Paz e bem! Acessei pela primeira vez seu site. Gostei muito. Acho sua iniciativa muito louvável. Talvez poderei lhe encaminhar algumas sugestões, a fim de publicar no seu site.

Prezado James,

Agradeço suas cordiais palavras e aguardo suas sugestões e artigos.

Aproveito para registrar apenas um reparo, que espero que seja aceito:

Na parte referente “Quem fundou sua Igreja”, existe um equívoco histórico. Você menciona que a primeira divisão no Cristianismo (sic) ocorreu em 1054, e que o fundador da Igreja Ortodoxa foi o patriarca Miguel Cerulário. Isto não correponde à verdade histórica. A primeira grande divisão ocorreu já após o I Concílio de Nicéia, de onde surgiu o ramo Nestoriano da Igreja, hoje reunificado em sua grande maioria com a Sé Apostólica de Roma (Igreja Católica Apostólica dos Caldeus de Babilônia, em processo de aproximação doutrinária com o remanescente separado Santa Igreja Católica Apostólica do Oriente – Rito Assírio). Após esta primeira divisão, ocorreu a segunda grande divisão após o Concílio de Calcedônia -> os monofisitas (Igreja Síria-jacobita, Igreja Apostólica Armênia e Igreja Copta do Egito, todas em processo de reaproximação acentuada com a Sé Apostólica de Roma na atualidade). São as chamadas Antigas Igrejas do Oriente.

Com referência a conhecida Igreja Ortodoxa, o patriarca Miguel Cerulário não deve ser considerado fundador da mesma, pois o ato de separação foi recíproco da Igreja Ocidental com a Oriental. Quem depositou o decreto de excomunhão no altar de Santa Sofia foi um cardeal romano de diminuto senso de inteligência! O patriarca apenas retribuiu. Na realidade foi apenas um ato formal de uma separação de fato que vinha desde a algum tempo, e que só se consumou na realidade algum tempo depois.

Como diz o Santo Padre João Paulo II, a Igreja católica é formada de dois pulmões: o Oriental e o Ocidental. A Igreja ortodoxa pode e deve ser considerada parte da Una Santa Igreja católica e apostólica. Um abraço. (James)

Concordo em parte com você, pois podemos encarar a história das divisões na Igreja cristã sob diversos aspectos:

  • se considerarmos a cronologia, poderíamos dizer que a primeira divisão foi a dos cristãos judaizantes, como nos informa os Atos e as epístolas de Paulo; podendo ser a segunda, a dos Nicolaítas, como diz o Apocalipse.
  • se considerarmos porém o tamanho, de fato a primeira grande divisão se deu com o Arianismo (e não Nestorianismo, como você diz), após o 1º Concílio de Nicéia (325 dC) que chegou, nos sécs. V e VI, a ultrapassar em número aos cristãos católicos, principalmente nos territórios bárbaros. (obs.: o ramo nestoriano só surgiu como comunidade separada em 431dC, após o Concílio de Éfeso, que foi o terceiro ecumênico).
  • entretanto, no meu artigo, estou usando o mesmo critério de Santo Irineu, segundo o qual a Igreja de Roma detém a primazia sobre todas as demais, de forma que “com esta comunidade, de fato, dada a sua autoridade superior, é necessário que esteja de acordo toda comunidade, isto é, os fiéis do mundo inteiro; pois nela sempre foi conservada a Tradição dos apóstolos” (Adv. Haer III,3,2-3 – séc. II).

Vale ressaltar que esse critério era aceito por todas as igrejas, inclusive pela Igreja de Constantinopla; foi somente no Concílio de Calcedônia de 451 (séc. V) – por influência política do imperador Marciano – que se quis conceder a este patriarcado os mesmos direitos e privilégios de Roma. Tal proposição, contudo, foi veementemente condenada pelo papa Leão I. Além disso, também devemos recordar que o papa Leão IX (1049-1059) estava empenhado em regularizar o relacionamento com a Igreja Oriental, cuja cátedra era ocupada desde 1043 por Cerulário, que lutava ferrenhamente contra a Igreja Ocidental (inclusive proferindo discursos contra a fé da Igreja latina) principalmente porque não admitia a sua posição de primazia sobre todas as igrejas.

Portanto, a atitude de Miguel Cerulário em 1054, não pode ser considerada como uma atitude de defesa, mas sim de auto-afirmação. Recorde-se ainda que a Igreja Oriental não foi pêga de surpresa pela excomunhão, uma vez que a ameaça de excomunhão foi feita repetidas vezes.

Por outro lado, o que o papa João Paulo II disse é uma realidade e condiz com a mútua retirada de excomunhão em 1965, solenemente proclamada pelo papa Paulo VI e pelo patriarca Atenágoras I. Espero que, ainda durante a minha vida, possa ver se consumar a plena comunhão entre as duas Grandes Igrejas…

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