Várias são as maneiras de revelar sentimentos como também de transmitir conceitos. Assim o símbolo é uma espécie de linguagem viva, meio de comunicação entre os homens. Sempre existiu e existirá.

Neste mês de junho, a piedade cristã dedica especial atenção ao Sagrado Coração de Jesus. No plano natural, esse órgão significa um centro, algo de essencial, cuja destruição redunda necessariamente na morte do ser criado. Além disso, ele mostra a índole do indivíduo: ódio ou amor, coragem ou covardia, vingança ou perdão. Essa concepção está subtendida quando falamos da devoção a que nos referimos. Nos domínios da Fé, descobre o extraordinário tesouro da bondade divina que é manifestada na vida do Redentor.

Nas famílias, locais de trabalho, estudo e lazer, nas cidades, cresce de forma angustiante a necessidade de ser valorizada a convivência humana, sua importância em favor do bem-estar coletivo.

Os conceitos de generosidade, dignidade, nobreza são indispensáveis ao relacionamento entre pessoas. Eles brotam de um coração bem formado, simbolizado por este órgão vital. Os maiores crimes podem ter origem em uma inteligência brilhante, jamais um caráter ilibado induz alguém ao mal.

Algum tempo atrás, foi noticiado um fato que revela o grau de insensibilidade moral e o nivelamento aos irracionais, com seus instintos mais aviltantes. Um jovem doente ameaçava jogar-se do alto de um edifício. Logo formou-se uma pequena multidão. Em um grupo, havia desaparecido os sentimentos mais nobres, pois açulava, estimulava o pobre enfermo a praticar o suicídio que, aliás, veio a acontecer. E alguns bateram palmas.

Cada um desses participantes responde, em parte, diante de Deus, por essa morte. Eles manifestaram algo de profundamente negativo. Tal ocorrência, bastante deprimente, nos deve questionar como membros desta comunidade. Faz-nos também refletir sobre esta passagem da Sagrada Escritura: “Tirarei de vosso corpo o coração de pedra e vos darei um outro de carne” (Ez 36,27). Somente assim muitos problemas poderão ser resolvidos.

No plano sobrenatural, a devoção ao Sagrado Coração de Jesus abre grandes perspectivas ao crescimento religioso. São João, em seu evangelho (19,34) registra um fato que vem revelar a fonte da vida: “Um soldado transpassou o lado com a lança e no mesmo instante saiu sangue e água”.

No Antigo Testamento, Isaías (12,3) explica a origem de sua confiança e tranquilidade: “com alegria tirareis água das fontes da salvação”. Sendo esse líquido indicativo da existência e vitória sobre a morte, Ezequiel (47,9) prevê o tempo em que Deus fará jorrar torrentes capazes de garantir a sobrevivência de todos os seus filhos. Dentro desse contexto bíblico, São João, no texto acima citado, nos quer ensinar que o Redentor é o verdadeiro manancial. Pela sua crucifixão fez surgir a salvação do mundo.

Do mais íntimo do seu ser vem a manifestação do amor de Jesus. A lança abre o símbolo visível dos sentimentos que levaram o Salvador a morrer por nós. Amou-nos até ao sacrifício supremo para que vivêssemos eternamente.

A devoção ao Sagrado Coração de Jesus não se limita apenas a uma parte de Seu corpo. Ela anuncia no filho da Virgem um homem concreto, vivendo em um período da História. Confessamos sua angústia, seu afeto, sua fidelidade ao plano redentor, proclamamos a raiz da Missão Salvífica. Essa prática espiritual nos introduz na profunda e incomparável intimidade do Verbo com o Pai. Cristo se doou integralmente. A obediência que O levou ao Calvário não enfraqueceu esse laço de união: “substancialmente vive a plenitude de Deus” (Cl 2,9).

Em uma época de tanto egoísmo, é frutuoso perscrutar a personalidade singular do Mestre. Ele é solidário com os homens mesmo que sua dedicação resulta em fracasso. E da íntima comunhão com quem o enviou adquire forças e grandeza para orar pelos que o ultrajam e matam (Lc 23,34).

Essa veneração é extraordinariamente rica para nós, pois o sinal nos fala do nosso perdão, do sangue derramado para nos remir. Recorda ainda o centro do Universo.

A ciência dos homens e a vaidade dos cristãos que se julgam doutos, jamais poderão perceber as belezas de atos religiosos aparentemente plenos de simplicidade.

Deus se revela aos pequenos e entre eles, principalmente, estão os devotos do Sagrado Coração de Jesus. Com Sua entronização nos lares, o Apostolado da Oração, o novenário, as festas piedosas fazem mais pela Igreja que muitos instruídos, pois, no Coração aberto pela lança, veneram e adoram o amor do Pai, que entregou por nós Seu próprio Filho para que pudéssemos viver (cf. Rm 8,31-34). Outorgou com esta doutrina o segredo de ordenar este mundo tão cruel por estar distanciado do Evangelho. Abriu perspectivas eternas a todos os seus filhos. Além disso, com o insistente apelo a aceitar seu jugo, que é suave e seu peso que é leve (Mt 11,28), nos proporcionou os meios para que possamos atingir a fonte da água viva.

Fonte: http://www.arquidiocese.org.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=3558&sid=78

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