Espiritualidade

A temática paulina

Os grandes temas teológicos são tratados por São Paulo com rara profundidade. Cinco poderiam, entretanto, ser destacados: Deus; Jesus Cristo, o Redentor; a Igreja; o Cristão; a Vida Eterna. A existência do Onipotente e seus maravilhosos atributos fulgem a cada passo nos pronunciamentos do Apóstolo.

Compreende-se então seu arrebatado louvor: “Ao rei dos séculos, ao Deus imortal, invisível, único, honra a glória pelos séculos dos séculos. Amém” (1 Tm 1,17). Daí sua convicção: “Para nós há um só Deus, o Pai, de quem tudo procede e para quem fomos feitos” (1 Cor 8,6).

Da carta aos romanos esta passagem: “Ó profundidade das riquezas da sabedoria e da ciência de Deus! Quão incompreensíveis são os seus juízos e imperscrutáveis os seus caminhos! Pois quem conheceu o pensamento do senhor? Ou que foi o seu conselheiro? Ou quem lhe deu alguma coisa, primeiro, para que tenha que receber em troca? Porque dele, por ele e para ele são todas as coisas; a ele glória por todos os séculos. Amém” (11,33-36).

É por isto que ele conclamava: “Se vivemos, vivemos para o Senhor; se morremos, morremos para o Senhor” (Rm 14,8). Este Ser Supremo ama ternamente suas criaturas: “O amor de Deus tem sido derramado em vossos corações pelo Espírito Santo que vos foi dado” (idem 5,5). É sobretudo a Encarnação que ele focaliza como a demonstração por excelência desta benignidade divina: “Deus provou o seu amor para conosco pelo fato de Cristo ter morrido por nós, pecadores” (idem 5,8). É que, com tal sublime evento, “se manifestou a bondade de Deus nosso Salvador e o seu amor pelos homens” (Tt 3,4). Eis por que se dirigia aos efésios; “Dobro os joelhos diante do Pai, no qual tem origem toda e qualquer família, no céu e a terra, que ele se digne de conceder, segundo a riqueza de sua glória, sejais armados de força pelo seu Espírito, a fim de que se fortifique em vós o homem interior, que Cristo habite pela fé em vossos corações e que sejais arraigados e fundados no amor” (Ef 3,14-17).

A graça cristiforme recebida por Paulo no batismo atingiu tal grau de transformação em virtude de sua correspondência à mesma que pôde dizer aos gálatas: “E vivo, já não eu, mas é Cristo que vive em mim” (2,20). É que ele passava seus dias em total e absoluta submissão ao Filho de Deus.

Aí está o motivo pelo qual clamava aos filipenses: “Ao nome de Jesus se dobre todo o joelho” (2,10). Donde seu apelo aos romanos: “Revesti-vos do Senhor Jesus Cristo” (13,14). Tão profunda é a dileção entre o fiel e seu Salvador que ele indaga: “Quem nos separará, pois do amor de Cristo? A tribulação? ou a angústia? ou a fome? ou a nudez? ou o perigo? ou a perseguição? ou a espada? … Porque eu estou certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as virtudes, nem as coisas presentes, nem as futuras, nem a força, nem a altura, nem a profundidade, nem nenhuma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Jesus Cristo nosso Senhor” (Rm 8,35-39).

O cristão tem o pensamento de Cristo (1 Cor 2,16), cujo amor o compele (2 Cor 5,14), pois “Cristo morreu por todos, a fim de que aqueles que vivem, não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que morreu e ressuscitou por ele” (2 Cor 5,15). Como este Kirios morreu crucificado ele declarou: “Estou pregado com Cristo na cruz (Gl 2,19) … Julguei não dever saber coisa alguma entre vós senão a Jesus Cristo, e este crucificado” (2 Cor 2,2).

Explicava então: “Trazemos incessantemente em nosso corpo a agonia de Jesus, para que a vida de Jesus também se manifeste em nosso corpo. Com efeito, nós embora vivamos, somos sempre entregues à morte por causa de Jesus, a fim de que também a vida de Jesus se manifeste em nosso corpo” (2 Cor 4,10-11).

Sabia, entretanto, que “a linguagem da cruz é loucura para aqueles que se perdem, mas para aqueles que se salvam é poder de Deus” (1 Cor 1,18).

Entretanto, “os que pertencem a Cristo Jesus crucificaram a carne com suas paixões e seus desejos” (Gl 5,24). O efeito, porém, é extraordinário: “Se alguém está em Cristo, é uma nova criatura; passou o que era antigo; eis que tudo é novo” (2 Cor 5,17).

Cumpre “restaurar em Cristo todas as coisas” (Ef 1,1), pois Ele “se tornou para nós sabedoria proveniente de Deus, justiça, santificação e redenção” (1 Cor 27,30). Ele “é tudo em todos” (Cl 3,11). É nele que devemos caminhar enraizados e edificados nele (Cl 2,6 s).

Razão tem o apóstolo Paulo, pois o cristão deve ser outro Cristo pela sua vida de união com o Redentor.

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