Debates

Acaso a doutrina é importante para as igrejas? Não basta concordar que Jesus Cristo é o Senhor?

Em janeiro de 1999, recebi mais um e-mail de um irmão evangélico me questionando, entre outras coisas, sobre as divergências doutrinárias existentes entre as várias igrejas cristãs. Disponibilizo a seguir as palavras do nosso querido irmão separado (na cor azul) juntamente com as minhas respostas (na cor preta). Gostaria, entretanto, de reafirmar que, oferecendo estas respostas, não é meu objetivo ofender ninguém; muito pelo contrário, quero somente defender a Verdade, uma vez que ela é muito distorcida ou, pelo menos, mal compreendida ou interpretada.
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Sou um cristão protestante e fiquei indignado por você ter dito que nós estamos espalhando o erro.

Compreendo o seu sentimento. Também me sinto assim quando dizem que os católicos adoram imagens, ou que dão mais importância a Maria do que a Deus, ou que o papa é o anti-cristo e outras coisas do tipo. Em minha página reconheço que existem muitos protestantes de boa vontade e boa fé; nunca neguei isso. Contudo – infelizmente – a maioria prefere repetir as idéias dos fundadores de suas igrejas – boa parte errada! – do que parar para pesquisar e conhecer a Verdade.

Ora, nós cremos no Senhor Jesus como o Único Mediador entre Deus e os homens, e é isso que levamos às pessoas: Jesus é o caminho, a verdade e a vida.

Nós, católicos romanos, nunca negamos essa verdade. Muito pelo contrário, sempre a defendemos. Somente Jesus é o Salvador da humanidade e pregamos essa boa nova por todo o mundo. Portanto, temos esse mesmo pensamento em comum!

Como você pode dizer que nos desviamos da Verdade????? Seria Jesus Cristo um erro???? Acho que você tem que tomar cuidado com o que diz, pois se você fizer um dos pequeninos do Senhor se desviar, Ele vai requerer isso de você.

Jesus Cristo não é um erro. Ele é a própria Verdade! Mas existe a Verdade e as “verdades”. Veja: você não me disse a que denominação cristã pertence… diz apenas que é “um cristão protestante”, o que é muito genérico. Existem hoje, segundo um Instituto americano, 20.000 denominações cristãs (o dado é de 1996!) e são criadas a cada ano mais 270! É mais do que óbvio que espalham o erro: ora, mesmo que uma delas pregasse toda a Verdade, pelo menos 19.999 estariam erradas em algo (o que significa dizer que, hoje, apenas 0,00005% do universo do Protestantismo poderia estar correto…). Vem, então a pergunta: “Qual denominação protestante estaria 100% correta? Todas elas não usam a mesma Bíblia? Todas elas não se dizem divinamente orientadas pelo Espírito Santo?”… No que estariam erradas? Certamente que em pontos doutrinários, pois nenhuma pessoa em sã consciência fundaria uma igreja por não gostar da cara do pastor, ou por não se entender com algum outro fiel! Logo, cria-se uma igreja para atender um ponto que o seu fundador entende como fundamental para fé. O que vemos hoje é o que chamo de “supermercado da fé”: você escolhe – como numa grande prateleira – o produto (isto é, a fé) que melhor satisfaz a sua vontade; é mais do que óbvio, portanto, que há desvios da Verdade. “No que?” – você me pergunta. Eu poderia citar uma infinidade pois, como sabemos – e não há como negar – hoje o que não falta são igrejas que atendem o gosto do freguês, isto é, do fiel. Me limitarei a citar alguns:

– Algumas igrejas põem em dúvida a divindade de Cristo;

– Algumas igrejas afirmam que a Santíssima Trindade é uma fórmula pagã;

– Algumas igrejas dizem que Jesus é a única pessoa de Deus;

– Algumas igrejas pregam que só existem dois sacramentos: o batismo e a ceia do Senhor;

– Algumas igrejas dizem que não existem sacramentos, mas ordenanças;

– Algumas igrejas acreditam que Cristo reinará num milênio antes do juízo final;

– Algumas igrejas afirmam que o Inferno não existe como realidade;

– Algumas igrejas crêem que o Inferno não é eterno;

– Algumas igrejas defendem que o Batismo no Espírito Santo é conhecido unicamente pelo dom de línguas;

– Algumas igrejas acham que Maria teve outros filhos após Jesus;

– Algumas igrejas dizem que o batismo não é necessário para salvação, mas puro símbolo;

– Algumas igrejas não crêem que Jesus se encontre realmente na eucaristia;

– Algumas igrejas crêem numa terceira revelação, num terceiro testamento;

– Algumas igrejas afirmam que os grandes milagres pararam nos tempos pós-apostólicos;

– Algumas igrejas não aceitam o uso de imagens nem para fins pedagógicos;

– Algumas igrejas retiram livros do Antigo Testamento;

– Algumas igrejas não dão valor a alguns livros do Novo Testamento;

– Algumas igrejas não aceitam como válido o batismo de crianças;

– Algumas igrejas guardam o sábado como dia santo;

– Algumas igrejas dizem que podemos alcançar a salvação por nossos próprios méritos.

etc, etc, etc…

Observe que todas as inverdades citadas acima surgiram fortemente após o séc. XVI – coisa recente, não? Tudo surgiu em meios protestantes, que têm como única unidade entre si o mesmo fundamento sobre a “areia”: que o Espírito Santo guia cada crente na interpretação da Bíblia. Nada mais anti-bíblico do que isso… Não sabem que nada na Escritura é de particular interpretação, como exortou o Apóstolo Pedro em sua segunda epístola? Logo, a sua afirmação – que é verdadeira – de que não devemos desviar os pequeninos não é válida para mim, pois professo o mesmo que os cristãos professavam desde os primórdios. O problema é que os protestantes supõem que a Bíblia é a única autoridade para fé e não a Palavra de Deus. Querem limitar – como se isso fosse possível… – a Palavra de Deus a um livro chamado Bíblia; esquecem, porém, que foi a Igreja – com a autoridade dada por Jesus – que estabeleu, com a inspiração do Espírito Santo, o cânon bíblico no séc. IV d.C.!! Eu te pergunto: Quem é o fundamento e coluna da verdade? A Bíblia?? Não, embora a resposta esteja na Bíblia: é a Igreja!! Veja em 1Tm 3,15. Logo, caro irmão, a Palavra de Deus não está limitada à Bíblia; a Bíblia faz parte da Palavra de Deus, juntamente com a Tradição e o Magistério da Igreja.

Se você acha que estamos induzindo pessoas ao erro, prove biblicamente isso.

Já falei sobre isso no parágrafo anterior. O erro está em limitar a Palavra de Deus à Bíblia. Quer a prova? Se a Bíblia é realmente a única fonte de fé e autoridade para o cristão, mostre-me a passagem onde ela mesma afirma isso. Prove-me, então, pela Bíblia, que a Bíblia é a única fonte da Palavra de Deus… Em ponto algum a Bíblia afirma isso; logo a famosa “sola scriptura”, ou seja, “somente a escritura” é algo anti-bíblico e, se é anti-bíblico, como pode ser defendido por todos os protestantes? Fácil: porque tal teoria tira a autoridade da Igreja e permite que uma outra teoria anti-bíblica, isto é, a da livre interpretação da Bíblia, se espalhe pelo mundo cristão. Ora, não é exatamente essa mesma livre interpretação da Bíblia que permite a criação infinita de denominações e seitas cristãs? Não é essa mais uma prova que “somente a Bíblia” é um erro? Se você afirmar que não, certamente não estará levando em conta as palavras de Jesus em Mt 12,25, de que “todo reino dividido contra si mesmo é devastado; e toda cidade, ou casa, dividida contra si mesma não subsistirá”… Parece que as pessoas – principalmente os fundadores de igreja – se esquecem que Jesus orou pela unidade. Não era a unidade o sinal distintivo do Reino de Deus?? Leia a oração de Jesus em Jo 17

Quanto às imagens: se vocês sabem que tem pessoas se ajoelhando perante elas, dirigindo pedidos e agradecimentos à elas, acendendo velas para elas, realizando cultos para elas, porque insistem em não ensinar a verdade em suas igrejas?? Vocês não consideram estes como atos de adoração???

Mais uma vez as imagens… Eu acho incrível como os protestantes gostam de citar as imagens para justificar sua separação… Você já leu o que escrevi sobre elas na minha página? Se sim, peço para que releia novamente, com atenção. Lá eu digo: não confunda adoração – que é devida somente a Deus – com veneração – devida às pessoas que respeitamos. Quando um católico pede a intercessão de um santo ele bem sabe que quem lhe concede a graça é Deus, pois só Ele é o todo-poderoso. Eu é que pergunto: por que vocês, em suas igrejas, não explicam para os seus fiéis a diferença entre adoração e veneração? Você gosta dos seus pais?? Você os ama, tem carinho por eles? Segue seus bons exemplos e orientações? Pois muito bem, então você os venera da mesma forma como os católicos veneram os santos. Você teria coragem de rasgar uma fotografia da sua mãe na frente dela? Certamente que não, pois com certeza ela ficaria chateada, abalada, triste (mesmo sendo protestante). Então por que você fala [mal] dos santos, pessoas que seguiram fielmente a Palavra de Deus e estão juntos Dele? Hoje você cumpre a orientação do seu pastor; amanhã ele morre e, por acaso, deixou de ser bom exemplo para você? Hoje você passa por dificuldades e pede a oração de algum irmão, que vive como você e peca como você e eu; por acaso a oração dele é mais “poderosa” do que a oração daqueles que já encontraram a Vida Eterna, que são puros diante do Pai, e que continuam sendo nossos irmãos? Ou para você a morte marca o fim da vida?? Ou foi apenas o “bom ladrão” que teve o privilégio de se encontrar com Jesus após a morte? Caro irmão: é morrendo que vivemos para a vida eterna! A morte não é o fim, mas o começo! Hoje, os protestantes mais tradicionais como os luteranos, os presbiterianos, os anglicanos e os metodistas já encaram a comunhão dos santos como uma realidade. E a Igreja Católica professa isso desde o início. Glória seja dada ao Senhor! Outra coisa: não é porque nos ajoelhamos diante de uma imagem que estamos adorando-a; você também não fica de joelhos quando lê a Bíblia? Estaria você, por acaso, adorando a Bíblia? Lembre-se: o ato de se ajoelhar pode ser usado como postura na adoração mas nem todo ajoelhar-se é, definitivamente, um sinal de adoração!

Porque não as retiram, já que estão sendo pedra de tropeço para muitos????

Caríssimo, a Igreja Católica jamais obrigou alguém a adorar uma imagem – ao contrário do que você possa pensar. Prova disso são os documentos editados nestes 2000 anos pelo Magistério da Igreja, bem como pelos Padres e Teólogos católicos. Há, assim, uma unânimidade entre a Bíblia, a Sagrada Tradição e o Magistério, o que bem demonstra o fiel cumprimento da Palavra de Deus. Aliás, é bom que se diga: a Igreja Católica sempre condenou, desde os tempos apostólicos, a adoração de imagens. O catecismo do Concílio de Trento, em 1566, disse: “a idolatria é cometida quando se adora ídolos e imagens como se fossem Deus, ou quando se acredita que elas possuem qualquer divindade ou virtude que autorizam sua adoração, orando para elas ou confiando nelas”. Também o novo Catecismo da Igreja Católica, fiel à Palavra de Deus, condena a adoração de imagens em seus parágrafos 2112 à 2114. Portanto, por que retirá-las – já que não são deuses – se elas ajudam mais do que atrapalham, principalmente no campo pedagógico? Se, para você, elas são “uma pedra de tropeço”, simplesmente não faça uso delas, porém, não as condene indiscriminadamente pois até Deus as mandou fazer (cf.: Ex 25,18-20; 1Cr 28,18-19; Ez 41,15; Nm 21,8-9; etc…). Não é porque os católicos têm estátuas nos templos e oram na frente delas que estão necessariamente violando o mandamento divino de Ex 20,4-5! Deus nunca condenou o uso de imagens; o que ele proibiu foi que adorássemos as imagens como, de fato, ocorreu com os hebreus que, verdadeiramente, adoraram um bezerro de ouro e, mais tarde, a própria serpente de bronze. Afirmo, mais uma vez: não use as imagens para justificar sua posição de irmão separado pois nem a própria Bíblia fornece subsídios suficientes para isso!

Meu amigo, não me leve a mal. Não quero ofendê-los com minhas palavras, mas se isso aconteceu, me perdoe. Só não podia deixar de escrever-te, e acho que usei de sinceridade.

Caro irmão: também peço para que não me leve a mal. Gostaria de reafirmar que o meu desejo é a unidade, o mesmo desejo afirmado por Cristo. Se você leu a minha página introdutória, deve saber que já fui protestante e tomei contato com as mesmas idéias que as suas. Entretanto, procurando a Verdade, encontrei-a na Igreja Católica, da mesma forma como muitos protestantes de peso, no Brasil e no mundo. Verdade seja dita: se hoje muitos católicos abandonam sua Igreja, assim o fazem porque se acomodaram e aceitaram uma mensagem mais simples; contudo, os católicos que têm permanecido na Igreja, bem como aqueles que vêm convertidos de outras igrejas cristãs, acabam formando um valiosíssimo tesouro, pois buscaram conhecer a Verdade e – graças a Deus – encontraram, como testemunham suas obras. Pode estar certo – e o Senhor o fará perceber – que também usei da sinceridade para responder este e-mail!

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Quanta perseguição os católicos impingiram aos que se opunham às suas idéias??

E os calvinistas não perseguiram os católicos na Europa? E os príncipes luteranos não expulsaram os católicos de suas terras na Alemanha ou não os converteram à força? E os anglicanos, não fizeram o mesmo no tempo de Henrique VIII e de seu sucessor, Eduardo? Quais foram os motivos?? De fé? Não! Principalmente políticos ou de ordem pessoal, da mesma forma como aconteceu o grande cisma Oriental em 1054…

O que dizer da Santa Inquisição??

Você já leu a bula “Summis Desiderantes Affectibus”, de 05.12.1484, que alguns protestantes e esotéricos apontam como o “triste documento papal que deu início à Inquisição”? A bula não traz nenhuma definição nova sobre a bruxaria, mas fala sobre a possibilidade da influência demoníaca sobre as pessoas. Sabia que muito antes da edição dessa bula o poder civil já clamava para si o poder de executar as sentenças? Logo, não foi Inocêncio VIII o inventor dos processos inquisitoriais. Além disso, quem cometia os excessos era o poder civil, muitas vezes para arrancar falsas confissões para “legitimar” uma acusação e executar pessoas que incomodavam os “poderosos do pedaço”. Tanto é verdade que a Inquisição não foi usada somente por aqueles que se diziam “católicos”, ou para defender a fé católica: você sabia que Miguel Servet, que pretendia fazer uma reforma mais radical do que aquela realizada por Lutero, Zwinglio e Calvino foi queimado vivo pela Inquisição francesa por denúncia de Calvino? E por que Calvino assim o fez? Porque Servet ousara discordar de suas idéias no livro “Restitutio Christianismi” (em contradição à obra-prima de Calvino “Institutio Christianae Religionis”) e se sentiu pessoalmente atingindo pela declaração “Queira Deus destruir todos os tiranos da Igreja!”. Mais uma vez, motivos pessoais se sobrepõem aos da fé.

O que dizer de Galileu Galilei???

Com esta pergunta, no mínimo, você deve estar achando que a Igreja Católica abomina a ciência, que é anti-científica, o que, de fato, não é verdade. Pelo contrário, a Igreja Católica várias e várias vezes financiou pesquisas científicas, inclusive no tempo de Galileu… Se você, mais uma vez, vasculhar a história, verá que os maiores avanços científicos daquela época foram feitos por clérigos ou então por pessoas financiadas pela Igreja. Nicolau Copérnico dedicou sua obra “A Revolução das Órbitas Celestes” ao papa Paulo III e, para que o livro não fosse condenado pelos luteranos, Osiandro, amigo de Copérnico, informou no prefácio que a obra era uma “simples teoria”. Dez anos antes de Galileu, João Kepler publicou uma obra que expandia o trabalho de Copérnico e, como resultado, foi perseguido pelos protestantes que o classificavam de “blasfemador” e encontrou proteção junto aos Jesuítas, que sempre demonstraram respeito pela ciência. Mesmo assim, a maioria dos cientistas da época não adotavam a teoria heliocêntrica (que já fora rejeitada por Aristóteles alguns séculos antes de Cristo), mas a geocêntrica e está aí o problema da sua questão: os juízes que presidiram o julgamento do caso Galileu tinham uma visão geocêntrica do universo, como a grande maioria dos cientistas da época. Tanto é que Copérnico adiou por vários anos a publicação de sua obra sobre o heliocentrismo temendo ser ridicularizado por seus colegas! O problema mesmo é que Galileu parou de propor o heliocentrismo como teoria científica e passou a divulgá-lo como verdade, embora não tivesse nenhuma prova conclusiva para oferecer naquele tempo; não se contentou em debater cientificamente, mas passou para o plano teológico. Infelizmente, como ainda acontece hoje, muitos achavam que a Bíblia era, além de um livro de fé, um livro científico.

O que dizer da Noite de São Bartolomeu??

A Noite de São Bartolomeu (24.08.1572) foi mais uma ocasião onde os interesses políticos, no caso os interesses do monarca francês Carlos IX, suplantavam os da fé, já que tinha por objetivo consolidar a Monarquia, eliminando as disputas internas. É mais uma vez problema político e não religioso!

O que dizer dos Padres homossexuais, que, inclusive, estão morrendo de AIDS??

São seres humanos que merecem o nosso respeito como qualquer outra criatura. Nós, católicos, repudiamos o pecado e não o pecador. Alguns adquiriram o virus por transfusão de sangue, outros porque não foram fiéis ao voto que fizeram a Deus; renderam-se ao prazer da carne e foram contaminados. Não os posso julgar, já que não sou Deus (cf. Mt 7,1); o Senhor é justo juiz e saberá o que fazer. Mas não pense que esse problema é exclusivo da Igreja Católica: em junho/98 o documentário “24 Horas” da TV Manchete mostrou cenas de um culto da chamada “Comunidade Cristã Gay do Brasil” onde a esmagadora maioria é evangélica; aliás, nessa mesma ocasião mostraram um pastor presbiteriano ordenando um pastor homossexual da referida comunidade.

O que dizer da complacência da Igreja Católica no caso da Irlanda do Norte onde uma minoria católica quer impor sua vontade sobre a maioria protestante, violentando assim, a idéia da democracia??? Porque o Papa não manda o IRA parar com seu terrorismo???

Voltemos à História: a Irlanda sempre foi um país católico, tanto é que atualmente 95% (cf. Almanaque Abril) de seus habitantes se declaram católicos. Ocorre que em 1542 o rei Henrique VIII da Inglaterra (fundador do anglicanismo) assumiu o título de rei da Irlanda e em 1649, Oliver Cromwell conficou 9/10 das terras irlandesas para distribuir aos colonizadores protestantes. Em 1922, apenas a Irlanda do Norte (Ulster) permaneceu dentro do Reino Unido. Em 1949, a Irlanda tornou-se independente e passou a reinvindicar juridicamente a Irlanda do Norte. Então, como mais uma vez podemos ver, é o protestantismo que está sendo imposto a uma nação católica. Por que, então, a rainha da Inglaterra não abre mão da Irlanda do Norte, para que esta se reintegre à Irlanda e, assim, volte a ser o que era em 1542??? Por que tem que ser a maioria católica obrigada a aceitar uma religião que não quer livremente aderir???

Porque aceitaram a Teoria da Evolução, mesmo que sabendo que não existe respaldo científico sério que a sustente??

Este ponto é curioso… um pouco mais acima você indiretamente acusou a Igreja Católica de retrógrada por não aceitar a teoria de Galileu Galilei. Aqui, você tacha a Igreja de progressiva por aceitar a Evolução. A Evolução Natural não contradiz a Bíblia, da mesma forma como o Big Bang não elimina a verdade da criação do mundo por Deus a partir do nada. A Bíblia não fala dos dinossauros: acaso você duvida que tenham existido? Existem diversas técnicas inquestionáveis usadas pela ciência, como o carbono-14 que, quando bem feito, oferece resultados precisos. E o que muda para você, para a sua fé?? O que importa se o mundo foi feito em seis dias de 24 horas ou em seis períodos de um bilhão de anos?? Não é a própria Bíblia que diz que mil anos são como uma vigília da noite para o Senhor (Sl 90,4; 2Pd 3,8)? Acaso a ação de Deus pode ser negada por causa disso??? Não! A precisa ordem do universo bem prova a existência de Deus! E o que apreciamos na Igreja bem prova a ação de Deus entre nós. Devo, entretanto, chamar a atenção para um ponto: você diz que a Igreja Católica aceita a Teoria da Evolução, o que parece que ela adota tal posição como verdade absoluta… Isto é um erro! Na verdade, a Igreja Católica não condena tal posição pois não contradiz uma verdade bíblica, o que não significa que a adote oficialmente! Na verdade cada fiel católico pode pensar conforme melhor lhe aprouver. Se alguém crê na Evolução, tudo bem; se não acredita, tudo bem também. Tal opinião não é concernente à fé, mas a ciência, que é coisa distinta. Por favor, compreenda isso!

Você tem razão nisso: nós usamos a Bíblia como única regra de fé e prática. Cremos que ela é inspirada por Deus.

Nós, católicos, volto a dizer, também cremos na Bíblia, defendemos sua inspiração divina e a veneramos como Palavra de Deus, porém, bem sabemos que ela não é a única regra de fé, porque se realmente fosse, ela mesma declararia isso! Muito pelo contrário, ela mesmo afirma que não comporta toda a Palavra de Deus (cf. Jo 21,25; etc.), o que bem comprova que a Palavra de Deus não pode ser limitada, reduzida a um mero livro. As outras fontes da Palavra de Deus são a Sagrada Tradição e o Magistério da Igreja que, obviamente, não podem se contradizer, principalmente com relação à Bíblia.

Também sabemos há um algum tempo que vocês querem a unidade, mas não haverá unidade nos moldes que vocês querem impor.

Imposição. Uma palavra dura… Parece que nós estamos obrigando os demais cristãos a se converterem ao Catolicismo sem prévio juízo ou participação… Muito pelo contrário, adotamos o diálogo ecumênico que já rende bons frutos principalmente entre os ortodoxos, os anglicanos, os luteranos, os presbiterianos e os metodistas. Pena que algumas igrejas – como a batista – prefiram adotar, ao invés do diálogo fraterno, como verdadeiros cristãos e irmãos, uma posição anti-ecumênica e totalmente contrária ao diálogo inter-religioso. Tal posição atenta contra o desejo de unidade pedido por Jesus e o ensino dos apóstolos. Na verdade, na verdade, são algumas igrejas protestantes que preferem fazer o proselitismo, custe o que custar, do que parar para dialogar e tentar a unidade. Desculpa, mas essa é a verdade. As declarações conjuntas entre católicos e protestantes comprovam este meu ponto de vista…

Você disse que já foi protestante, mas na verdade nunca foi…. Você só ia à igreja por causa da sua namorada… Tem muitas pessoas fazendo isso.

Se eu nunca tivesse sido protestante, não conheceria tão bem suas diversas doutrinas, a ponto de poder discuti-las – com consciência! – há anos com protestantes das mais variadas correntes, das mais liberais às mais radicais. Quando dialogo com irmãos separados, prefiro fazer como Jesus e os antigos apologistas: uso somente as Escrituras que eles reconhecem como autoridade. O que me adiantaria citar Santo Agostinho para você? O que me adiantaria citar as palavras de determinada Carta Encíclica? O que me adiantaria citar algum livro deuterocanônico que não é aceito como inspirado por alguns crentes? Certamente que nada, porque seu valor seria questionado! Por isso, em minhas respostas, faço uso exclusivamente da Bíblia e da História, quando mais a posição de outras fontes protestantes.

Cresci no meio protestante, mas na adolescência desviei-me iludido com as coisas do mundo. Quanto dei por mim, estava caminhando longe de Deus, e repleto de problemas. Nestas andanças, casei-me com uma moça “católica”, mas como disse, repleto de problemas, resolvi voltar. Mas ela não quiz voltar comigo, sendo que, inclusive, propus que passassemos a frequentar a igreja católica, mesmo assim não aceitou. Os problemas foram se avolumando: perdemos nosso filho de apenas um ano e oito meses que caiu doente, fomos despejados de nossa casa (que era cedida), e minha esposa, num dia de desentendimentos, tentou suicídio. Foi aí que eu comecei a pedir a Deus que nos ajudasse, que nos mostrasse o caminho… Qual não foi a minha surpresa… quando dei por mim novamente Jesus havia entrado em nossas vidas, salvou-nos, restaurou nosso casamento, deu-nos uma casa que é nossa, concedeu-nos mais um filho, mas minha maior alegria é que essas coisas são provas de que nossos nomes estão escritos no céu… Estamos batizados, nossos filhos vão à igreja conosco com alegria… É maravilhoso…

Fico muito feliz pelo seu testemunho de vida. Observo, porém, que a sua “possível” conversão ao catolicismo não daria certo nessa ocasião pois não foi uma decisão consciente, mas aparente, uma forma de fazer a sua esposa (que pelo contexto verifico não ser ela profunda conhecedora da doutrina católica) voltar a frequentar uma igreja. Muitas vezes a pessoa se converte a certa igreja pelo tipo de celebração (mais animada, mais musicada, mais silenciosa, etc.) ou porque escuta algo que, consciente ou inconscientemente, gostaria de ouvir (lembra do supermercado da fé?). Isso, contudo, não significa que encontrou a Verdade plena, mas uma semente da verdade. Se essa semente for regada e tratada com carinho, certamente – mais cedo ou mais tarde – encontrará a Verdade.

Desculpe-me meu amigo, mas Deus não me colocou na igreja católica… foi da Vontade D’Ele…

Eu não tenho o que desculpá-lo. Muito pelo contrário, eu te exorto para que não fique acomodado, achando que já encontrou a Verdade última. Busque saber cada vez mais (alguém já disse: sabedoria não ocupa espaço). Pesquise, leia, aprofunde os seus conhecimentos. Porém, jamais esqueça isto: toda moeda possui dois lados! Gosto sempre de dizer isto… Antes de criticar algo, busque compreender tal posição… O resto é consequência.

Eu agradeço grandemente por Ele ter respondido às minhas orações… Isto também têm acontecido com muitos católicos que se convertem, inclusive, padres…

Ultimamente não tenho ouvido falar que padres – validamente ordenados – tenham se convertido ao protestantismo. O inverso, porém, tenho escutado grandemente, principalmente nos EUA, onde a chamada “nação de maioria protestante” já tem como maior denominação cristã a Igreja Católica. É o caso de Gerry Matatics, James Akin, etc.

Mais um abraço, irmão… Fique com Deus…

Caríssimo irmão: mais uma vez gostaria de avisar que não quero ser grosso, nem ofendê-lo. Na verdade, quero apenas que você busque conhecer melhor a fé e a prática da Igreja Católica (o que não significa necessariamente conversão). Obrigado novamente pelas questões levantadas e peço, sinceramente, as bênçãos de Deus para você e para toda a sua família.

Alguns dias depois recebi um retorno, com mais questionamentos, aos quais respondi conforme se segue:
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Irmão, Agradeço por ter respondido meu e-mail, e peço sua atenção por só mais um instante, e não te importunarei mais.

Não se preocupe… Esteja certo de que você não me incomoda e fique à vontade para perguntar o que quiser. Como já disse, a sua dúvida pode ser a mesma de muitas outras pessoas. Por isso, é um prazer para mim esclarecer a fé católica para aqueles que assim o desejam.

Lamento que você se ofenda quando dizemos que vocês adoram imagens, mas é exatamente isso o que parece.

Gostaria de esclarecer que a palavra “ofensa” não deve ser entendida como “raiva, ira”, mas sim como “chateação”. Realmente fico entristecido quando ouço alguns irmãos separados dizerem que nós, católicos, somos idólatras, que “adoramos” imagens e outras “pérolas” do tipo, principalmente quando sabem a diferença que existe entre adoração e veneração. A veneração que temos pelas imagens é o mesmo sentimento que vocês, evangélicos, e nós, católicos temos pela Bíblia. Ora, a Bíblia faz parte da Palavra de Deus e, por isso é venerada, merece respeito. Pergunto, então: você adora a Bíblia ou a venera? Certamente a venera, porque somente Deus é digno de adoração, não é mesmo? Observe, contudo, que a própria Bíblia é uma imagem: quando você abre a Bíblia e a lê, está fazendo uso dos olhos, que permitem a visualização da imagem gráfica (as letras) que, por sua vez, é transformada em estímulos para que o cérebro interprete a imagem como palavras. Com as imagens sagradas (esculturas, desenhos, pinturas, etc) não ocorre processo diferente: elas ajudam a criar uma realidade que, não raras vezes, permite ao fiel um aprofundamento espiritual e mais íntimo do que meras palavras. Aliás, não são apenas os católicos e os ortodoxos que fazem uso de imagens; algumas igrejas evangélicas também usam (como provei no artigo “A Bíblia Condena a Fabricação de Imagens?”)… Navegando pela Internet tive o raro prazer de encontrar uma igreja evangélica que faz uso de imagens. Num Estudo Bíblico existente no site da “Mocidade Ekklésia” (http://www.bethshalom.org.br/estudos.htm) o pastor Henrique Jorge diz que “a presença da Cruz no símbolo da igreja tem sido erroneamente interpretado por muitos crentes que chegam ao ponto de desanimar nossos novos convertidos de frequentarem a igreja”. A seguir, o pastor passa a demonstrar, pela Bíblia, a legitimidade do uso de imagens (que ele chama de “símbolo”, talvez para não escandalizar os mais radicais) afirmando que “qualquer objeto, pessoa, festa pode ser utilizado como símbolo de alguma realidade espiritual”. Ao final, o pastor bem mostra o que deve ser repudiado: a adoração do objeto e não a veneração; usando suas palavras, diz que o objeto cruz “só se torna uma maldição quando colocamos sobre ela expectativas; esperamos alguma coisa dela; quando lhe atribuímos poder, virtude que não tem”. Perceba-se, portanto, que o citado pastor possui um entendimento muito estreito com o ensino católico. Também os luteranos começam a demonstrar o mesmo entendimento e, mais cedo ou mais tarde, também a sua igreja saberá atribuir o verdadeiro valor para as imagens. Pode estar certo disso!

O apóstolo Paulo disse que não comeria mais carne, se isso fizesse seu irmão pecar. Se vocês sabem que as imagens tem feito pessoas pecarem, insisto, acabem com isso.

Naquele tempo, como nos tempos atuais, quando uma grande controvérsia se instalava entre os cristãos era costume convocar-se concílios ecumênicos. Com relação à carne, At 15,20 apresenta o Concílio de Jerusalém que definiu que os gentios convertidos deviam se abster somente dos ídolos, da prostituição e de ingerir carnes sufocadas e sangue. Porém, isto é um problema de consciência, como diz 1Cor 8 e não de obrigação. Se adotássemos tal posição, porque vocês, batistas, não páram de batizar somente os adultos já que tal posição escandaliza católicos, ortodoxos e protestantes mais tradicionais? Por que os adventistas não celebram seu culto aos domingos, já que a guarda exclusiva do sábado escandaliza a maioria dos cristãos? Percebe o problema e a extensão da sua colocação?? Ora, nossa Igreja pratica o mesmo há dois mil anos, possui identidade própria que nenhuma outra igreja tem e devemos mudar nossas práticas porque uma minoria não quer parar para dialogar ou para conhecer a finalidade de tal prática? Desculpa, mas isso seria, no mínimo, um absurdo… Veja: não estou querendo desprezar a opinião da minoria; o que estou dizendo é que, antes de se mudar algo, devemos ter a certeza de possuir uma alternativa melhor ou estar convencido do erro, o que não é o caso, como bem vemos…

Sou batista e nós temos respeito por Maria mãe de Jesus, pois é uma mulher bem-aventurada… Colocou no mundo o Salvador…

A sua afirmação encerra um erro básico em Cristologia e, por sua vez, acarreta uma desfiguração importante em termos de Mariologia. Ao considerar Maria somente como a “mãe de Jesus” você separa a divindade e a humanidade de Jesus em 2 pessoas distintas quando, na verdade, bem sabemos que Jesus possui duas naturezas (a humana e a divina) em uma única pessoa. Fazendo isso, você acaba caindo na heresia do Nestorianismo que foi expressamente condenada pelo Concílio de Éfeso em 431 (portanto, mais de 1000 anos antes da Reforma Protestante). Apenas para relembrar: o Nestorianismo negava o título de “Mãe de Deus” (Theotokos) à Maria Santíssima, atribuindo-lhe o título alternativo de “Mãe de Cristo”, já que Nestório, bispo de Constantinopla, afirmava que Maria somente abrigara em seu seio o corpo humano de Cristo, o que significa que apenas a pessoa humana de Jesus estava no seio de Maria. Ora, Maria pode sim ser chamada de “Mãe de Deus”, não no sentido de que é anterior, mais velha ou a fonte de Deus (que, de fato, ela não é), mas no sentido de que abrigou, verdadeiramente, o Deus encarnado (cf. Jo 1,14).

Sabemos que existem inúmeras denominações por causa das diferenças doutrinárias, mas não existem divisões quanto à questão principal da formação da igreja, todas são unânimes: Jesus Cristo é o Senhor. E é isso o que importa.

Caríssimo: neste ponto você cai numa grande contradição, afirmando que, entre as igrejas, existem diferenças de doutrina mas não no “principal”, ou seja, de que Jesus é o Senhor (=Deus). É até dispensável citar as palavras do Apóstolo, que pede para que todos sejam unânimes no pensar e no falar (=doutrina), cf. Rm 12,16; Fl 2,2; Ef 4,14; 1Tm 1,3; 1Tm 6,1.3-4; 2Tm 4,3; Hb 13,9; etc. A doutrina contribui diretamente para o crente alcançar a salvação. Você não me diz que “as imagens são pedras de tropeço para muitos”? Por que você me pergunta isso? Certamente porque você não concorda com o uso de imagens e acredita que todos os católicos perderão a salvação por causa disso. Para um adventista, certamente todos os cristãos que guardam o domingo como dia santo transgridem a Lei do sábado e, por isso, perderão a salvação. Para o testemunha de jeová, todos os cristãos que crêem na Santíssima Trindade são politeístas e serão condenados à morte eterna. E tem mais: existem igrejas evangélicas (e não são apenas os testemunhas de jeová) que negam a divindade de Jesus, como os pentescostais unitários; para estes, Jesus não é o Senhor da mesma forma como entendemos. Portanto, a justificativa de que o “mínimo” é mantido pelas igrejas evangélicas é anti-bíblico e injustificável, um desrespeito ao desejo de Jesus, dos Apóstolos e da Igreja. São Paulo, em Rm 16,17, diz: “Rogo-vos, irmãos, que noteis os que promovem dissensões e escândalos contra a doutrina que aprendestes; desviai-vos deles”. O que ele está condenando aqui? Apenas a diversidade de doutrinas entre os cristãos? Não! Ele também condena as divisões, que são fruto da diversidade de doutrinas. Percebemos, assim, que a sua posição – apoiando o “programa mínimo”: Jesus é o Senhor – é incorreto e anti-bíblico. E mais: se acaso a diversidade de doutrinas não tivesse importância, você também não poderia condenar o uso de imagens pelos católicos já que também estes proclamam que Jesus é o único Senhor, satisfazendo o mínimo exigido…

Eu particularmente creio que o Senhor usa a cada uma delas para atingir as prioridades das pessoas, por exemplo: A igreja batista é forte no estudo da bíblia, a Renascer em Cristo tem um forte ministério entre os jovens drogados, a Assembléia de Deus tem ênfase no trabalho do Espírito Santo na vida da pessoa, os Presbiterianos, luteranos, anglicanos são bastante tradicionais, como você mesmo disse, e até a igreja Universal do Reino de Deus, que vocês odeiam, tem um trabalho bonito na área de assistência social… Em suma, são diversas partes de um mesmo corpo… E o cabeça é Cristo.

Mais uma vez sua justificativa para a existência de tantas e tantas denominações cristãs permanece injustificável… A verdadeira Igreja deve reunir tudo isso que você mencionou por causa de sua própria natureza. A Igreja Batista é forte no estudo da Bíblia? Também a Igreja Católica possui excelentíssimos teólogos e doutores como Santo Agostinho, São Jerônimo, São Leão Magno, Santo Ireneu, São Justino Mártir, Santo Atanásio, Santo Ambrósio, São Tomás de Aquino, etc., etc., etc… A Renascer em Cristo recupera viciados? Também a Igreja Católica possui inúmeras entidades para a recuperação de drogados e, no ano passado, definiu como prioridade a ação pastoral entre os viciados (drogados, alcoólicos…). A Assembléia de Deus enfatiza a ação do Espírito Santo na vida pessoal? Também a Renovação Carismática Católica não o faz, com crescimento percentual até maior? A Igreja Universal do Reino de Deus possui um trabalho assistencial bonito? O que dizer, então, das associações e pastorais católicas, como a Sociedade São Vicente de Paula, as Irmãs da Caridade, a Ordem Hospitaleira de São João de Deus, a Pastoral Carcerária e os milhares de asilos e creches mantidos pela Igreja Católica?? Como podemos classificar o belíssimo trabalho da irmã Dulce (de Salvador-BA) ou da Madre Teresa de Calcutá (Índia)? Os anglicanos, os luteranos, os presbiterianos são muito tradicionais, a ponto de se aproximarem em muitos pontos da Igreja Católica? Não se aproxima mais a Igreja Católica ao ensinamento de Jesus e dos Apóstolos por ser a única Igreja cristã comprovadamente existente desde o princípio e pregando sempre o mesmo?? Graças a Deus, a Igreja Católica não possui apenas um ponto forte, como as demais igrejas; muito pelo contrário, ela é a Igreja a quem Jesus garantiu que assistiria até o final dos tempos (cf. Mt 28,28).

Gostaria, porém, de esclarecer duas coisas, já que você citou:

1. a cabeça da Igreja Católica é Cristo Jesus;

2. ao contrário do que você diz, nós, católicos, não odiamos a IURD: se você assistir aos programas deles (cultos) na TV ou ler a “Folha Universal” verá que é justamente o inverso que ocorre. Da mesma forma como pedi para que você me mostrasse onde, na Bíblia, está escrito que ela mesma é a única fonte de fé para o cristão, também agora te peço para que me mostre onde a Igreja Católica toma a iniciativa para atacar a IURD.

Sim , sabemos também que existem problemas em nossas igrejas, na sua não é diferente:

Os erros que ocorrem dentro da Igreja Católica devem-se a falibilidade humana em assuntos que não dizem respeito à fé e à moral. Doutrinariamente, a Igreja Católica não encerra erro pois é “a coluna e o fundamento da verdade” (1Tm 3,15). Como costumo a dizer, graças a Deus ninguém pode mexer com o passado da História… O cristianismo, como religião histórica que é e pela importância histórica que tem, é muito bem documentado. Então vejamos:

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