PERGUNTA

Olá. Algumas seitas fundamentalistas nos questionam: “Por que nos confessamos com o padre? Isso é ruim porque o homem é pecador e, além disso, a Bíblia o proíbe, de modo que é melhor se confessar direto com Deus” – como se Deus tivesse telefone celular. Inclusive, alguns católicos pensam da mesma forma…

RESPOSTA

Pois bem. Vejamos o que diz a Bíblia sobre isto, para não cometermos erros gigantescos como muitos que navegam no mar da ignorância, por não estudar direito a Sagrada Escritura.

1. Jesus deu este poder aos Apóstolos

Esta é a principal razão pela qual nos confessamos com o homem de Deus. Somos discípulos de Jesus Cristo e o obedecemos. Ele deu este poder aos homens para que o fizessem em seu nome.

“Recebam o Espírito Santo: àqueles a quem perdoares os pecados, estes serão perdoados; àqueles a quem retiveres [os pecados], [estes] serão retidos” (João 20,22-23).

“Tudo o que ligares na terra será ligado no céu e tudo o que desligares na terra será desligado no céu” (Mateus 18,18).

Estas passagens encontram-se em todas as Bíblias do mundo, inclusive naquelas usadas por nossos irmãos separados. Portanto, a Igreja não inventou este sacramento e nem a Bíblia o proíbe, pois quem o instituiu foi Jesus Cristo.

Nosso Senhor Jesus Cristo é muito claro. Aqui está falando do “poder” de “perdoar” e de “não perdoar” os pecados. Não está falando para que nos perdoemos quando tivermos ofendido, mas que “alguns” – os Apóstolos e seus sucessores – têm o poder de perdoar os pecados. Lógico que Jesus Cristo sabia que eles eram homens pecadores e ainda assim lhes conferiu este poder. Os bispos são sucessores dos Apóstolos e os sacerdotes seus colaboradores.

Jesus não deixou telefones celulares para [que os pecadores pudessem] se confessar diretamente a Deus… Deixou sacerdotes.

Quando as seitas usam a passagem de Jeremias 17 para dizer que é errado confiar em um homem cometem o erro de não ler o versículo completo, que diz: “…e que afasta o seu coração de Javé”. Isto é o que a Bíblia proíbe. Neste caso, a confissão não é para nos afastarmos de Deus; muito pelo contrário, é para nos aproximar e nos unir mais a Ele. Esta passagem fora de contexto é, sem dúvida, mais um pretexto das seitas.

2. Prática da Confissão na Bíblia

Vejamos agora como este sacramento foi entendido nos primeiros anos de vida da Igreja:

“Muitos dos que haviam crido vinham confessar tudo o que tinham feito” (Atos 19,18).

Acabamos de ler na Bíblia esta passagem que diz que quando essas pessoas creram, o que fizeram foi “ir confessar” os seus pecados. A Sagrada Escritura diz “vinham”, fala em mover-se de um lugar para outro. Para onde foram? Por que foram para outro lugar e não diretamente com Deus?

A resposta é muito simples. Eles foram buscar aos Apóstolos. Aí confessavam as suas faltas. Isto é o que faziam os cristãos verdadeiros daquele tempo e o que os católicos continuam fazendo até hoje.

Ademais, a Bíblia nos fala sobre confessar a outro (ao sacerdote) as nossas faltas:

“Confessem os seus pecados uns aos outros” (Tiago 5,14-16).

É uma ordem (note-se a forma imperativa). Não é uma opção. As seitas afirmam tanto que se baseiam na Bíblia e não enxergam com clareza estas passagens bíblicas. Mas há solução para se entender isto: que os irmãos separados passem a ler a Bíblia e a aceitar tal como é.

3. O Erro dos Fariseus e das Seitas

O Evangelho de Mateus nos apresenta a seguinte passagem oferecendo a razão pela qual alguns não querem aceitar algo tão claro na Bíblia:

“…ao ver Jesus a fé desses homens, disse ao paralítico: ‘Ânimo, filho! Teus pecados foram perdoados’. Alguns mestres da lei pensaram: ‘Está zombando de Deus’. Porém, Jesus conhecia os seus pensamentos e lhes disse: ‘Por que pensam mal? Que é mais fácil dizer? Teus pecados foram perdoados ou levanta-te e anda? Saibam, pois, que o Filho do homem tem autoridade na terra para perdoar os pecados’. Então disse ao paralítico: ‘Levanta-te, toma a tua maca e vai para casa’. E o paralítico se levantou e foi para sua casa. A multidão, ao ver isto, ficou muito impressionada e louvou a Deus por ter dado tanto poder aos homens” (Mateus 9,1-8).

Que estupendo! O povo simples “louvou a Deus por ter dado tanto poder aos homens”, enquanto que os supostos “mestres” da lei viram nisto uma ofensa para Deus. Igual ao que ocorre agora. O povo simples bendiz a Deus por ter dado aos homens este poder de perdoar os pecados, enquanto que as seitas, com seus “supostos” mestres da Bíblia gritam escandalizados: “Como um homem pode perdoar os pecados?”. Não sem motivo, o orgulho foi o pecado que Jesus condenou com maior força.

4. Prova Histórica deste Sacramento

A seguir, alguns exemplos de como este sacramento sempre foi celebrado na História da Igreja:

“Confessar-se na Igreja antes de receber o corpo de Cristo” (Didaqué; ano 70).

“…declarando o seu pecado ao sacerdote do Senhor” (Orígenes; ano 244).

“Água e lágrimas não faltam na Igreja: a água do batismo e as lágrimas da penitência (=confissão)” (Santo Ambrósio, ano 395).

“Que ninguém diga: cumpro a penitência secretamente diante de Deus. Acaso foi dito sem motivo: ‘O que desatares na terra será desatado no céu’?” (Santo Agostinho; ano 430).

Resumindo, digamos que este sacramento é um presente deixado a nós por Nosso Senhor Jesus Cristo; a Bíblia o ensina e a Igreja o tem realizado desde as suas origens. Aproxime-se para celebrá-lo, fazendo um bom exame de consciência, arrependendo-se e confessando-se [ao sacerdote] para poder desfrutar da misericórdia de Deus.

Facebook Comments

Livros recomendados

Desconstruindo Paulo FreireA monarquia constitucional e a contribuição de José Bonifácio de Andrada e SilvaA Idade Média e o dinheiro: Ensaio de uma antropologia histórica