• Autor: Anônimo
  • Fonte: A Catholic Response Inc. (http://users.binary.net/polycarp)
  • Tradução: Carlos Martins Nabeto

– “[Cremos] em Deus Pai Todo-Poderoso, Criador do céu e da terra; e em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor, que foi concebido pelo poder do Espírito Santo; nasceu da Virgem Maria, padeceu sob Pôncio Pilatos; foi crucificado, morto e sepultado; desceu à mansão dos mortos; ressuscitou ao terceiro dia; subiu aos céus; está sentado à direita do Pai, de onde há de vir para julgar os vivos e os mortos. [Cremos] no Espírito Santo; na Santa Igreja Católica; na comunhão dos santos; na remissão dos pecados; na ressurreição da carne; na vida eterna. Amém” (Símbolo dos Apóstolos).

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Nós cristãos católicos cremos em um Deus, Pai Todo-Poderoso, Criador de todas as coisas, visíveis e invisíveis. Deus revelou o Seu nome como “Javé”, que significa “Eu sou quem sou” (Êxodo 3,14). Este Nome revela Deus como a fonte não-criada de todo ser. Ele também se revelou como Amor (1João 4,16) e como Santo (Salmo 99,9; Lucas 1,49). Ele nos criou para que possamos compartilhar da Sua vida e do Seu amor. Mas Ele também é Santo e tremendo. “O temor ao Senhor é o início da sabedoria” (Salmo 111,10). Nosso objetivo final na vida é compartilhar para sempre da sua vida e do seu amor, conhecendo-O, amando-O e servindo-O agora [nesta vida] (Eclesiastes 12,13-14).

Deus nos criou à Sua imagem e semelhança (Gênesis 1,27; 6,3; João 4,24). Isso nos diferencia das plantas e dos animais. Ele deseja que O amemos, mas podemos escolher livremente amá-Lo ou nos rebelar contra Ele. Deus não nos força a amá-Lo em troca. Nosso amor é expresso pela obediência aos Seus Mandamentos (João 14,15; 1João 5,2-3). O pecado é a nossa rejeição à amizade de Deus, desobedecendo-O. Adão e Eva, nossos primeiros pais, escolheram rejeitar a Deus e à Sua amizade. Essa primeira rebelião é chamada de “Pecado Original”. Por causa do pecado de Adão, perdemos o dom da santidade e da justiça originais (1Coríntios 15,21-22). Homens e mulheres ficaram afastados de Deus e uns dos outros. Agora precisamos de um Redentor para restabelecer a amizade com Deus.

Cremos em Jesus Cristo, o Filho único de Deus (Hebreus 1; João 1,14). Ele é a Segunda Pessoa Divina da Santíssima Trindade. O Pai e o Filho são duas Pessoas Divinas que Se amam (João 10,30). Este vínculo de amor é a Terceira Pessoa Divina: o Espírito Santo. Existe apenas um Deus, mas três Pessoas Divinas. Isto é professado neste simples versículo: “em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (Mateus 28,19).

“Mas quando chegou a hora, Deus enviou Seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar aqueles que estavam sob a lei, para que pudéssemos ser adotados como filhos” (Gálatas 4,4-5). O século I d.C. marca o tempo na História da Humanidade quando Deus Filho se fez homem. Cristo é verdadeiro Deus (João 5,18; 9,38; 20,28; Mateus 4,10; 28,17; Colossenses 2,9) e verdadeiro homem (1Timóteo 2,5). Ele nasceu da Virgem Maria (Mateus 1,18-23). Visto que Jesus é uma Pessoa Divina e Maria é a mãe de Jesus, Maria pode ser chamada de “Mãe de Deus”, mesmo sendo [apenas] humana e não divina (Lucas 1,42-43). Maria nos direciona a Jesus. Jesus veio ao mundo para revelar totalmente o Pai e o Seu amor por toda a humanidade. Jesus foi crucificado sob Pôncio Pilatos. Por amor a nós, Ele sofreu e morreu na cruz pelas mãos de homens pecadores, para nos salvar do inferno (Romanos 5; CIC 633). Seu sacrifício nos redime de nossos pecados (Romanos 6,6), mas também é um exemplo para nós de sacrifício amoroso (1Pedro 2,19-24). No terceiro dia, Ele ressuscitou fisicamente dos mortos e restabeleceu a amizade entre Deus e o homem. Jesus é o Salvador de toda a humanidade. Cristo nos devolve mais do que Adão perdeu, para que possamos dizer: “Ó feliz culpa, ó pecado necessário de Adão, que ganhou para nós um Redentor tão grande!” (Exultet no Sábado Santo).

Somos salvos pela fé em Jesus Cristo; no entanto, a fé é mais do que crer em Deus. “Até os demônios creem e tremem” (Tiago 2,19). Movida pela graça, a fé é também a mudança do egoísmo para a confiança em Deus (CIC 2018). Essa resposta inclui obediência a Deus (Romanos 1,5; Hebreus 5,9; Mateus 7,21). Deus deseja que sejamos santos (1Tessalonicenses 4,3-8). Não podemos merecer o Céu (CIC 1024) por nossas boas obras (Efésios 2,8-10), mas Jesus ainda nos julgará a todos de acordo com nossas ações (2Coríntios 5,10; Mateus 25,33-35). Nossos pecados mortais não-arrependidos podem nos levar ao inferno. Podemos voluntariamente rejeitar o presente de Deus para a salvação pelo pecado mortal. (…) Se escolhemos livremente os prazeres do pecado, ao invés da amizade de Deus, rejeitamos a fé e escolhemos o inferno, que é a eterna separação de Deus (CIC 1033). Felizmente, pela graça e misericórdia de Deus, podemos nos arrepender (ainda enquanto vivos) de nossos pecados e sermos perdoados por Deus (CIC 2018). Podemos ser salvos do inferno e ter vida eterna com Jesus. O Sangue de Cristo lava a culpa de nossos pecados (1João 1,7). Purgatório é o fogo do amor de Deus que nos limpa do apego aos nossos pecados (Hebreus 12,29; 1Coríntios 3,12-15). Somos salvos pela graça de Deus, que Jesus mereceu por nós na cruz. A salvação vem somente de Deus.

Esta graça salvadora é recebida através dos Sacramentos, começando com o Batismo (Marcos 16,16; 1Pedro 3,21). Pelo Batismo na água e no Espírito Santo, recebemos a graça santificadora que nos torna justos diante de Deus (João 3,5; Atos 22,16; 1Coríntios 6,9-11). Nascemos de novo como filhos de Deus (Tito 3,3-5). Como ainda podemos pecar seriamente após o Batismo e perder o dom da vida eterna, Jesus nos deu o Sacramento da Penitência e da Reconciliação (João 20: 21-23). Neste Sacramento, podemos confessar nossos pecados e receber o perdão e as graças de Deus. Deus é misericordioso e perdoador. Jesus também nos dá Seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade no Santíssimo Sacramento: a Eucaristia (João 6; 1Coríntios 11). Sua comida nos ajuda a ficarmos mais fortes em nossa amizade com Deus. A Igreja Católica reconhece Sete Sacramentos: Batismo (Mateus 28,18-19), Reconciliação (João 20,21-23), Eucaristia (1Coríntios 10,16), Confirmação (Atos 8,14-17), Sagrado Matrimônio (Efésios 5,22-32), Ordens Sagradas (Atos 6,5-6) e Unção dos Enfermos (Marcos 6,13; Tiago 5,14-15). Esses Sacramentos são sinais externos instituídos por Cristo, que nos dão as graças salvadoras de Deus.

Deus Se revelou e também [revelou] o Seu amor por todos nós através de Abraão, Moisés, os Profetas e, finalmente, através do Seu Filho: Jesus, o Verbo encarnado (João 1,14; Hebreus 1,1-3). Por inspiração do Espírito Santo, algumas das revelações de Deus foram escritas, como Escrituras. Essas Escrituras são livros que mais tarde foram reunidos na Bíblia. A Igreja Católica ensina que a Bíblia é a Palavra de Deus escrita. Inspiradas pelo Espírito Santo, as Escrituras foram escritas por homens, mas são da autoria de Deus. Mas os ensinamentos dos Apóstolos, inspirados pelo Espírito Santo, também foram transmitidos oralmente (2Timóteo 2,2). “Mantenham-se firmes e mantenham as tradições que ensinamos, seja oralmente, seja por carta nossa” (2Tessalonicenses 2,15). Embora a Bíblia seja a Palavra de Deus, ela ainda precisa ser interpretada (2Pedro 1,20-21). Esse ensinamento, que nos ajuda a entender e interpretar a Bíblia, é chamado de “Sagrada Tradição”. O Símbolo dos Apóstolos é um exemplo de Sagrada Tradição que antecedeu a Bíblia. No entanto, ambas [- Escrituras e Tradição -] pertencem ao mesmo [depósito de fé], uma vez que ambas são inspiradas pelo mesmo Espírito Santo.

Jesus, enquanto estava na terra, também estabeleceu a Sua Igreja. Nossa amizade com Deus é pessoal, mas o relacionamento “Jesus e eu” nos leva a um relacionamento comunitário (Gálatas 6,10; João 13,34-35; 1João 4,20-21). Deus chama todos nós à amizade como uma família: a Igreja. Os membros da Igreja na Terra (Igreja Militante) ajudam-se mutuamente a crescer mais no amor e na amizade de Deus por meio de Jesus Cristo. Jesus Cristo é o único mediador entre Deus e o homem (1Timóteo 2,5), mas somos chamados a orar e interceder uns pelos outros (1Timóteo 2,1-2). Os Santos no céu também fazem parte da família da Igreja (Efésios 3,15). Eles estão vivos no céu com Jesus (Mateus 22,29-32; Lucas 9,30) e são chamados de “Igreja Triunfante”. Os Santos no céu são uma “nuvem de testemunhas” (Hebreus 12,1). “Haverá mais alegria no céu por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não precisam de arrependimento” (Lucas 15,7).

A Igreja também pode ser vista como o Novo Reino. Jesus Cristo é o Rei (Lucas 1,33), enquanto Maria é sua Rainha-Mãe (1Reis 2,19; Jeremias 29,2). Jesus também escolheu Seus representantes e um primeiro-ministro para ajudá-Lo a governar Sua Igreja (2Samuel 8,15-18; Isaías 22,20-22; 2Reis 18,37). Ele escolheu Simão e o renomeou como “Pedra” – Pedro ou Cefas (João 1,42): “E eu te digo: tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; e os poderes da morte não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do reino dos céus e tudo o que ligares na terra será ligado no céu; e tudo o que desligares na terra será desligado no céu” (Mateus 16,18-19; cf. Isaías 22,20-22). O Papa é o sucessor de São Pedro e o líder visível da Igreja na terra.

Cremos que podemos continuar a participação no sacrifício de Cristo e no triunfo sobre o pecado e a morte. “O Senhor Jesus, na noite em que foi traído, pegou o pão e, dando graças, o partiu e disse: ‘Isto é o o meu corpo, que é dado por vós. Fazei isso em memória de Mim’ (…) Todas as vezes que comeis deste pão e bebeis do cálice, proclamais a morte do Senhor até que Ele venha” (1Coríntios 11,23-26). O Santo Sacrifício da Missa ou a celebração da Eucaristia é uma comemoração da Última Ceia de Nosso Senhor e, ao mesmo tempo, uma reapresentação do Sacrifício de Nosso Senhor na Cruz (Apocalipse 5,6; CIC 1137). É o sacrifício puro, tal como profetizado em Malaquias 1,11 (cf. Didaqué 14).

Este breve resumo apresenta apenas alguns pontos importantes daquilo que os católicos creem. Maiores detalhes sobre os tópicos seguintes podem ser encontrados no Catecismo da Igreja Católica (CIC), nas seções sobre: ​​Deus (198-231), Jesus (430-455), Trindade (232-267), Maria (487-511), Pecado Original (396-421), Inferno (1033-1041), Purgatório (1030-1032), Céu (1023-1029), Salvação (161, 169, 1987 -1995), Fé (142-184), Graça (1996-2029), Tradição (75-100), Bíblia (101-141), Igreja (169, 171, 811-879), Papa (880-896), Sacramentos (1113-1134) e Missa (1136-1139; 1341-1382).

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