Nós, do VS, realmente não pretendemos estender essa discussão em relação ao Movimento Carismático, até porque, infelizmente, os argumentos são, quase sempre, norteados por uma visão pontual, logo não-universal, e muito subjetiva. Pois bem, um leitor nos escreveu criticando a nossa posição frente aos abusos cometidos pela RCC. Pretendo, assim, dissecar a carta do nosso leitor. Vejamos!

Gostaria também de dizer que fiquei admirado de observar o modo em que são tratados os membros da RCC e sua identidade pelo VS, não esperava que o conceituado apostolado tivesse uma posição um tanto quanto parcialista e áspera em relação a este movimento reconhecido pela Santa Sé, e seus membros.

Nós do Veriatis Splendor não ratificamos visões simplistas e rasteiras sobre as problemáticas contidas dentro da Igreja. Graças a Deus, muitos foram os carismáticos que nos escreveram reverenciando a nossa iniciativa, entenderam muito bem que o motor que nos motiva à refletir sobre o papel da Renovação é justamente o da caridade, apenas o da caridade. Se o leitor admira o nosso apostolado é porque sabe que somos fiéis à Verdade, aos ensinamentos da Igreja, ao Santo Padre. Não há espaço para disse-me-disse, opiniões pessoais e análises individuais. As nossas críticas ao Movimento Carismático se fundamentam numa análise profunda e sincera erguida sobre a sólida base Tradicional, acimentada sobre o Magistério, protegida pelo Papa. Não obstante, e aqui entra outro grave problema de certos setores carismáticos, não podemos interpretar a realidade eclesial de maneira pessoal e, em hipótese alguma, rompendo com o passado da Igreja. Infelizmente, isso ocorre diversas vezes. Quando um carismático tenta ratificar os erros da RCC, entendendo as críticas como odiosas e motivadas por um sentimento egoístico, e, para piorar, justificá-los através de uma hermenêutica obtusa dos pronunciamentos papais, ele mostra a sua falta de fidelidade à doutrina cristã. O Santo Padre realmente corrobora e autentica a vontade carismática, o que não é de estranhar, afinal, realmente, a RCC, além de relevante na Igreja moderna por reavivar a vida de oração e devoção, busca difundir uma nova explosão de fé no mundo. Quando se livra dos erros pontuados – sentimentalismo, glossolalia banalizada, desobediência litúrgica etc – o Movimento Carismático favorece ao desenvolvimento de um séquito de católicos fiéis aos ensinamentos da Mater Ecclesia. O Papa, ao saudar o 32º encontro nacional da Renovação Carismática na Itália, desejou à RCC que “suscite uma renovada adesão a Cristo crucificado e Ressuscitado, uma profunda comunhão fraterna e um alegre testemunho evangélico”. Agora vamos refletir; será que o Papa que defende vigorosamente a importância da fidelidade ao espírito litúrgico, que busca resgatar a sobriedade cristã, que luta contra o relativismo e o sentimentalismo infantil, será que esse Papa iria, ao mesmo tempo, validar tais escorregões da Renovação? Obviamente não!

Percebi em alguns artigos e principalmente nos mais recentes que há uma definição muito teórica por parte do VS sobre a difusão desse movimento na Igreja de Cristo, imagino eu que quem o julga deve conhecê-lo pessoalmente e não só como um conceito por estudos ou informações recebidas, mas por testemunhar pessoalmente.

Ou esse leitor tem domínio sobre as nossas consciências ou ele realmente não sabe o que diz. Ele realmente sabe se nós não tivemos contato com a Renovação Carismática? De todo modo, essa argumentação é falaciosa. Eu não preciso pecar para saber o que é o pecado, eu não preciso provar um veneno para saber que é mortal. Qualquer católico, hoje em dia, sabe o que é a RCC, no mínimo convive com alguns carismáticos nas paróquias.

É muito superficial dizer algo sobre alguém tomando por base conhecimentos reduzidos e não globais, conheço pessoalmente muitas pessoas participantes desse movimento que cresce cada vez mais dentro da Igreja e percebo que as Informações que li nos ultimos artigos do apostolado nao estão condizentes com a realidade que tenho visto, não tenho visto lá pessoas meramente emocionadas não, pelo contrario tenho percebido que esse movimento vai crescer ainda mais porque é real o numero de pessoas inseridas nele que conscientemente tem trabalhado verdadeiramente para que a verdade de Cristo seja difundida e defendida.

Aqui entra um problema que nosso leitor não percebe; a RCC é totalmente descentralizada. Graças a Deus ele teve o prazer de conhecer carismáticos conscientes, opostos a esse sentimentalismo infantil, maduros e conhecedores da doutrina, entretanto, essa não é a realidade comum. Pululam grupos de oração onde reina a absoluta fé açucarada a lá Pe. Fábio de Melo, com aquela incrível psicologização da religião, onde os sermões mais parecem consultas terapêuticas e palestras motivacionais. Além disso, muitos são os grupos que inventam novos ritos litúrgicos, deformam a Missa, e tudo em defesa de uma maior “proximidade” com Deus. Enquanto usam um discurso de amor ao Senhor e à Igreja eles deturpam e destroem, justamente, o que é defendido e resguardado pela Igreja de Cristo. Essa descentralização do Movimento Carismático favorece ao desenvolvimento de uma diversidade de facetas carismáticas, desde as mais primorosas, sensatas e equilibradas, até as radicalmente subjetivistas. Eu até fico impressionado com a posição de certos carismáticos, quanto mais distantes da ortodoxia doutrinal mais enfáticos na defesa do erro, se tal radicalidade fosse usada na adesão aos ensinamentos da Igreja penso nos frutos que iria dar.

não vejo a RCC como um movimento , mas como a renovação da Igreja

Então passe a ver como um Movimento. Essa papo de RCC como uma Renovação da Igreja é totalmente absurdo. Primeiramente, a Renovação tem particularidades de espiritualidade e carisma que não são universais, ou seja, não fazem parte da vocação de todos os batizados. Eu mesmo não me sinto nenhum pouco chamado a esse carisma. Além disso, a Igreja sempre se renova, afinal Ela é a Esposa de Cristo, encabeçada pelo Santo Padre, esse sim responsável pelo trilhar da Igreja no mundo, escolhido pelo próprio Cristo para governar Sua Ecclesia. A conversa de “renovação da Igreja” parte de um entendimento estranho, como se a RCC fosse uma força interna que, galgando espaço, tomará as estruturas eclesiais, disseminando seu carisma por todo o orbe. Essa construção não existe! A Renovação é um Movimento e é bom que seja entendida assim. Como disse no outro artigo, quando certos carismáticos adotam esse raciocínio triunfalista dão mais motivos para críticas. “Extra RCC nulla salus”? Infelizmente é isso que parece para certos membros da Renovação; “toda a Igreja deve se batizar no Espírito Santo”, “a RCC é a renovação da Igreja”, essas afirmações revelam uma idéia muito perigosa, um certo ar de independência espiritual, como se o Movimento Carismático monopolizasse a ação do Paráclito, como se na Mater Ecclesia faltasse vivência Espiritual. Chego a pensar que para esses carismáticos a RCC detém uma missão quase revolucionária; destruir as estruturas “antiquadas” e “arqueológicas” da Igreja, criando uma nova cara “moderna” e “jovem”; o triunfo da bateria e da guitarra, a aposentadoria do missal e do órgão, o fim da mística e contemplação, o reino do oba-oba litúrgico.

Vejo como falta de respeito e consideração a muitos leitores e pesquisadores do VS os últimos artigos sobre a RCC, isso denigre o conceituado trabalho desse apostolado e o discredibiliza dentro  da Igreja, talvez seja por isso que recebeu tantos e-mails contestando o artigo.

Graças a Deus esse foi o único leitor – depois apareceu mais outro – que nos escreveu criticando a publicação do último artigo sobre a RCC, de minha autoria.

Acho que os fariseus foram os que mais odiavam a Jesus. Jesus renovou a verdade e isso foi muito duro para os de coração fechado e hipócritas. Jesus não aboliu a lei mas levou-a a perfeição, hoje é a vez de Seu Espírito o fazer, nos ensina coisas que não sabemos, sopra onde quer.

Depois esses carismáticos não sabem porque alguns chamam a RCC de protestante. Essa referência aos fariseus é típica dos desconhecedores e opositores da doutrina da Igreja. Cristo não condenou a Tradição, condenou o legalismo da tradição corrompida. A Igreja, edificada por Nosso Senhor, nos ensina através da doutrina deixada por Cristo, contida na Sagrada Escritura, Sagrada Tradição e Sagrado Magistério. E que conversa é esse do Espírito Santo nos ensinar coisas que não sabemos? Claro que o Paráclito ainda inspira os batizados, rege a Igreja, propicia o aprofundamento teológico no entendimento da Verdade já Revelada, mas jamais poderia contradizer aquilo que Ele próprio já ensinou. Deus não entra em contradição, se entra em contradição não é Deus. A RCC é importante, mas alguns dos seus piores membros apenas maculam o seu nome e impedem o real entendimento da sua importância dentro da Igreja.

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