Fonte: Livro “Curso de Catequesis” do Editorial Palavra, España

Traduzido por Pe. Antônio Carlos Rossi Keller

Tema 41: “A CARIDADE, VIRTUDE SUPREMA”

INTRODUÇÃO:

Sendo a caridade a virtude mais excelente, entende-se que na última Ceia dissesse Jesus aos Apóstolos: “Dou-vos um novo mandamento: que vos ameis uns aos outros assim como Eu vos amei. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amais uns aos outros” (João 13,34-35). O mandamento novo assinala a medida com a qual devemos aos demais: assim como Cristo nos amou. Os mandamentos da lei de Deus resumem-se em dois: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. O amor, portanto, é a perfeição da Lei.

Assim, concluímos que a caridade é a virtude mais importante do cristão, enquanto peregrinamos nesta terra, e será também a nossa ocupação no céu, onde não existirá mais a fé – já que veremos Deus face a face – , nem existirá também a esperança, porque teremos chegado à meta. Somente a caridade permanecerá.

Vejamos em que consiste esta virtude, que resume e coroa toda a vida sobrenatural.

IDÉIAS PRINCIPAIS:

1. A caridade, virtude sobrenatural

Como já vimos, a caridade é uma das três virtudes teologais, infundida por Deus na vontade, com a qual amamos a Deus sobre todas as coisas – por quem Ele é – e a nós e ao próximo por amor a Deus. Por esta virtude que o Espírito Santo infunde, e porque nos capacita para amar a Deus tal qual é, é um dom sobrenatural. Com a mesma caridade com que amaremos eternamente no céu, amamos já na terra.

A caridade pode debilitar-se em conseqüência dos pecados veniais, e perde-se quando se comete um pecado mortal. Para recupera-la, é necessário aproximar-se da confissão sacramental, com as disposições exigidas. Se fazemos atos de amor a Deus e amamos com obras o próximo, esta virtude crescerá em nós.

2. O amor de Deus sobre todas as coisas

A primeira obrigação que o ser humano tem – a maior de todas – é amar a Deus “com todo o teu coração, com toda a tua alma, com toda a tua mente e com todas as tuas forças” (Marcos 12,30); quer dizer, temos de amar a Deus sobre todas as coisas. Ele nos criou, é infinitamente digno de ser amado e nos amou antes.

E quando podemos dizer que amamos a Deus sobre todas as coisas? Quando cumprimos os mandamentos, dispostos a perder tudo antes de que nos afastemos de Deus por um só pecado.

3. O amor a nós mesmos

Dentro da virtude da caridade está presente também o amor a si mesmo; mas é evidente que deve ser um amor ordenado, buscando os verdadeiros bens da alma e do corpo em relação à vida eterna. Se alguma vez desejássemos algo que nos afaste de Deus, nós não estaríamos amando-nos de verdade, por nos afastarmos de nosso fim real que é o único que nos pode fazer felizes.

4. O amor ao próximo

Um cristão não pode dizer que ama a Deus, se não ama a seu próximo. Como adverte São João, “se alguém diz que ama a Deus e odeia a seu irmão, é um mentiroso, porque quem não ama a seu irmão a quem vê, como poderia amar a Deus a quem não vê?” (1 João 4,20). As razões nas quais se funda a fraternidade cristã são claras: todos somos filhos do mesmo Pai celestial e, em conseqüência, irmãos; fomos redimidos com o sangue de Jesus Cristo e estamos destinados ao céu. Cristo mesmo se identifica com o próximo para urgir nosso amor: “Todas as vezes que fizestes isso a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim que o fizestes” (Mateus 25,40).

Por isso temos de querer aos demais por amor a Deus. A pura simpatia, a admiração ou o altruísmo, não são a caridade que Cristo nos pede.

5. O mandamento de Cristo abarca a todos

O Senhor nos deixou em testamento o amor: “Dou-vos um novo mandamento: que vos ameis uns aos outros, assim como Eu vos amei. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos” (João 13,34-35). Ele nos deu o exemplo com sua vida, e nos ensinou a querer aos demais sendo amáveis na convivência, compreendendo, desculpando e perdoando.

A caridade para com o próximo pressupõe respeitar seus direitos de justiça, mas exige também praticar as obras de misericórdia, ajudando-os em suas necessidades espirituais e materiais. Já não podemos excluir a ninguém, nem sequer aos inimigos: “Amai os vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam; bendizei aos que vos amaldiçoam e rezai pelos que vos caluniam” (Lucas 6,27-28).

6. As obras de misericórdia

Para ensinar de maneira gráfica como viver a caridade, Jesus Cristo propôs a parábola do bom samaritano (Lucas 10,30-37). Na realidade Ele é o bom samaritano, que curou nossas feridas com seu infinito amor misericordioso. Quando praticamos as obras de misericórdia – as sete corporais e as sete espirituais – vamos nos identificando com o coração de Cristo, de quem aprendemos a dar de comer ao faminto, a ensinar a quem não sabe, a dar bom conselho, a corrigir, a perdoar, a consolar, a sofrer com paciência, a rogar a Deus por todos etc..

7. Caridade ordenada

A caridade exige amar primeiro a Deus e depois aos outros. Existe uma hierarquia no amor a Deus e ao próximo. Dentro do amor ao próximo, temos a obrigação de querer mais àqueles que estão mais próximos de nós: os pais, irmãos, o sacerdote, professores, amigos; vem logo depois os necessitados de ajuda espiritual e material. No amor a nós mesmos está, antes de tudo, a nossa necessidade espiritual, antes mesmo da necessidade material dos outros.

8. PROPÓSITOS DE VIDA CRISTÃ:

· Aprender as Obras de Misericórdia espirituais e corporais:

1. Espirituais:

– Ensinar aquele que não sabe

– Dar bom conselho a quem o necessitar

– Corrigir aquele que erra

– Perdoar as ofensas recebidas

– Consolar os tristes

– Sofrer com paciência os defeitos alheios

– Rogar a Deus pelos vivos e defuntos

2. Materiais:

– Visitar e cuidar dos enfermos

– Dar de comer a quem tem fome

– Dar de beber a quem tem sede

– Dar pousada ao peregrino

– Vestir ao nu

– Redimir o cativo

– Enterrar os mortos

· Acostumar-se a agir sinceramente por amor a Deus, porque o que assim se fizer – grande ou pequeno – adquire um mérito sobrenatural.

Comprovar o amor a Deus, observando se ajudamos aos demais com obras de verdade.

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