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A pílula do dia seguinte (ou o aborto chega mais cedo)

Nesta primeira semana de agosto, a imprensa divulgou com estardalhaço a chegada de mais uma “maravilha” científica no Brasil: a pílula do dia seguinte. Vejamos em que consiste este método contraceptivo, considerado eficaz em 95% dos casos.

Para tanto, usaremos alguns trechos da reportagem “Pílula do dia seguinte chega às farmácias” do jornal “O Dia” de 04 de agosto de 1999. As frases da notícia estão em itálico, enquanto nossos comentários vêm logo em seguida.

A pílula emergencial só pode ser tomada quando nenhum outro método contraceptivo foi utilizado, quando houve ruptura do preservativo, falha na tabelinha ou esquecimento na ingestão da pílula tradicional por um período superior a dois dias. “Essa pílula só deve ser usada em situações de emergência, jamais como método de rotina”, alerta o ginecologista Maurício Magalhães.

Aqui está o primeiro alerta: após a falha de outros métodos contraceptivos. Logo entenderemos porque tanta apreensão em não fazer uso irrestrito desta pílula.

Se a pílula for tomada nas primeiras 24 horas após a relação, o risco de gravidez é de 5%. Uma segunda pílula tem que ser tomada 12 horas após a ingestão da primeira. Segundo os especialistas, o produto não é abortivo, já que a gravidez só ocorre quando o óvulo atinge o útero, processo que demora cerca de sete dias.

Ao que parece, nem todo mundo concorda com esta afirmação. Senão, observe-se:

“A partir do momento em que o óvulo é fecundado pelo espermatozóide, inicia-se uma nova vida, que não é aquela do pai ou da mãe, e sim a de um novo organismo que dita seu próprio desenvolvimento, sendo dependente do ambiente intra-uterino da mesma forma que somos dependentes do oxigênio para viver. Biologicamente, cada ser humano é um evento genético único, que não mais se repetirá”. (Professora Márcia Pimentel, PhD em genética humana)

Há ainda discussão nos meios médicos sobre qual o momento de início da vida. Para alguns, a vida humana começa com a nidação, ou seja, a fixação do óvulo no útero, conforme insinua a reportagem. Para outros especialistas há, porém, um pequeno detalhe: e se este óvulo já estiver fecundado ? Realmente, depois que o espermatozóide penetra no óvulo, em questão de horas ocorre a fusão dos núcleos, de modo que começa um novo indivíduo, com carga genética própria.

Esta célua-mãe há de se multiplicar, antes mesmo de ocorrer a nidação (que ocorre uma semana depois). Ora, a nidação é necessária para a sobrevivência do bebê, mas não se pode confundi-la com o início da vida. Considerável número de geneticistas já se manifestou a este respeito.

É a nidação que, ligando o filho à mãe, vai tornar possível sua alimentação. Evitando que alguém se alimente, implica a morte deste alguém, e não em dizer que o dito indivíduo inexiste ! Em miúdos: a pílula do dia seguinte é abortiva sim.

A reportagem segue falando dos efeitos colaterais na mãe (náuseas, vômitos, dor de cabeça, tonteiras…) o que até sugere uma reação do organismo contra esta violência, mas não diz, infelizmente, sobre o efeito maior: a morte do nascituro. Não é problema desta reportagem: não encontramos nenhuma notícia na imprensa televisiva ou escrita que, ao menos, considerasse a polêmica em torno do início da vida.

Por fim, a bela conclusão de que o medicamento “só pode ser vendido com receita médica” . Acreditamos ser desnecessário alertar o quanto esta lei (e tantas outras!) é desrespeitada continuamente no Brasil

Logo se vê que houve clara opção por um mundo fictício: ficção de que a pílula não é abortiva, e ficção de que a lei exigindo receita médica é cumprida. Em realidade, só um fato: mais uma porta aberta para o aborto.

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