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A igreja deve ou não acabar com a RCC?

Alguns leitores inspirados por uma motivação que não vem de Deus e nem da Igreja, de forma muito pretensiosa, orgulhosa e mal-educada nos atacam por defendermos que a Renovação Carismática Católica (RCC) não deve ser eliminada, mas corrigida naquilo que lhe é falho.

Dizem eles que a Igreja não deve purificar o erro, porque o erro não pode ser purificado, mas deve ser eliminado. Com efeito, eles estão corretos na premissa, porém através de um silogismo à moda “rad-trad” chegam à conclusão que a RCC deve ser destruída.

Imbuídos de um falso espírito ortodoxo, chegam a negar um ponto da doutrina católica que é a existência dos carismas. É deste ponto que pretendo partir para chegar então à RCC.

O que ensina a Igreja sobre os carismas?

Diz o Compêndio do Catecismo da Doutrina Católica:

“160. O que são os carismas?

Os carismas são dons especiais do Espírito Santo concedidos a cada um para o bem dos homens, para as necessidades do mundo e em particular para a edificação da Igreja, a cujo Magistério cabe discerni-los. 799-801”  (grifos meus).

Segundo este instrumento autorizado da Doutrina Católica, que é o Compêndio, os carismas não são dons ordinários e sim extraordinários, especiais do Espírito Santo. Logo, são tão reais quanto os sacramentos. E, segundo a Doutrina Católica, cabe ao Magistério discerni-los. É a Igreja que diz se a ocorrência de carismas é autêntica ou não.

Com um só tiro a Igreja acertou os falsos carismáticos e os falsos tradicionalistas. Fantástico! Viva a Igreja! Viva Bento XVI!

E como fica a RCC?

Diz o Catecismo da Igreja Católica:

“799 Quer extraordinários quer simples e humildes, os carismas são graças do Espírito Santo que, direta ou indiretamente, têm urna utilidade eclesial, pois são ordenados à edificação da Igreja, ao bem dos homens e às necessidades do mundo. (Parágrafos relacionados 951,2003)

800 Os carismas devem ser acolhidos com reconhecimento por aquele que os recebe, mas também por todos os membros da Igreja, pois são uma maravilhosa riqueza de graça para a vitalidade apostólica e para a santidade de todo o Corpo de Cristo, contanto que se trate de dons que provenham verdadeiramente do Espírito Santo e que sejam exercidos de maneira plenamente conforme aos impulsos autênticos deste mesmo Espírito, isto é, segundo a caridade, verdadeira medida dos carismas.

801 É neste sentido que se faz sempre necessário o discernimento dos carismas. Nenhum carisma dispensa da reverência e da submissão aos Pastores da Igreja. “A eles em especial cabe não extinguir o Espírito, mas provar as coisas e ficar com o que é bom”, a fim de que todos os carismas cooperem, em sua diversidade e complementaridade, para o “bem comum” (1Cor 12,7). (Parágrafos relacionados 894,1905)” (grifos meus).

A Igreja pede aos Bispos que orientem e não destruam as comunidades carismáticas, pois segundo a Doutrina Católica “a eles em especial cabe não extinguir o Espírito, mas provar as coisas e ficar com o que é bom”. E é exatamente isto que faz a Igreja ao aceitar a RCC e ao mesmo tempo corrigir os abusos. Servindo-me de uma analogia, a Igreja dá banho no neném e joga só água suja fora.

A proposta dos “donos da verdade” é muito simplista: joga tudo fora. Ora, não existe solução fácil para problemas complexos. Seguindo esta lógica absurda, Deus também poderia extirpar a humanidade da face da terra, afinal já nascem em pecado…

Aqueles que possuem uma trave no olho e ficam apontando para a palha nos olhos dos outros (cf. Mt 7,3), não conseguem ver a diferença abismal entre caridade e relativismo.

Coisa muito semelhante fez a Igreja no passado com as ordens mendicantes, que nasceram entre os hereges cátaros e albigenses. Alguém vai dizer: mas eles foram excomungados da Igreja. Com efeito, isso é verdade, como também é o fato que, antes disto, a Igreja procurou corrigi-los e não eliminá-los. Ela procurou batizar aquilo que estava errado nestes grupos que buscavam vivência católica na pobreza, submetendo-os a uma confissão de fé.

Por isso é importante que a RCC faça sua parte, colaborando com a Igreja, mostrando fidelidade à sua doutrina.

Como se vê, nem os falsos carismáticos e nem os falsos tradicionalistas são católicos. Nenhum dos dois grupos obedecem àquilo que ensina a Santa Igreja. Seja fabricando “carismas” ou uma capenga “ortodoxia”, todos os dois estão no erro. E no erro os caminhos são muitos.

É como já dizia S. Ireneu: “[…] Na realidade, para aqueles que enxergam, não há mais que um único caminho ascendente, iluminado pela luz celeste; porém, para aqueles que não enxergam, os caminhos são muitos, sem iluminação e em declive. O primeiro conduz ao reino dos céus e une o homem a Deus; os outros levam à morte e o afastam de Deus” (Demonstração da Pregação Apostólica, Prólogo).





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