além de estudar mais sobre o cristianismo.

A dois anos, tivemos um novo filho (já temos uma linda menina) e durante o parte, minha mulher solicitou ao médico a laqueadura. Como eu me encontrava na sala não permiti.

Em compensação, a seis meses atrás me submeti a uma vasectomia. Por que fiz isso? Por que não gostava de ver minha esposa tomando pílulas, que a deixavam nervosa,  por que não gostaria que ela condenasse sua alma, mas, principalmente, por que não quero que meus filhos sofram com os problemas ambientais que surgem em nosso planeta.

O planeta já se encontra abarrotado de gente, por que pessoas têm filhos de maneira descompensada com a quantidade de recursos existentes. Sei que se a riqueza fosse melhor dividida a coisa seria diferente, mas a força do capital é muito forte e não acredito nessa posibilidade.

Sei que cometi um pecado mortal, mas, acredito que o perdão de Deus é maior que o dos homens, e espero que ele saiba compreender meus motivos e me perdoar.

Abraços fraternos
Carlos Miranda

Caríssimo sr. Carlos Miranda, paz e bem! Agradecemos o contato e a vossa confiança em nosso apostolado, pedimos que siga sempre encomendando este trabalho em vossas orações.

Como o sr. mesmo admite, cometeu um ato gravíssimo ao se submeter voluntáriamente a uma multilação de vossa capacidade fertilizadora, completamente desnecessária, diga-se de passagem. Não existem casos em que a realização de uma esterilização torne-se justificável simplesmente porque a fertilidade humana não é uma doença.

Mas o que é de se pesar mesmo são os motivos citados pelo sr. para justificar tal prática, que se baseiam em meias verdades e mentiras completas, infelizmente muito divulgado por alarmistas pouco amantes da veracidade que confundem a muitos.

A realidade é dura e contráriamente outra, caríssimo sr. Carlos, vivemos como nunca antes na história da humanidade o que os especialistas chamam de “inverno demográfico”, uma diminuição súbita e desesperadora de natalidade que ameaça continentes inteiros, e sem dúvida, especialmente os mais pobres como a América do Sul. Atualmente 4 em cada 9 pessoas vivem em países com população em queda, e a estimativa da ONU é que em 2025 a natalidade humana será negativa. Caminhamos em direção a um suicídio coletivo e já podemos ver seus efeitos: países com problemas de migração, com sistemas de aposentadoria completamente comprometidas devida a escassez de mão-de-obra jovem, com proporção de anciãos cada vez maior etc.

Veja que na última pesquisa do IBGE a taxa de natalidade do brasileiro não passou de 2 filhos por casal, o que é insuficiente para se quer repor a população atual. Enquanto o Japão possui 300 pessoas por km2, a América Latina possui apenas 20. Já vivíamos num continente despovoado, e pelas atuais perspectivas temos ainda menos esperanças de crescimento. Isto é uma péssima notícia!

Infelizmente os inimigos da vida e promotores da cultura da morte espalhados especialmente nos meios de comunicação de massa parecem ignorar esses dados e continuam a sugerir um excesso de contigente humano no mundo. Isso é um absurdo e uma irresponsabilidade total.

É verdade que houve um incremento populacional no pós-guerra, mas isso não se deu porque os seres humanos tiveram mais filhos, mas pelo aumento na qualidade de vida e de recursos médicos e alimentares disseminados pelo mundo. A verdade é que a população aumentou no pós-guerra porque as pessoas começaram a viver mais. E é preciso entender que este aumento se deu em primeiro lugar pelo aumento da esperança de vida e depois pelo desenvolvimento econômico, que aliás só pode acontecer com a existência de humanos, que consomem recursos, mas que também produzem recursos e possuem uma inteligência capaz de resolver problemas, quais sejam.

A diminuição na taxa de natalidade mundial é a maior prova de falta de fé, de esperança e de caridade por qual a nossa débil humanidade enfrenta.

Por isso caríssimo sr. Carlos, não julgamos a vossa intenção, mas a vossa vasectomia não ajudou em nada a humanidade.

O sr. e vossa esposa, como bons católicos que dizem ser, poderiam resolver todos os vossos problemas citados se adotassem um comportamento sexual de acordo com a moralidade e com os ditâmes do sacramento do matrimônio, sem pílulas (estamos de acordo que é um mal para a saúde da mulher), sem perigos para as vossas almas, se simplesmente mantivessem continência nos períodos férteis de vosso casamento, que não passam de 12 vezes por ano, cerca de 5 dias em cada período (se não pudessem ter outros filhos por motivos sérios e graves). O método de ovulação Billings está aí para ser conhecido e praticado para que qualquer casal possa reconhecer tais períodos férteis na intenção de espaçar o nascimento de filhos com 99% de eficácia. Porque se amanhã ou depois se apresenta em vossa família condições favoráveis para se ter mais filhos, por que não se abrir em generosidade para tê-los?

Não temos o direito de usufruir da sexualidade fechando artificialmente as fontes da vida, isso é egoísmo e nada tem de cristão. Veja, quando Deus criou o homem e a mulher e os dotou de faculdades sexuais, o fez para os tornar cooperadores de sua criação, através da união e da procriação. O uso de contraceptivos ou de esterilização faz do homem um cooperador de sí mesmo alterando gravemente a ordem natural presente no ser humano, desrespeitando os processos originais biológicos da geração.

Mas, como o sr. mesmo afirmou, temos uma religião que nos redime e não nos encerra em nossas próprias faltas. Aquele que nos ordenou perdoar 70 vezes 7 está pronto para nos perdoar infinitamente desde que tenhamos uma contrição verdadeira pelas nossas faltas e desejemos uma mudança de vida. Não será necessário que refaça vossa cirurgia mas que se comprometa a uma vida nova de conversão e crescimento espiritual, de profunda amizade com Cristo e participação dos sacramentos constante.

Segue abaixo algumas boas referências de estudo que circundam sobre o tema para maior análise:
http://www.veritatis.com.br/article/4013/
http://www.veritatis.com.br/article/2393/
http://www.veritatis.com.br/article/4486/
http://www.veritatis.com.br/article/4539/
http://www.veritatis.com.br/article/4335/

Esperamos ter sido úteis em Cristo Jesus.

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