Estamos entrando no que alguns chamam de era pós-industrial, em que a casa e o trabalho não são mais necessariamente separados. Quem mais sofreu com a era industrial foram indubitavelmente as mulheres, forçadas a escolher entre a família e o trabalho, privadas do que antes sempre fora, e agora volta a poder ser, uma combinação feliz de ambos.

Na era industrial, trabalho foi algo feito fora de casa, ponto. Os lares deixaram de ser empreendimentos produtivos (fazendinhas, oficinas etc.) governados por mulheres, e passaram a ser um dormitório de casal ou uma prisão para a mulher. Antes dessa concentração dos postos de trabalho em imundos e enormes edifícios industriais, era comum que mulheres desenvolvessem todo o seu potencial profissional, sendo ao mesmo tempo dirigentes e mães de família, com o lar e o trabalho reunidos no mesmo lugar.

Como exemplo, podemos citar Eleanor de Aquitânia (1122-1204 d.C.), rainha da França e da Inglaterra, que estabeleceu as bases do que ainda hoje vigora no direito marítimo internacional. Indo mais longe ainda, podemos ver a belíssima descrição bíblica da “mulher forte” no Livro dos Provérbios, capítulo 31.

A fábrica acabou com tudo isso. As mulheres passaram a ter de escolher entre o sacrifício da carreira ou da família, com soluções improvisadas que só aumentam a dor dessa escolha: licenças que afastam a profissional do trabalho, seguidas de creches ou babás com que se terceiriza o cuidado materno.

Hoje, contudo, está se tornando novamente possível fazer do lar uma unidade produtiva. Muitíssimas “mulheres fortes” conseguem conjugar no mesmo espaço seus talentos de tradutoras, psicólogas, artistas, produtoras rurais ou advogadas e a belíssima vocação de mãe. Do mesmo modo, a cada dia mais fábricas terceirizam a produção dos insumos para pequenas unidades produtivas, que podem e devem ser empreendimentos familiares, em que marido e mulher trabalhem juntos, construindo juntos um patrimônio, sempre perto dos filhos, sempre perto um do outro.

É a hora em que finalmente se torna possível libertar-se da falsa escolha a que a industrialização forçou as mulheres. Não é da natureza feminina nem abandonar a família oito horas por dia nem viver trancada em um apartamentinho, tirando o pó dos móveis.

Na hora de escolher uma carreira, voltou a ser possível pensar em algo que possa fazer do local do convívio familiar o local onde se obtém o pão de cada dia. Sempre havia sido assim, até o triste século 19, e está voltando a ser. Que bom.

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