por Marcos Monteiro Grillo

É bastante comum vermos pessoas rejeitando a Igreja Católica, ou saindo dela, por causa de atitudes erradas de padres, Bispos ou de simples fiéis. Por exemplo, um padre que tem relacionamentos amorosos/sexuais em vez de observar o celibato, um Bispo que tem envolvimento com partidos políticos cuja ideologia afronta os princípios morais católicos, ou um fiel que, apesar de ir à missa todo domingo, ou até todos os dias, comete assédio moral contra seus funcionários. Inegavelmente, católicos que se comportam de maneira contrária ao que a Igreja ensina prestam um desserviço à fé, na medida em que fazem pessoas tropeçarem ou até deixarem de crer. Mas é preciso que se compreenda que não se pode confundir os filhos da Igreja com a Igreja propriamente dita. Não se deve deixar de procurar os médicos por causa de um ou outro médico que desonra a sua profissão. Também ninguém deve deixar de recorrer ao Poder Judiciário e “fazer justiça com as próprias mãos” por conta de um juiz, um servidor ou um advogado que não cumpre com seus deveres e se comporta de forma imoral ou antiética. Assim como há médicos péssimos, há muitos médicos que fazem seu trabalho com grande zelo e cuidado. Da mesma forma, como há juízes que vendem sentenças, servidores irresponsáveis e advogados desonestos, há também juízes sérios, servidores dedicados e advogados que trabalham com retidão na defesa dos direitos dos seus clientes. É necessário saber separar as coisas.

Com relação à Igreja Católica, é importante compreender também que a Igreja tem uma dimensão humana, na medida em que é formada por homens, mas tem também uma dimensão divina, por conta do seu Fundador, Nosso Senhor Jesus Cristo. Que a Igreja Católica foi fundada por Jesus Cristo, isso se pode verificar, em primeiro lugar, na Bíblia Sagrada. No Evangelho Segundo São Mateus, capítulo 16 e versículo 18, lemos as célebres palavras de Nosso Senhor a São Pedro:

“E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela.”

Ora, se Jesus Cristo disse “minha igreja”, é evidente que Ele quis fundar uma Igreja, e se Nosso Senhor disse que “as portas do inferno não prevalecerão contra ela”, é claro que Cristo prometeu a São Pedro que a Igreja que Ele estava fundando haveria de permanecer para sempre, isto é, continuar existindo historicamente, desde a sua fundação até o fim dos tempos. E não apenas existindo historicamente, enquanto instituição, mas também existindo tal como foi idealizada por seu Fundador, a despeito dos erros que possam ser cometidos por seus filhos.

Além disso, Cristo confiou a chefia da Sua Igreja a São Pedro, como lemos em diversos versículos da Bíblia, como, por exemplo, na passagem em que o Senhor diz a Pedro “Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus” (S. Mateus 16, 19), ou ainda, na bela passagem do Evangelho Segundo São João, transcrita abaixo:

“15. Tendo eles comido, Jesus perguntou a Simão Pedro: ‘Simão, filho de João, amas-me mais do que estes?’. Respondeu ele: ‘Sim, Senhor, tu sabes que te amo’. Disse-lhe Jesus: ‘Apascenta os meus cordeiros’.

16. Perguntou-lhe outra vez: ‘Simão, filho de João, amas-me?’. Respondeu-lhe: ‘Sim, Senhor, tu sabes que te amo’. Disse-lhe Jesus: ‘Apascenta os meus cordeiros’.

17. Perguntou-lhe pela terceira vez: ‘Simão, filho de João, amas-me?’. Pedro entristeceu-se porque lhe perguntou pela terceira vez: ‘Amas-me?’ –, e respondeu-lhe: ‘Senhor, sabes tudo, tu sabes que te amo’. Disse-lhe Jesus: ‘Apascenta as minhas ovelhas.’”

E tendo São Pedro sido Bispo de Roma, e não podendo ficar vago o cargo de Chefe (visível) da Igreja, tal cargo passou a ser exercido, ao longo da história, pelos sucessores de São Pedro, os Bispos de Roma.

É essa Igreja, fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo, e cuja chefia foi confiada a São Pedro e aos seus legítimos sucessores, os Bispos de Roma, que devemos reconhecer como santa e perfeita, e não a Igreja representada por maus padres, maus Bispos ou maus fiéis. E a própria continuidade histórica da Igreja Católica ao longo dos seus dois mil anos de existência, conservando os ensinamentos de Cristo e o legado dos Apóstolos, apesar de tantos filhos maus, é uma prova de sua origem divina e de sua santidade.

Lembrando que a Igreja Católica, assim como seu Fundador, tem uma dimensão humana (por isso as falhas dos seus filhos), mas também uma dimensão divina (por isso sua perfeição e santidade), concluímos este breve texto com essas palavras do escritor católico Robert Hugh Benson:

“Tratai a Igreja unicamente como Divina e topareis com os escândalos e defeitos de seus filhos. Tratai-a exclusivamente como Humana e ficareis pasmados diante de seus milagres, de sua santidade e de sua eterna ressurreição.” (BENSON, Robert Hugh. Paradoxos do catolicismo. São Paulo: Editora Formatto, 2005, p. 23.)

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