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A REUNIÃO COM A IGREJA ORTODOXA RECUPERARÁ O SENTIDO DA TRADIÇÃO

As viagens do Papa João Paulo II para a Ucrânia, Grécia, Romênia e Israel e convites dos patriarcas e bispos das várias igrejas orientais separadas destacaram uma das prioridades de seu Pontificado – isto é – a esperança da reunião das Igrejas Greco-eslavas bizantinas dissidentes com a Cátedra de Pedro, que por muito tempo ocupou a Santa Sé, especialmente como o reinado do S. S. Pio IX (1846-1878). O Segundo Concílio Vaticano (1962-65) acentuou que as divisões entre os cristãos “contradizem abertamente a vontade de Cristo, escandaliza o mundo e prejudica a santa causa, a pregação do Evangelho a toda criatura” (#1). Dois de seus documentos, “Decreto sobre o Ecumenismo” (1964) e “Decreto sobre as Igrejas Católicas Orientais” (1964) estimularam o desejo para o diálogo teológico com todas as Igrejas Orientais separadas e com as comunidades eclesiais protestantes para superar os preconceitos, hostilidades, e ódio do passado. O Concílio Ecumênico expressou suas esperanças pela restauração do “espírito da fraternidade e unidade”.

Assim, palmilhando este caminho, superando pouco a pouco os obstáculos que impedem a perfeita comunhão eclesiástica, todos os cristãos se congreguem numa única celebração da Eucaristia e na unidade de uma única Igreja. Esta unidade, desde o início Cristo a concedeu à Sua Igreja. Nós cremos que esta unidade subsiste indefectivelmente na Igreja católica e esperamos que cresça de dia para dia até à consumação dos séculos. (“Decreto UNITATIS REDINTEGRATIO sobre o Ecumenismo”, #4)

O que não foi previsto pelos Pais do Concílio foram as desordens doutrinais, litúrgicas, morais e escândalos que balançariam e afligiriam a Igreja nos anos pós-conciliares. Especialmente sérios foram os efeitos da dissensão e desobediência engajadas por teólogos rebeldes que rejeitaram a Humanae Vitae (1968) e que começou a desvendar toda a moralidade sexual da Igreja. Debaixo destes esforços havia a tentativa de um revisionismo de dogmas e doutrinas centrais católicas para que se adequassem às alegadas exigências da “mentalidade moderna”. Um falso “espírito do Vaticano II” foi convocado pelos jornalistas, teólogos e catequistas para questionar as verdades imutáveis da Fé católica e desafiar, se não fosse devidamente rejeitada, a autoridade do Magistério Papal para determinar o significado das doutrinas católicas. Nos anos 1960 o famoso “Catecismo Holandês” seria rapidamente traduzido em muitos idiomas para marcar o aparecimento de um cético neomodernismo que necessitou que o Papa Paulo VI emitisse o Credo do Povo de Deus (30 de junho de 1968) para confirmar os irmãos na fé católica que nos veio dos Apóstolos.

Como a Igreja católica no Ocidente mostrou sinais de tumultos e rebeldia litúrgica, aliado ao fracasso de bispos em mostrarem disciplina para com os padres, religiosos e leigos desobedientes, seja com cisma com relação à Santa Sé (por exemplo, “ultra-tradicionalistas”, como os seguidores do arcebispo Lefebvre) ou a secularização da Igreja junto com uma significante negligência da autêntica espiritualidade (como os neo-modernistas), a busca da restauração da unidade Santa Sé com as igrejas Ortodoxas Orientais separadas prova ser de grande urgência. Apesar do desenvolvimento teológico entre os ortodoxos orientais não estar sem sérios erros (como sua aceitação do divórcio e segundo casamento, da contracepção e a resistência por muitos dos seus teólogos para com as doutrinas católicas definidas depois de sua separação da Cátedra de Pedro), permanece o fato de que a Igreja Ortodoxa retém quase toda a fé católica em sua totalidade. A separação oficial foi um processo que apareceu no fim séc. XII e foi acelerada com o saque da cidade de Constantinopla pelos cruzados em 1204. Não obstante, as igrejas bizantinas greco-eslavas dissidentes (grega, russa, ucraniana, búlgara, sérvia, romena, etc. e os da Diáspora ocidental) mantiveram a grande riqueza do doutrina apostólica estabelecidas nos primeiros Sete Concílios Ecumênicos. Há enorme conjunto da fé e prática cristã que católicos e ortodoxos continuam praticando, apesar das divisões na comunhão oficial que ocorreu depois da disputa de 1054 d.C..

O dogma permanece importante na Igreja Ortodoxa, considerando que no Ocidente moderno houve uma verdadeira “fuga do dogma” e há uma forte tentação de adotar um cristianismo tolerante, anti-dogmático, um “cristianismo sem Cristo”! É claro, um cristianismo anti-dogmático não é cristianismo, como nossos irmãos ortodoxos perceberam muito bem por causa de seu forte sentido da Tradição em que os dogmas expostos no Credo Niceno-Constantinopolitano são fundamentais à vida sobrenatural em Cristo. A Trindade, a divindade de Cristo, o Nascimento Virginal, Seus milagres, Sua Ressurreição física, Sua Real Presença na Eucaristia, a reverência e prece da Mãe do Deus e dos santos, as orações para os mortos, e Sacramentos administrados por bispos na Sucessão Apostólica, estão entre os artigos de fé com a qual não pode ser alterados. A afirmação do Bispo de Roma de exercitar a Primazia Apostólica de Pedro entre os apóstolos e exercer uma jurisdição universal e a Infalibilidade na Igreja permanece o maior obstáculo para com os nossos irmãos ortodoxos orientais separados mas o diálogo teológico já está esclarecendo certos conceitos errados sobre a autêntica e cristológica natureza espiritual da autoridade Papal.

É bom lembrar aos leitores que foram as pesquisas católicas dos últimos séculos que fizeram muito para trazer mais luz a todos os católicos sobre beleza da liturgia oriental, o esplendor do teologia mística bizantina, e a imensa herança dos Pais da Igreja gregos e sírios que prepararam a mente católica para a “aproximação das Igrejas”. Como o Papa João Paulo II declarou em 1995 em sua encíclica “Ut Unum Sint”, “A Igreja Católica não deseja nada menos que a plena comunhão entre o Oriente e o Ocidente e encontra inspiração para isto na experiência do primeiro milênio”. Como foi dito, apesar das dificuldades e cismas esporádicas, a unidade entre Roma e Constantinopla permaneceu na maioria do primeiro milênio. Tendo em mente o patrimônio histórico do o oriente cristão, o Sucessor de Pedro falou repetidamente que “a Igreja precisa respirar com seus dois pulmões”, isto é, com as tradições ocidentais e orientais (Veja ibid., #54). A “Primavera da Fé” para a Igreja, a que o Papa João Paulo ansiosamente aguardou, é prevista como uma que verá a Igreja católica respirar livremente com seu pulmão católico oriental grandemente fortalecido pela reunião próxima com os irmãos orientais não-mais-separados.

Foi em sua Carta Apostólica Orientale Lumen (2 de maio de 1995) que o Papa eslavo procedeu em louvar as glórias e os tesouros da Tradição oriental que foi preservada detalhadamente na vida das várias igrejas orientais, católicas, ortodoxas do leste e ortodoxas orientais (estas últimas Igrejas antigas se separaram de Roma e Constantinopla desde o 5º século). Ele notou: “é a Tradição que preserva a Igreja do perigo de se reunir somente opiniões variáveis, e garante Sua certeza e continuidade”. O amor e reverência com que os ortodoxos celebram o mistério da Eucaristia, sua adoração profunda da Trindade, sua profunda oração e contemplação doa mistérios divinos, sua doutrina da divinização no Espírito Santo pelos Sacramentos, seu testemunho para o valor perene da vida monástica – tudo manifesta a continuidade da crença e pratica católica entre nossos irmãos orientais separados e que deve ser mantido com a restauração da plena comunhão com a Cátedra de Pedro – e para o benefício de toda a Igreja católica. Continuando o legado ecumênico de seu predecessor, o Papa Bento XVI acentuou sua determinação e avançar o diálogo teológico católico-ortodoxo para eliminar as “divergências que ainda existem e não poupar nenhum esforço para restabelecer a plena comunhão”. (Discurso 12/15/05).

É a vontade do Cristo que os cristãos separados sejam um na Igreja construída na Rocha de Pedro. Que a intercessão da Mãe de Deus e as orações de santos como os mártires S. Josafá, S. André Bobola, o bendito confessor Leonid Feodorov, e protetores da Reunião com as igrejas Ortodoxas Orientais como o capuchinho S. Leopoldo de Castelnovo e o bendito místico carmelita Tito Brandsma nos concedam a bênção inestimável da restauração da plena comunhão entre as Igrejas Orientais separadas e a Igreja de Roma que, do começo do cristianismo foi conhecida a todos como a Igreja que “preside em amor” (S. Inácio de Antioquia).

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