O “graffiti de Alexâmenos” é considerado a primeira representação pictória conhecida da crucificação de Jesus. O grafite foi descoberto em 1857, quando o prédio denominado “Domus Gelotiana” (uma espécie de internato para os pagens imperiais) foi desenterrado no monte Palatino (em Roma). É datada de aproximadamente 85-95 d.C., da época do imperador Domiciano, já que depois o prédio permaneceu selado. Eis a imagem do grafite:

“ALEXÂMENOS ADORANDO O SEU DEUS”

Poucas pessoas sabem que uma das representações mais antigas que conhecemos da crucificação de Cristo não é uma bela imagem do Senhor, nem sequer uma tentativa piedosa dos primeiros cristãos para recordar Jesus em sua Paixão; é, ao contrário, uma ironia: um crucificado com cabeça de asno. Encontra-se em Roma e foi desenhada por um desconhecido para ironizar de um certo Alexâmenos (um jovem cristão), por sua fé em Cristo. Debaixo do desenho ainda é possível ler a seguinte inscrição em grego: “Alexâmenos adorando o seu Deus”

Como sabemos, os primeiros séculos do Cristianismo foram uma época de muitíssimas perseguições e ataques contra os cristãos. Inclusive antes das grandes perseguições, fiéis como Alexâmenos deviam sofrer a oposição e os ataques de conhecidos e desconhecidos.

Entre muitas outras lições que podemos extrair desses tempos, encontra-se a seguinte: nunca faltarão tribulações aos cristãos. Podem ser interiores ou exteriores, mas as tribulações certamente aparecerão em muitos momentos da nossa vida.

Quem segue a Cristo sabe que, cedo ou tarde, de um ou outro modo, sobrevirão as tribulações. Talvez seja humanamente compreensível querer que nossa vida transcorra pelas águas tranquilas de um mar calmos, mas as vidas dos grandes Santos, no entanto, nos ensinam que os obstáculos fazem parte da nossa peregrinação terrestre e que um Cristianismo sem cruz é pura ilusão.

“ALEXÂMENOS É FIEL”

O cristão deve acolher a graça de Deus para crescer nesta grande virtude da esperança. Era exatamente isto o que nos pedia São Pedro: uma paciência nutrida de esperança; não é a atitude de quem se encolhe em si mesmo para aguentar os golpes da vida. A “hypomone”, a esperança que o Apóstolo nos pede, visa sempre o Senhor, confiando em seu amor e em suas promessas que nunca – nunca – falham. É assim uma esperança ativa, não resignada, mas tenaz, firmemente ancorada na Fé.

A história de Alexâmenos não acaba na ironia! A poucos metros dali, em uma outra parede, foi gravada esta outra inscrição: “Alexâmenos é fiel”. Talvez tenha sido escrita pelo próprio Alexâmenos ou por alguém que o conhecia. Isto não sabemos! Mas podemos saber, com toda a segurança, que em meio às dificuldades Alexâmenos enfrentou a situação com uma Fé firme e uma tenaz esperança, ou seja, com “hypomone”.

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