Papado

A Igreja Católica desapareceu da Terra

Em um mundo paralelo…

“Extra, extra”, chamava à atenção os jornais, “A Igreja Católica foi destruída, e toda a sua herança teológica milenar foi apagada da memória de todas as pessoas. As pessoas agora dispõem somente das igrejas protestantes para congregação religiosa”. Esta foi a notícia da primeira página do jornal daquela manhã.

Ficou apenas a lembrança daquela igreja. Umas roupas em estilo antigo, umas formalidades, pessoas chamadas “monges” andando por aí com seus hábitos engraçados. Era fácil diferenciar os religiosos daquela igreja. Hoje não temos mais. Não sei como acabou, nem porque, mas acabou.

Depois que ela foi embora aconteceram algumas coisas com a religião que queria que os leitores soubessem. Mas antes, com base nos poucos livros que contam sua história, vamos tentar recapitular o que dá, e verificar nossa realidade de hoje sem ela.

Conta a história que essa igreja, chamada Católica, foi fundada por Jesus Cristo, Nosso Senhor, e que os apóstolos permaneciam vivos através de uma sucessão contínua e ininterrupta. Foram estabelecidas doutrinas ao longo do tempo para mostrar às pessoas em quê de fato acreditar. É assim que conta a história.

Ocorreram revoltas e a revolta protestante ocorreu no longínquo século 16, quando Martinho Lutero descobriu que esta igreja estava completamente enganada em suas decisões. A partir daí surgiram as demais igrejas cristãs.

Com o sumiço da Igreja Católica Romana ocorreram muitas manifestações. Inicialmente muitas pessoas ficaram desamparadas, pois eram membros dela. Outras festejaram. “Roma enfim caiu” gritavam alguns, “Roma locuta, et finita est”, (Roma falou, e acabou) vociferavam sorridentes outros, muitos outros. Somente eles restavam. O mundo cristão estava, então, “livre de Roma”. Curiosamente os ateus também se alegraram, mas os satanistas não. Diziam eles, os ateus, que enfim a Igreja de um Deus que não existe já também não existe mais. E diziam os satanistas que agora não mais podiam profanar o corpo de Jesus, que estava presente na Eucaristia, que é como os católicos chamavam o pão que o padre (era padre?) consagrava. Era mais ou menos isso que essa igreja ensinava, se não me falha a memória.

Ficaram, então, as igrejas ditas protestantes. Diziam que não eram mais protestantes, pois o objeto do seu protesto foi-se. Mas não entendi isso, pois elas continuavam protestando, agora umas contra as outras. Pensei que não seria assim. Conto o que aconteceu com elas.

Após o apagamento dos ensinamentos da Igreja Católica, a herança teológica do cristianismo também foi embora. Os líderes das igrejas protestantes ficaram sem fontes, pois as teologias originais do protestantismo eram baseadas justamente no anti-catolicismo. De resto, era tudo herança do próprio catolicismo. A fonte acabou. Ficou a Bíblia. Diziam que a Bíblia era suficiente. E foi suficiente por alguns tempos. Conforme as gerações passaram, foram surgindo grandes teólogos protestantes, grandes intelectuais, pensadores e filósofos que começaram a questionar algumas coisas que não estavam tão bem esclarecidas na Bíblia. Juntavam-se protestantes de centenas de denominações. Batistas, Luteranos, Anglicanos, Assembleianos, Presbiterianos, Calvinistas históricos, Metodistas, Adventistas, Congregacionalistas, Menonitas, e de muitas outras igrejas, digamos, mais “Nacionais”. Com o desaparecimento da memória teológica dos católicos, devia-se definir “de novo” alguns pontos da doutrina. Estavam aparecendo as mais estranhas práticas entre essas igrejas. Conta a história que elas desde o começo eram assim, divididas, mas unicamente unidas contra a Igreja Católica. Agora que ela se foi, faltou o que as unia e sobrava o que as desunia. Estava gritante a necessidade de uma unidade.

Foi convocado um Concílio para tentar buscar a unidade.

Os tópicos deste “Concílio de Wittenberg”, como ficou conhecido a primeira reunião doutrinária do mundo cristão após a queda de Roma, eram, entre outros:

– Maria é mãe de Deus?

– Jesus é Deus?

– Sendo Deus, era homem, Deus, ou homem-Deus quando encarnou?

– Há de fato uma Santíssima Trindade?

– A Eucaristia apresenta Cristo real ou não?

– O batismo apaga pecados, é um símbolo, não é ministrado à crianças?

– Há um ministério hierárquico ou não?

– As doutrinas Luteranas da “Sola Scriptura” e “Sola Fide” são mesmo verdadeiras?

Todas estas questões ocorreram em vista das freqüentes dúvidas surgidas pela população, que lia a Bíblia sem que alguém os ensinasse, pois mesmo as publicações protestantes que comentavam as passagens da Bíblia também foram apagadas, pois nas suas bibliografias traziam referências aos textos católicos antigos. Como disse, tudo referente à essa Igreja acabou, mesmo a mais simples letra escrita em toda a história (somente sei o que sei pela tradição oral). Os protestantes tiveram que começar toda a teologia “de novo”.

Conta a história que pouco foi decidido neste Concílio. Nele foi definido o Símbolo de Fé, como ficou conhecida a oração que todas as Igrejas professariam em comum. O símbolo era mais ou menos assim:

“Creio em Deus-Pai todo-poderoso, criador do céu e da terra, e em Jesus Cristo seu único Filho, que foi concebido pelo poder do Espírito Santo. Nasceu da Virgem Maria, padeceu sob Pôncio Pilatos. Foi crucificado, morto e sepultado. Desceu à mansão dos mortos e ressuscitou ao terceiro dia. Subiu aos céus e está sentado à direita de Deus-Pai todo-poderoso, donde há de vir julgar os vivos e os mortos. Creio no Espírito Santo, na Santa Igreja Cristã, na remissão dos pecados, na ressurreição da carne, na vida eterna. Amém”.

Mas as questões persistiam. Lia-se na Bíblia que Maria fez uma profecia inspirada pelo Espírito Santo: “Por isto, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações” (Lc 1,47). Muitas igrejas não faziam isso. Lia-se também: “Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou odiará a um e amará o outro, ou dedicar-se-á a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e à riqueza” (Mt 6,24). Algumas igrejas diziam que a riqueza material era uma obra de Deus.

Enfim, toda sorte de dúvidas em relação ao quê de fato crer surgiram. Alguns teólogos, devido a tanta confusão existente, colocaram em debate a canonicidade dos livros da Bíblia, pois não havia mais registros de seu estabelecimento e que Lutero a organizou somente no século 16.

Buscaram então uma nova fórmula de um cânon oficial. Para isso chamado o “Concílio de Genebra”, o II Concílio pós-Romano.

Nele estavam presentes representantes de centenas de igrejas pelo mundo. Não havia como conter todas, pois estas já contavam com 40 mil espalhadas pelo mundo, e não havia como organizar um evento para esta quantidade de pessoas. Isso considerando um representante de cada igreja, apenas.

Na Bíblia cristã, no livro do Gênesis capítulo 11 há a descrição da torre de Babel, onde as pessoas falaram línguas estranhas e ninguém se entendia. Pareceu o mesmo nesse Concílio. Devido às pretensões de tantas igrejas com interesses teológicos diferentes, pouco foi decidido, mas surgiram ainda outras questões. Algumas delas são:

– Sendo iconoclastas, porque há ordens de Deus para esculpir imagens?

– O dia de culto é sábado ou domingo?

– O que acontece com aqueles que morrem e não cumpriram à perfeição os mandamentos de Deus, não sendo santos o suficiente para entrar na presença de Deus, nem maus o suficiente para ir para o inferno?

– Jesus queria unidade na Igreja ou não?

Os adventistas pregavam o sábado como dia de culto a Deus, e junto com eles os batistas do sétimo dia.

Para não piorar a situação de desentendimento entre os defensores das mais variadas teologias, foi definido um só elemento neste Concílio. O Cânon da Bíblia. A própria escritura não diz quais livros deve conter, então que se comece definindo-os em Concílio, e não como fez Lutero, quando definiu ele próprio o cânon.

Após 2 anos de reuniões e conflitos, saiu o documento final do Concílio de Genebra. Este tinha definido que o cânon não mais conteria o livro de Tiago, o livro de Judas, o capítulo 6 do Evangelho de João, Alguns versículos do livro do Êxodo, como o 25, que relata Deus ordenando a escultura de imagens, o citado versículo de Lucas 1, onde há a profecia de Maria, entre outras decisões. Por fim, a “Bíblia de Genebra” como ficou conhecida era realmente nova, bem diferente da anterior, o que sanou muitas dúvidas dos crentes, como o debate entre salvação pela “Fé e Obras” ou “Só pela Fé”. Tirando o livro de Tiago da antiga Bíblia, os líderes se viram um pouco mais aliviados na defesa deste último princípio. Nisto a maioria concordou, mas…

Muitos não concordaram com a decisão do Concílio. Os luteranos e anglicanos rejeitaram a decisão da retirada do capítulo 6 de João, que atestava a veracidade da real presença de Jesus em carne e sangue na Eucaristia. Eles rebateram o Concilio com a carta de Paulo aos Coríntios, citando o capítulo 10 versículo 16, capítulo 11 versículos 25 a 27. O Concílio junto com as denominações criadas mais recentemente afirmavam que a Eucaristia era somente símbolo. Aqueles afirmavam que ela era real. Um impasse, novamente, foi criado e não teve resolução.

E assim se tentou estabelecer uma unidade. Várias questões foram sendo apontadas, mas não eram resolvidas, pois nenhuma igreja tinha autoridade sobre a outra, e cada decisão imposta a todos era fortemente rejeitada. Não existia unidade doutrinária entre as igrejas. Tudo era um tanto obscuro, pois os leigos não entendiam de teologia e ficava difícil para eles escolher quem estava certo ou errado nestas questões. Alguns escolhiam suas igrejas de acordo com o que achava sua própria consciência. Alguns iam à igreja luterana por considerar que quando Cristo diz “Este é o meu corpo”, o pão é mesmo o corpo de Cristo. Outros vão à igreja renascer em Cristo, da bispa Juliana Hernandez, por acreditarem que quando Jesus diz “Este é o meu corpo”, aquele não é o corpo de Cristo, mas somente palavras simbólicas. Assim acontece com os mais variados assuntos.

Curiosamente a igreja adventista cresceu vertiginosamente, pois o sábado sendo santo não permite o trabalho, e muitos aproveitaram essa deixa.

Explodiu uma guerra. A oitava guerra mundial. O cristianismo foi brutalmente atacado em todas as direções. A falta de atuação social de muitas igrejas não conseguiu fazer nada para conter a guerra, porém outras fizeram. As Igrejas históricas que possuíam doutrinas muito comuns, como a luterana e anglicana, assim como alguns metodistas e presbiterianos, se uniram e conseguiram participação nas embaixadas dos países para dirimir a guerra. Após alguns anos, a guerra acabou e com isso foi fundada uma única igreja reunindo todas estas que estavam participando do caos. Nasceu a Igreja do Evangelho Católico ou Igreja Católica. A proposta da Igreja era levar a unidade que conseguiram para todas as demais igrejas cristãs. No decorrer do tempo as doutrinas divergentes entre estas igrejas foram equacionadas na sua grande maioria por amplos e freqüentes debates teológicos, baseados em estudos aprofundados e tranqüilos da Bíblia, afinal suas escolas teológicas eram as mais antigas que existiam e a tradição de bons teólogos do cristianismo vinha deles.

Após 15 décadas de exaustivo estudo a Igreja Católica professava a mesma fé. Incrivelmente não haviam mais diferenças doutrinárias.

Como seria lógico acontecer, os demais grupos cristãos sempre olharam com mau grado para eles. Se separaram da fraternal comunhão dos demais. Criam na Eucaristia, davam um certo valor à Maria, não rejeitavam nem negavam as imagens, tinham uma hierarquia definida com bispos, padres e diáconos, além de ordens religiosas que já existiam há muito tempo, Possuíam mais sacramentos que as outras igrejas, como a confissão e a ordem. O matrimônio também começou a ser estudado e acabou sendo enquadrado como sacramento logo depois.

Com tudo isso logo foram considerados anátemas no Concílio do Rio de Janeiro, no Brasil. Foram rejeitados como uma seita. Todos seus membros foram proscritos das reuniões que buscavam a unidade da igreja cristã, pois suas doutrinas não condiziam com o que as demais agora professavam. O documento final deste Concílio determinava:

“Nós membros da multiforme igreja de Cristo definimos e acreditamos que os membros desta seita chamada Igreja Católica sejam considerados anátema por todos, pois os mesmos professam doutrinas heréticas e perigosas à igreja”.

É estranha esta determinação, pois todos os Concílios que já existiram eram um amálgama de doutrina que nunca haviam chegado a um denominador comum. O que havia de diferente com a Igreja Católica não se entendia.

Passados 800 anos do primeiro Concílio de Wittemberg, pouco se conseguiu. A unidade das igrejas cristãs não se estabeleceu. Nenhuma, a não ser as que formaram a Igreja Católica, quiseram apostar em estudos para confrontar suas doutrinas. Preferiam deixar ao livre exame dos seus fiéis, e que eles escolhessem em quê acreditar, contanto que fossem para umas das igrejas deles. A guerra deixou muita pobreza, e as promessas de riqueza oferecidas por diversas igrejas as sustentava.

A Igreja Católica crescia pouco. Seus missionários eram muito perseguidos. Chegavam a ser mortos. Os estudos teológicos, entretanto, continuavam. A propósito, eles não adotaram o cânon do Concílio de Genebra, mas o cânon presente na Bíblia King James. Notaram muitas falhas nas doutrinas da igreja predominante. Entre tantas outras a desunião entre elas chamava a atenção de seus fiéis. Estes não encontravam base para tal divisão. Viram, então, que para a unidade haveria de ser estabelecido um chefe visível para a Igreja. Com base nos versículos de Mateus 16,16-18, definiram que há um chefe na Igreja e que com ele, ela não será nunca derrotada.

Após uma eleição foi feito chefe da Igreja Católica um descendente direto de uma antiga Rainha da Escócia, chamada Maria Tudor, e seu nome era Simon Peter. Ele era bispo. Dizem que a escolha não poderia ser mais acertada. Não pelo nome, que era semelhante ao apóstolo do Cristo, mas porque em seu governo a Igreja Católica adquiriu mais unidade e conteúdo espiritual. Devido o sacramento da ordem, os sucessores de Pedro possuíam a mesma autoridade sobre a Igreja. E os fiéis eram obedientes a ele, pois quem o ouvia, ouvia o Cristo, como diz a Escritura cristã.

As igrejas protestantes não conseguiram atingir a vontade de Deus. Muito do que pregam não encontra base sustentável em outra denominação, e vice-versa. Às vezes parecem duas religiões distintas. Os demais Concílios chamados não foram suficientes para solver as dúvidas teológicas. Os assuntos em questão, aqueles presentes nos primeiros Concílios, ainda esperavam solução pois por mais que duas ou três denominações aceitassem alguma determinação, outras tantas não aceitavam e nada era estabelecido. Mas uma coisa apenas era unânime entre elas: a rejeição à Igreja Católica.

Isto, porém, gerou uma imensa insatisfação espiritual dentre seus líderes, pensadores e fiéis. Começaram a observar o que fazia a Igreja Católica, uma seita herética e minoritária, atingir a vontade de Deus, e eles não. Conversões ocorreram em massa. Pastores, teólogos e fiéis das igrejas protestantes votaram seus olhos para a Igreja Católica pois decidiram deixar a fantasia do engano em que estavam mergulhados e buscaram as respostas que os membros daquela Igreja, quando deixaram de adotar seus métodos, obtiveram. A divisão doutrinária, a negação da Eucaristia, a rejeição à figura da Virgem Maria na Igreja e a insubmissão à uma autoridade estabelecida foram as causas das grandes divisões entre o protestantismo. Na igreja Católica esta unidade era mantida com bases sólidas e comprovadas nas Escrituras.

Hoje, enfim, eu, Pedro XII, o atual chefe da Igreja, testemunho que o que antes se achava perdido no tempo, a antiga Igreja Católica Romana, pela graça de Deus e comprovando a sua proteção divina de que o inferno não prevalecerá, está viva, orante, forte e bela, salvando almas das garras do maligno que somente veio para destruir a obra de Deus Nosso Senhor.

Da antiga Igreja Católica quase nada restou, mas nossa força restaurou a unidade perdida, e assim como o Cristo, a Igreja corpo de Cristo está ressuscitada e espalhando a real Boa Nova para o mundo.

PS: temos novas missões saindo para marte neste mês. Orem por nós. +





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Veritatis Splendor