• Autor: Alessandro Lima

Ensina o Catecismo da Igreja Católica:

“A Igreja é apostólica por ser fundada sobre os apóstolos, e isto em um tríplice sentido:

  • Ela foi e continua sendo construída sobre ‘o fundamento dos apóstolos’ (cf. Efésios 2,20), testemunhas escolhidas e enviadas em missão pelo próprio Cristo;
  • Ela conserva e transmite, com a ajuda do Espírito que nela habita, o ensinamento, o depósito precioso, as aturares palavras ouvidas da boca dos apóstolos;
  • Ela continua a ser ensinada, santificada e dirigida pelos apóstolos, até a volta de Cristo, graças aos que a eles sucedem na missão pastoral: o colégio dos bispos, ‘assistido pelos presbíteros, em união com o sucessor de Pedro, pastor supremo da Igreja” (CIC 857).

A missão que Cristo deu aos seus santos Apóstolos é em linhas gerais a manutenção da Sua Igreja até que Ele mesmo venha, o que consiste em pregar o Santo Evangelho, ensinar em Seu nome e ministrar os meios da Graça que são os Santos Sacramentos.

Esta missão por motivos óbvios deve perdurar através dos séculos, logo a Sua Igreja deve permanecer através do tempo continuando a sua augusta missão. Ora, isso só seria possível se o encargo dado aos apóstolos pudesse ser transmitido a outros homens, já que eles mesmos não iriam viver até o fim dos tempos.

Este sentido, se depreende do texto o Evangelho onde lemos:

  • “Mas Jesus, aproximando-se [dos Apóstolos], lhes disse: ‘Toda autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo’” (Mateus 28,18-20).

Notem: primeiro Jesus diz que recebeu Sua Autoridade do Pai, logo depois Ele confere esta mesma autoridade aos apóstolos, e depois diz que estará com eles até o fim dos tempos. Por acaso os apóstolos viveriam até o fim dos tempos? Se não – o que é óbvio – qual é o sentido de tal sentença? Ora, Jesus estava dirigindo-se aos chefes da Igreja, os Bispos, os quais os Seus Apóstolos eram os primeiros. Logo, os Bispos da Igreja em razão mesmo da Missão dada a eles, deveriam perdurar até o fim dos tempos. E como isso de daria? Através da sucessão dos Apóstolos.

Com efeito, ensina o Catecismo da Igreja Católica:

  • “No encargo dos Apóstolos, há um aspecto não-transmissível: serem as testemunhas escolhidas da Ressurreição do Senhor e os fundamentos da Igreja. Mas há também um aspecto permanente de seu ofício. Cristo prometeu-lhes ficar com eles até o fim dos tempos. ‘Essa missão divina confiada por Cristo aos Apóstolos deverá durar até o fim dos séculos, já que o Evangelho que eles devem transmitir é para a Igreja, em todos os tempos, a fonte de toda vida. Por esta razão os Apóstolos cuidaram de instituir sucessores” (CIC 860).

A Bíblia dá testemunho de que os apóstolos claramente escolheram sucessores que, por sua vez, possuíram a mesma autoridade de ligar e desligar. A substituição de Judas Iscariotes por Matias (cf. Atos 1,15-26) e a transmissão da autoridade apostólica de Paulo a Timóteo e Tito (cf. 2Timóteo 1,6; Tito 1,5) são exemplos de sucessão apostólica.

A História da Igreja também é repleta de testemunhos sobre a Sucessão dos Apóstolos nas várias Igrejas particulares espalhadas pelo mundo. Cito as obras mais conhecidas e antigas: a Carta de S. Clemente aos Coríntios (século I), Santo Ireneu de Lião em sua obra Contra as Heresias (século II) e Eusébio de Cesaréia em sua História Eclesiástica (século IV).

A Sucessão dos Apóstolos é uma verdade que se encontra na Sagrada Escritura e confirmada na vida e na Tradição da Igreja do tempo dos Apóstolos até os dias atuais.

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Nota:

  1. Ver também meu outro artigo: “O que é Igreja Apostólica?”
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