Autor: Charles the Hammer

Os Reformadores diziam que a Bíblia era a única fonte de verdade religiosa e a sua compreensão deveria ser buscada apenas nas palavras do Texto. Esta é a teoria protestante da “Sola Scriptura” (expressão latina que significa “Apenas pela Bíblia”), normalmente chamada de “Somente a Bíblia”. Conforme esta teoria, nenhuma autoridade externa [à própria Bíblia] pode impor uma interpretação [oficial] e nenhuma autoridade externa – como a Igreja -, foi estabelecida por Cristo como árbitra nos conflitos de interpretação.

OBJEÇÃO 1 – A ESCRITURA APONTA A INTENÇÃO DOS APÓSTOLOS

A intenção dos Apóstolos era simples: pregar verbalmente a Palavra de Deus. Esta é a razão pela qual apenas dois dos doze Apóstolos de Cristo nos deixaram evangelhos escritos. São Paulo diz que a nossa fé vem pelo OUVIDO (isto é, pelo ensino oral). São Paulo não disse, nem jamais teve a intenção de dizer, que a fé nos vem pela leitura de qualquer livro ou coleção de livros. Talvez seja por isso que ele mesmo não redigiu um evangelho. É lógico que isto deveria ser óbvio para qualquer leitor da Bíblia: Cristo manda seus Apóstolos “pregarem” e “ensinarem”; EM NENHUM LUGAR Ele diz para “escrever” ou “ler [apenas]”. Provavelmente essa seja a razão de Cristo ter estabelecido a Igreja ao invés de um livro. Se os autores do Novo Testamento acreditavam na “Sola Scriptura”, por que eles apontam algumas vezes para a Tradição oral como norma de autoridade e também como Palavra de Deus? (cf. Mateus 2,23; 23,2; 1Coríntios 10,4; 1Pedro 3,19; Judas 1,9.14-15).

– “Para isto, é necessário que permaneçais fundados e firmes na fé, inabaláveis na esperança do Evangelho que OUVISTES, que foi PREGADO a toda criatura que há debaixo do céu, e do qual eu, Paulo, fui constituído ministro” (Colossenses 1,23).

– “Logo, a fé provém da PREGAÇÃO e a PREGAÇÃO se exerce em razão da palavra de Cristo. Pergunto, agora: Acaso não OUVIRAM? Claro que sim! Por toda a terra correu a sua VOZ, e até os confins do mundo foram as suas palavras” (Romanos 10,17-18).

OBJEÇÃO 2 – A ESCRITURA MANDA-NOS SEGUIR TRADIÇÕES NÃO-ESCRITAS

Por óbvio, isto significa que a “Sola Scriptura” não soa como premissa bíblica. Se temos que seguir a Palavra não-escrita, então a Palavra escrita não pode ser suficiente por si própria.

– “Assim, pois, irmãos, FICAI FIRMES e CONSERVAI as TRADIÇÕES que de nós aprendestes, seja por PALAVRAS, seja por carta nossa” (2Tessalonicenses 2,15).

– “Eu vos felicito, irmãos, porque em tudo vos lembrais de mim, e guardais as minhas INSTRUÇÕES (=o texto grego diz: guardais as minhas TRADIÇÕES), tais como eu vo-las transmiti” (1Coríntios 11,2).

– “O que de mim OUVISTE em presença de muitas testemunhas, confia-o a homens fiéis que, por sua vez, sejam capazes de INSTRUIR a outros” (2Timóteo 2,2).

– Por Ele sereis salvos, se o conservardes na MEMÓRIA como vo-lo PREGUEI (=ensino oral, não escrito). De outra forma, em vão teríeis abraçado a fé” (1Coríntios 15,2).

OBJEÇÃO 3 – COMO SE EXPLICA ISTO?

– Onde [na Bíblia] Jesus instrui os cristãos de que a fé deveria ser exclusivamente baseada em um livro?

– Onde Jesus manda seus Apóstolos escreverem Evangelhos ou ensinarem [apenas] por Cartas?

– Onde, no Novo Testamento, os Apóstolos falam para as gerações futuras que a Fé Cristã deverá se basear em um livro?

– Se acreditamos que os Apóstolos tinham a intenção de fazer com que a Igreja cristã se baseasse em um livro, como seu guia espiritual, por que dos catorze Apóstolos (incluindo aqui também Paulo e Matias) apenas dois nos deixaram Evangelhos [escritos]? E por que sete deles não nos deixaram absolutamente nenhuma obra escrita?

– Como o Apóstolo Tomé poderia ter estabelecido a Igreja na Índia, que sobrevive até hoje (estando atualmente em comunhão com a Igreja Católica) sem ter deixado para eles uma única palavra das Escrituras do Novo Testamento?

– Se Deus queria que o Cristianismo fosse exclusivamente uma “religião do Livro”, por que Ele aguardou 1400 anos para suscitar alguém que inventasse a imprensa?

– Se a Bíblia é tão clara como Martinho Lutero afirmou, por que ele foi o primeiro a interpretar assim e por que ele ficou frustrado ao fim da sua vida, afirmando que “existem agora tantas doutrinas quantas são as cabeças”?

– Como a Igreja primitiva evangelizou e conquistou o Império Romano, sobrevivendo e prosperando por quase 350 anos, sem saber ao certo quais livros pertenciam ao cânon das Escrituras?

– Se o Cristianismo é uma “religião do Livro”, como foi que ele floresceu durante os primeiros 1500 anos de História da Igreja, quando a imensa maioria do povo era analfabeta?

É claro que os Apóstolos não dependiam de uma Bíblia cristã para instruir na religião e na moral, já que ela simplesmente não existia. Na verdade, apenas um dos Doze possivelmente pôde ter visto todos os escritos que vieram a formar o Novo Testamento: São João. E os outros Onze já tinham partido para a vida eterna quando São João escreveu o seu Evangelho, que foi declarado pela Igreja Católica como inspirado por Deus.

OBJEÇÃO 4 – A ESCRITURA RECONHECE QUE NÃO CONTÉM TUDO

O problema aqui é auto-explicativo:

– “Fez Jesus, na presença dos seus discípulos, ainda muitos outros milagres que não estão escritos neste livro” (João 20,30).

– “Jesus fez ainda muitas outras coisas. Se fossem escritas uma por uma, penso que nem o mundo inteiro poderia conter os livros que se deveriam escrever. Amém” (João 21,25)

Já foi dito [por alguém] que tudo o que se encontra registrado nos [quatro] Evangelhos só pode cobrir 18 dias da vida de Cristo. Jesus viveu 33 anos, ou seja, 33 x 365 = 12.045 dias. E quanto aos demais 12.027 dias? Cristo caminhou entre os homens e nos ofereceu cerca de 3 anos [da sua vida], isto é, 3 x 365 = 1.095 dias de pregação oral antes da sua morte. E quanto ao resto da sua pregação oral, correspondente a 1.077 dias? Cristo não prometeu que “Os céus e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão”? Onde elas estão? Onde se encontram os “escritos” de 99% da sua vida? Será que os atos e palavras de Cristo encontram-se perdidos para a Cristandade? Ora, o que resta, sem dúvida, é a SAGRADA TRADIÇÃO APOSTÓLICA! Um bom exemplo disso poderiam ser os “agrapha” (=coisas não-escritas). Os “agrapha” são palavras de Cristo que não foram escritas nos quatro Evangelhos canônicos. Alguns exemplos encontram-se dentro da própria Bíblia, em Atos 20,35 e 1Coríntios 11,24-25; e muito mais pode ser encontrado nas obras dos primeiros Padres da Igreja.

Isto nos leva para o próximo ponto: os livros que FALTAM na Bíblia. Existem 28 livros que são citados ou apontados pela Sagrada Escritura e que não mais existem. No Novo Testamento, são três livros (2 cartas e 1 profecia) que são mencionados e que estão faltando. Onde se encontram os ensinamentos desses livros? Obviamente, o conteúdo desses livros, a menção a eles feita pela Sagrada Escritura, constitui fato importante. Onde estão esses livros?

1) Uma outra Carta de Paulo aos Coríntios [anterior a 1Coríntios]: “Na minha carta vos escrevi que não tivésseis familiaridade com os impudicos. Porém, não me referia de um modo absoluto a todos os impudicos deste mundo, os avarentos, os ladrões ou os idólatras, pois neste caso deveríeis sair deste mundo” (1Coríntios 5,9-10).

2) A Carta de Paulo aos Laodicenses: “Saudai os irmãos de Laodicéia, como também a Ninfas e a igreja que está em sua casa. Uma vez lida esta carta entre vós, fazei com que ela o seja também na igreja dos laodicenses. E vós, lede a de Laodicéia” (Colossenses 4,15-16).

3) A Profecia de Henoc: “Também Henoc, que foi o oitavo patriarca depois de Adão, profetizou a respeito deles, dizendo: ‘Eis que veio o Senhor entre milhares de seus santos para julgar a todos e confundir a todos os ímpios por causa das obras de impiedade que praticaram, e por causa de todas as palavras injuriosas que eles, ímpios, têm proferido contra Deus'” (Judas 1,14-15).

OBJEÇÃO 5 – A “SOLA SCRIPTURA” É UM PREMISSA HIPÓCRITA

A melhor refutação da “Sola Scriptura” pode ser dada em uma única linha:

– Onde a Bíblia diz: “apenas a Bíblia” ou “somente a Bíblia” ou “Bíblia”?

OBJEÇÃO 6 – O QUE VEIO PRIMEIRO: O LIVRO OU A IGREJA?

A Igreja Católica começou a existir antes que uma só linha do Novo Testamento fosse escrita. Os Apóstolos pregaram sobre Cristo e sua crucificação; São Pedro converteu 3.000 judeus; o Concílio de Jerusalém se reuniu; e a lei judaica foi abrogada antes mesmo que uma só linha do Novo Testamento tivesse sido escrita. Antes de São João escrever o seu Evangelho, a Igreja Católica já celebrava o seu Jubileu de Ouro e São Paulo podia dizer que a fé de Cristo já tinha sido “proclamada por todo o mundo (então conhecido)” (cf. Romanos 1,8).

OBJEÇÃO 7 – BASTA OLHAR A BAGUNÇA QUE A “SOLA SCRIPTURA” IMPLEMENTOU NA UNIDADE CRISTÃ

Se os significados na Bíblia são tão claros, tão facilmente interpretados, e se o Espírito Santo conduz cada cristão na interpretação correta, como explicar que, de acordo com o “The Christian Sourcebook” (1986, pág. 326), existiam “21.000 denominações em 1986, com a criação de 270 novas denominações a cada ano”? Todas essas denominações são protestantes. Com efeito, em janeiro de 1997, deveriam existir mais de 28.000 denominações protestantes. Cada uma dessas denominações certamente acreditam ser o único grupo que compreende a revelação de Deus e que nenhuma outra denominação, nos últimos 2000 anos, foi capaz de encontrar o verdadeiro ensino de Jesus. Ora, por que existem mais de 28.000 denominações protestantes diferentes e milhões de indivíduos protestantes, cada um deles interpretando a Bíblia de uma maneira diferente? Quem poderia arbitrar, com autoridade, entre cristãos que afirmam estar sendo guiados pelo Espírito Santo em suas interpretações mutuamente contraditórias da Bíblia? Já que cada protestande deve admitir que a sua interpretação é falível, como pode um protestante, em sã consciência, apontar alguma heresia ou obrigar um outro cristão a aceitar uma crença em particular? Geralmente os protestantes afirmam que todos eles concordam “nas coisas essenciais”. Mas quem é capaz de decidir, com autoridade, o que é essencial e o que não é essencial na Fé Cristã? Olhemos, por exemplo, para a unidade dos Batistas: originalmente, os Batistas foram fundados por John Smith, pastor de uma igreja de Gainsborough, Lincolnshire (Inglaterra), que tinha se separado da Igreja Anglicana. Por volta de 1606, para escapar da perseguição, ele e o seu rebanho emigraram para Amsterdã. Smith morreu em 1612. Smith ensinava: apenas o batismo por imersão é válido; existe predestinação; não existe livre arbítrio, Purgatório, Sacramentos, nem perdão dos pecados; as boas obras para nada valem.

[De lá para cá, surgiram:]

1639 – Separatistas britânicos
……..1672 – Batistas do 7º Dia
……..1727 – Batistas do Livre Arbítrio
……..1770 – Batistas das Velhas Luzes
…………….1787 – Associação Geral dos Batistas Separatistas
…………….1814 – Convenção Missionária Batista
……………………1827 – Batistas Primitivos
……………………1845 – Convenção Batista do Norte
…………………………..1932 – Associação Geral das Igrejas Batistas Regulares
……………………1947 – Associação Batista Conservadora da América
……………………1950 – Conveção Batista da América
……..1770 – Batistas das Novas Luzes
…………….1780 – Batistas do Livre Arbítrio (Norte)
……………………1827 – Batistas Primitivos
……………………1910 – Convenção Batista do Norte
…………….1814 – Convenção Missionária Batista
……………………1845 – Convenção Batista do Sul
…………………………..1895 – Convenção Batista Nacional da América
………………………………….1915 – Convenção Batista Nacional dos Estados Unidos
…………………………………………1961 – Convenção Batista Progressiva
…………………………..1905 – Associação Batista Americana
……………………1895 – Convenção Batista do Norte da América
…………………………..1932 – Associação Geral das Igrejas Batistas Regulares
…………………………..1947 – Associação Batista Conservadora da América
…………………………..1950 – Convenção Batista Americana

Conforme declara o historiador protestante Friederich Paulsen, em sua premiadíssima obra “História da Educação Alemã”:

– “A Palavra de Deus não é suficiente como ‘regula fidei’ (=regra de fé), pois uma autoridade humana também acaba sendo necessária para decidir sobre questões de doutrina. Isto é o que o Lutero de 1535 diz e portanto contradiz o Lutero de 1521, que se recusava a aceitar que qualquer um sobre a terra lhe apontasse a fé, exceto que ele mesmo pudesse enxergar essa verdade na Palavra de Deus (…) O que Lutero havia lançado em 1521 contra os Papistas, para que não fossem capazes de refutá-lo a partir das Escrituras, era usado agora contra ele na sua luta contra os ‘fanáticos’ (…) Para refutar as heresias, era necessária uma regra de fé; e, mais do que isso, uma pessoa viva para decidir cada caso. No início de 1521, para que nenhuma autoridade sobre a terra pudesse prescrever a fé, a anarquia imperou (…) Isto os Reformadores também perceberam e por isso, como queriam ter uma ‘igreja’ que durasse [no tempo], não tiveram outro remédio senão implantar a sua própria autoridade para substituir a autoridade do Papa e dos Concílios. Contudo, permanecia uma questão complicada que, mesmo assim, perdurou: contra o Lutero tardio [que apelava para a autoridade] era possível sempre invocar o Lutero inicial [o rebelde] de Worms. O ponto de partida e a razão de ser de toda a Reforma era – por uma questão de princípio – o repúdio a toda autoridade humana em assuntos de fé; e após isso, encontrar Lutero instalado como Papa não resultava muito satisfatório (…) O vácuo no ensino de Lutero ainda permanece como um vácuo nos próprios princípios da igreja protestante de hoje: para eles não existirá jamais uma autoridade terrestre em assuntos de fé e, ao mesmo tempo, essa autoridade precisa existir. Esta é a contradição que subjaz na própria raiz [do Protestantismo]”.

OBJEÇÃO 8 – A ESCRITURA NÃO APONTA QUAIS LIVROS DE FATO SÃO TIDOS COMO ESCRITURAS

A “Sola Scriptura” é impossível [de ser aceita] pelo simples fato de não existir em nenhum ponto da Bíblia uma lista de quantos ou quais livros pertencem ao seu cânon. Basta apontar isso a um cristão do século IV e ele certamente concordaria neste ponto. Por exemplo, Santo Agostinho (397 d.C.), bispo de Hipona, declarou: “Eu não creria no Evangelho se a autoridade da Igreja Católica não me movesse nesse sentido” (Contra Epist. Fundam. 1,6). Santo Agostinho disse isso por uma boa razão: circulavam muitos “evangelhos”, “cartas”, “atos”, “apocalipses”, etc. apócrifos. Havia muita confusão a respeito de quais livros eram canônicos ou até mesmo escritos por autores cujos nomes eram-lhes atribuídos. O cânon do Novo Testamento foi estabelecido pelo consenso e pelas autoridades da Igreja Católica Romana.

– “Novo Testamento Apócrifo – título que se refere a mais de 100 livros escritos por autores cristãos entre os séculos II e IV. Os livros têm duas características em comum: 1. De modo geral, se assemelham aos escritos do Novo Testamento (v. Bíblia); 2. Não pertenciam nem ao cânon do Novo Testamento, nem aos escritos daqueles reconhecidos como Padres da Igreja. Esses livros foram escritos por vários motivos, inclusive para uso das seitas, como os gnósticos” (©1999, The Encarta Concise Encyclopedia).

Os gnósticos ou carpocratianos eram os seguidores de Carpoerates, um filósofo alexandrino, que apareceu durante o reinado do imperador Adriano (117-138). Os carpocratianos afirmavam que todos têm duas almas; acreditavam na transmigração das almas; sustentavam que o mundo havia sido criado por anjos; negavam a divindade de Cristo; e defendiam a prática da imoralidade como meio de união com Deus. Carpoerates também afirmava que o Antigo Testamento havia sido escrito pelo diabo.

– “Foi unicamente a Igreja Católica Romana que salvou as verdades protestantes. Pode ser bom basear-se na Bíblia, mas não haveria Bíblia se os gnósticos tivessem provado que o Antigo Testamento foi escrito pelo diabo ou tivessem inundado o mundo com os [seus] evangelhos apócrifos” (Sobre esta Pedra, por G. K. Chesterton).

Esse gnósticos (ou carpocratianos) e outros tentaram desacreditar as verdadeiras Escrituras apontando para o fato de que o mundo estava inundado por livros apócrifos, como explica Santo Atanásio (367), bispo católico romano de Alexandria:

– “Eles têm criado livros, aos quais chamam de ‘Livros das Tabelas’, em que anunciam as estrelas, às quais eles dão os nomes dos santos. E é aí que eles verdadeiramente atraem para si uma dupla reprovação: para aqueles que escreveram tais livros, pois têm se aperfeiçoado em uma ciência mentirosa e desprezível; e para aqueles que são ignorantes e humildes, pois eles se deixaram desviar pelos maus pensamentos acerca da fé corretamente estabelecida na presença de Deus, sobre a verdade e retidão” (Carta Festal de 367; ou: Chronicon Athanasianum).

A História nos conta que esses evangelhos gnósticos falsos causaram tanta confusão na Igreja Primitiva que o Cristianismo (=a Igreja Católica) foi forçado a padronizar o cânon do Novo Testamento:

– “O desenvolvimento da doutrina cristã foi em grande parte uma reação contra o gnosticismo. A formulação dos símbolos de fé, a canonização das Escrituras do Novo Testamento e a ênfase na autoridade episcopal tornaram-se necessárias em razão das afirmações gnósticas” (©1999-2000, Britannica.com).

OBJEÇÃO 9 – A BÍBLIA, TAL COMO A CONHECEMOS HOJE, NÃO EXISTIA NOS PRIMEIROS 400 ANOS

A “Sola Scriptura” não poderia ter sido pregada ou aceita pela Igreja Primitiva pelo simples fato de até meados do séc. IV a Bíblia, tal como a conhecemos hoje, NÃO EXISTIR. O intervalo de tempo entre a Ressurreição [de Jesus] e a definição do cânon do Novo Testamento em 382 d.C. é praticamente o mesmo intervalo entre a chegada do navio Mayflower na América e os nossos dias. Com efeito, já que os cristãos primitivos não definiram o Novo Testamento por quase 400 anos, como poderiam praticar a “Sola Scriptura”? [A definição do cânon] só se deu quando Santo Atanásio, “doutor da Igreja Católica e patriarca da Alexandria” (cf. ©1958, The Columbia Encyclopedia, pág. 114), escreveu sua Carta Pascal para as igrejas e monastérios da sua diocese, identificando os livros que eles deveriam incluir no seu Novo Testamento. Foi assim que o cânon do Novo Testamento de Santo Atanásio foi depois aceito pela Igreja de Roma e ratificado pelos líderes das igrejas de Hipona Régia (em 393) e de Cartago (em 397), sendo que Cartago reafirmou formalmente a aceitação desse cânon em 419.

– “O cânon ou lista dos livros aceitos para o Novo Testamento não foi aprovado pela Igreja Católica senão no séc. IV, por uma carta festiva de Santo Atanásio de Alexandria (367 d.C.), bem como por um decreto contemporâneo do Papa São Dâmaso de Roma (381)” (©1983, MacMillan Concicise Dictionary of World History, por Bruce Wetterau).

– “Em 367, Atanásio, bispo de Alexandria, no Egito, providenciou uma lista canônica de todos os livros então aceitos para o Novo Testamento. Concílios da Igreja realizados nas décadas seguintes estabeleceram sua lista como [posição] final” (©1996, Compton’s Interactive Encyclopedia).

– “O terceiro período se inicia em 325 e é marcado por pronunciamentos de autoridades, primeiramente por bispos de igrejas provinciais e, depois, por concílios ou sínodos. Em 367, Atanásio publicou uma lista de 27 livros do Novo Testamento, que corresponde ao cânon atual. Nos sínodos de Hipona Régia (393) e Cartago (397 e 419), nosso Novo Testamento de 27 livros foi aceito. Agostinho apoiou este cânon, o qual através da Vulgata veio a vigorar no Ocidente. O cânon da Igreja Oriental tornou-se, por fim, o mesmo que o da [Igreja] Ocidental” (©1965, The New Westminster Dictionary of the Bible).

– “Não foi senão em 367 d.C. que alguém encontrou um cânon idêntico ao [cânon] moderno (em uma “Carta Festal” do Bispo Atanásio [de Alexandria]) e, mesmo assim, o ‘status’ de alguns livros (p.ex.: Hebreus, Apocalipse e 1Clemente) permaneceu incerto por mais algum tempo. Até hoje não há concordância universal sobre o cânon cristão das Escrituras; os apócrifos [do Antigo Testamento] que os católicos romanos incluem são excluídos do cânon pelos protestantes” (©1985, Harper’s Bible Dictionary, pág. 154).

– “Mas na segunda metade do século IV, Atanásio no Oriente (Carta Pascal 39, de 367 d.C.) e o Concílio Regional de Roma no Ocidente (382) forneceram um cânon completo do Novo Testamento, com todos os seus 27 livros, como fizeram também os concílios regionais do norte da África e os cânons romanos do séc. IV, conforme apontado acima (para o cânon do Antigo Testamento). Após as dúvidas dos séculos IV e V atingirem o Oriente e também o Ocidente, a Igreja grega manteve o mesmo cânon do Novo Testamento que a Igreja latina. Apenas a Igreja Siríaca Nestoriana continuou rejeitando o Apocalipse e as acima-mencionadas Cartas Católicas menores [Tiago, 2Pedro, 2João, 3João, Judas]” (©1963, The Encyclopedic Dictionary of the Bible, pág. 313).

– “O cânon foi firmemente estabelecido em 367. Nessa época, Atanásio, bispo de Alexandria, escrevia a sua Carta Pascal para as igrejas e monastérios da sua diocese e identificava os livros que eles deveriam incluir nas suas Escrituras do Novo Testamento (…) O cânon de Atanásio foi amplamente aceito pela igreja de Roma (…) Seu cânon foi ratificado pelas lideranças eclesiásticas de Hipona Régia, em 393, e de Cartago, em 397. Cartago formalmente reafirmou a sua adesão ao cânon em 419” (©1996, The Bible Through the Ages).

– “Atanásio, um dos bispos de Alexandria no século IV e importante teólogo, delimitou o cânon e estabeleceu a discussão [sobre o cânon] no Oriente e no Ocidente. Por um princípio de inclusão, tanto o Apocalipse quanto [a carta aos] Hebreus (como parte integrante do ‘corpus’ paulino) foram aceitos. Os 27 livros do Novo Testamento – e somente eles – foram [depois] declarados canônicos” (©1999-2000, Britannica.com Inc.).

– “Existem mais do que essas 27 obras cristãs primitivas. A seleção dos livros do Novo Testamento que pertenceriam ao cânon foi lenta; o cânon atual aparece pela primeira vez na Carta Festal de Santo Atanásio (de 367 d.C.). Todas as maiores igrejas cristãs utilizam o mesmo cânon” (©1994, The Concise Columbia Electronic Encyclopedia, 3ª ed.).

– “Foi apenas no fim do século IV (Carta Festal nº 39, de Santo Atanásio; Concílio de Hipona, de 393; Concílio de Cartago, de 397) que as Igrejas do Oriente e do Ocidente concorreram para todos os 27 livros; desde então [esse cânon] passou a ser comumente professado por todos os maiores ramos do Cristianismo (…) A Carta Festal de Atanásio, de 369, é provavelmente a primeira lista [em sentido estrito] dos 27 livros adotados até hoje” (©2000, Eerdmans Dictionary of the Bible).

– “A Carta Festal 39 de Santo Atanásio, bispo de Alexandria, enviada em 367 para as igrejas sob a sua jurisdição, encerrava toda incerteza sobre os limites do cânon do Novo Testamento. Nessa Carta Festal (preservada em uma coleção de mensagens anuais escritas por Atanásio por ocasião da Quaresma), ele listava como canônicas os 27 livros que contém o Novo Testamento, embora ele os mencione em uma ordem diferente. Os livros do Novo Testamento, segundo a ordem atual, são: os quatro Evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João); os Atos dos Apóstolos; Romanos, 1Coríntios, 2Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, 1Tessalonicenses, 2Tessalonicenses, 1Timóteo, 2Timóteo, Tito, Filemon, Hebreus; Tiago, 1Pedro, 2Pedro, 1João, 2João, 3João, Judas; e Apocalipse” (©1997-2000, Encarta Encyclopedia).

– “Em 367 d.C., o conteúdo do Novo Testamento foi listado exatamente como o conhecemos hoje. Esse cânon foi gradualmente aceito por todos os cristãos” (©1999, World Book Interactive Encyclopedia).

– “A primeira evidência de uma lista canônica que corresponde perfeitamente àquela majoritariamente aceita pelo Novo Testamento atual foi a Carta Pascal 39 de Atanásio (367), que aponta os 27 livros do Novo Testamento” (©2001, Webster’s World Encyclopedia).

– “Encontramos os 27 documentos que correspondem ao nosso Novo Testamento atual pela primeira vez listados por Atanásio de Alexandria em 367 d.C. e, não muito tempo depois, também por Jerônimo e Agostinho no Ocidente” (©1977, The Zondervan Pictorial Bible Dictionary, pág. 584).

Você talvez queira retrucar: “Mas a própria Bíblia não afirma a sua inspiração”? Não há muitos lugares nela em que se afirme isso, ainda que implicitamente. A maioria dos livros do Antigo e do Novo Testamento, aliás, não faz nenhuma afirmação assim. De fato, nenhum escritor do Novo Testamento afirmou que ele mesmo estava ali escrevendo sob o impulso do Espírito Santo, exceto João, ao redigir o Apocalipse.

Ademais, ainda que todo livro bíblico começasse com a frase: “O que vem a seguir é um livro inspirado”, tal frase não provaria nada. O Corão afirma ser inspirado; o mesmo faz o Livro de Mórmon, assim como os livros sagrados de diversas religiões orientais. Até mesmo as obras de Mary Baker Eddy, fundadora da Ciência Cristã, e Ellen Gould White, fundadora do Adventismo do 7º Dia, afirmam que são inspirados. A mera afirmação de inspiração é insuficiente para estabelecer a boa fé de um livro.

Na verdade, os [protestantes] fundamentalistas estão certíssimos em acreditar na inspiração da Bíblia, porém sua razão para tal crença é inadequada porque o reconhecimento da inspiração da Bíblia só pode ser baseada em uma autoridade estabelecida por Deus para nos apontar que a Bíblia é inspirada. E essa autoridade é a Igreja.

E é aí onde reside o problema mais sério. Para alguns parece que faz pouca diferença saber o porquê de a Bíblia ser inspirada; basta crer que é inspirada e pronto. Mas a razão da crença de uma pessoa em sua inspiração afeta diretamente na forma como virá a interpretá-la. O católico crê na inspiração porque a Igreja o afirma – e o faz sem malabarismos – e essa mesma Igreja possui a autoridade para interpretar o texto inspirado. Os fundamentalistas creem na inspiração por razões fraquíssimas, porém eles não têm maior autoridade para interpretar do que eles próprios [individualmente considerados].

O Cardeal Newman falou sobre isso em um ensaio sobre a inspiração, publicado pela primeira vez em 1884:

– “É certo então que, se as revelações e lições da Escritura são endereçadas pessoal e praticamente a nós, então é imperativa também a presença entre nós de um expositor e juiz formal das suas palavras. É irrazoável supor que um livro tão complexo, não-sistemático, obscuro em [várias] partes, produto de tantas mentes, tempos e lugares, pudesse ser dado do Alto para nós sem a segurança de alguma autoridade, como se fosse possível, pela natureza do caso, interpretar-se a si mesmo. A inspiração garante a sua verdade, mas não a sua interpretação. Particularmente, quais são os leitores que conseguem ali distinguir satisfatoriamente sobre o que é didático e o que é histórico, o que é fato e o que é visão, o que é alegórico e o que é literal, o que é idiomático e o que é gramatical, o que é formalmente enunciado e o que realmente ocorre, o que é apenas temporário e o que é obrigação eterna? Essa é a nossa expectativa natural e é exatamente justificada pelos eventos dos três últimos séculos, em muitos países onde o exame particular do texto escriturístico prevaleceu. O dom da inspiração requer o seu complemento: o dom da infalibilidade”.

As vantagens da doutrina católica são duas:

1ª) A inspiração é realmente provada e não apenas “sentida”.

2ª) O principal fato por trás da prova – o fato de que há uma Igreja mestre e infalível – permite que qualquer um naturalmente responda ao problema proposto pelo eunuco etíope (Atos 8,31): como saber qual interpretação é a correta?

A mesma Igreja que autentica a Bíblia, que estabelece a sua inspiração, é também a autoridade encarregada por Cristo para interpretar a sua Palavra.

OBJEÇÃO 10 – AS MUITAS TRADUÇÕES DEFEITUOSAS DA ESCRITURA SAGRADA

Há muito tempo que o diabo vem brincando de modificar as traduções da Sagrada Escritura. Dois dos melhores exemplos (em inglês) é a Versão Autorizado do Rei Tiago (=”King James Version”, KJV) de 1611 e a Nova Versão Internacional [NVI].

A Versão Autorizada do Rei Tiago é notoriamente imprecisa, ainda que desde bem do início muitos protestantes eruditos de renome tenham se oposto às suas imprecisões. Em 1612, o dr. Hugh Broughton declarou:

– “A última Bíblia (=a versão do Rei Tiago de 1611) (…) causou tamanha tristeza em mim que irá me afligir enquanto eu estiver vivo, de tão mal feita que é (…) Para Sua Majestade é preferível ser destroçado em pedaços por cavalos selvagens do que consentir que com tal tradução se castigue as pobres igrejas (…) Causa-me desgosto a nova edição. Peço que seja queimada” (©1996, The Bible Through the Ages [=A Bíblia através das Idades], pág 318).

No Prefácio original da Versão do Rei Tiago de 1611, os próprios tradutores admitiram que havia muitas palavras e frases completas em hebraico e grego que eles não entenderam. Eles tiveram que ADIVINHAR seus significados:

– “MOTIVOS QUE NOS LEVAM A ENUMERAR NA MARGEM OS DIVERSOS SENTIDOS POSSÍVEIS SEGUNDO O GRAU DE PROBABILIDADE DE CADA UM – Alguns talvez não enumerariam na margem os diversos sentidos para não correrem o risco – ao mostrar de tal forma a sua incerteza – de enfraquecer a capacidade para dirimir as controvérsias que ocorrem nas Escrituras. No entanto, não cremos que seus motivos sejam válidos neste ponto (…) Pareceu bem a Deus, em sua Divina Providência, colocar palavras e frases aqui ou acolá, com tamanha dificuldade e ambiguidade – não nos pontos doutrinais que dizem respeito à salvação (pois para tal coisa a simplicidade das Escrituras está garantida), mas em assuntos de menor valia – de tal forma que ao lê-las sentimos mais temor do que confiança (…) Há muitas palavras na Escritura que apenas se encontram nela uma só vez (e não há nenhuma outra palavra que se relaciona com elas [ipax legomena] no idioma hebraico), de modo que não podemos encontrar terreno firme para comparar os diversos usos. Ademais, pode haver nomes de pássaros raros, animais, pedras preciosas etc. nos quais os próprios hebreus discordam de seu significado e, às vezes, parece que definiram isto ou aquilo mais para dizer algo do que por estarem seguros sobre o quê queriam dizer, tal como São Jerônimo menciona em alguma parte da Septuaginta. Pois bem: acaso não seria prudente anotar na margem para incentivar o leitor a pesquisar ao invés de apressadamente emitirmos conclusões ou dogmatizarmos sobre isto ou aquilo (isto é, de maneira final e absoluta)? Isto porque a incredulidade necessária para se duvidar das coisas que são evidentes não pode ser menor que a presunção de afirmar aquelas coisas que o Espírito de Deus deixou na dúvida (mesmo a juízo dos prudentes) (…) Portanto, a diversidade de significados e sentidos enumerados na margem não pode ser outra coisa senão que boa, onde o texto não é tão claro. Sim, boa e necessária; disto estamos convencidos” (Extraído do “The Translators to the Reader” [=”Dos Tradutores para o Leitor”], do Prefácio Original da Versão do Rei Tiago de 1611)

– Obs.: A conhecida “Carta Dedicatória” ao Rei Tiago I, impressa no início de muitas versões da KJV atualmente publicadas, é muitas vezes confundida com o Prefácio da tradução original. Na verdade, o verdadeiro Prefácio é uma longa seção intitulada “Dos Tradutores ao Leitor”. O texto reproduzido acima, com pontuação e ortografia modernas, foi comparado e corrigido conforme esta reimpressão da edição de 1611: “Versão do Rei Tiago de 1611, por Thomas Nelson”.

As edições da Versão Autorizada do Rei Tiago são incontáveis, mas nós precisamos mencionar algumas. Três diferentes edições apareceram em 1611; uma é conhecida como “as grandes edições do ‘SHE'”. O apelido provém do fato de que onde se deveria ler em Rute 3,16 “He [Boaz] measured six measures of barley, and laid it on her [Ruth]; and she went” (=”Ele [Boaz] mediu seis medidas de cevada e as entregou [a Rute]; e ela se foi”), o primeiro fólio substituiu o “He” (=Ele) por “She” (=Ela). Assim, as edições subsequentes passaram a reproduzir leituras diferentes, dependendo se foram baseadas no fólio “He” ou no fólio “She”.

Algumas outras edições são notáveis por seus erros de impressão. A edição de 1631 de Cambridge é conhecida como “A Bíblia Pervertida” em razão da má impressão do mandamento [“Não cometerás adultério”] que saiu como “Cometerás adultério”. Uma outra edição de Cambridge é culpada por pelo menos quatro erros grosseiros de impressão, entre eles: “filhos de Belial” ao invés de “filhos de Bala (=Bilhah)” (Gênesis 37,2); “matou dois leões como homens” ao invés de “dois homens que tinham a coragem de um leão”; e “os midianitas afligirão você com as suas esposas (=wives)” ao invés de “os midianitas afligirão você com as suas artimanhas (=wiles)”. Uma outra edição infeliz foi a de 1653, que omitiu a expressão “ou quem lhe abriu os olhos” de João 9,21 e, em Romanos 6,13, escreveu: “vossos membros como instrumentos de justiça” ao invés de “injustiça”; e outra palavra invertida ocorre novamente em 1Coríntios 6,9: “Não sabeis que os justos não herdarão o reino de Deus?”, onde se deveria ler “injustos”.

Um erro de impressão gerou polêmica, pelo menos para os puritanos. Os Apóstolos pediram que os fiéis escolhessem até sete diáconos, “aos quais nós (=”we”) iremos encarregá-los [da tarefa]” (Atos 6,3); mas os puritanos alegavam que era a palavra “vocês” (=”ye”) que se encontrava impressa [na sua KJV] ao invés de “nós” (=”we”) e, assim, empregavam este erro de impressão nos seus pontos de vista particulares acerca da indicação para o ministério. Já a declaração “os cães gostaram (=”like”) do sangue de Acab” (1Reis 22,38) ao invés de “lamberam” (=”licked”) pode suscitar gargalhada; mas “Eu nunca irei perdoar (=”forgive”) os teus preceitos” (Salmo 119,93) ao invés de “esquecer” (=”forget”) é mesmo de matar!

Várias outras edições receberam apelidos em razão dos seus erros de impressão. Uma delas, impressa em Oxford, em 1717, é chamada de “a Bíblia do Vinagre” por causa do título colocado em Lucas 20, onde se lê: “A Parábola do Vinagre”, ao invés de “dos Vinhateiros”. Uma outra, de 1795, é chamada “a Bíblia Assassina”, pois lê-se em Lucas 7,27: “Deixa que primeiro os filhos sejam assassinados (=”killed”), ao invés de “saciados” (=”filled with”).

A Nova Versão do Rei Tiago [NKJV] realiza cerca de 100.000 alterações de palavras quando comparada com a antiga versão de 1611. Existem 2.922 palavras a menos no Novo Testamento da NKJV. Com efeito, a NKJV é mais curta (no Novo Testamento) do que a antiga KJV; é quase que o mesmo número de palavras contidas em 1 e 2Pedro juntas! Na NKJV ocorrem 66 omissões da palavra “Senhor”, 51 omissões de “Deus”, 44 omissões de “arrependimento”, 50 omissões de “céu”, 23 omissões de “sangue” e os termos “demônios”, “condenação”, “Javé” e “nova aliança” são completamente omitidos.

E quanto ao termo “inferno”? A NKJV remove o termo “inferno” 23 vezes, substituindo-o por “Hades” e “Sheol”. A “Bíblia” dos Testemunhas de Jeová faz isso também, assim como a Nova Versão Internacional faz uso do mesmo estratagema. O “Webster’s New Collegiate Dictionary” define “Hades” assim:

– “O lugar subterrâneo onde se encontram os mortos na MITOLOGIA grega”.

Isso torna as coisas “mais claras”: eles transformaram o Inferno em MITOLOGIA. [Mas isso não seria de se estranhar] porque não é novidade para os leitores da KJV que ela faz 9 referências aos unicórnios e cerca de 30 aos dragões. A mitologia ali é leitura comum.

Na Nova Versão Internacional, muitos versículos INTEIROS foram removidos, vários deles passaram a figurar como nota de rodapé… São cerca de 40 ao todo!!! É interessante observar que a maioria desses versículos também foram eliminados pelos tradutores da “Tradução do Novo Mundo”, a Bíblia dos Testemunhas de Jeová.

Eis um exemplo típico, em Mateus 15:

27. Disse ela, porém: “Sim, Senhor, mas até os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus donos”.
28. [omitido] 29. Jesus saiu dali e foi para a beira do mar da Galileia. Depois subiu a um monte e se assentou.
(Nova Versão Internacional, Edição de 1978).

A NVI é severamente omissa quanto as referências à divindade de Cristo. Comparemos as seguintes frases:

 

Frases Vulgata (Dhoay-Reims) NVI
“Senhor Jesus Cristo” 84 60
“Senhor Jesus” 115 101
“Jesus Cristo” 187 132
“o Filho de Deus” 45 39

 

Ademais, essas duas Bíblias – a KJV e a NVI – não concordam entre si. Se duas passagens são discordantes, qual está errada? Ou será que ambas estão erradas? Porém, ambas afirmam que você não pode acrescentar ou tirar nada da Palavra do Senhor – porém, elas diferem entre si. Por quê? Qual está certa? Em quanto elas diferem entre si? Estarão afetando pontos doutrinários? Quem alterou? Alguns versículos são totalmente opostos entre si, outros simplesmente não dizem a mesma coisa. Permita-me listar apenas alguns casos:

– Colossenses 2,18:
KVJ: “…as coisas que ele não viu…”
NVI: “…grandes detalhes sobre o que ele viu…”

– Oseias 10,1:
KVJ: “Israel é uma videira estéril”
NVI: “Israel era uma videira que se espalhava”

– Oseias 11,12:
KJV: “…mas Judá ainda governa com Deus, e é fiel com os santos”
NVI: “…Judá é rebelde contra Deus, mesmo contra Aquele Santo fiel”

– Filipenses 2,6:
KJV: “…não julgou como usurpação o ser igual a Deus”
NVI: “…não considerou a igualdade com Deus como algo a ser conhecido”

Jó 16,20:
KJV: “Meus amigos me desprezam”
NVI: “Meu intercessor é meu amigo”

Salmo 20,9:
KJV: “Salva, Senhor; permita que o rei nos escute quando o chamarmos”
NVI: “Ó Senhor, salva o rei! Responde-nos quando chamarmos!

– Oseias 8,5:
KVJ: “O teu bezerro, ó Samaria, te rejeitou…”
NVI: “Joga fora o teu bezerro-ídolo, ó Samaria…”

Provérbios 21,28:
KJV: “…mas o homem que dá ouvidos falará constantemente”
NVI: “…e todo aquele que lhe der ouvidos será destruído para sempre”

Provérbios 26,22:
KJV: “As palavras de um fofoqueiro são como feridas…”
NVI: “As palavras do maldizente são como petiscos deliciosos…”

Se compreendeu isto, como você sabe que a versão da Bíblia que você utiliza é de fato a Sagrada Escritura e que contêm as verdadeiras palavras de Cristo?

  • Fonte: Traditional Catholic Apologetics
  • Tradução: Carlos Martins Nabeto

 

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