Apologética Doutrina Maria Santíssima

A Genealogia dos “Irmãos” de Jesus

Written by Veritatis Splendor

Autor: Bob Stanley

Tanto Mateus 13,55-56 quanto Marcos 6,3 dizem:

“Este não é o carpinteiro, o filho de Maria, o irmão de Tiago, José, Judas e Simão? E suas irmãs não estão entre nós?”

Observe: apenas o “carpinteiro” é chamado de “o filho de Maria” e não “um dos filhos de Maria”.

Algumas pessoas utilizam esses versículos para “provar” que Maria teve outros filhos. Veja também as seguintes passagens: Mateus 12,46; Marcos 3,31; Lucas 8,19 e João 7,5.

Examinemos agora a Bíblia com mais atenção…

A palavra “irmãos” [no plural] aparece aproximadamente 530 vezes na Bíblia; “irmão” [no singular] aparece cerca de 350 vezes; uma variação de “irmãos” aparece uma única vez em Números 36,11; “irmã” [no singular] aparece aproximadamente 100 vezes; e “irmãs” [no plural] aparece cerca de 15 vezes.

– “Irmãos”: é o plural da palavra “irmão”, conforme definem os dicionários.

– “Irmão”: a palavra hebraica “ha” é geralmente traduzida como “irmão”. Já que o hebraico e o aramaico (no qual o Evangelho segundo Mateus foi escrito) possuem bem menos palavras que o inglês [ou o português], os judeus daquele tempo empregavam essa palavra num sentido mais amplo para expressar parentesco. Não existiam termos em hebraico para expressar os diferentes níveis e graus de parentesco. “Irmão” pode significar os filhos de um mesmo pai e todos os membros masculinos da mesma clã ou tribo.

Em grego, no qual o evangelho segundo Marcos foi escrito, a palavra “irmão” é escrita como “adelphoi”, do grego “adelphos”, significando “membro seguidor de uma clã”. Mesmo hoje, a palavra “irmão” é empregada com um significado mais extenso, incluindo amigos, aliados, discípulos e compatriotas. Não era diferente na época de Cristo. Em quatro dicionários que pesquisei, encontrei de três a quatro classes de significados para a palavra “irmão”.

A primeira classe diz respeito aos filhos dos mesmos pais. As outras duas ou três classes se referem a “parentesco, discípulos, uma pessoa íntima, um amigo, membro de uma ordem religiosa, membro de alguma igreja cristã”, etc…

Quantas vezes você tem visto os tele-evangelistas chamarem seus telespectadores de “nossos irmãos e irmãs”? Os adversários de Maria aceitam os três últimos significados para se satisfazerem a si mesmos, mas quando diz respeito a Maria, a Mãe de Deus, eles sempre utilizam o primeiro significado. Isto seria honesto para com ela? Como você explica isso? Veja Números 8,26; 1Samuel 30,23; 2Samuel 1,26; 1Reis 9,13; 2Crônicas 29,34.

Por exemplo, se lermos Gênesis 29,15: “Então Labão disse a Jacó: ‘Somos irmãos'”, certamente pensaremos que Jacó e Labão eram irmãos de sangue. Agora, se compararmos Gênesis 29,5: “Conheceis Labão, filho de Nacor?” com Gênesis 25,21-26, perceberemos que Jacó era o filho de Isaac e Rebeca, enquanto Labão era o filho de Nacor. Portanto, eles não eram irmãos de sangue, mas parentes.

Cristo diz à multidão e aos seus discípulos em Mateus 23,1-8: “E vós todos sereis irmãos”. Em Mateus 12,50 e Marcos 3,35, Jesus diz: “Todo aquele que faz a vontade do meu Pai que está no céu, é meu irmão, irmã e mãe”. Este versículo diz isso tudo! 1Coríntios 15,6 fala que Jesus apareceu a “500 irmãos” de uma só vez. Poderiam todos eles serem irmãos consaguíneos? Dificilmente… Também vemos Pedro falando diante de 120 irmãos em Atos 1,15-16. E Paulo fala de alguém ser “chamado de irmão” em 1Coríntios 5,11. A Bíblia possui muitos outros versículos assim.

Vamos agora considerar os quatro “irmãos” citados em Marcos 6,3: Tiago, José, Simão e Judas…

Marcos 15,40: “E também estavam ali algumas mulheres, olhando de longe. Entre elas estavam: Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago o menor e de José; e Salomé”. Estas eram as pessoas que estavam presentes durante a crucificação;

João 19,25: “Perto da cruz de Jesus, permaneciam de pé sua mãe (Maria); a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cleofas; e Maria Madalena”;

– Mateus 10,2-3: “TIAGO, o filho de Alfeu, e ‘Lebbaeus’, cujo apelido era Tadeu” (Alfeu é uma tradução alternativa de Cleofas ou Clopas, tratando-se, assim, da mesma pessoa);

– Atos 1,13: “TIAGO, o filho de Alfeu; SIMÃO zelota; e JUDAS, o irmão de TIAGO”.

A partir destas quatro passagens, percebemos que existia uma “outra Maria”, que era a esposa de Cleofas (Alfeu) e a mãe dos três “irmãos” de Jesus: Tiago Menor, José e Judas. Isto claramente mostra que Maria, a mãe de Jesus, não era a mãe de Tiago, José e Judas apresentados em Marcos 6,3. Para manter Marcos 6,3 em harmonia, já que os três não são filhos de Maria, mãe de Jesus, então SIMÃO também não é filho de Maria. SIMÃO é o cananita citado em Marcos 3,18, também chamado de zelota em Mateus 10,4, Lucas 6,15 e Atos 1,13. Judas, que escreveu a Epístola de Judas, diz que é irmão de Tiago, em Judas 1,1. Judas também é chamado de Tadeu em Mateus 10,3 e Marcos 3,18. Isto foi feito para diferenciá-lo de Judas Iscariotes. Lucas 6,16 também distingue os dois ao dizer: “E Judas, o irmão de Tiago; e Judas Iscariotes, que foi o traidor”.

Ainda sobre o tópico “Os outros filhos de Maria”, tenho um outro ponto a destacar:

João 19,26-27: “Quando Jesus viu a sua mãe e, perto dela, o discípulo que Ele amava…” (o discípulo era João, o autor do Evangelho segundo João) “… então Ele disse ao discípulo: ‘Eis a tua mãe'”.

Por acaso João Evangelista era filho de Maria e irmão consanguíneo de Jesus? Leia os seguintes versículos para conferir:

Marcos 1,19: “Jesus viu Tiago, o filho de Zebedeu, e JOÃO, seu irmão”.

Marcos 3,17: “E Tiago, o filho de Zebedeu; e JOÃO, irmão de Tiago”.

Em nenhuma dessas passagens é dito que Jesus viu um irmão consanguíneo ou que assim os reconheceu.

– Mateus 27,56: “Entre elas estavam Maria Madalena; e Maria, a mãe de Tiago”.

– Mateus 20,20: “Tiago (o menor) e José; e a mãe dos filhos de Zebedeu”.

Marcos 15,40: “Entre as quais estavam Maria Madalena; e Maria, a mãe de Tiago (o menor); e Salomé, (a mãe dos filhos de Zebedeu)”.

Lucas 24,10: “Eram Maria Madalena (…); e Maria (a ‘outra Maria’), a mãe de Tiago (o menor)”.

Uma comparação entre Mateus 27,56 e Marcos 15,40, claramente demonstra que Zebedeu tinha uma esposa que se chamava Salomé. Ela é chamada de “a mãe dos filhos de Zebedeu” em Mateus 27,56 e “Salomé” em Marcos 15,40. Zebedeu e Salomé tiveram dois filhos – João e Tiago – conforme Marcos 3,17. O JOÃO que está aos pés da cruz e a quem Jesus confia sua mãe, não era filho de Maria, mãe de Jesus, mas do casal Zebedeu e Salomé. Se Jesus tivesse irmãos consanguíneos, por que Ele não confiaria Maria aos cuidados destes seus outros “irmãos”? Era assim que a lei judaica ordenava…

Eis a genealogia:

1) Zebedeu e Salomé: geraram Tiago e João.
2) Cleofas (Alfeu) e Maria[1]: geraram Tiago (o menor), José e Judas.
3) Espírito Santo e Maria: geraram Jesus, o Cristo

Esta “genealogia” apresenta qual é o verdadeiro parentesco dos “irmãos” apresentados em Marcos 6,3 e Mateus 13,55, tornando sem efeito o argumento [protestante] da existência de “irmãos consaguíneos” do Senhor.

Notas Adicionais:

a) Mateus 1,25: “E José não a conheceu até que…” – O antigo significado da palavra “até” ou “até que” informa uma ação que não ocorreu até certo ponto. Isso não implica que a ação tenha ocorrido depois. Veja-se Gênesis 8,7: “Soltou o corvo, o qual foi e não voltou até que as águas secassem sobre a terra”; e 2Samuel 6,23: “E Micol, a filha de Saul, não teve filhos até o dia de sua morte”; será que ela teve filhos após morrer?

b) Lucas 1,34: “Então Maria disse ao anjo: ‘Como isso poderá ocorrer se eu não conheço[2] varão?'” – Isto significa que Maria não tivera relacionamentos com algum homem antes da Anunciação e que, portanto, era virgem.

c) Lucas 2,7: “E ela deu à luz o seu filho primogênito, envolvendo-o em faixas” – Na época da redação dos Evangelhos, a palavra “primogênito” significava “o filho que abriu o útero”; veja-se: Êxodo 13,2 e Números 3,12. O fato de Jesus ser o primogênito não implica que Maria tenha tido outros filhos; o filho único também é primogênito (é o caso do autor deste artigo [e – curiosamente – também do tradutor]).

d) Em nenhum lugar da Bíblia está escrito que Maria, a Mãe de Jesus, teve outros filhos. Então, por que alguns ainda insistem em afirmar que ela os teve??

Referências bíblicas: Gênesis 8,7; 25,21-26; 29,5.15; Êxodo 13,2; Números 3,12; 8,26; Deuteronômio 23,7; 1Samuel 30,23; 2Samuel 1,26; 6,23; 1Reis 9,13; 2Reis 10,13-14; 2Crônicas 29,34; Mateus 1,25; 4,21; 10,2-4; 12:46; 12,50; 13,55-56; 20,20; 26,26; 27,56.61; 28,1; Marcos 1,19; 2,14; 3,17-21.31.35; 6,3; 15,40.47; Lucas 1,34; 2,7; 2,41-51; 5,10; 6,16; 8,19; 24,10; João 7,2-7, 19,25-27; Atos 1,13-16; Romanos 8,29; 1Coríntios 5,11; 9,5; 15.6; Gálatas 1,19; 1Pedro 5,12; Judas 1,1.

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NOTAS:
[1] A “outra Maria”, cf. Mateus 27,56.61; 28,1; João 19,25.
[2] Em Lucas 1,34 Maria pergunta: “Como isso poderá ocorrer se eu não conheço varão?”. A pergunta de Maria não é a expressão de uma dúvida, mas um pedido de esclarecimento: ela fizera voto de virgindade e desejava saber se estava dispensada desse voto. A pergunta que Maria psicologicamente faz seria inadmissível em uma jovem desposada no momento em que lhe anunciam o nascimento de um filho futuro, a não ser pela hipótese do voto, que de resto veio confirmada pela razão apresentada: “eu não conheço varão”, bem como pela resposta do anjo: “Trata-se de uma concepção milagrosa” (Nota encaminhada por nossa visitante Amanda Dantas. N.doT.).

  • Fonte: Site “The Catholic Treasure Chest” – http://home.inreach.com/bstanley/
  • Tradução: Carlos Martins Nabeto

 

 


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