Em uma era em que tanto se fala em libertação, em liberdade, em sanar as necessidades do corpo estando alheio as indigências da alma, uma sentença precisa ser revelada: não há libertação fora da Cruz. Não há liberdade se não em Cristo. Que não há felicidade que não na alma. Que não há paz senão em Deus.

A Cruz é a verdadeira teologia da libertação, porque nela Jesus se fez prisioneiro, prisioneiro do amor dos homens para assim nos libertar uma só vez e para todo sempre.

A cruz dividiu a história, entre a escravidão e a liberdade. Antes da Cruz o pecado, depois dela a graça. Antes da Cruz a dura sentença, depois dela a anistia e a misericórdia.  Antes a morte, doravante a Cruz a vida, e eterna.

A imagem de uma cruz era capaz de amedrontar até as almas mais corajosas, sob a imagem da cruz li-se apenas a ignomínia, o medo, a dor, a morte, a tristeza, o sofrimento. Jesus, porém, indo de encontro a Cruz, e foi tão doce aquele encontro que não se pode dizer dos que estavam contemplando aquela bárbara cena, que ali era entregue o patíbulo ao condenado; o semblante já flagelado de Jesus não foi capaz de esconder o seu olhar amoroso ao mirar a Cruz. Que espanto para seus algozes, nunca viram nada assim, o condenado que agrada-se ao contemplar o instrumento de seus últimos tormentos. Mas era verdade, pois Jesus desejou ardentemente comer aquela páscoa com eles, onde Ele seria a vítima a ser ofertada. E assim, Jesus vai mudar a história, a Cruz que fora desde os tempos mais antigos o instrumento do medo, vira a fonte de toda a esperança, de toda a libertação.

Fomos comprados a preço do sangue de Deus, única moeda capaz de nos tirar do cárcere do pecado para conduzir-nos a verdadeira dignidade para qual fomos criados; Jesus colocou a Cruz em seus ombros como o pastor que conduz em júbilo a ovelha que andara perdida, e carregou-a em seus braços com a bondade do samaritano que socorre o peregrino assaltado por ladrões; assim também, na Cruz fomos encontrados quando pelo pecado nos escondíamos à face de Deus; e na Cruz fomos carregados, quando jazíamos enfermos e incapazes a beira do caminho. Jesus cuidou de nós, derramou azeite sobre nossas feridas, pagou ao estaleiro pelos nossos cuidados, nos devolveu a vida, a dignidade de filhos de Deus, pode haver maior libertação do que esta?

Hoje fala-se muito em igualdade social, mas a Igreja tem algo muito mais sublime para nos dar, ela nos dá uma dignidade que nenhuma fortuna neste mundo nos pode conceder; de sorte que contasse que uma vez o rei disse para criada, “não brigue com esta criança, não sabia que ela é filha do rei?” E a criada respondeu, “e o senhor não sabia que eu sou filha de Deus?”

Além do que, o igualitarismo social não transforma ricos em pobres, transforma todos em miseráveis (todos menos os que estão no poder, os tiranos) Vejamos no que se tornou a Rússia depois de anos de regime comunista, e Cuba, a China, Coréia do Norte.  A China já é uma das maiores economias do mundo, mas qual a porcentagem do povo que vive abaixo da linha de pobreza? Cuba é tão “boa” que todos os anos milhares de cubanos morrem tentando atravessar o mar do Caribe clandestinamente para fugir do país.

A igualdade social é um contra-senso, o socialismo não foi feito para os pobres, ele usa dos pobres. Quem já viu uma foto de Lenin ou Stalin como uma machadinha na mão quebrando pedras? Poderiam dizer que eles eram autoridades e por tanto não caberia a eles uma coisas assim. Então eles vão contra seus próprios ensinamentos, todos têm de ser iguais, não é isto que diziam?

Uma construção não é feita só de operários, mas de engenheiros, eletricistas, de arquitetos; dispostos de forma hierárquica. Sem isto nem uma pequena casa pode ser erguida. E isto não é algo ruim, pelo contrário, é maravilhoso.  A vida social disposta em classes não fere a dignidade humana, desde que até as classes mais humildes tenham condições de vida, respeitando os direitos básicos, não do cidadão, mas do ser humano. E se o operário quiser se tornar um engenheiro que ele lute para isto, não é proibido, antes, é saudável.

Entre os primeiros cristãos não havia necessitados, lemos isto no Ato dos Apóstolos; não porque fossem todos ricos, não, haviam pobres, ricos, comerciantes, lavradores, reis, plebeus, só que a caridade cristã não permitia que alguém passasse necessidades, um socorria o outro.

Estas doutrinas pseudo-católicas dizem-se seguidoras de Jesus, mas dão as costas aos seus ensinamentos e a sua vida pública. Jesus não era um agitador social, Jesus não era um revoltoso político, e quando posto em prova disse que dessem a Deus o que era de Deus e a César o que cabia a César. Jesus deixou claro nas suas pregações que o seu Reino não é deste mundo.

Hoje querem dizer que o homem só tem corpo, esqueceram da alma, falam de um “Jesus” que nunca existiu. O Jesus verdadeiro morreu na cruz não para libertar o seu povo do Império Romano, mas para libertar todos os povos da escravidão do pecado, porque esta sim pode nos tirar a felicidade eterna, e até mesmo felicidade temporal.

Hoje temos os estatuto dos direitos humanos, o estatuto de defesa da criança, do idoso, e tanto outros respaldos legais, e ainda assim quantos não morrem todos os dias de fome e de frio? Não precisaríamos de nada disto se todos tivessem o Evangelho por carta magna, e seria muito mais eficaz, porque o verdadeiro católico se preocupa com as necessidades do próximo. Em outras palavras, se todos amassem ao próximo como amam a si próprios como nos manda a doutrina católica, existiria a fome no mundo?

São Paulo é categórico ao dizer que quem diz que ama a Deus que não está vendo, mas não ama o próximo que vê, é mentiroso. O amor que temos a Deus passa pelo amor que temos pelas criaturas; nisto consiste a caridade. Caridade não significa dar esmola, caridade não denota sequer ajudar ao próximo, mas sim, ajudar ao próximo por amor de Deus; caridade é ver em cada necessitado a imagem do próprio Cristo. Por isso diz a Escritura que no juízo Jesus vai dizer que teve fome, que teve frio, que esteve preso; e por quê? Porque Jesus se configura com o menor dos seus.

O que vemos a Igreja nos ensinar no decorrer dos séculos é a dignidade com que devem ser tratados os filhos de Deus, o corpo deve ser tratado com respeito e dignidade porque ele é portador de uma alma imortal criada a imagem de Deus. Vejamos o zelo e respeito que sempre a Igreja teve pelo corpo dos falecidos, e porque? Por que ali viveu uma alma, que até que se prove o contrário, ali viveu uma alma santa.

Pelas escrituras sempre é nítido o cuidado para com as crianças, as viúvas, os órfãos, principalmente a partir de Nosso Senhor. Jesus chorou por Lázaro, Jesus respeitava as dores inerentes a condição humana. Mas este mesmo Jesus vai exortar Maria porque ela, e não Marta, escolheu a melhor parte. O espírito é a melhor parte de nós, e ele tem a prioridade sobre as coisas do mundo.

Jesus se compadeceu do povo faminto, e o quis alimentar; mas este mesmo Jesus vai aproveitar aquela realidade material do pão que sustenta a vida do corpo, para ensinar uma nova realidade, que é o pão da sua própria carne que alimenta a vida da alma. Com isto Ele nós dá duas lições: estejais atentos as necessidades temporais de seus irmãos, como eu também estive; mas jamais se esqueçam de subjugar estas necessidades da corpo ante as necessidades da alma. Em outras palavras, o que adiantaria o maná para livrar o povo Israel do deserto, se o Messias não os tivesse os livrado do deserto do pecado, da aridez da morte, para conduzi-los a Jerusalém Celeste?

Jesus curou os enfermos, não só porque se compadeceu deles, mas principalmente, para dizer àquele povo que Ele era o Messias, o Emanuel, que Ele era a libertação. È isso que a Igreja faz, e é isto que nós, como filhos de Cristo e da Igreja, sua Imaculada Esposa, devemos fazer: curar as feridas do corpo para beneficiar a alma. Mostrar ao mundo a face misericordiosa de Jesus para conduzi-los todos a Ele, reuni-los todos num único rebanho, numa única família.

Os primeiros cristãos arrebatavam multidões pelo exemplo, os pagãos diziam assombrados, – “vede como eles se amam”. É a este amor que nós convida a Igreja, à pescar almas para Nosso Senhor, e o que veremos nas redes quando retirarmo-nas das águas? Veremos que junto das almas veio o corpo; por isso o verdadeiro discípulo de Jesus deve observar estas duas realidades humanas, distintas, mas inseparáveis.

Por fim, tudo isto foi dito para concluir que não devemos seguir algumas correntes que se dizem cristãs, mas que de Cristo não tem nada, vivem em total dissonância dos princípios cristãos. Querem materializar o Evangelho, querem materializar a Igreja, materializar Jesus.

A Igreja por sua vez, não materializa o Evangelho, pois ele foi escrito para as coisas da alma. Ela porém, vale-se de um justo recurso: aplica os princípios do espírito para melhorar a realidade material, assim, o que é a Doutrina Social da Igreja? É a aplicação da caridade e dos valores morais na vida social, para que não seja a alma a ser subjugada as fraquezas da carne, mas a carne a ser dignificada pela superioridade da alma. De que modo que a sociedade humana seja tanto mais próxima da sociedade celeste.

Queridos católicos, temos água da fonte mais pura para beber, não devemos procurar beber de outra fonte que não Igreja, ela é sempre uma verdadeira mãe e mestra, sempre pode dar as resposta que precisamos e nunca nos desaponta.

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