O Batismo: Vida nova e modos de vivê-Ia

Pela simbólica  imersão nas águas do Batismo, você é “inserido no mistério pascal de Cristo”.  Dum modo misterioso, você ?morre com Ele, é com Ele sepultado e ressuscita com Ele” (Constituição Sacrosanctum Concílíum, nº  6).

Como cristão batizado, você é um irmão adotivo de Cristo, escondido com Cristo em Deus” (Col 3,3), mas é um membro visível do seu corpo.

Tendo morrido para o pecado (tanto o pecado original como os pecados pessoais são eliminados pelas águas do Batismo), você entrou para a comunidade da Igreja “como por uma porta”.  O seu indelével batismo em Cristo foi o começo de uma vocação única e perene.

Muitas pessoas exercem sua vocação batismal de maneiras bem concretas por meio das atividades paroquiais.  Colaborando com seus párocos, ajudam como ministros da Eucaristia, leitores, comentadores, maestros, recepcionistas, acólitos, membros do conselho paroquial, da Legião de Maria, da Sociedade São Vicente de Paulo, do Apostolado da Oração e de muitos outros grupos paroquiais.

Alguns cooperam para a vida espiritual e comunitária de suas paróquias ensinando religião, tomando parte em programas de alfabetização de adultos, círculos bíblicos, grupos de oração, grupos de orientação familiar como o MFC (Movimento Familiar Cristão).  Muitos revitalizam sua fé batismal louvando a Deus em grupos como os dos carismáticos.  Essas são apenas algumas das maneiras pelas quais os membros banzados do corpo de Cristo vivem o mistério de sua vocação batismal.

Um modo superior de viver a vida do Batismo é a chamada Vida Religiosa.  Atendendo a uma graça especial de Deus, certas pessoas ingressam nas ordens e congregações religiosas e se tornam irmãos ou irmãs, também chamadas freiras. (Alguns religiosos também abraçam o sacerdócio, unindo sua vida religiosa com o ministério sacerdotal específico).

Como religiosos consagrados, tais pessoas consagram-se a Deus prometendo viver os conselhos evangélicos de pobreza, castidade e obediência.  Como explica o Vaticano 11. suas vidas estão devotadas ao serviço de Deus “num ato de consagração especial que está intimamente radicada na sua consagração batismal e que a exprime mais plenamente” (Decreto Perfectae Caritatis sobre a Vida Religiosa, n.º  5).

Pelo Batismo, você participa com os outros de “um vínculo sacramental de unidade que liga todos os que foram regenerados por ele” (Decreto Unitatis Redintegratio sobre o Ecumenismo, n.º  22).  O seu Batismo nunca pode ser repetido, porque ele une você com Deus para sempre.  Trata-se de um vínculo indissolúvel.  Pode acontecer que você perca a graça ou até mesmo a fé, mas não pode perder seu Batismo.  Você está marcado como um dos que pertencem a Deus.  O mesmo vínculo liga você duma maneira sacramental a todas as outras pessoas batizadas.  Você é um de nós e todos nós somos “pessoas sacramentos”.  Juntos somos chamados a viver até à morte o mistério batismal no qual fomos mergulhados.
 

A Confirmação: Selo do Espírito, Dom do Pai

A Confirmação ou Crisma é o sacramento pelo qual aqueles que nasceram de novo pelo Batismo recebem o seio do Espírito Santo, Dom do Pai. Junto com o Batismo e a eucaristia, a confirmação é um sacramento de iniciação – neste caso, iniciação à vida de uma testemunha cristã adulta.  A presença mais intensa do Espírito que vem a nós neste sacramento está destinada a nos sustentar por toda a vida na qualidade de testemunhas de Cristo e no serviço aos outros.

Ao conferir a confirmação, o celebrante humedece seu polegar com o crisma, que é uma mistura solenemente consagrada de óleo de oliveira e bálsamo, e traça o sinal da cruz na fronte do crismando.  Este gesto é a imposição das mãos que é parte essencial do sacramento e remonta ao tempo dos apóstolos.

Enquanto unge, o celebrante se dirige ao crismando, chamando-o pelo nome (*) e dizendo: “Recebe por este sinal, o Dom do Espírito Santo!” Estas palavras estão intimamente relacionadas com o cristianismo primitivo.  Como São Paulo escreveu aos cristãos de Éfeso: “Nele também vós… fostes selados pelo Espírito Santo prometido, que é o penhor da nossa herança…” (Ef 1,13-14).

A palavra Dom, neste ‘ contexto de Confirmação, é escrita com letra maiúscula, porque o Dom que recebemos neste sacramento é o próprio Espírito Santo.
 

A Penitência: Sacramento da Reconciliação

Penitência é o sacramento pelo qual recebemos o perdão medicinal de Deus pelos pecados cometidos depois do Batismo.

Este sacramento é também chamado Sacramento da Reconciliação, porque nos reconcilia não só com Deus mas também com a comunidade eclesial.  Os dois aspectos da reconciliação são importantes.

(*) Em alguns países, a pessoa recebe na Crisma um segundo nome, acrescentado ao nome de Batismo (N. do T.).

Como membros do corpo de Cristo, tudo quanto fazemos influencia todo o corpo.  O pecado fere e enfraquece o Corpo de Cristo; a cura que alcançamos na Penitência restaura a saúde e a energia tanto da Igreja como de nós mesmos.

Quando alguém se desvia do amor de Deus ou o abandona, o dano recai sobre o pecador.  O pecado venial enfraquece nosso relacionamento com Deus.  O pecado mortal rompe esse relacionamento.

No caso de pecado mortal explícito, o meio ordinário para o católico voltar para Deus é a recepção da absolvição no sacramento da Penitência. (Quem está em pecado mortal pode retornar à graça divina antes da confissão fazendo um ato de contrição ou arrependimento perfeito mas esta contrição perfeita deve ser acompanhada da intenção de confessara pecado e recebera absolvição sacramental).

O pecado é uma realidade trágica.  Mas o sacramento da Reconciliação é uma assembleia festiva.  O capítulo 15 do Evangelho de São Lucas exprime esta alegria de modo comovente.  Em Lc 15, os fariseus acusam Jesus de ser misericordioso demais.  Em resposta, Jesus conta três parábolas.  Na primeira, Deus é semelhante a um pastor que deixa noventa e nove ovelhas para procurar uma que está transviada.  Ao achá-la, ele se enche de alegria.

Na segunda parábola, uma mulher encontra uma preciosa moeda que tinha perdido e promove uma grande festa.  Jesus comenta: “Assim também, eu vos digo, há alegria diante dos anjos de Deus por um só pecador que se arrepende”.

A terceira parábola é a história do filho pródigo, Quando ele volta para casa, seu pai o acolhe com um terno abraço.

Quando você confessa seus pecados sinceramente, com verdadeiro arrependimento e resolução de não pecar mais, Deus se alegra.  Os fariseus descritos no Evangelho de Lucas eram homens severos, rígidos, juizes mais exigentes que Deus.  Ao contrário, o Pai revelado por Jesus é quase bom demais para ser verdadeiro.  Assim é o próprio Jesus, que você encontra neste sacramento.  Tal Pai, tal Filho.  No sacramento da Penitência, Jesus o abraça e o cura.
 
 

A Unção dos Enfermos

Numa doença grave, você faz a experiência de ser mortal. Conscientiza-se de que algum dia, você vai morrer.  Se você não está gravemente doente, mas enfraquecido ou idoso, sente esta mesma experiência.

Porque tais circunstâncias o levam a encontrar Deus à luz da sua própria morte, há algo especialmente sacramental nesta condição em que você se acha.  E assim há um sacramento específico para esta situação sacramental: a Unção dos Enfermos.

A Unção dos Enfermos não apressa a hora da morte.  Neste sacramento, contudo, Deus o convida a entrar em comunhão com Ele à luz do seu encontro final.  Por este sacramento a Igreja inteira suplica a Deus que alivie seus sofrimentos, perdoe seus pecados e o conduza à salvação eterna.

Você não precisa estar na última hora para receber este sacramento.  Isto é evidente pelo fato de que a unção e as preces que a acompanham têm como um dos seus objetivos a restauração da saúde.  Por conseguinte, se você não está em imediato perigo de morte, mas está enfermo ou idoso, você pode e deve pedir para ser sacramentado.  Se, de fato, corre perigo de vida, quer por doença, quer pela idade avançada, você não deve demorar a receber o sacramento.

A Unção dos Enfermos, ajuda você a participar mais plenamente da Cruz de Cristo.  Por esta participação, você contribui para o bem espiritual de toda a Igreja.

Pelo fato de você participar mais plenamente da Cruz de Cristo pela Unção, você está sendo preparado para uma participação mais plena na Ressurreição de Cristo.
 

O Matrimônio: Sacramento da Unidade vivificante

Em todas as civilizações se sentiu uma misteriosa sacralidade na união do homem e da mulher.  Sempre tem havido uma vaga percepção de que a profunda aspiração pela união com “o outro” é vivificante – e que é uma aspiração pela união com a fonte de toda a vida. É por isso que os rituais religiosos e os códigos de comportamento
Sempre têm sido relacionados como casamento.

Jesus tomou o casamento e fez dele o sacramento do Matrimônio.  Em conseqüência, o Matrimônio dá nova dimensão à vocação cristã que começa no Batismo.

No Matrimônio, marido e mulher são chamados a amar um ao outro dum modo muito prático: atendendo um ao outro nas suas necessidades mais pessoais; esforçando-se seriamente por comunicar um ao outro seus pensamentos e sentimentos pessoais, de tal forma que sua união continue sempre viva e em crescimento.  Este amoré sexual de modo explícito e belo.  Como afirma o Vaticano li: “Este amor se exprime e se realiza de maneira singular pelo ato próprio do matrimónios (Gaudium et Spes, n.º  49).

Pelo Matrimônio, o casal é também chamado a viver seu sacramento para outros.  Pela  sua óbvia intimidade, um casal que se ama influencia as vidas de outras pessoas com “algo especial” – o amor de Cristo em nosso meio.  Eles revelam o amor de Deus e tornam-no difuso – para seus filho se para todos os que entram em contato com eles.  Objetivo importante e resultado natural do Matrimônio é a procriação de novas vidas – os filhos.  Mas o amor de um casal também transmite a vida – a vida de Cristo – a outras pessoas.

O casal não vive uma vida de amor porque por sorte eles se entendem: fazem-no consciente e deliberadamente, porque é esta a  sua vocação e porque o Matrimónio é, na expressão de São Paulo, “um grande mistério… em referência a Cristo e à Igreja” (Ef 5, 32).

O Matrimônio é muito mais que um acordo particular entre duas pessoas. É uma vocação sacramental dentro da Igreja e para ela. É um meio pelo qual Cristo revela e aprofunda o mistério de sua união conosco, seu corpo.  Portanto, marido e mulher vivem uma verdadeira vida sacramental quando seguem as palavras de São Paulo: “Submetei-vos uns aos outros no temor de Cristo” (Ef 5,21).

Na Igreja católica, a união sacramental de um casal é exclusiva (um só homem com uma só mulher)e indissolúvel (até que a morte os separe).  São essas as maneiras concretas pelas quais se torna realidade a misteriosa união entre marido e mulher, entre Cristo e a Igreja.

A melhor coisa que um pai pode fazer por seus filhos é amar a mãe deles.  Da mesma forma, uma das melhores coisas que um casal pode fazer pela Igreja e pelo mundo é esforçar-se em busca de maior união.
 

As Sagradas Ordens: o Sacerdócio Ministerial

A Igreja é o Corpo de Cristo. Como tal, a Igreja toda participa da natureza e das funções de Cristo, sua cabeça.  Isto inclui participar do seu sacerdócio.

Mas além desse “sacerdócio comum dos fiéis” há o sacerdócio especial ou “ministerial” de Cristo, que certos membros da Igreja recebem mediante o sacramento das Sagradas Ordens.

Cada tipo de sacerdócio – comum ou ministerial – é uma participação do sacerdócio de Cristo.  E ambos os tipos estão relacionados um com o outro.  Mas há uma diferença fundamental entre eles: no Sacrifício Eucarístico, por exemplo, o sacerdote ordenado age “na pessoa de Cristo” e oferece o Sacrifício a Deus em nome de todos; e o povo se une ao sacerdote neste oferecimento.  As duas funções, a do padre e a do povo, vão juntas.

Os sacerdotes recebem seu sacerdócio dos bispos, que possuem a plenitude do sacramento da Ordem.  Quando um bispo ordena sacerdotes, ele lhes dá uma participação no seu sacerdócio e na sua missão.

Os sacerdotes participam do ministério de Cristo pregando o Evangelho, fazendo tudo o que podem para levar seu povo à maturidade cristã.  Eles batizam, curam e perdoam pecados no sacramento da Penitência; agem como testemunhas da Igreja nos sacramentos do Matrimónio e da Unção dos Enfermos.  Mais importante ainda: celebram a Eucaristia, que é “o centro da comunidade de fiéis que o sacerdote preside” (Decreto Presbyterorum Ordinis, sobre o Ministério e a Vida dos Presbíteros, nº, 5).  Todos os sacerdotes estão unidos pelo único objetivo de edificar o corpo de Cristo.

Na ordenação, os sacerdotes são “assinalados com um caráter especial”, uma capacidade interior que os habilita a “agir na pessoa de Cristo, cabeça” (Presbyterorum Ordinis, nº 2).  Esse “caráter” especial e interno une os sacerdotes entre si com um vínculo sacramental – fato esse que, em certo sentido, os separa das outras pessoas.  Esta “separação” é destinada a ajudar os sacerdotes a executarem a obra de Deus com total dedicação.

Como ensina o Vaticano ll: os sacerdotes “vivem com os demais homens como com irmãos” exatamente como Jesus fez (Presbyterorum Ordinis, nº 3).  Isto significa que os sacerdotes precisam das outras pessoas, como também as outras pessoas precisam deles.  Os leigos que trabalham ao lado dos sacerdotes ajudam-nos a liderar a comunidade do povo de Deus.

Além dos bispos e dos padres, também os diáconos tem uma participação especial no sacramento da Ordem.  O diaconato, conferido pelo bispo, é recebido como etapa preparatória para a ordenação por aqueles que se destinam ao sacerdócio.  No entanto, desde o Concílio Vaticano li, a antiga ordem do diaconato foi restaurada na Igreja Católica Romana como um ofício de pleno direito.  Agora muitas dioceses possuem diáconos que não vão se tornar sacerdotes.  São por isso conhecidos como diáconos “permanentes”.  Trabalhando sob a autoridade do bispo local, os diáconos permanentes servem o Povo de Deus ao lado dos sacerdotes nas paróquias.
 

A SSma.  Eucaristia: Sacrifício e Sacramento

Na sua Constituição sobre a Liturgia, o Vaticano II começa o capítulo intitulado “O sacrossanto Mistério da Eucaristia” com estas belas palavras:

“Na última Ceia, na noite em que foi entregue, nosso Salvador instituiu o Sacrifício Eucarístico de seu Corpo e Sangue.  Por ele, perpetua pelos séculos, até que volte, o Sacrifício da Cruz, confiando dessarte à Igreja, sua dileta Esposa, o memorial de sua morte e Ressurreição: o sacramento de piedade, sinal de unidade, vínculo de caridade, banquete pascal, em que Cristo nos é comunicado em alimento, o espírito é repleto de graça e nos é dado o penhor da futura glória”. (Sacrosanctum Concilium, n. O 4 7).

Esse mistério é o próprio centro e ápice da vida cristã. É “fonte e ápice de toda evangelização… o próprio centro” da comunidade de fé (Presbyterorum Ordinis, nº 5).

Em cada missa, Cristo está presente, não só na pessoa de seu sacerdote, mas também e sobretudo sob a forma de pão e vinho.  Em cada Missa sua morte se torna uma realidade presente, oferecida como nosso sacrifício a Deus dum modo incruento e sacramental.  Toda vez que o Sacrifício da Cruz é celebrado sobre o altar, a obra da nossa redenção se renova.

Na Missa oferecemos Cristo, nosso sacrifício pascal, a Deus, e oferecemo-nos também com Ele.  Depois recebemos o Senhor ressuscitado, nosso pão da vida, na Santa Comunhão.  Fazendo isso, entramos no próprio centro do mistério pascal de nossa salvação – a morte e a Ressurreição de Cristo.

Participando da ceia do Senhor, nós transpomos o tempo e ,,proclamamos a morte do Senhor até que Ele venha” (l Cor 11,26).  Tomando parte neste banquete de amor, nos tornamos mais intimamente unidos a Ele num só corpo.  Naquele momento nosso futuro com Deus torna-se uma realidade presente.  A união a que estamos destinados é não só simbolizada mas também tornada real na refeição de que participamos.  Na Missa, passado e futuro tornam-se realmente presentes em mistério.

Se você se prepara para ela cuidadosamente e dela se aproxima com fé viva, a Eucaristia o introduz no amor de Cristo que nos impele e o abrasa de amor.  E ao despedir-se do mistério sagrado, você percebe que foi introduzido nele, se você “demonstra pelas ações o que aceita pela fé”.  E se você retornar ao Iugar onde é guardado o SSmo.  Sacramento, Cristo presente no tabernáculo, você pode renovar sua experiência do insondável amor que sua presença, lá, silenciosamente, exprime.

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