Autor: Catholic Answers

Desde o princípio, Deus fala com sua Igreja através da Bíblia e da Sagrada Tradição. Para garantir que sejam compreendidas por nós, Deus guia a autoridade de ensino da Igreja – o Magistério – para que esta possa interpretar perfeitamente a Bíblia e a Sagrada Tradição. Eis o dom da infalibilidade!

Esses três elementos – a Bíblia, a Sagrada Tradição e o Magistério – são todos necessários para que haja a estabilidade da Igreja e para garantir a segurança da doutrina.

1. A SAGRADA TRADIÇÃO (Catecismo da Igreja Católica, n°s 75 a 83)

A Sagrada Tradição não deve ser confundida com a simples tradição humana, geralmente chamada de costume ou disciplina. Algumas vezes Jesus condenou os costumes ou as disciplinas, mas somente quando estes contradiziam os Mandamentos de Deus (cf. Marcos 7,8). Jesus nunca condenou a Sagrada Tradição e nem todas as tradições humanas.

A Sagrada Tradição e a Bíblia não são diferentes, nem são revelações concorrentes. Na verdade, são dois modos de como a Igreja segue o Evangelho. Os ensinamentos apostólicos como a Santíssima Trindade, o batismo das crianças, a infalibilidade da Bíblia, o Purgatório e a virgindade perpétua de Maria têm sido, de forma muito clara, demonstrada pela Sagrada Tradição, ainda que estejam implicitamente presentes (e não em contradição) na Bíblia. A própria Bíblia nos remete à Tradição, tanto na forma oral quanto na forma escrita (cf. 2Tessanonicenses 2,15; 1Coríntios 11,2).

Como dissemos, a Sagrada Tradição não deve ser confundida com os costumes e as disciplinas, como o rosário, o celibato sacerdotal e a proibição de comer carne nas sextas-feiras da Quaresma; tais costumes são bons e úteis, mas não são doutrinas. A Sagrada Tradição preserva as doutrinas pregadas por Jesus primeiro aos seus Apóstolos e, mais tarde, repassadas aos sucessores dos Apóstolos, isto é, aos Bispos.

2. AS SAGRADAS ESCRITURAS (Catecismo da Igreja Católica, n°s 101 a 141)

As Sagradas Escrituras, que englobam o Antigo e o Novo Testamento, foram inspiradas por Deus (2Timóteo 3,16). Foi o Espírito Santo quem guiou os autores bíblicos a escrever aquilo que Ele desejava revelar. Já que Deus é o principal autor da Bíblia e Deus é Verdade (cf. João 14,6), não pode Ele ensinar algo errado e, assim, a Bíblia está isenta de qualquer erro, em tudo que ela defende como Verdade.

Alguns cristãos dizem: “A Bíblia é tudo o que eu preciso”, contudo, tal afirmativa não se encontra na própria Bíblia. Na verdade, a Bíblia ensina justamente o contrário, como lemos em 2Pedro 1,20-21 e 2Pedro 3,15-16). Além disso, a teoria de que “somente a Bíblia basta” nunca foi professada pela Igreja primitiva.

Trata-se, assim, de um conceito novo, surgido durante a Reforma Protestante do séc. XVI. Tal teoria é “tradição de homens” que anula a Palavra de Deus, distorcendo a verdadeira regra bíblica e excluindo a autoridade da Igreja estabelecida por Jesus (cf. Marcos 7,1-8).

Ainda que seja popular em muitas igrejas cristãs, a teoria de que “somente a Bíblia basta” simplesmente não funciona na prática. A experiência histórica desaprova essa ideia pois a cada ano vemos surgir mais e mais religiões, cada qual com uma interpretação bíblica diferente.

Existem hoje dezenas de milhares de denominações, cada qual afirmando que sua interpretação particular da Bíblia é a correta. As divisões que geram causam confusões indescritíveis entre milhões de cristãos sinceros, mas desorientados.

[Para se ter uma ideia,] basta abrir as páginas amarelas da lista telefônica para verificarmos quantas denominações diferentes estão catalogadas, cada uma dizendo que “somente a Bíblia basta”, mas nenhuma concordando exatamente com a interpretação bíblica de todas as demais.

Porém, podemos ter a certeza de uma coisa: o Espírito Santo não pode ser o autor de toda essa confusão (cf. 1Coríntios 14,33). Deus não pode conduzir as pessoas através de crenças contraditórias já que a Verdade é uma só. Que conclusão podemos então tirar? De que a teoria que diz que “somente a Bíblia basta” [para o cristão] é falsa.

3. O MAGISTÉRIO (Catecismo da Igreja Católica n°s 85 a 87; e 888 a 892)

Juntos, o papa e os bispos compõem a autoridade de ensino da Igreja, que é chamada de “Magistério” (do latim “Magistério” que significa “Mestre”). O Magistério, guiado e protegido contra o erro pelo Espírito Santo, nos dá a certeza da doutrina. A Igreja defende e proclama a mensagem da Bíblia fiel e precisamente. Trata-se de uma tarefa da Igreja, autorizada por Deus.

Devemos ter em mente que a Igreja nasceu antes da redação do Novo Testamento; e não o inverso! Os membros da Igreja, inspirados por Deus, escreveram os livros que formam o Novo Testamento da mesma maneira como os escritores do Antigo Testamento também eram divinamente inspirados; e é a Igreja quem é guiada pelo Espírito Santo para guardar e interpretar toda a Bíblia, tanto o Novo quanto o Antigo Testamento.

Assim, torna-se absolutamente necessário um intérprete oficial quando precisamos compreender a Bíblia apropriadamente (ora, todos nós sabemos o que diz a Constituição Federal, porém, cabe ao Supremo Tribunal Federal interpretá-la oficialmente).

O Magistério é infalível quando ensina oficialmente já que Jesus prometeu enviar o Espírito Santo para guiar os Apóstolos e os seus sucessores no conhecimento de toda a Verdade (cf. João 16,12-13).

  • Fonte: Livro “Pillar of Fire, Pillar of Truth” (2ª ed.)
  • Tradução: Carlos Martins Nabeto

 

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