Antes de explicar outra divisão do sistema sacramental instituído por Cristo, e ensinado pela Igreja Católica, quero que saibam que eu apenas estou tocando em alguns pontos de importância básica no estudo deste assunto. Os Sacramentos são tão profundos, e seu efeito de alcance tão profundamente vasto, que centenas de livros foram escritos sobre cada um deles. Se você desejar fazer um estudo exaustivo sobre esta interessante e util questão, eu sugeriria a edição inglesa da Summa Theologica de St. Tomás de Aquino, e os artigos de cada tema específico na Enciclopédia Católica. O sacramento que me entusiasma a cada vez que o estudo, e o conhecimento que é inesgotável, é a Sagrada Eucaristia, freqüentemente chamada de o Sacramento do Amor de Cristo. É considerado pela Igreja como sendo o maior de todos os sacramentos, pois nele Cristo dá-se ao fiel como o Pão da Vida. A sua instituição é uma evidência que Cristo possui poderes que habitam somente em Deus.

Cristo prometeu em muitas ocasiões antes da instituição deste sacramento, em linguagem incomfundivelmente clara, que Ele deixaria Seu Corpo e Sangue como alimento que nutriria a alma. Cristo disse (Jo 6) aos Judeus –

“Sou o Pão de Vida.”

“Sou o Pão vivo, que veio do céu.”

“Este é o Pão que veio do céu: não como seus pais comeram maná e morreram. Aquele que come deste Pão viverá eternamente.”

“A minha carne é verdadeiramente alimento: e Meu sangue é verdadeiramente bebida.”

“Como o Pai me enviou, e eu vivo por causa do Pai; assim aquele que me tomar como alimento viverá por causa de Mim.”

Os Judeus, que entenderam exatamente o que Cristo dissera, duvidaram, apesar do fato de que Ele previamente tinha demonstrado Sua soberania sobre a natureza por tomar cinco pães e dois peixes e multiplica-los, a fim de alimentar cinco mil pessoas. Disseram, “Como pode este homem dar-nos a sua carne para comer?” A resposta de Cristo ainda mais realçou Seu poder divino:

“Em verdade, em verdade vos digo: se não comerem a carne do Filho do homem, e beberem Seu sangue, não terão vida em vós. Aquele que come a Minha carne, e bebe Meu sangue habita em Mim e eu nele.”

É importante saber que este sacramento foi instituído na ocasião em que as funções sacerdotais foram conferidas aos Discípulos, aliás a Eucaristia é parte dela. Foi durante a festa da passagem, pediu a última ceia, porque era a última páscoa da Antiga Lei; era a última refeição que Cristo teria com Seus Discípulos. Aconteceu na noite antes de Ele ser traído. Este sacramento (que enquanto é O Sacrifício deve ser lidado sob o título de Ordem Sagrada) foi instituído assim:

” Jesus tomou o pão, benzeu-o, partiu-o e o deu aos discípulos, dizendo: ‘Tomai e comei, isto é meu corpo’ Tomou depois o cálice, rendeu graças e deu-lho, dizendo: ‘Bebei dele todos, porque isto é meu sangue, o sangue da Nova Aliança (no lugar da Antiga Aliança Jr 31,31), derramado por muitos homens em remissão dos pecados'” (a conclusão do que iria acontecer no dia que seria erguido na Cruz) (acréscimos meus; Mt 26).

Depois da inauguração do Sacramento, Cristo deu aos Discípulos o poder fazer o que Ele fez, mudar o pão e vinho no Seu Corpo e Sangue, com estas palavras: “Fazei isto em memória de Mim” (Lc 20:19). Este poder para transubstanciar (mudar uma substância em outra), isto é, fazer o que Cristo fez na última ceia, que foi dado aos Discípulos, que foram os primeiros bispos da Igreja de Cristo, foi continuado nos bispos sucessivos, e por eles nos sacerdotes, desde as eras apostólicas. A fé neste Grande Sacramento é baseado na crença na encarnação, que é a suposição de uma natureza humana pela Segunda Pessoa do Triuno Deus. Pela encarnação, Cristo uniu-se com a natureza humana; na Eucaristia, Cristo entra em comunhão pessoal com o fiel, individualmente. Os católicos acreditam ser este alimento de satisfação espiritual o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo pela autoridade de Cristo, como interpretada pela Sua infalível Igreja. O seu registro está nas pinturas nas paredes das catacumbas antigas; no Novo Testamento; numa tradição intacta que data ao primeiro século da era Cristã; e nos corações de milhões de Católicos, iniciado com os três mil Judeus convertido por São Pedro.

Deus alimentou o homem milagrosamente no passado, e Ele continua a fazer ainda hoje. Na primeira ocasião o homem físico foi alimentado pelo maná que caiu dos céus. Com ele mais de um milhão de crianças de Israel foram alimentados durante os quarenta anos de seua viagem pelo deserto (Ex 16). Na segunda ocasião, o próprio Cristo, que tendo compaixão pela multidão faminta, milagrosamente alimentou cinco mil pessoas no deserto (Mt 14:14). Mas tão necessário como é o alimento físico, sem nenhum valor eterno, é a Sagrada Eucaristia, o alimento espiritual com qual Cristo alimentou as almas de milhares de milhões de pessoas de todas as nacionalidades desde aquela última ceia. Cristo alimenta, como Ele disse, “não” com o alimento “que seus pais comeram e morrerram,” mas com o Seu Corpo e Sangue, com “o Pão que veio do céu” (Jo 6:59).

O Deus Eucarístico habita no tabernáculo de cada Igreja Católica, e é exposto, às vezes, para a adoração do fiel num ostensório, um objeto para demonstração. Doravante, quando você ver homens Católicos retirarem seus chapéus em reverência enquanto passam por igrejas Católicas, lembre-se que, por favor, eles não cumprimentam o edifício, como alguns de meus amigos Judeus acreditam. Fazem por reverência a Cristo Jesus, para seu Senhor e Deus, que está presente no tabernáculo da Igreja que construiu. A mesma razão incita todos os Católicos a genuflexão quando entram a Igreja. Israel Zangwill, notável novelista Judeu, era tão profundamente impressionado com a reverência que ele testemunhou, devido ao amor dos Católicos por Cristo na Eucaristia, que disse:

“Há duas torrents que me surpreendem, uma é o Niagara, a outra a reverente postura de oração perpétua na Igreja Católica. Que, com missas e a exposição do ostensório, não há nenhum dia ou momento do dia em que os elogios de Deus não estejam sendo cantados em algum lugar – em igrejas nobres, em criptas indistintas e capelas subterrâneas, em células e oratórios. O Niagara é indiferente a espectadores, e também o córrego perpétuo da oração. Tão firme e constante seja o sustento do unverso por Deus, tão firmeme e constante é Sua sabedoria, a antífona humana que respondendo a estrofe divina” (Fantasias Italianas).

A Missa; a reverência para o Mistério; receber o Pão de Vida em Comunhão; as genuflexões; a remoção dos chapéus em reverência quando passar em igrejas Católica; o “córrego perpétuo da oração” a que Zangwill viu vinda dos corações dos Católicos na bem humilde assim como nas “igrejas nobres,” são todas baseadas sobre a confiança na presença real de Cristo no Sacramento de Seu amor. Este Pão Eucarístico é uma evidência infindável da divindade de Cristo; a causa do coração Católico cantar:

“Doce Sacramento, nós te adoramos: Ó, Faz-nos amar-te mais e mais.”

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