CRISTO REI

A doutrina da Realeza de Cristo foi exposta pelo magistério da Igreja em 1925 com a encíclica “Quas primas” de Pio XI, que instituiu também a festa correspondente, a ser celebrada no último domingo de outubro e que, a seguir, a reforma litúrgica determinou fosse celebrada no último domingo que precede o tempo do Advento.

É, portanto, uma festa móvel e a cor litúrgica das vestes e dos paramentos é o branco, que celebra Seu mistério de glória, como em todas as solenidades que se referem ao Senhor.

Quando Jesus ensina a orar “…venha o teu reino…”, dirigindo-se conosco ao Pai, autorizando-nos a chamá-lo “nosso”, exprime não apenas uma invocação, mas também sua clara consciência de ser Ele mesmo o primeiro defensor dessa soberania divina, por meio da incondicional aceitação, na obediência, de Seu destino terreno de dor e de morte.

Sua Realeza pessoal tem fundamento teológico na união hipostática das duas naturezas, divina e humana, na única Pessoa, mas é também realeza adquirida pela redenção cósmica por ele realizada no sacrifício cruento da cruz: “…tendo recapitulado em si todas as coisas, ofereceu-as ao Pai em sacrifício perfeito, a fim de que Deus seja tudo em todos”.

Deus Pai glorifica-o por isso e Ele, atualmente, exerce essa realeza “sentando-se à Sua direita” por toda a eternidade.

Esta, porém, realizar-se-á totalmente quando toda realidade criada for recuperada, por intermédio do Filho, voltando à glória original a que Deus, ao criá-la, a tinha destinado. Sobre o trono está sentado o Cordeiro, o Ungido-Rei-Messias pelo Pai, e exercerá o poder do julgamento final da história e do cosmo, como diz o texto do Apocalipse (cf.22,3-4): “o trono de Deus e do Cordeiro, um único trono, está na Cidade Santa e seus servos adoram e vêem sua face”.

O grande desejo de Moisés (Ex 33,18ss) – não realizável na primeira Aliança porque nenhum homem podia ver a Deus e permanecer vivo (Ex 33,20) – e a pergunda de Filipe: “Mostra-nos o Pai e nos basta” (Jo 14,8), à qual Jesus tinha respondido: “Quem me viu a mim, viu o Pai” (Jo 14,9), finalmente são ouvidos. João, profeta do Apocalipse, vê aqui a realização da festa das Tendas em que todos os hebreus subiam a Jerusalém para ver o rosto de Deus, festa que em Zc 14 assume significados escatológicos na antevisão da subida de todos os sobreviventes das nações (Zc 14,16) no “único dia que somente o Senhor conhece e em que não haverá nem dia nem noite” (Zc 14,7), mas em que “o Senhor será o único e será rei de toda a terra” (Zc 14,9).

E João acrescenta: “(Os seus servos) reinarão pelos séculos dos séculos” (Ap 22,5). Trata-se, pois, do Reino! É o cumprimento escatológico da revelação. No Prefácio da liturgia da missa de Cristo Rei, último domingo do tempo ordinário, síntese final do ano litúrgico, proclama-se: “…um reino eterno e universal que se estende a todas as criaturas, reino da verdade e da vida, reino da santidade e da graça, reino da justiça, do amor e da paz”.

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