Artigos (por Carlos Ramalhete)

A beleza que se vê

Tenho um segredo: eu tiro fotos. É, sou daqueles sujeitos estranhos, que sacam o celular do bolso para tirar fotos nas horas mais inoportunas e que aparecem nas ocasiões especiais com aquele troço preto cheio de botões e protuberâncias.

Na verdade, essa mania de fotografia, que não é nova – eu já tirava fotos no tempo em que isso envolvia filmes, quartos escuros, produtos químicos com cheiro de vinagre e outras preparações que chegam a parecer feitiçaria – é na verdade uma mania ainda mais estranha: a mania de achar beleza.

O mundo é bonito. A gente é que se esquece de o quanto ele é bonito, ocupados que estamos com as filas de banco, as contas a pagar, o trabalho atrasado, isso ou aquilo. Mas ele realmente é bonito. E a fotografia, para mim, é uma maneira de treinar o olho para descobrir, ou redescobrir, a beleza que nos cerca. A cada momento, olhando para um lado ou para o outro, o olho de quem, como eu, é viciado em fotografia acha uma coisa bonita, uma luz especial, um contraste interessante, uma textura fascinante.

É comum que as pessoas pensem em fotografia como “foto de alguma coisa”: “Isso é uma foto do portão lá de casa”, “é a Maricotinha, sorrindo”. Mas para mim e para outros doidinhos do mesmo tipo, fotografia é outra coisa: é uma maneira de eternizar uma beleza presente, uma combinação feliz de luzes e sombras, de cores e contrastes, que chamou a nossa atenção.

É bem verdade que eu estou advogando em causa própria ao dizer isto, mas, na minha opinião, esse é um treinamento mental muito bom. Sem essa mania de procurar beleza, quanta beleza me passaria despercebida? Quantos motivos para ser grato por estar vivo, por estar andando por aquele lugar naquele momento – nem que seja para ir pagar uma conta atrasada! – eu deixaria de ter se não fosse essa bendita mania de prestar atenção no Belo, no Bem expresso de forma ordenada?!

Hoje em dia, com os celulares que tiram fotos, acabaram-se as desculpas que valiam nos velhos tempos, quando era necessário carregar consigo quase um quilo de equipamento para tirar uma foto. Dá para achar a beleza e registrá-la, eternizá-la, torná-la arte, com aquele mesmo aparelhinho que nos serve para fofocar e para ver as horas.

Algumas das minhas melhores fotos foram tiradas com o celular. Todas elas são frutos dessa estranha mania, tão saudável, de procurar a beleza que está presente no mundo. Se interessar a alguém, minhas fotos podem ser vistas em http://bit.ly/tvgu8E ..

E você, onde está a beleza que você vê?

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