A história de josé

28. OS IRMÃOS TÊM INVEJA DE JOSÉ
Jacó amava e preferia José do que os outros filhos e mandou-lhe fazer uma túnica de várias cores. Por isso, os mais velhos começaram a invejá-lo.
Um dia praticaram uma ação muito má e José os acusou ao pai. Desde então seus irmãos tomaram-lhe ódio e começaram a falar-lhe com maus modos.
Uma vez, José disse-lhes: “Ouçam um sonho que tive: estávamos no campo a atar feixes. O meu feixe ergueu-se de pé e os vossos puseram-se em volta e prostraram-se diante dele”. Os irmãos replicaram-lhe: “Porventura serás nosso rei?”. E o odiavam cada vem mais.
José contou-lhes ainda outro sonho dizendo: “Vi em sonhos o sol, a lua e onze estrelas inclinarem-se diante de mim”. O pai repreendeu-o: “O que significa esse sonho que tiveste? Acaso eu, tua mãe e teus irmãos haveremos de nos prostar diante de ti?”. E a inveja e o ódio dos irmãos aumentava cada vez mais.

29. JOSÉ VENDIDO POR SEUS IRMÃOS
Um dia, os irmãos de José tinham ido para muito longe com os rebanhos. E o pai disse a José: “Vai ver se os teus irmãos estão bem”. Assim que eles o avistaram, disseram: “Lá vem o sonhador. Matemo-lo e depois diremos que uma fera o devorou”.
Logo que José chegou até eles, seus irmãos o despiram da túnica de várias cores e o lançaram numa cisterna velha. Por acaso passava por ali uma caravana de mercadores estrangeiros que seguia para o Egito. E eles, então, tiraram José da cisterna e o venderam por vinte moedas de prata. Em seguida, tingiram a túnica com o sangue de um cabrito e mandaram-na ao pai com este recado: “Encontramos esta túnica. Não será a de vosso filho?”. O pai a reconheceu e disse: “A túnica é do meu filho! Uma fera devorou José”. E nunca mais deixou de chorar pelo filho.

30. JOSÉ NA PRISÃO
Os mercadores levaram José para o Egito e lá o venderam a um dos dignatários do faraó, chamado Putifar, que o fez administrador de seus bens. Um dia, a mulher de Putifar tentou arrastá-lo para o pecado, mas José disse-lhe: “Como eu poderia cometer tamanha injustiça e pecar contra o meu Deus?”. Ela ficou muito irritada e disse ao marido: “José quis que eu cometesse o pecado”. O egípcio acreditou na mulher e mandou prender José.

31. JOSÉ EXPLICA OS SONHOS
Deus estava com José. O chefe da prisão gostava dele e confiou-lhe a vigilância dos outros presos.
Aconteceu que o rei do Egito mandou prender o copeiro e o chefe dos padeiros como culpados de um crime contra sua pessoa. Uma manhã José, vendo-os muito tristes, perguntou-lhes: “Por que estais tão preocupados?”. Eles responderam: “Tivemos um sonho e ninguém sabe interpretá-lo”. José disse-lhes: “Só Deus dá a inteligência dos sonhos. Contai-me o sonho”.
O copeiro-mor disse: “Vi em sonho uma cêpa de videira que tinha três varas. Peguei em dois cachos, espremi-os numa taça e apresentei-a ao faraó”. José disse-lhe: “As três varas significam três dias. Dentro de três dias o faraó te restituirá ao cargo. Lembra-te de mim quando fores feliz. Pede ao faraó que me tire deste cárcere porque eu não fiz mal algum”.
O padeiro disse por sua vez: “No meu sonho, parecia-me levar à cabeça três cestos de pão branco. No cesto que ia por cima havia muitas iguarias para o faraó, mas as aves vinham comê-las”. José disse: “Os três cestos significam três dias, depois dos quais o faraó te mandará cortar a cabeça e as aves devorarão tua carne”.
Três dias depois, o faraó festejava o aniversário do seu nascimento. Durante o banquete, lembrou-se do copeiro-mor e restituiu-o ao seu cargo; ao padeiro, mandou enforcar, tudo como José lhes tinha predito. Mas o copeiro, retornando ao seu lugar, não se lembrou mais de José.

32. ELEVAÇÃO DE JOSÉ
Dois anos depois, o faraó teve também um sonho: viu sair do Nilo sete vacas, lindas e gordas, e depois outras sete, feias e magras, que devoravam as primeiras. Em seguida, viu sair do mesmo caule sete espigas cheias de grãos e formosas, e outras sete, delgadas e vazias, que engoliram as primeiras. Ninguém soube interpretar o sonho do faraó. Então ele mandou chamar José, que lhe disse: “As sete vacas formosas e as sete espigas cheias significam sete anos de abundância. As sete vacas magras e as sete espigas vazias significam sete anos de fome. Virão agora sete anos de grande fertilidade para todo o Egito, mas depois seguir-se-ão sete anos de penúria. Escolha, pois, o faraó um homem sábio e prudente para recolher o sobejo das colheitas e reservar provisões para os sete anos de miséria”.
O faraó aceitou este conselho e disse a José: “Quem haverá mais sábio e prudente do que tu? Faço-te senhor de todo o Egito”. E, tirando o anel real, colocou-o no dedo de José. Vestiu-o ricamente, pôs-lhe no pescoço um colar de ouro e mandou-o passear em triunfo no seu côche real. Além disso, deu-lhe um nome egípcio que significa salvador do mundo. Todos deviam se prostrar diante de José.
Chegaram os sete anos de fertilidade e José mandou recolher todo o excedente das colheitas. Seguiram-se os sete anos de miséria e o povo começou a pedir pão ao faraó. O faraó respondia: “Ide a José”. Então José mandou abrir os celeiros. De toda a parte acorria gente ao Egito para comprar trigo.

33. JOSÉ TORNA A VER OS IRMÃOS
Jacó mandou também seus filhos ao Egito comprar trigo. Mas não deixou que Benjamim fosse, com receio de lhe acontecer algum mal.
José reconheceu seus irmãos logo que os viu, mas eles não o reconheceram. Falou-lhes como a estrangeiros e disse-lhes: “Vós sois espiões!”. Eles responderam: “Oh, não, senhor! Viemos de Canaan só para comprar trigo. Somos doze irmãos. O mais novo ficou em casa e o outro… desapareceu!”. José fingiu não acreditar e mandou-os prender. Passados três dias, ordenou que viessem à sua presença e disse-lhes: “Se sois de paz, um de vós ficará como refém. Os outros podem voltar, mas devem trazer seu irmão mais novo. Dessa forma saberei que falais a verdade”.
Depois deu ordem para que lhes enchessem os sacos, mas teve o cuidado de mandar pôr em cada um o dinheiro da compra. Quando eles chegaram em casa e abriram os sacos, ficaram muito admirados por lá encontrarem o dinheiro.

34. JOSÉ DÁ-SE A CONHECER
Tendo acabado o trigo, Jacó disse a seus filhos: “Voltai ao Egito e comprai mantimentos para vivermos”. Um dos irmãos respondeu: “Bem queremos ir, mas é preciso levar o nosso irmão mais novo!”. Jacó respondeu: “Se assim é necessário, levai Benjamim convosco”.
Desceram eles ao Egito com Benjamim. Assim que chegaram à presença de José, ofereceram-lhe presentes e inclinaram-se diante dele até ao chão. Ele retribui-lhes a saudação e perguntou: “O vosso pai ainda é vivo?”. Eles disseram: “O nosso pai, vosso servo, ainda é vivo e está com saúde”. Então, vendo Benjamim, perguntou: “Este é o vosso irmão mais novo? Deus te abençoe, meu filho”. E retirou-se apressadamente para ocultar as lágrimas.
No dia seguinte, não podendo dominar por mais tempo a sua comoção, exclamou a soluçar: “Eu sou José, vosso irmão, a quem vendeste. Ide depressa ter com meu pai e o trazei-me. Eu tratarei de vós”. Lançou-se então ao pescoço de Benjamim e , chorando, abraçou-o; abraçou também todos os irmãos. Estes saíram e puseram-se a caminho.

35. JACÓ VAI PARA O EGITO (aprox. 1920 a.C.)
Quando chegaram, os irmãos de José disseram a seu pai: “José, vosso filho, ainda vive e é ele quem governa todo o Egito”. Jacó não queria acreditar, mas depois disse: “Vou ter com ele. Quero vê-lo antes de morrer”. E pôs-se a caminho do Egito. José saiu ao encontro do pai. Chegando à sua presença, lançou-se ao seu pescoço e, chorando, abraçou-o.
Em seguida, José apresentou seu pai e seus irmãos ao faraó. Este disse a José: “Dá-lhes a melhor parte da terra”. José estabeleceu-os na região de Géssen.
Jacó viveu ainda 17 anos no Egito. Antes de morrer, abençoou cada um de seus filhos. A Judá disse: “Judá, teus irmãos te louvarão e os filhos de teu pai prostrar-se-ão diante de ti. O cetro não se afastará de Judá até que venha aquele que deve ser enviado e que as nações esperam”.
[Depois da morte de seu pai, os irmãos de José recearam que ele quisesse se vingar e foram implorar o seu perdão. José disse-lhes, chorando:“Não temais. Eu cuidarei de vós e de vossos filhos”. Prestes a morrer, disse ainda a seus irmãos: “Deus vos reconduzirá à terra que prometeu a nossos pais. Levai os meus ossos convosco”. Morreu no Egito com 110 anos. Embalsamaram-no e depuseram-no num caixão].

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